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3. BÖLÜM

6.2. ÖNERİLER

Os PCNEM (BRASIL, 1999) propõem uma articulação do conhecimento científico-tecnológico com valores educativos, éticos, econômicos, sociais e políticos que permitam a superação da simples aprendizagem de fatos, leis e teorias. Essa proposta visa levar o estudante a atuar na sociedade científica e tecnológica, de forma que possa julgar e tomar decisões autonomamente diante dos problemas vivenciados no seu cotidiano, enquanto indivíduo e cidadão.

Diante do avanço científico e tecnológico, o ensino de Química nas escolas necessita acompanhar o dinamismo do mundo atual articulando as novas tecnologias e conhecimentos com a formação do aluno. Essa formação deve capacitar o aluno a criticar, interpretar e compreender a realidade em que atua, identificando e resolvendo problemas em uma postura ética e política para a construção da sua cidadania.

Segundo Núñez et al (2004, p. 145), uma das propostas que tem contribuído para o ensino-aprendizagem nas Ciências Naturais é a resolução de problemas, tendo em vista que se constitui um recurso que auxilia a construir conceitos, procedimentos e atitudes nessa área de conhecimento.

Gil (1993 apud Núñez et al, 2004) diz que existe uma estreita relação psicológica entre a resolução de problemas e a criatividade, bem como uma relação epistemológica entre a investigação e a produção do conhecimento científico, de modo que a própria ciência pode ser considerada um processo criativo de resolução de problemas. Esse enfoque inovador estaria orientado a um objetivo, em hipótese, “[...] para interpretar o mundo e contribuir no processo de compreensão dos métodos científicos, como forma de aprender ciências e reconstruir os conhecimentos, partindo das próprias ideias do indivíduo, ampliando-as e modificando-as, segundo o caso e o contexto”. (GIL apud NÚÑEZ et al, 2004),

A aprendizagem a partir de problemas se torna um dos meios importantes para desenvolver as potencialidades criativas dos alunos e pode ser considerada uma estratégia que mobiliza os conhecimentos e habilidades dos estudantes. (NÚÑEZ; SILVA, 2002).

A resolução de problemas está relacionada com procedimentos, que vão desde as técnicas automatizadas até as estratégias de planejamento e tomadas de decisão. A categoria problema está, metodologicamente, subdividida em duas subcategorias, a saber: problemas verdadeiros e problemas falsos (exercícios).

Um problema pode ser entendido, no geral, como qualquer situação prevista ou espontânea que produz certo grau de incerteza e como uma conduta que tem por fim a busca da solução. (GIL, 1993). Pode-se também entender por problema o enunciado que aparece a partir de um contexto problemático com o propósito de resolver dificuldades ou necessidades específicas do conhecimento conceitual ou procedimental e de desenvolver capacidades cognitivas e afetivas. (LOPES; COSTA, 1996).

Para Núñez e Silva (2002, p. 1201), um problema

pode ser definido como pergunta ou tarefa, ou mesmo como contradição; pode ser uma pergunta complexa que provoca tensão ou pensamento produtivo no aluno, orientado à busca da essência de um fenômeno, mas pode ser também interpretado como uma tarefa complexa, cuja solução depende da busca para obter novos conhecimentos.

Pode-se entender por problema quando um indivíduo se depara com uma situação a qual deseja e necessita resolver, mas não possui os mecanismos para levá-lo à solução, de forma rápida e direta. Nesse contexto, torna-se importante diferenciar o problema verdadeiro do falso. No problema falso – exercício, para alguns autores –, o estudante se utiliza de mecanismos já conhecidos que o levam rapidamente à solução, ou melhor, o aluno dispõe de técnicas e estratégias que possibilitam a solução da situação com o mínimo de recursos cognitivos, enquanto o problema verdadeiro implica uma solução original ou inédita. (POZO; GÓMEZ- CRESPO, 1998).

É importante destacar que existe uma polissemia nos sentidos que se atribuem à categoria problema no ensino das Ciências Naturais, uma vez que sua compreensão depende dos contextos e perspectivas teóricas com que se olha para o que é um problema.

Apesar dessa polissemia, Lopes (1994, p. 24) expressa que há um consenso ao se considerar que os problemas:

- são algo para o qual não se conhece a resposta nem se sabe se ela existe; - podem ter diferentes níveis de dificuldades e complexidade;

- podem ter formatos muito diversos do formato tradicional do papel e lápis. Problemas verdadeiros

Campos e Nigro (1999) consideram que um problema verdadeiro é aquele que propicia “[...] uma situação ou um conflito para o qual não temos uma resposta imediata, nem uma técnica de solução”.

Os problemas verdadeiros criam no aluno uma dificuldade cognitiva quando é apresentada uma tarefa que não pode ser explicada e/ou resolvida com os meios de que se dispõe habitualmente. Echeverria e Pozo (1998) pontuam que ao problema é suposta a solução de uma situação para a qual o aluno não possui um caminho rápido e direto, pois deve reconstruir novos procedimentos, procurar novos sentidos para conhecimentos conceituais. Na resolução de problemas não existe solução imediata, o que implica certa criatividade em uma relação entre o conhecido e o desconhecido. Segundo Filho, Núñez e Ramalho (2004), uma situação se estabelece como um problema verdadeiro quando o estudante não reconhece ou

não dispõe de procedimentos para solucioná-la, na medida em que essa situação é sempre considerada nova ou diferente do que já havia sido visto ou estudado.

Problemas falsos (exercícios)

Um exercício é um tipo de tarefa que se orienta a partir da operacionalização de um conceito frente ao treinamento de um algoritmo ou emprego de técnicas. Na opinião de Lopes (1994, p. 20),

um exercício tem informação na quantidade certa e esta não precisa ser muito trabalhada, a contextualização da situação física não existe, só existe uma solução e o processo de resolução é perfeitamente conhecido.

Para a resolução de exercícios ou falsos problemas, o aluno se utiliza de habilidades ou técnicas aprendidas, como rotinas automatizadas que expressam sequências conhecidas. No exercício, não existe dúvida quanto ao caminho a percorrer para sua solução. (NÚÑEZ et al., 2004).

Benzer Belgeler