É observado nos dias atuais que grande parcela das sociedades usufrui das possibilidades e prazeres ofertados pelo dinamismo das modernas tecnologias para se comunicarem, as quais facilitam, muitas vezes, a agregação de capital simbólico, mesmo que na busca de entretenimento até a procura por conhecimento. Na visão de Jean Baudrillard, em sua obra “Simulacros e Simulação”, por exemplo, vivemos a absorção de todos os modos de expressão virtuais, principalmente em virtude da publicidade.
Conforme Baudrillard (1991), todas as formas culturais originais,
“como todas as linguagens determinadas absorvem-se neste porque não tem profundidade, é instantâneo e instantaneamente esquecido. Triunfo da forma superficial, mínimo denominador comum de todos os significados, grau zero do sentido, triunfo da entropia sobre todos os tropos possíveis.” (BAUDRILLARD, 1991: 113)
Baudrillard (1991) ainda ressalta que essa forma poderia ser caracterizada como inarticulada, instantânea, sem passado e futuro possível, precisamente por ser a última, tem poder sobre todas as outras. As formas atuais de atividades demonstram estarem unidas aos aparatos tecnológicos de comunicação. Logo tendem para a publicidade, esgotando-se neste patamar.
E em complementação a esse pensamento, acredita-se que Santaella (2008) conseguiu detectar os sintomas culturais pertencentes a esse contexto descrito pelo autor. Sintomas que marcam a era das novas tecnologias, encontrados em sua obra denominada “Corpo e Comunicação: Sintoma da Cultura”.
Segundo a especialista em semiótica da cultura, a vivência vinculada aos meios de comunicação virtuais, na atualidade, é disposta da seguinte forma:
“O que se vivencia aí é uma biologia interativa que mistura inextricavelmente o biológico ao artificial. Na medida em que as tecnologias avançam, as interfaces vão ficando mais adaptáveis ao corpo humano, com processadores mais rápidos e softwares mais performáticos que simulam processos mentais.” (SANTAELLA, 2008: 94)
Nesse cenário torna-se aparente e não desprezível a vulnerabilidade de internautas e consumidores da informação marcados pelo individualismo, conforme já foi comentado. E, outras vezes, com alterações de comportamento, provocadas também pela insegurança e volatilidade de signos e imagens, disponibilizadas pelas mídias. Nesse sentido, Bauman (1999) diferencia a sociedade contemporânea por um dos distúrbios comportamentais conhecidos como a ansiedade por buscar algo que não se sabe:
“Para os consumidores da sociedade de consumo, estar em movimento – procurar, buscar, não encontrar ou, mais precisamente, não encontrar ainda – não é sinônimo de mal-estar, mas promessa de bem-aventurança, talvez a própria bem-aventurança. Seu tipo de viagem esperançosa faz da chegada uma maldição. (...). Não tanto a avidez de adquirir, de possuir, não o acúmulo de riqueza no seu sentido material, palpável, mas a excitação de uma sensação nova, ainda não experimentada – este é o jogo do consumidor. Os consumidores são primeiro acima de tudo acumuladores de sensações; são colecionadores de coisas apenas num sentido secundário e derivativo.” (BAUMAN, 1999: 91)
Percebemos que sintomas previstos por estudiosos e críticos têm sido experimentados nos dias de hoje. E um dos motivos que levam ao entendimento dessa polêmica questão pode ser atribuído também à busca ansiosa pelo irreal. Desse modo, Santaella (2008) recorda que, ao longo do século XX, por meio das tecnologias da propaganda e do marketing:
“têm sido desenvolvidos aparatos ‘psi’ para compreender e agir sobre as relações entre pessoas e produtos em termos de imagens do eu, de seu mundo interior, de seu estilo de vida e, sobretudo, do seu invólucro corporal. São, de fato, as representações nas mídias e publicidade que têm o mais profundo efeito sobre as experiências do corpo. São elas que nos levam a imaginar, a diagramar, a fantasiar determinadas existências corporais, nas formas de sonhar e de desejar que propõem.” (SANTAELLA, 2008: 126)
Remete-nos, todavia, a entender que a multiplicação da quantidade de sinais e espetáculos pelos meios de comunicação produz uma proliferação chamada de “sinal-valor”, uma “economia política do signo”. Pois a marca, o prestígio, o luxo e a sensação de poder tornam-se uma parte crescentemente importante do artigo de consumo e não somente seu “valor de uso” ou “de troca”, como na teoria marxista. A inter-relação de seus conceitos, reflexões e obras, não somente da descrição, mas de uma crítica sem concessões ao processo de consumo contemporâneo.
Sodré (2009) também procura analisar o papel da mídia na construção cultural dessas sociedades contemporâneas, ao desenvolver que:
“sob o regime de uma temporalidade totalmente identificada com o capital, o principal objetivo da mídia é apropriar-se dessa matéria rentável que é o tempo do outro. Desaparece o papel de agente de cultura, que a imprensa implicitamente sempre pretendeu desempenhar na articulação simbólica entre os sujeitos. Vive-se uma nova conjuntura, em que se descreve imprensa como ‘coisa do passado, uma charrete puxada por cavalo numa mídia expressa de oito pistas’, a cibernética, que não é primordialmente informativa, e sim conectiva, ou seja, dispositivos em rede voltados para a conexão generalizada dos sujeitos.” (SODRÉ, 2009: 118)
Detecta-se neste novo sistema a idéia de que a velha imprensa se redefine como parte de uma “indústria de conteúdos”. Tendo por base as relações político- econômicas e socioculturais contemporâneas, torna-se essencial repensar no privilégio dado pelo capitalismo à produção de signos e imagens, ao invés das próprias mercadorias; a desestabilização da noção original das coisas e das ilusões culturais empreendidas pela publicidade e mídia. Além das técnicas de exposição dos produtos. Dessa forma, evidencia-se que o consumismo esteja moldando as relações entre as pessoas na atualidade.
Na perspectiva de Santaella (2008) há ainda sintomas para os indivíduos, tantos quantos forem os novos modos de gozo. Ela complementa essa prerrogativa associando a evolução tecnológica ao lucro, ao dizer:
“em uma cultura caracterizada pela hegemonia maciça da ciência e tecnologia, regulada pela força brutal do mercado e do lucro, um mercado que promete ilusoriamente a realização de qualquer tipo de desejo, e que, nas sociedades periféricas do capitalismo globalizado, tem buscado fisgar nas suas redes até mesmo o consumidor de classe E, parece fazer muito sentido a sugestão lacaniana de que um dos aspectos do gozo se encontra no consumo pelo consumo.” (SANTAELLA, 2008: 139)
Quando se fala em sociedade de consumo hoje é preciso lembrar que o comportamento dos consumidores atuais parece diferente de algumas décadas atrás. E dialogando com os autores, observa-se a citação de Bauman (1999) quando expõe sua opinião dentro dessa premissa do consumo:
“Todo mundo pode ser lançado na moda do consumo; todo mundo pode desejar ser um consumidor e aproveitar as oportunidades que esse modo de vida oferece. Mas nem todo mundo pode ser um consumidor. Desejar não basta; para tornar o desejo realmente desejável e assim extrair prazer do desejo, deve-se ter uma esperança racional de chegar mais perto do objeto desejado. Essa esperança, racionalmente alimentada por alguns, é fútil para muitos outros. Todos nós estamos condenados à vida de opções, mas nem todos nós temos os meios de ser optantes. Como todas as outras sociedades, a sociedade pós-moderna de consumo é uma sociedade estratificada. (...). A extensão ao longo da qual os de “classe alta” e os de “classe baixa” se situam numa sociedade de consumo é o seu grau de mobilidade – sua liberdade de escolher onde estar. (BAUMAN, 1999: 94)
Em relação às técnicas de indução para ofertar o consumo da informação detecta-se que o poder midiático crie, às vezes, uma ilusão previamente estabelecida sem finalidade. Sodré (2009) discursa recentemente acerca dessa finalidade da mídia, destacando a superficialidade das informações relativa ao jornalismo online. Especialmente sobre o aprofundamento da informação no espaço das redes que ainda é sensivelmente deficiente.
O autor explica:
“Mas não há quaisquer impedimentos técnicos para que um novo tipo de profissional utilize algoritmos computacionais destinados a encadear fontes informativas relevantes, requalificando o material informativo. Nesta direção caminham as experiências de jornalismo cidadão, colaborativo ou ainda participativo, que têm a comum produção de conteúdo pelos usuários, variando apenas os modos técnicos de realização – em alguns, a submissão do material ao crivo de editores; noutros, a total ausência de censura, garantida pela intervenção instantânea do leitor nas redações em rede, seja complementando, criticando ou até mesmo coletando a informação.” (SODRÉ, 2009:109)
São acompanhadas pesquisas realizadas em diversos países e questionamentos pertinentes à transmissão excessiva de informação, alertando a população dos diversos riscos. Intelectuais renomados trabalham e se engajam no tema com freqüência, principalmente em relação ao meio virtual. Ao discutir este tema, Sodré (2009) alerta que: “de um modo geral desloca-se para o consumidor o
poder de pautar os acontecimentos, logo, o arbítrio quanto à noticiabilidade dos fatos, ou definição do que será ou não notícia”. (SODRÉ, 2009: 109)
A justificativa de que este poder fornecido pelos instrumentos da web possa consolidar a hipótese de que a proliferação de informações, nesse formato de produção, esteja mais suscetível a conter certo grau de superficialidade nos fatos emitidos pode ser aceita em alguns momentos. Devido à atuação de quaisquer internautas na publicação e divulgação de fatos e notícias. Oliveto (2007: 356) diz que “graças ao desenvolvimento da tecnologia, agora qualquer pessoa tem a
liberdade de agir como um diretor de cinema, publicitário, fotógrafo, jornalista e escritor” por meio dos aparatos da web. Ou seja, essa possibilidade coloca em
dúvida a qualidade do que possa ser transmitido no ambiente da rede.
Já que estamos nos pautando, neste momento da pesquisa, em temas como tecnologia e informação. É interessante salientar que, segundo Baudrillard (1991), nos encontramos no quarto estágio da representação, a "hiper-realidade" a que tudo falsifica na época pós-moderna. Ao relacionar a cultura com o simulacro, esta é colocada como uma esfera de completa autonomia onde são jogados os sujeitos
descentrados. E, em função do excesso de imagens e simulações, há apenas uma experiência a compartilhar, "a alucinação desestabilizada e estetizada da realidade".
Entre as idéias centrais apresentadas pelo pensador, está a preocupação com a hegemonia da tecnologia da informação que, por meio da internet, estaria transformando a vida humana em uma realidade virtual e o homem em um elemento virtual deste sistema. Baudrillard (1991) defende que:
“a realidade poderia ultrapassar a ficção: seria o sinal mais seguro de uma sobrevalorização possível do imaginário. Mas o real não poderia ultrapassar o modelo, do qual é apenas o álibi.” (BAUDRILLARD, 1991: 153)
Nesta questão salienta-se a força constitutiva por excelência deste jogo dos meios de comunicação. Para ele, os medias devem ser imaginados como se fossem, na órbita externa, uma espécie de código genético que comanda a mutação do real em hiper-real. O ciberespaço constitui-se como um terreno cibernético que mina a distância entre o metafórico e o real ao subordinar totalmente os indivíduos. Ao citar a demasia de imagens nessa era, Baitello (2005) comenta que pode ocorrer a chamada perda do presente nesse processo. Ele propõe:
“(...) uma imagem nunca será apenas uma presença, mas também uma ausência. Faz-se, portanto, necessário rastrear sensivelmente a violência como sombra das figuras a quem emprestamos o status e o poder da realidade. Para que elas não nos comandem, violentamente.” (BAITELLO, 2005: 44)
Concluiu-se, então, de acordo com a perspectiva de Baudrillard, que não estamos preparados para o grau de desenvolvimento a que chegou o sistema tecnocientífico. E, ao buscarmos cada vez mais informação e comunicação, acabamos agravando a nossa relação com a incerteza.
É o argumento diante desse “caos” existencial. Sendo pertinente comentar que o parecer da autora desta pesquisa pode não se remeter a essa total radicalidade, a qual se expõe Baudrillard. Contudo, apóia-se que para estimular um
pensamento crítico, torna-se imprescindível interagir com este autor. A finalidade é equilibrar os aspectos positivos e negativos no contexto das novas formas de comunicar na contemporaneidade.
Após os argumentos mencionados é possível pensar ainda na mudança prevista no comportamento das sociedades contemporâneas. Diante da presença de outros costumes, da exposição visual excessiva e da amplitude de facilidades para “comunicar” e interagir. Ao relatar essa realidade e delinear mudanças vividas pelas sociedades, Oliveto (2007) completa que “vivemos em um tempo único na história
do homem”:
“Uma instância inédita resultante da confluência de três fortes fatores. Por um lado, o extraordinário progresso impulsionado pela ciência e a tecnologia dos últimos séculos. Ademais, o surgimento de uma sociedade de consumo que outorgou ao homem uma infinita quantidade de bens e serviços, crescentemente, em quantidade e sofisticação, dia após dia. E, por último, a morte da verdade. Cada um destes elementos tem força própria. Juntos estão trocando a espécie humana que entra no século XXI: são tempos de liberdade.” (OLIVETO, 2007: 197)
Junto a essa sensação de liberdade, citada por Oliveto, é interessante analisar a forte influência exercida pela mídia, publicidade e consumo que pregam o bem-estar individual, o lazer, o “culto ao corpo”, valores individualistas de ascensões pessoais e financeiras. Crê-se que a busca pela satisfação pessoal frente a esse contexto é possível. Mas existem outros relatos que nos conduzem a pensar no ritmo acelerado das facilidades fornecidas na contemporaneidade que tem propiciado a consolidação de uma massa com perda de identidade e referenciais. Retomando a visão de Oliveto (2007: 202), a “metamorfose dos signos, códigos e
valores nos deixa confusos. Custa-nos encontrar uma aparente coerência em nossas múltiplas identidades”.
A partir disso, fica claro nos transportarmos para um problema que convive junto à contemporaneidade e a disponibilização da considerada “metamorfose de signos”: a elevação do número de patologias clínicas diagnosticadas nos dias atuais. Entre elas, o estresse, a depressão e doenças psicológicas como a anorexia e bulimia, conseqüentes da projeção exacerbada nas imagens midiáticas, no virtual
que ganha o status de real - porém uma realidade que, porventura, possa não estar adaptada à identidade daquele indivíduo.
Baitello (2005) realiza uma melhor compreensão desse cenário na seguinte reflexão:
“O que passou a ocorrer, no entanto, nas últimas décadas, a partir do aperfeiçoamento dos recursos de reprodução de imagens em grande escala, foi um fenômeno distinto (...) de antropófagos criativos, os consumidores globais transformaram-se em iconófagos de uma assim chamada cultura universal, pasteurizada e homogeneizada. Como passo seguinte, diante do elevado grau de invasão que atingiu os meios magnéticos, passamos a servir de ‘comida’ para esta mesma cultura universal das imagens.” (BAITELLO, 2005: contracapa)
Por outra vertente, é nítido que o avanço tecnológico contribua para rearranjos nas formas de socialização, criação e interação social. Entre eles, destacam-se os proporcionados pelo advento da internet e, conseqüentemente, a entrada e criação dos mais variados ambientes que permitem a circulação e troca de informações entre os freqüentadores do ciberespaço. Nesse âmbito, Santaella (2008) cita que alguns pesquisadores criam ambientes computacionais em que entidades artificiais, através da exploração de tópicos como redes neurais, manifestam traços de vida e comportamento orgânicos.
A autora sintetiza:
“pode-se afirmar que a vida artificial está centrada no conceito de auto- organização do simples para o complexo, tal como é simulado computacionalmente. Portanto, o tipo de materialidade que dá suporte à vida é colocado em segundo plano em prol de uma compreensão da vida como troca de informações complexas.” (SANTAELLA, 2008: 101)
Esses ambientes figuram os jogos online, onde a experiência lúdica se desenvolve na interação entre jogadores sem presencialidade. Transformam-se em elementos de destaque para o estudo da cultura tecnológica.
As contribuições teóricas fornecidas pelas obras dos autores eleitos auxiliaram o desenvolvimento deste capítulo, pois foram capazes de proporcionar uma visão ampliada no que concerne aos sintomas culturais na atualidade. Leituras capazes de traçar paralelos entre crenças, valores e estilos, e identidades que se mostram frágeis e temporárias.
Oliveto (2007) também se dirige a essas identidades especificamente em sua fragilidade. Para ele, “o terrorismo, a insegurança, os desastres naturais e
meteorológicos fazem com que a incerteza seja uma condição intrínseca a nossa era”. (OLIVETO, 2007: 222). Percebe-se a necessidade de uma freqüente revisão
acerca da individualização na sociedade moderna, nas influências exercidas nessas identidades e no comportamento do mundo contemporâneo perante o montante de informações circulantes no ambiente web.
Na função de comunicadora e formadora de opinião, pesquisas que compreendem os acontecimentos vinculados ao papel da imprensa no atual mundo globalizado são consideradas indispensáveis. Hoje na cultura da emissão notamos que todos querem se expressar e alguns desejam ouvir ou apreciar. Sendo visível a necessidade das pessoas pautarem suas vidas pelos espaços da mídia – o que virou um sintoma característico da pós-modernidade.
É importante ressaltar que o intuito não seria propor um controle inibindo a qualidade democrática pertinente à livre busca de informações em tempo real, nem fazer apologia à censura na internet. Entretanto, propiciar uma discussão sobre a necessidade de repensar, em alguns momentos, o exagero da emissão de imagens e padrões que ela incentiva, favorecendo, por algum instante, a perda da ética. O objetivo dessa reflexão é também “alertar” que essa disponibilidade ilimitada de informações vise atingir mais às metas de consumo por parte das mídias.
Logicamente a mídia não deveria ser colocada como a única responsável pela construção dessa relação emissor/receptor - claro que depende de nós consumidores, dotados de cérebro para pensar, adquirir, mediante essa “overdose” de informações, um senso crítico aguçado frente às barbaridades ocorridas, em função das fantasias obsessivas que podem ser alimentadas nas mentes dos
internautas - Baitello (2005) argumenta essa relação ao afirmar que certamente seria leviano acusar os modernos meios de comunicação de responsáveis únicos ou até mesmo majoritários pela violência.
Segundo o estudioso sobre a semiótica da cultura,
“o fenômeno da violência é mais amplo e mais profundo do que a faixa de atuação da chamada mídia. No entanto, como a comunicação e seus processos também são mais amplos do que aqueles processos iniciados com a prensa móvel ou com a transmissão de sinais por eletricidade ou por ondas, pode-se considerar bastante plausível a hipótese de interferência dos modernos meios sobre a evolução da capacidade natural de comunicação do homem e também sua contribuição para o desenvolvimento de patologias da comunicação geradoras de violência.” (BAITELLO, 2005: 41)
É cada vez mais explícito o comércio emitindo mensagens aos seus receptores alvos. Assim não custa apostar no caminho mais curto e utilizar estratégias mais fáceis para seduzir adeptos. Crê-se que estes, muitas vezes, viram escravos de uma espécie de ditadura dos padrões e, na tentativa de serem reconhecidos e aceitos em seus grupos sociais, se apropriam de normas, sendo remetidos à própria violência mental.
Baitello (2005) questiona que talvez a “hipertrofia” da comunicação pelas imagens, portanto da visão aliada ao abuso dos sentidos de distância, esteja produzindo um tipo de violência contra a integridade do próprio corpo.
O autor evidencia esse conceito ao declarar:
“Não se poderia indagar se o diálogo entre a visão e a propriocepção não seria também válido na outra direção, ou seja, de tantas imagens, tanta visão, não estaríamos perdendo aos poucos a sensação do próprio corpo, o espaço do eu? Não seria o caso de nos perguntarmos se estamos também gerando, com isto, uma dificuldade crescente de nos colocarmos (e/ ou nos sentirmos) no espaço e no tempo que nos cabem no mundo? Isto envolveria a perda do próprio corpo, quer dizer, a perda do aqui e do agora.” (BAITELLO, 2005: 43)
Em função de interesses e metas comerciais os mass media criam cenários imaginários com o objetivo de instigar os sentidos do consumidor. A partir do momento que os seduzem, parecem obter grandes chances de adequação à proliferação dessas imagens. O problema é quando nos referimos a elas no estágio, citado por Baitello (2005), sendo “fantasmagóricas”, passando a viver mais da imagem que do próprio corpo, imergindo nossas mentes à procura de um perfeccionismo ilusório.
O semioticista exemplifica que como o alimento das imagens é o olhar e este é um gesto do corpo, transformamos o corpo em alimento do mundo das imagens.
“Refiro-me aqui a um dos tipos de “iconofagia” possíveis (...) – inaugurando um círculo vicioso. Quanto mais vemos, menos vivemos, quanto menos vivemos, mais necessitamos de visibilidade. E quanto mais visibilidade, tanto mais invisibilidade e tanto menos capacidade de olhar.” (BAITELLO, 2005: 86)
Enfim, compreender os tópicos abordados, as relações entre real e virtual a partir dos conceitos pertinentes à semiótica da cultura, amplia o grau de reflexão sobre a funcionalidade da mídia virtual e de suas “sinceras” contribuições aos internautas contemporâneos, modernos e pós-modernos.
CAPÍTULO VI