A análise dos dados envolveu inicialmente a tabulação das respostas e suas correlações entre elas. A população estudada é composta por jovens com idades entre 15 e 25 anos, todos fazem parte das comunidades locais da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil. Foram consultados 245 jovens, dos quais 42,9% do gênero feminino e 57,1% do gênero masculino.
Verificou-se que a população pesquisada é constituída de 3,2% são jovens com 15 anos, 13,06% são de 16 anos, 11,02% são de 17 anos, 8,98% são de 18 anos, 8,57% são de 19 anos, 8,16% são de 20 anos, 13,47% são de 21 anos, 10,20% são de 22 anos, 8,16% são de 23 anos, 7,76% são de 24 anos, 7,35% são de 25 anos.
Quadro 1: Distribuição da frequência dos jovens por idade.
Quadro 2 – Distribuição da frequência dos jovens por idade conforme agrupamento por faixas etárias.
Faixa de Idade
0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 15 à 17 18 à 20 21 à 25 Faixa de idadeIdade
0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 IdadeNessa população, 69,8% afirmaram estudar, enquanto 30,2% não freqüentam curso nenhum. Uma porcentagem de 38% não respondeu, mas 27,8% diz freqüentar curso superior, 3,7% freqüentam curso técnico, 22,4% frequentam o ensino médio, 8,2% freqüentam outros cursos que são profissionalizantes como enfermagem, informática, etc.
Tabela 1 – Distribuição da frequência dos jovens segundo o que estudam dentro das faixas etárias.
Pergunta 3: O que você estuda?
Idade
Total
15 a 17 18 a 20 21 a 25
Não responderam jovens 13 20 60 93
% Total 5,3% 8,2% 24,5% 38,0%
Graduação jovens 6 23 39 68
% Total 2,4% 9,4% 15,9% 27,8%
Ensino técnico Jovens 1 3 5 9
% Total ,4% 1,2% 2,0% 3,7%
Ensino médio jovens 42 10 3 55
% Total 17,1% 4,1% 1,2% 22,4%
Outros cursos Jovens 5 7 8 20
% Total 2,0% 2,9% 3,3% 8,2%
Total jovens 67 63 115 245
% Total 27,3% 25,7% 46,9% 100,0%
Tabela 2 – Distribuição da frequência dos jovens e com quem moram. Pergunta 5: Mora com quem?
Frequencia Porcentagem Porcent Valida
Não responderam 3 1,2 1,2
Família (pais irmãos) 200 81,6 82,0
Família (avós outros) 17 6,9 7,0
Conjuge 21 8,6 8,6
outros 3 1,2 1,2
Total 244 99,6 100,0
resposta 1 ,4
Total 245 100,0
A tabela 1 mostra a formação acadêmica da nossa população, revelando uma concentração de jovens entre 21 a 25 cursando a graduação, porém, existe nesta mesma faixa etária uma porcentagem significativa de 24,5% que não
respondeu quanto a sua formação acadêmica. O que nos permite concluir que não responderam porque não estão estudando ou porque não definiram por qual profissão seguir, ou ainda, porque vivem em situação econômica não favorável para assumirem esse compromisso financeiro. De acordo com Myrian Moraes Lins de Barros (2010) o investimento feito pelo jovem em um projeto de escolarização de nível superior se realiza em um momento de mudanças de padrões educacionais e econômicos para uma sociedade complexa e heterogênea, que permanece economicamente desigual. Através da educação é possível ao jovem ascender socialmente. Porém, essa possibilidade é apreendida e vivida de diferentes modos por jovens e por suas famílias e entre as suas gerações. Essa continuidade nos estudos no nível superior representa sua autonomia e independência diante de uma família e uma estrutura que não oferece a garantia de continuidade desse estudo e, portanto, dos seus projetos de vida.
A tabela 2 demonstra que a nossa população vive com suas famílias. Esta porcentagem de 81,6% vive com suas famílias (nuclear), 6,9% com seus avós e 0,8% vivem com seus companheiros, 1,2% vivem com outras pessoas. A porcentagem de 81,6% é bastante expressiva, o que vem corroborar com a importância familiar nesse processo de ascensão social por meio dos projetos familiares e da educação oferecida na formação de cada jovem. O jovem reconhece com antecipação as perspectivas de vida que lhe são oferecidas, as oportunidades de êxito com que poderá contar e até mesmo as frustrações que terá que experimentar e superar. A medida que a socialização acontece, permite ao jovem visualizar a sua condição social, e perceber em que situação e condição assalariada vivem seus pais, e em termos de perspectivas de vida e de oportunidades concretas de trabalho, o jovem passa a considerar que as conseqüências desta condição sempre estiveram presentes na sua história familiar. Sua falta de condições e acesso a cultura, preparo profissional e ocupacional, determinam suas condições que também são alienadas, porém, mesmo assim ele se sente em condição de superar toda esta situação (FORACHI, 1965).
A educação, especialmente a superior, segundo Forachi (1965), assim como para Barros (2010) é a que qualifica e prepara o individuo para as posições sociais superiores, conduz e consolida o processo de ascensão que, associada aos demais processos de dinamização do sistema (urbanização, secularização da cultura) impulsiona os movimentos individuais ou grupais de transformação da situação de origem. Porém, a democratização da cultura é um processo que só tem beneficiado as camadas sociais que conquistaram uma posição estabelecida na estrutura de prestigio e
de poder. O que se percebe com isto é que o acesso às oportunidades de ascensão da pequena burguesia brasileira é manipulado e o acesso à cultura e educação é disputado com as demais camadas a liderança do processo de desenvolvimento.
Ao analisarmos os resultados da pergunta sobre o gosto da leitura, verificou-se então que 56,7% dizem gostar de ler e 41,6% dizem que não gostam de ler. Quando foi perguntado pelo tipo de leitura que mais gosta, 2.4% disseram ser a Bíblia, 15,9%; diz fazer leitura de textos religiosos; 0,8% a preferência são livros de ficção. Podemos verificar nesta pergunta a freqüência destas leituras, 80,8% não responderam, mas 3,3% disseram que leram pela ultima vez há 1 ano atrás, 1,6%, responderam que a ultima leitura foi há 9 meses, 4,5% há 4 meses, 4,1% há 3 meses e 5,3% estavam fazendo algum tipo de leitura.
O acesso ás práticas culturais segundo Bourdieu (2003) é desigual e depende da classe/grupo social. O gosto distingue as pessoas e os grupos sociais. As práticas sociais, vinculadas ao gosto artístico, esportivo, culinário, religioso e literário escondem ou revelam essas pessoas e seu grupo social, suas preferências segundo as representações sociais que fazem e interesse em ocupar determinado lugar na hierarquia social. Com essa definição temos a compreensão de que o acesso às práticas culturais depende do grupo social que se faz parte e, que, portanto, o gosto pela leitura depende e muito da maneira que esta relação com a leitura foi estabelecida desde a socialização primária, ou seja, pela família.
Tabela 3 – Distribuição da frequência dos jovens que gostam de ler distribuídos por faixas etárias.
Pergunta 15: Você gosta de ler?
Idade
Total
15 a 17 18 a 20 21 a 25
Não responderam jovens 2 1 1 4
% Total ,8% ,4% ,4% 1,6% Sim, jovens 30 36 73 139 % Total 12,2% 14,7% 29,8% 56,7% não jovens 35 26 41 102 % Total 14,3% 10,6% 16,7% 41,6% Total jovens 67 63 115 245 % Total 27,3% 25,7% 46,9% 100,0%
Na tabela 3 pode-se perceber que não há uma diferença muito acentuada pelo gosto da leitura ou a falta desse hábito. Nesse sentido, a teoria de Knobel se confirma nas faixas etárias de 15 à 17 e 18 a 20, uma porcentagem de 26,9%, bastante significativa. O autor afirma em sua teoria que, na formação de sua identidade, o adolescente vive um processo de voltar-se para si, precisando intelectualizar aquilo que ele sente. Nesse período lê poesias, textos, como forma de exteriorizar o seu mundo interno, se apropriando de um intelectualismo que muitas vezes nem vive, mas, que quer entrar em contato para tentar entender o que sente.
Com relação a pergunta 15 na tabela 4, você tem a sua própria turma? As respostas foram que 64,5% afirmaram ter sua própria turma, enquanto 27,8% disseram que não.
Tabela 4 – Tabela de frequência dos jovens quanto a ter sua própria turma distribuídos por faixas etárias.
Pergunta 28: Você tem a sua própria turma?
Idade
Total
15 a 17 18 a 20 21 a 25
Não responderam Jovens 3 5 11 19
% Total 1,2% 2,0% 4,5% 7,8% sim Jovens 45 40 73 158 % Total 18,4% 16,3% 29,8% 64,5% não Jovens 19 18 31 68 % Total 7,8% 7,3% 12,7% 27,8% Total Jovens 67 63 115 245 % Total 27,3% 25,7% 46,9% 100,0%
A identidade do jovem é construída a partir do espaço social e cultural que o adolescente está inserido. O jovem é um ser bio-psico-social, e que, portanto, suas escolhas e suas ações são definidas pela cultura na qual faz parte. É importante salientar que a música segundo Willens (1970), pode favorecer no desenvolvimento bio-psico-social do ser humano, e que, portanto teria efeitos sobre a formação da personalidade deste ser humano e sua maneira de ser.
O autor, Knobel (1981) ressalta que as mudanças psicológicas que se produzem neste período estão correlacionadas às mudanças corporais, que levam o jovem a uma nova relação com mundo, ou seja, com seu grupo social. Sendo assim, o estabelecimento de novas relações dos jovens com os pais e com a sociedade é
realizado e consolidado gradativamente oscilando entre a necessidade de dependência e independência.
Ainda com relação a pergunta ter a sua própria turma, 13,5% disse que tem a sua própria turma pelos objetivos que essas pessoas tem em comum, 11,4% disse que tem a sua própria turma por compartilhar ideias em comum e possuirem comportamentos iguais.
Para verificar a maneira com que esta interação social acontece perguntou-se sobre freqüentar outros grupos sociais que não seja o grupo de jovens, da qual eles fazem parte, a igreja. Os que responderam que sim, foram 51,4%, enquanto que 46,9% afirmaram que não freqüentam. Dos que responderam que sim, 7,8% disseram que freqüentam turma da Faculdade; 6.9% do trabalho; 12,2% turma de amigos; 1,2% turma familiar.
Tabela 5 – Distribuição da frequência dos jovens que possuem outro grupo social que não seja a igreja.
Pergunta 24: Além da igreja você tem algum outro grupo social?
Frequencia Porcent Porcent valida
Não responde 4 1,6 1,6
sim 126 51,4 51,4
não 115 46,9 46,9
Total 245 100,0 100,0
Essa tendência do adolescente de agrupar-se faz parte da argumentação de Knobel (1981) afirma que nesse período o jovem vive um momento de trocas bastante significativa e acabam influenciando uns aos outros com suas experiências. O adolescente deixa de considerar temporariamente sua família de origem para viver em grupos de pares ou de iguais, identificando-se com eles e participando dos momentos de alegria, tristeza, raiva, reivindicações sociais e ainda outras experiências novas que surgirem com outros grupos. Knobel (1981), aponta que a tendência grupal na adolescência e a interação de seus problemas com os da sociedade na qual vive, obriga-o a pensar em buscar soluções por meio da utilização dos grupos.
O autor ainda refere-se ao comportamento defensivo, que segundo ele, é a busca de uniformidade. Ocorre um processo de superidentificação em massa, ou seja, todos são iguais, se vestem da mesma forma, e um se identifica com o outro. Isto lhes garante a sensação de segurança e estima pessoal. Parece que a igreja como um grupo social tem um papel bastante importante nesse período da busca da identidade. A promoção de saúde física, mental e afetiva, pode ser alcançada mediante atividades que exijam essa característica de viver em grupos. Como por exemplo, banda, passeios, estudos, jogos, etc.
No quesito ter ídolos, tivemos 36,7% que disseram que tinham, enquanto 60,4% afirmaram não possuírem e 2,9% não responderam. Ainda foi possível identificar dos que responderam que possuíam algum referencial para se inspirarem, 20,0% responderam que fazem isto por meio da Divindade (Deus, Jesus); 1,6% respondeu ser o Pai; 2,4% responderam que seu ídolo é um atleta; 6,1% que é artistas; e 69,8% não responderam. A porcentagem dos que afirmaram não possuir esse elemento em sua vida foi expressiva, talvez porque esses jovens fazem parte de uma religiosidade em que afirma ser “pecado” a existência de ídolos na vida dos seus seguidores. Os que responderam Jesus repetiram uma prática comum entre esses jovens ou porque simplesmente acreditam que se tratando de Jesus, então não é pecado.
Tabela 6 – Distribuição da frequência dos jovens que tem ídolos distribuídos por faixas etárias.
Pergunta 17a: Você tem algum ídolo?
Idade
Total
15 a 17 18 a 20 21 a 25
Não responderam jovens 2 2 3 7
% Total ,8% ,8% 1,2% 2,9% sim Jovens 30 22 38 90 % Total 12,2% 9,0% 15,5% 36,7% não Jovens 35 39 74 148 % Total 14,3% 15,9% 30,2% 60,4% Total Jovens 67 63 115 245 % Total 27,3% 25,7% 46,9% 100,0%
Na pesquisa, portanto, observa-se que a população pesquisada contraria a essa característica da teoria de Knobel, quando ele afirma que o adolescente
na busca pela sua identidade, elege um herói que pode estar perto e fazer parte de suas relações sociais, ou, longe que pode ser um cantor, um líder religioso, um ator, etc.
Na tabela 7 observamos a porcentagem de 72,2% que não mudam de opinião sobre temas diferentes, o que contraria a teoria de identidade, pois, segundo Knobel, o adolescente em contato com o meio social e com questões sociais, ele deveria mudar as suas opiniões, pois desta maneira desenvolverá a sua identidade. Devemos destacar, porém, que a porcentagem maior encontra-se nos jovens de 21 a 25 anos. O que podemos considerar que já conseguem definir melhor em que acreditam ou porque já passaram pela universidade ou pela sua maturidade emocional e afetiva. Tabela 7 – Distribuição da frequência dos jovens que mudam de opinião, distribuídos por faixas etárias.
Pergunta 22: Você costuma mudar de opinião com freqüência sobre diferentes temas?
Idade
Total
15 a 17 18 a 20 21 a 25
Não responderam Jovens 2 0 0 2
% Total ,8% ,0% ,0% ,8% Sim Jovens 21 16 28 65 % Total 8,7% 6,6% 11,6% 27,0% não Jovens 43 46 85 174 % Total 17,8% 19,1% 35,3% 72,2% Total Jovens 66 62 113 241 % Total 27,4% 25,7% 46,9% 100,0%
A população das faixas etárias de 15 a 17 e 18 a 20, expressam com uma porcentagem considerável que não mudam de opinião, contrariando a teoria de Knobel que afirma que estes mudam de opinião o tempo todo para definirem suas identidades. Então porque a nossa população não muda? Talvez porque de alguma maneira, tentam manter o grupo coeso alcançando a uniformidade do mesmo e assim conseguem preservar e manter a sua identidade, bem como do grupo.