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5.SONUÇLAR VE ÖNERİLER 5.1.SONUÇLAR

5.2. ÖNERİLER

Não é exclusividade da Idade Média ter sido uma idade dos homens. A afirmativa de que a época medieval seria uma idade macho pode debitar ao período medieval uma característica que, a rigor, pertence a todas as eras da história. Na verdade, da forma como a pesquisa histórica foi durante muito tempo produzida, todas as idades são dos homens.

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Sobre esse tema consultar: SANTOS, 2001, p. 14-15; ROUSSELLE, 1989, p. 17-77. 207

É o que uma certa leitura da história nos ensinou, aquela dos modelos universalizantes. Ainda que seja extremamente difícil encontrar as mulheres no período medieval, assim como em qualquer outro momento da história, elas estavam por lá.

Sem dúvida que para o historiador acostumado ao quotidiano dos arquivos repletos de documentos acerca da história universal, concluir que uma dada idade histórica é predominantemente masculina, é conclusão óbvia. Eles são a parte visível do social.

Mas o que Geroges Duby tinha em mente quando disse ser a era feudal uma

Idade Média macho? A velha idade das trevas tem sido acusada de muitos fatos.

Contudo, Duby não faz uma acusação. Antes, é uma constatação e, ao mesmo tempo, uma provocação. Esse medievalista estava interessado em descobrir “o lado

oculto, o feminino’.208 Esse foi seu desafio, pois que da época medieval quase tudo

que nos chega é decididamente masculino. No entanto, a obra desse medievalista nos ensinou a questionar essa história universal.

Para encontrar as mulheres em suas relações sociais, é preciso abandonar os modelos universalizantes, pois neles não há espaço para o diferente. Duby foi um dos pioneiros na tarefa de buscar o feminino num mundo repleto de homens “convencidos da superioridade de seu sexo”.209

A história universal produziu uma verdade histórica do ponto de vista do homem branco, filho das elites sociais, herdeiro da velha tradição judaico-cristã- ocidental. Qualquer outro objeto histórico que estivesse fora deste padrão de universal não encontrava guarida nas pesquisas até então produzidas.

Mas basta insistir um pouco que as fontes passam a nos falar sobre elas, suas formas de vida, seus comportamentos, seus afazeres profissionais, suas sensibilidades, suas religiosidades, nos descortinando “a mulher nesses tempos longínquos”.210

Enfim, nos arquivos vive, ocultada, uma população feminina que, quando encontrada, se mostra bastante barulhenta. Basta achar o começo desse fio de

208 DUBY, 1988a, p. 5. 209 Ibid., p. 5. 210 Ibid.

Ariadne211, todo um universo feminino se nos apresenta e então elas começam a nos dizer coisas.

Na contramão daquilo que era determinado pela Família e pela Igreja, elas elaboraram suas próprias concepções acerca dos seus corpos, sobre a maternidade, de suas religiosidades, enfim produziram formas generificadas de relações sociais.

Que a Idade Média foi predominantemente masculina, não há dúvidas. Essa masculinização se expressava de diferentes maneiras, sobretudo nas relações sociais entre homens e mulheres. Tratava-se de uma sociedade da “guerra e da agressão”212, na qual uma população de meninas e meninos, de moças e moços, de damas e cavalheiros, de camponesas e camponeses, monjas e monges que encontravam dificuldades na arte da convivência. Foi, sem dúvida, uma civilização na qual os valores da guerra estavam presentes nos diversos âmbitos da vida quotidiana.

O uso da violência não foi privilégio da Idade Média, mas esse foi sem dúvida um tempo no qual esse predicado da espécie humana foi bastante marcante. A começar por aquela violência praticada pelo senhor contra os seus adversários, no seio da nobreza na luta pela aquisição de privilégios.213

A conquista desses privilégios pressupunha a exclusão dos adversários, fossem eles iguais ou subalternos. O poder dos senhores se fundamentava no uso da força. Para Claude Gauvard: “Raptos, estupros e banditismos marcam a instalação das linhagens nobres no decorrer dos séculos X e XI. [...] A violência é constitutiva da nobreza.214

É conveniente dizer que a violência não se limitava aos extratos superiores daquela sociedade, pois as pesquisas têm observado que as práticas de violência

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Personagem da lenda do Minotauro, monstro que vivia em um labirinto, e que tinha corpo de homem e cabeça de touro. Ariadne era filha do rei Minos, de Tebas, que cobrava um tributo aos habitantes dessa cidade. Esse tributo consistia em entregar todos os anos sete jovens e sete donzelas para serem devorados pelo Minotauro, que era mantido num labirinto tão habilmente projetado por Dédalo, que quem ali fosse encerrado não conseguiria sair sem ajuda . A jovem filha do rei, deu a Teseu uma espada e um novelo de linha para enfrentar o monstro, graças ao que Teseu conseguiu vencer o Minotauro e sair do labirinto. Sobre esse mito consultar: BULFINCH, Thomas. O livro de Ouro da Mitologia. História de Deuses e Heróis. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999, p. 186-204.

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Para essa questão, consultar: DUBY, Georges. Guerreiros e camponeses. Lisboa: Estampa, 1980.

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Sobre a idéia de ser a violência uma especificidade da espécie humana há controvérsias, pois há evidências científicas de existir violência política e sexual entre os outros grandes primatas, sobre isso consultar: WRANGHAM, Richard; PETERSON, Dale. O Macho Demoníaco. As origens da agressividade humana. Rio de Janeiro: Objetiva, 1998.

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estão bem distribuídas por todas as camadas sociais. Também é importante salientar que essa condição de sociedade violenta, que pode caracterizar a era feudal, obedece a uma lógica das relações de poder próprias daquela civilização.

Não se trata, de concluir, a partir desses dados, que temos diante de nós uma realidade histórica a ser julgada pelo olhar acusador de uma outra civilização que se julga generosamente progressista e humanitária. A civilização dos tempos modernos e contemporâneos é, tanto quanto aquela, uma civilização da guerra e da agressão, cujos índices de violência nos faz pensar sobre a finalidade da espécie humana.

O que se pode dizer é que aquela violência obedecia a um certo encadeamento lógico dos fatos: “Aquele que conduz da injúria ao gesto injurioso, dos golpes e feridas à morte”.215 De um ato de ofensa ao justo e necessário ato de vingança. A vingança foi, neste contexto, o pano de fundo para a prática de mais violência.

Benzer Belgeler