• Sonuç bulunamadı

Tendo a saúde mental como variável-critério e as condições do ambiente de trabalho no contexto da reestruturação produtivo-bancária como variáveis antecedentes, construiu-se um protocolo de coleta de dados com vários questionários que contemplassem essas variáveis em conformidade ao modelo ecológico de Warr (1987). Para isso, investigaram-se quais questionários são capazes de avaliar os componentes da teoria de Warr, quais sejam, as dimensões do bem-estar psicológico e os fatores ambientais, já descritos no Capítulo 1.

A investigação do que cada questionário mede foi feita por meio da leitura dos itens que os questionários exploram, além de realizar revisão de estudos anteriores que fizeram uso dos mesmos (por exemplo: Banks et al. 1980; Gouveia & cols., 2003; Reis & cols., 2000; Tamayo, 2000). Assim, identificaram-se (Tabela 2) questionários estruturados e previamente validados para levantar os indicadores das dimensões do bem-estar psicológico. Portanto, para se coletar resposta sobre o bem-estar psicológico utilizaram-se os seguintes questionários/fatores: os dois fatores da Escala de Afetos Positivos e Negativos, o fator único da Escala de Satisfação com a Vida, o fator “Depressão e Tensão Emocional” do Questionário de Saúde Geral, versão reduzida (QSG-12). No concernente às dimensões “competência” e “autonomia”, considerou-se que estão sintetizadas no fator de Redução da Auto-eficácia do QSG-12. Para avaliar a “aspiração”, elaborou-se uma Escala de Aspiração, e acerca da avaliação da última dimensão, “funcionamento integrado”, considerou-se que esta foi contemplada pelo conjunto das demais dimensões, visto que ela é composta pelos outros quatro componentes.

86

Tabela 2

Dimensões do bem-estar psicológico segundo o modelo de Warr e a escolha dos questionários

Dimensões Conceitos (síntese) Fatores/questionário

Bem-estar afetivo Quanto o indivíduo sente-se bem internamente, estando essa dimensão muito relacionada com a auto-estima

Fator bem-estar psicológico das escalas de Afetos positivos e negativos, Satisfação com a Vida e fator depressão e tensão emocional do QSG-12.

Competência Um dos recursos psicológicos de que as pessoas se

utilizam para resolver variados tipos de problemas Fator de Redução da Auto-eficácia do QSG-12 Autonomia Habilidades pessoais para resistir às influências

ambientais e determinar sua própria opinião e ação Fator Redução da auto-eficácia do QSG-12 Aspiração Interesses do indivíduo e no seu engajamento com

o ambiente; desejo de inovar e superar metas Fator aspiração da Escala de Aspiração Funcionamento

integrado

As múltiplas inter-relações entre os outros quatro componentes; manifestação de harmonia psíquica e

equilíbrio. O conjunto dos indicadores anteriores

Assim, como será visto mais detalhadamente adiante, para testar as hipóteses da presente pesquisa, foram utilizados como indicadores de saúde mental dos participantes da amostra, seus escores: nos fatores do QSG-12 (Depressão e Tensão Emocional e Redução da Auto-Eficácia), nos dois fatores da Escala de Afetos Positivos e Negativos, no fator de “Satisfação com a Vida” e no fator “Aspiração”.

Embora tenham sido escolhidos questionários previamente avaliados em sua validade e consistência, repetiram-se tais análises para verificar a adequação dos mesmos à amostra específica deste estudo, já que o tamanho da amostra permitia (N=200). Foram realizadas ora análises fatoriais, ora análises de componentes principais das referidas escalas, seguindo-se as opções dos estudos anteriores. Esclarece-se que a análise fatorial consiste numa técnica estatística aplicada para variáveis, quando o pesquisador está interessado em descobrir quais variáveis no conjunto formam subconjuntos coerentes que são relativamente independentes um do outro. As variáveis que estão correlacionadas com outras, mas largamente independentes de outros subconjuntos de variáveis, são combinadas em fatores, contribuindo, dessa forma, a reduzir um largo número de variáveis observadas em um pequeno número de fatores (Tabachnick & Fidell, 1989). As

análises de componentes principais são utilizadas com a mesma finalidade, porém com um caráter mais exploratório e trabalham com a totalidade da variância, enquanto a análise fatorial trabalha apenas com a variância compartilhada.

O primeiro passo foi, então, examinar se as respostas aos referidos questionários eram realmente passíveis de serem submetidas à análise fatorial. Segundo Tabachnick e Fidell (1989), as respostas a um questionário são passíveis de estudo de análise fatorial, se apresentam os seguintes coeficientes: KMO > 0,60; nível de significância do Teste de Esfericidade de Bartlett menor que 0,05. Todas as escalas que avaliam o bem-estar afetivo apresentaram indicadores favoráveis à fatorabilidade (Tabela 3).

Tabela 3

Análise fatorial das escalas de saúde mental.

ESCALAS Coeficientes de fatorabilidade

KMO Teste de Esfericidade de Bartlett

QSG-12 0,89 F2(66) = 891,420 p < 0,001

Afetos Positivos e Negativos 0,90 F2(45) = 829,626 p < 0,001 Satisfação com a vida 0,85 F2(10) = 408,783 p < 0,001 Aspiração 0,79 F2(28) = 425,682 p < 0,001

Apresenta-se, a seguir, a descrição dos referidos questionários utilizados para avaliar a saúde mental e identificando os fatores mensuráveis por cada um (Anexo 1).

a) Questionário de Saúde Geral – 12

Goldberg (1972/1978, citado por Banks, 1980) desenvolveu esse questionário com o fim de avaliar a saúde mental, porém não ao nível patológico, que é o objetivo da presente pesquisa. Este questionário é composto por 12 questões, cada uma das quais composta por quatro alternativas, sendo a escala do tipo Likert, que vai de 1 a 4. Quanto mais alto os escores, maior deterioração o indivíduo terá da saúde mental. A análise fatorial (Principal Axis-factoring) permitiu identificar dois fatores em conformidade aos

88

valores próprios (eigenvalue): o primeiro fator (Tabela 4) apresentou valor próprio de 5,21 explicando 43,45% da variância e o segundo, de 1,29, explicando 10,79% da variância. Estes dois fatores são: (1) Tensão emocional e depressão e (2) Redução da auto-eficácia.

Tabela 4

Estrutura Fatorial do Questionário de Saúde Geral 12.

ITENS FATORES Tensão Emocional e depressão Redução da Auto- eficácia

QSG 9 – Tem se sentido pouco feliz e deprimido? 0,76*

QSG 5 – Tem notado que está constantemente agoniado e tenso? 0,75* QSG 6 – Tem tido a sensação de que não pode superar suas dificuldades? 0,65* QSG 2 – Suas preocupações lhe têm feito perder muito sono? 0,58* QSG 7 – Tem sido capaz de desfrutar suas atividades normais de cada dia? 0,58* QSG 1 – Tem podido concentrar-se bem naquilo que faz? 0,50*

QSG 10 – Tem perdido confiança em si mesmo? 0,71* QSG 4 – Tem se sentido capaz de tomar decisões? 0,71* QSG 3 – Tem sentido que tem um papel útil na vida? 0,71* QSG 12 – Sente-se razoavelmente feliz considerando todas as circunstâncias? 0,63* QSG 8 - Tem sido capaz de enfrentar adequadamente os seus problemas? 0,58* QSG 11 – Tem pensado que você é uma pessoa que não serve para nada? 0,58*

Valor Próprio (Eigenvalue) 5,21 1,29

Proporção da Variância Explicada 43,45 10,79

Alfa de Cronbach (D) 0,81 0,82

Notas: * t r 0,30 (carga fatorial considerada satisfatória).

No primeiro fator, as cargas variaram entre 0,76 (QSG 9 – Tem se sentido pouco feliz e deprimido?) e 0,50 (QSG 1 – Tem podido concentrar-se bem naquilo que faz?), nas quais avaliam-se tensão emocional e depressão; no segundo fator variou entre 0,71 (QSG 10 – Tem perdido confiança em si mesmo?) e 0,58 (QSG 11 – Tem pensado que você é uma pessoa que não serve para nada?), que avaliam diminuição da auto-eficácia. Segundo Tabachnick e Fidell (1989), as cargas fatoriais devem estar acima de 0,30. A consistência interna dos fatores, calculada através do Alfa de Cronbach (D), totalizou em 0,81 para o primeiro fator (tensão emocional e depressão) e 0,82 para o segundo (redução da auto-eficácia), o que significa apresentar consistência suficiente para serem considerados no desenvolvimento das análises da presente pesquisa.

Estes resultados da análise fatorial corroboram outro de estudo local anterior (Borges & Argolo, 2002) sobre a validade da referida escala, em que se indicou a mesma estrutura bifatorial e o Alfa de Cronbach (D) apresentou-se com os seguintes coeficientes: 0,86 para o primeiro fator (explicando 48,6% da variância) e 0,83 para o segundo (explicando 9,3% da variância).

b) Escala de Afetos Positivos e Negativos

De autoria de Diener e Emmons (1984, citados em Reis & cols., 2000), esta escala propõe-se a avaliar os afetos positivos e negativos que os indivíduos experimentaram ultimamente. Adotou-se esta escala por acreditar que possa avaliar a saúde mental através dos afetos sentidos pelos indivíduos.

Quatro são os afetos positivos da escala: feliz, alegre, satisfeito e divertido; e cinco, os negativos: deprimido, preocupado, frustrado, raivoso e infeliz. No intuito de equilibrar o número de adjetivos, seguiu-se o que a autora Chaves (2003) realizou em seus estudos, que foi acrescentar mais um adjetivo positivo para este questionário: otimista. Os itens estão distribuídos numa escala de 7 pontos, variando de 1 = Nada a 7 = Extremamente.

Foi realizada análise fatorial da escala, de forma que se pôde verificar o que cada item é capaz de avaliar, além de comprovar os parâmetros psicométricos da mesma e a fatorabilidade dos dados.

Identificaram-se dois fatores com valores próprios (eigenvalue) de 5,15, explicando 47,47% da variância no primeiro fator, e de 1,14, explicando 6,97% no segundo. No primeiro fator, as cargas variaram entre 0,60 (satisfeito) e 0,83 (alegre), enquanto no segundo fator, variou entre 0,37 (preocupado) e 0,77 (deprimido). A análise PC (Principal Components)4, com rotação oblimin, identificou 28,41% para o primeiro fator

90

e 26,04% para o segundo. O Scree Plot ilustra uma mudança forte na direção da curva no segundo fator, confirmando uma solução bifatorial. A consistência interna dos fatores, calculada através do Alfa de Cronbach (D), para os afetos positivos estimado totalizou em 0,87 e para os afetos negativos foi de 0,80 (Tabela 5).

Tabela 5

Estrutura Fatorial da Escala de Afetos Positivos e Negativos.

FATORES ITENS

AfetosPositivos Afetos Negativos

10. Alegre 0,83* 01. Feliz 0,71* 06. Divertido 0,66* 08. Otimista 0,66* 03. Satisfeito 0,60* 02. Deprimido 0,77* 04. Frustrado 0,75* 09. Infeliz 0,69* 05. Raivoso 0,54* 07. Preocupado 0,37* Valor Próprio 5,15 1,14 % Variância Explicada 47,47 6,97 Alfa de Cronbach (D) 0,87 0,80

Notas: * t r 0,30 (carga fatorial considerada satisfatória).

Estudo anterior (Chaves, 2003), na utilização da mesma escala e fazendo análise fatorial, identificaram-se dois fatores com valores próprios (eigenvalue) de 4,28, explicando 42,8% da variância no primeiro fator, e de 1,43, explicando 14,3% no segundo, confirmando-se, portanto, uma estrutura bifatorial. O Alfa de Cronbach (D) apresentou nível de consistência interna igual a 0,81 para os afetos positivos e 0,78 para os afetos negativos (Chaves, 2003). Assim, os resultados da presente pesquisa confirmam a consistência da escala utilizada para mensurar os referidos fatores.

c) Escala de Satisfação com a Vida

Diener e colaboradores (1985) desenvolveram esta escala para avaliar o quanto o indivíduo estava satisfeito com sua vida. A escala é composta por cinco itens (“Na maioria dos aspectos, minha vida é próxima ao meu ideal”, “As condições da minha vida são excelentes”, “Estou satisfeito com a minha vida”, “Dentro do possível, tenho conseguido as coisas importantes que quero na vida”, “Se pudesse viver uma segunda vez, não mudaria quase nada na minha vida”), sendo respondidos em escala tipo Likert, indo de 1 = Discordo Totalmente a 7 = Concordo Totalmente.

Foi realizada uma análise PC (Principal Components), sem fixar o número de fatores a serem extraídos. Foi utilizada esta análise, uma vez que trabalha com a totalidade da variância e tem caráter exploratório, não necessitando trabalhar com variância compartilhada, já que consiste num único fator. Esta análise permitiu identificar um único fator com valor próprio (eigenvalue) de 3,18, explicando 55,12% da variância total.

Também com uma saturação de ao menos r0,30 assumida como satisfatória para definir um fator, observa-se que nesta medida todos os itens obtiveram saturações iguais ou superiores a r0,61, o que permite aceitar a presença de uma estrutura unifatorial, que mede satisfação com a vida. A menor e maior saturações corresponderam aos itens “Dentro do possível, tenho conseguido as coisas importantes que quero na vida” (0,61) e “Estou satisfeito com minha vida” (0,84), respectivamente. A consistência interna deste fator, calculada através do Alfa de Cronbach (D), foi de 0,84 (Tabela 6).

92

Tabela 6

Estrutura Fatorial da Escala de Satisfação com a Vida

ITENS FATOR

3. Estou satisfeito com minha vida 0,84*

1. Na maioria dos aspectos, minha vida é próxima ao meu ideal 0,79* 2. As condições da minha vida são excelentes 0,77* 5. Se pudesse viver uma segunda vez, não mudaria quase nada na minha vida 0,70* 4. Dentro do possível, tenho conseguido as coisas importantes que quero na vida. 0,61*

Valor Próprio 3,18

% Variância Explicada 63,6

Alfa de Cronbach 0,84

Notas: * t r 0,30 (carga fatorial considerada satisfatória).

Corroborando a estrutura fatorial da Escala de Satisfação com a Vida, Chaves (2003) encontrou um único fator com valor próprio de 2,67, que explica 53,2% da variância, e o nível de consistência interna Alfa de Cronbach (D) igual a 0,72, confirmando-se, dessa forma, os bons parâmetros psicométricos da escala.

d) Escala de Aspiração

A Escala de Aspiração, de autoria da própria autora desta dissertação, é composta por frases relacionadas à aspiração do indivíduo, numa escala de resposta do tipo Likert, que vai de 1 = pouco/quase nada a 5 = muito/bastante. Quanto mais o indivíduo se identificar com a frase, maior pontuação atribui na escala (mais próximo de 5) e, quanto menor identificação, menor pontuação (mais próximo de 1). Dentre os nove itens da escala, seis medem aspiração (itens 1, 2, 3, 6, 7 e 9 )5. Os demais itens (4, 5 e 10) foram desprezados, uma vez que indicaram índices baixos de fatorabilidade. E depois de desenvolvida a análise fatorial (técnica dos eixos principais), foi eliminado o item 9, cuja carga era inferior a 0,30. A menor e maior saturações das cargas corresponderam aos itens

5 Esclarece-se que no protocolo de coleta de dados os itens 8, 11 e 12 que estão constando na Escala de

Aspiração se referem realmente a alguns fatores ambientais, por isso não estão sendo incluídos na análise fatorial da Escala de Aspiração.

“Sinto necessidade de crescimento e de ter novas oportunidades no trabalho” (0,46) e “Tenho interesse e motivação em ultrapassar metas/objetivos no meu trabalho” (0,80), respectivamente. A consistência interna deste fator, calculada através do Alfa de Cronbach, foi de 0,78. Identificou-se um único fator com valor próprio (eigenvalue) de 3,00 explicando 50,04% da variância (Tabela 7).

Tabela 7

Estrutura Fatorial da Escala de Aspiração

ITENS

FATOR

3. Tenho interesse e motivação em ultrapassar metas/objetivos no meu trabalho 0,81* 2. Interesso-me não só na minha atividade particular, mas também no ambiente

de trabalho como um todo 0,70*

1. Sou uma pessoa motivada pelo o que exerço no meu trabalho 0,69* 7. Posso crescer e desenvolver-me a partir do que faço 0,59* 6. Sinto a necessidade de crescimento e de ter novas oportunidades no trabalho 0,47*

Valor Próprio 2,7

% Variância Explicada 46,54

Alfa de Cronbach 0,78

Notas: * t r 0,30 (carga fatorial considerada satisfatória).

Da mesma forma que foi feito para escolher questionários para mensuração das dimensões do bem-estar psicológico, procedeu-se em relação aos fatores ambientais. Assim, conforme a Tabela 8, escolheu-se a Escala de Organização, Condições e Relação de Trabalho (Mendes, Rego & Ferreira, 2004) para mensurar os seguintes fatores ambientais: “Oportunidade para exercer controle sobre o meio”, “Clareza ambiental”, “Variedade”, “Oportunidade para a utilização dos conhecimentos e capacidades pessoais”, “Segurança física” e “Oportunidade para exercer relações interpessoais”.

94

Tabela 8

A mensuração dos fatores ambientais segundo a teoria de Warr (1987)

Fatores ambientais Conceitos (síntese) Questionário/fatores empíricos

1.Oportunidade

para exercer controle sobre o meio

Refere-se a quanto às condições do ambiente de trabalho possibilitam que o indivíduo controle atividades e outros eventos.

Fator Organização do Trabalho da EOCRT.

2. Clareza

ambiental O ambiente em que o indivíduo se encontra deve estar suficientemente claro, compreensível, na promoção de sua saúde mental

Fator Organização do Trabalho da EOCRT.

3. Variedade O indivíduo deve realizar atividades variadas

para ter saúde mental. Fator Organização do Trabalho da EOCRT. 4. Oportunidade para a utilização e desenvolvimento dos conhecimentos e capacidades pessoais

Refere-se a quanto o ambiente possibilita ao indivíduo utilizar e desenvolver habilidades pessoais.

Fator Organização do Trabalho da EOCRT

Item sobre Conhecimentos e capacidades pessoais (item isolado)6

5. Segurança física Os ambientes precisam proteger a pessoa de ameaças ao corpo, provendo a um adequado nível de segurança

Fator Condições de Trabalho da EOCRT.

6. Oportunidade para estabelecer relações

interpessoais

Estabelecer contatos pessoais trazem benefício à saúde mental, pois exaltam sentimentos de companheirismo e reduzem a solidão.

Fator Relações Sociais na EOCRT

7. Disponibilidade

econômica Refere-se à renda (monetária) que o indivíduo necessita ter para a sua sobrevivência. Fator Disponibilidade Econômica na Escala Situação Econômica e da Escala Principal Fonte de Renda. 8. Objetivos

gerados no meio O ambiente em que o indivíduo se encontra necessita ter objetivos a serem alcançados. Item sobre Objetivo (item isolado)

7

9. Posição social

valorizada Refere-se à posição em que o indivíduo se encontra dentro da estrutura social em que está inserido.

Item sobre posição social valorizada (item isolado)8.

Os quatro primeiros fatores ambientais têm como indicador o fator empírico Organização do Trabalho da EOCRT, sendo que o quarto adicionalmente também será mensurado por um item isolado. O quinto fator ambiental de Warr – Segurança Física – será mensurado através do fator empírico Condições de Trabalho da EOCRT. O sexto fator ambiental – oportunidade para estabelecer relações interpessoais – será mensurado através do fator empírico Relações Sociais da EOCRT.

O sétimo fator ambiental – Disponibilidade econômica – será mensurado por um conjunto de itens, os quais no protocolo de coleta de dados estão sendo designados pelo 6 Item 12 que no protocolo de coleta de dados está constando na Escala de Aspirações.

7 Item 8 que no protocolo de coleta de dados está constando na Escala de Aspirações. 8 Item 11 que no protocolo de coleta de dados está constando na Escala de Aspirações.

título Escala sobre Situação Econômica. Tais itens foram traduzidos do protocolo de coleta de dados utilizados em uma pesquisa em andamento por dois pesquisadores espanhóis (Álvaro & Luque, 2003). Sobre estes itens não se dispõe de estudos sobre sua validade e confiabilidade. A primeira questão solicita respostas nominais, pois consiste marcar quais foram as principais fontes de renda nos últimos 12 meses. A segunda questão é formada por 11 itens e respondida por meio de escala de Likert (1 a 4). Investiga se o indivíduo foi obrigado a renunciar algumas atividades do dia a dia devido à escassez de dinheiro. Os detalhes sobre essas escalas serão mostrados posteriormente. Às respostas a estes itens aplicou-se análise fatorial, sobre a qual se discorre mais detalhadamente adiante.

Por fim, o oitavo e nono fatores ambientais – objetivos gerados no meio e posição social valorizada – foram mensurados através de itens isolados, a saber: “Na organização onde trabalho, os objetivos e metas são claros” e “O trabalho me proporciona utilizar meus conhecimentos e capacidades pessoais”. Estes itens foram respondidos numa escala tipo Likert (1 a 5).

Adicionalmente, foi elaborado um conjunto de itens que questiona diretamente sobre indicadores da reestruturação produtiva no setor bancário. Em síntese, serão indicadores dos fatores ambientais os fatores da EOCRT, três (3) itens isolados do protocolo de coleta de dados, os itens sobre situação econômica e os itens sobre a reestruturação produtivo-bancária. Passa-se, então, a detalhar um pouco mais a EOCRT.

De autoria de Mendes, Rego e Ferreira (2004), a escala EOCRT fundamenta-se na abordagem da Ergonomia da Atividade e da Psicodinâmica do Trabalho. Tem como objetivo avaliar as condições de trabalho (lócus de produção, ambiente físico, equipamentos, apoio institucional), organização do trabalho (divisão do trabalho, normas,

96

controle exigidos para o desempenho das tarefas) e as relações de trabalho (comunicação, interação com colegas, chefias e clientes).

O instrumento é uma escala de freqüência com 05 pontos (tipo Likert), composta por 37 itens formulados para os três indicadores (condições, organização e relações sociais). Quanto mais próximo de 5 na escala, mais satisfeito o indivíduo percebe o contexto de trabalho. A escala foi analisada pelos autores, por meio da análise fatorial, método dos eixos principais, rotação oblimin no pacote estatístico SPSS para Windows versão 11. Os resultados confirmaram a estrutura fatorial esperada. Na análise, foram identificados KMO de 0,91, variância total explicada foi de 39,2% e três fatores com valor critério (eigenvalue) maior que 1. O primeiro fator é “condições de trabalho”, com índice de confiabilidade de 0,89 e 13 itens. É composto por itens que exploram em como estão as condições de trabalho para o indivíduo, tais como: “As condições de trabalho são adequadas”, “O ambiente de trabalho é silencioso”, “O número de pessoas é suficiente para se realizar as tarefas”, dentre outros; o segundo, é a organização do trabalho, com 0,81 de confiabilidade e 17 itens. Seus itens exploram em como o trabalho está organizado e distribuído entre os funcionários e alguns de seus itens são: “O ritmo de trabalho é ‘normal’”, “A distribuição das tarefas é justa”, “Os funcionários participam das decisões”, dentre outros; e o terceiro, as relações sociais de trabalho, com índice de 0,70 com 7 itens. Este último fator reúne itens que exploram as relações interpessoais no ambiente de trabalho, a qualidade dessas relações, por exemplo: “Não existe individualismo no ambiente de trabalho”, “A comunicação entre funcionários é satisfatória”, “Disputas no local de trabalho são inexistentes”.

Apesar da amostra do presente estudo estar composta por apenas 200 participantes e pelo fato do referido questionário contar com 37 itens, repetiu-se a análise

Benzer Belgeler