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Este trabalho investigou se a transparência da comissão de corretagem contribui para que os consumidores possam tomar uma decisão mais bem informada na contratação do seguro automóvel. Para alcançar esse objetivo, além de responder às três questões complementares apresentadas na introdução, este trabalho dialogou com a literatura sobre a atividade de seguro, Teoria da Agência e transparência e examinou o domínio da política de transparência da comissão de corretagem no Brasil e no exterior. Também foram conduzidos surveys nacionais e internacionais: o primeiro com supervisores e entidades representativas de seguradoras e corretores de seguro de jurisdições estrangeiras e o segundo com corretoras de seguro brasileiras. Os resultados desses surveys, além de trazerem informações importantes para a investigação proposta, ofereceram algumas contribuições à literatura acadêmica por meio do levantamento de argumentos favoráveis e contrários; das posturas dos participantes dos mercados de seguro em jurisdições estrangeiras e no Brasil; e dos benefícios e problemas enfrentados na implantação de requisitos de transparência da comissão de corretagem em jurisdições estrangeiras que os adotaram.

A literatura consultada chama atenção para os problemas que podem surgir da relação de agência que se forma no processo de intermediação do seguro, com um agente (corretor de seguro) e dois principais (consumidor e seguradoras), conjugada com a forma de remuneração dos corretores de seguro por meio de comissão de corretagem paga pelas seguradoras. Por outro lado, aponta os benefícios que podem ser alcançados com a exigência de medidas de transparência relacionadas à divulgação da comissão de corretagem, notadamente a possibilidade dos consumidores tomarem decisões mais bem informadas no momento de contratação de seguro e um aumento na concorrência no mercado de corretagem de seguro e da própria indústria do seguro.

Esses benefícios foram confirmados no survey internacional, cujos resultados também mostraram que uma parcela significativa das jurisdições estrangeiras estudadas, que representa cerca de 25% dos prêmios mundiais do segmento de seguros de danos, possui ou apoia requisitos de transparência relacionados à divulgação da comissão de corretagem. Já no survey nacional, foi constatado que no Brasil 92% das corretoras brasileiras não divulgam a comissão de corretagem aos consumidores e que 93% são contrárias à divulgação independente de pedido dos consumidores e 92% à divulgação a pedido dos consumidores. Os resultados dos dois surveys ratificam a posição de Dahlen e Napel (2004), de que a informação sobre a

remuneração dos intermediários de seguro é geralmente difícil de ser obtida.

Os resultados da análise da literatura e dos surveys internacional e nacional sugerem ser oportuna a adoção de medidas que promovam requisitos de transparência no processo de intermediação do seguro automóvel no Brasil, como os relacionados à transparência ativa e prévia da comissão de corretagem aos consumidores, que deve ser formalizada por escrito aos consumidores.

Estudos futuros sobre a intermediação de seguro poderão considerar outras formas de regular as comissões de corretagem e medidas complementares à divulgação da comissão de corretagem que podem ser adotadas para reforçar a proteção do consumidor, tais como o estabelecimento dever fiduciário47 dos corretores de seguro em relação aos consumidores e o papel da educação financeira. Também poderão ser objeto de investigação os efeitos da transparência da comissão de corretagem na competição e na concentração do mercado de corretagem de seguro e da própria indústria do seguro.

47 No survey internacional essa medida foi relatada por vários supervisores, tanto como recomendação quanto

como medida já adotada em suas jurisdições, enquanto no survey nacional foi constatado que 72% das corretoras acreditam que prestam serviço para seus clientes e para as seguradoras no processo de intermediação do seguro automóvel e que 3% das corretoras que declararam que prestam serviços para as seguradoras. Com isso, três quartos das corretoras brasileiras não creem prestar serviços somente para os consumidores.

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APÊNDICE A – Modelo do questionário utilizado no survey internacional

1) País membro:

2) Autoridade de Supervisão de Seguros:

3) Pessoa responsável pelo preenchimento (nome e email):

4) Em sua jurisdição há dispositivos legais ou infralegais que obriguem os corretores de seguros a divulgar aos seus clientes a comissão de corretagem que recebem pela venda de seguros automóvel? Por favor descreva.

5) Em sua jurisdição há dispositivos legais ou infralegais que obriguem os corretores de seguros a divulgar aos seus clientes acordos de remuneração (por exemplo vinculados à lucratividade da sua carteira de clientes ou ao volume de prêmios) firmados com seguradoras? Por favor descreva.

6) Caso não existam na sua jurisdição dispositivos legais ou infralegais relacionados à divulgação da comissão de corretagem ou aos acordos de remuneração mencionados nas questões 4 e 5, como são tratados os riscos associados aos conflitos entre os interesses dos corretores e dos clientes na comercialização de seguro automóvel? Há previsão de implantação de alguma medida para mitigar esses riscos?

7) Na sua opinião, a divulgação pelo corretor de seguros da comissão de corretagem recebida ou dos acordos de remuneração adicionais à comissão de corretagem é (ou seria) suficiente para mitigar os riscos associados aos conflitos entre os interesses dos corretores e dos clientes na comercialização de seguro automóvel? Caso não seja, que outras medidas poderiam ser adotadas?

8) Caso a divulgação da comissão de corretagem e/ou dos acordos de remuneração adicionais à comissão de corretagem seja obrigatória na sua jurisdição, por favor relate quais foram os benefícios alcançados após a implementação da

obrigatoriedade da divulgação.

9) Caso a divulgação da comissão de corretagem e/ou dos acordos de remuneração adicionais à comissão de corretagem seja obrigatória na sua jurisdição, por favor relate se houve redução do preço do seguro automóvel após a implementação da obrigatoriedade da divulgação? Qual foi o percentual de redução no preço? 10) Como as seguradoras e os corretores de seguros de sua jurisdição se

posicionam a respeito da divulgação (ou da possibilidade de divulgação, caso não seja obrigatória em sua jurisdição) ao cliente pelo corretor de seguros da comissão de corretagem e dos acordos de remuneração adicionais à comissão de

corretagem?

11) Por favor registre outros comentários que considere importantes.

12) Caso a autoridade responsável por esse assunto em sua jurisdição seja outra entidade, por favor indique o nome e uma pessoa de contato.

APÊNDICE B – Modelo de convite para participação do survey nacional

Prezado(a) corretor(a),

Estou realizando uma pesquisa para obter sua opinião sobre a prática da divulgação da comissão de corretagem no Brasil. Essa pesquisa se refere à comissão de corretagem recebida pelas corretoras de seguro na comercialização do seguro automóvel tradicional (e não do seguro popular de automóvel recentemente aprovado pelo CNSP)

Sua participação é fundamental para o sucesso da pesquisa e o(a) senhor(a) me ajudará muito se

Benzer Belgeler