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No tocante a valoração do contribuinte, observamos que o ordenamento jurídico de Uberlândia, antes mesmo da EC 45/2004 vinha buscando a sua tutela antes mesmo da aludida emenda. Embora não tratasse diretamente sobre o atendimento processual célere, em 16 de abril de 2003 foi promulgada no ordenamento jurídico de Uberlândia a LC 313/2003 que estabeleceu as normas de proteção e garantia ao contribuinte no Município de Uberlândia – a qual procurou estabelecer um Código de Defesa dos Contribuintes de Uberlândia em respeito as legislações federais e estaduais vigentes.

Como referência principiológica e norteadora, estabeleceu que a instituição e majoração de tributos no âmbito municipal deve se atentar aos princípios de justiça tributária.

Desse modo, considerou no parágrafo único do Art. 4º como sendo justa a tributação que atende aos princípios da isonomia, da capacidade contributiva, da equitativa distribuição da carga tributária, da generalidade, da progressividade e da não confiscatoriedade. Ao nosso

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MARTINS, Fernando Rodrigues. Improbidade administrativa à luz da hermenêutica constitucional. Revista de Direito Constitucional e Internacional RT, São Paulo: RT, vol. 69, out. 2009. p. 110.

sentir, referidas disposições legislativas encontram correspondência na legislação inserida no Código Tributário Nacional:

[...] no capítulo do Sistema Tributário Nacional, na parte dos “princípios gerais” (art. 145, §1º) e das “limitações ao poder de tributar”, onde é tratada como uma “garantia” dos contribuintes (art. 150,II). Isso sem considerar todos os outros dispositivos que são umbilicalmente ligados à igualdade, tanto aqueles concernentes aos princípios, como o do Estado de Direito, da segurança jurídica ou da legalidade quanto aqueles referentes à ausência de discriminação entre fatos, pessoas ou situações. [...] analisar os conceitos de hierarquia e de coerência. Por meio deles, poder-se-ão compreender tanto a superioridade quanto a inferioridade da igualdade e, com isso, compreender como a igualdade deverá ser aplicada quando ocorrer aquilo que vem ocorrendo com cada vez mais frenquencia: a restrição do princípio da igualdade com justificativa em finalidades extrafiscais. 209

Consideramos, não obstante, embora o princípio da igualdade não tenha superioridade abstrata absoluta, ele tem prevalência axiológica relativa em nível abstrato. Ainda a prevalência relativa da igualdade indica a presunção de igualdade. Essa presunção de igualdade traz repercussões importantes para a realização da igualdade que podem ser traduzidas na ideia de que a prevalência relativa abstrata cria, nos dois pratos da figurativa “balança da ponderação”, um desnivelamento favorável à igualdade, no sentido de que, inexistentes outras razões justificativas para sua inversão, a prevalência abstrata se mantém no plano concreto210.

Com essas considerações e, a partir dessa leitura, temos que o Art. 5º da LC 313/2003 afirma que são objetivos da lei: a promoção do bom relacionamento entre o o fisco e o contribuinte baseado na cooperação, no respeito mútuo e na parceria pela orientação e advertência, pela proteção do contribuinte contra o exercício abusivo do poder de fiscalizar, de lançar e de cobrar tributos instituídos em lei, pela ampla segurança da defesa dos direitos do contribuinte nos atos de atuação cominação de penalidades e instauração de penalidades e pela prevenção e reparação dos danos patrimoniais e morais decorrentes do abuso de poder por parte dos agentes de fiscalização no lançamento e na cobrança dos tributos.

Observamos que o agir e o conduzir da Administração para com o contribuinte pauta pela moralidade e boa administração. Atribuímos essa conduta tanto para o administrado como para a própria Administração Pública.

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ÁVILA, Humberto. Teoria da igualdade tributária. 2ª edição, São Paulo: Malheiros Editores, 2009. p. 147- 148.

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A título de referência, se formos ver na análise da probidade no tocante ao patrimônio público, não parece divorciada do direito público, mesmo porque o art. 136 do Código Tributário Nacional já permite, inclusive, a responsabilização por infrações à legislação tributária independente da intenção do agente. A redação da legislação, demonstra a preocupação de salvo lei em contrário, a responsabilidade por infração da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Pautamos pela existência de regra que procede uma avaliação comportamental no âmbito do direito público e que também serve para aplicação nos casos de improbidade, em especial considerando que os atos administrativos praticados devem ser em estrita observância aos princípios da administração211 – constantes no Art. 37 da Constituição Federal.

A título de conclusão nesse sentido acusamos a inexistência de motivos para que o direito público, que atua mediante processo tributário administrativo, não exija dolo para condenação do contribuinte, punindo-o simplesmente por culpa, e de outro lado, num processo administrativo em que apura desvios de agente público, estritamente ligado a princípios éticos, só permita sua punição mediante lastreada intenção212. Por coerência do próprio ordenamento jurídico observamos a preocupação de manutenção da melhor técnica que aprimora a questão da própria igualdade.

Observamos pelas disposições legislativa e doutrinária que a realização de distinção entre contribuintes deve ser feita com base em elementos residentes neles próprios e a finalidade de tributação é a própria distribuição igualitária da carga tributária, critério e finalidade, antes de se afastarem, aproximam-se, para consubstanciar uma só equação: a imposição deve corresponder à atividade contributiva213.

As medidas e o agir do Fisco, até mesmo para o cumprimento das finalidades tributárias, deve se dar de forma proporcional de modo a provocar efeitos positivos à promoção dos princípios constitucionais.

Pontuamos na legislação municipal o Art. 2º da LC 508/2009 que dispõe expressamente que, além dos demais princípios do processo administrativo tributário, também pauta o mesmo pela audiência do interessado e sua acessibilidade aos atos praticados, da

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MARTINS, Fernando Rodrigues. Improbidade administrativa à luz da hermenêutica constitucional. Revista de Direito Constitucional e Internacional RT, São Paulo: RT, vol. 69, out. 2009. p. 110.

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Ibid. p. 110.

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ÁVILA, Humberto. Teoria da igualdade tributária. 2ª edição, São Paulo: Malheiros Editores, 2009. p. 160- 161.

ampla instrução probatória, da motivação, da celeridade e da economia processual. Nesse ponto, a título de informação, uma lavratura indevida de auto de infração e a sua contestação pelo contribuinte acarretam um aumento do número de processos, o que certamente tem impactos sobre a duração do processo administrativo fiscal214.

Nesse sentido, pontuamos que o mais importante no estudo da celeridade processual vai além das reformas legislativas sobre os textos normativos. A mesma corresponde a criação de um processo justo que condiciona a uma mentalidade valorativa direcionada ao cumprimento dos princípios constitucionais, não fazendo do processo um fim em si mesmo.

Até mesmo pela leitura da redação da legislação de Uberlândia temos que a mesma representa um arcabouço instrumental destinado, sobretudo, a disciplinar os aspectos procedimentais para se alcançar a tutela. De modo algum sua interpretação e manejo podem contrariar as regras e princípios traçados pela ordem constitucional .

Isto, porém, não pode ser entendido como a liberação do julgador para proceder no processo apenas com respaldo na Constituição, criando procedimentos novos e desprezando aqueles determinados pelas leis infraconstitucionais em vigor. O Estado Democrático de Direito é, antes de tudo, um Estado de Direito, onde se relacionam os indivíduos a partir da lei emanada do órgão credenciado para instituir a ordem jurídica infraconstitucional. Em linhas, a Constituição nada mais é do que a lei maior, mas as leis ordinárias são a maneira prática e efetiva de interpretar e traduzir a vontade fundamental, direcionando-a para a grande e pacífica convivência do quotidiano216.

A menção do legislador municipal certamente reforça a valoração constitucional da tutela dentro de um prazo célere, mas capaz de atender às demais outras garantias constitucionais de processo – vemos a preocupação de não termos o acometimento de excessos no processo administrativo tributário.

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ROCHA, Sérgio André. Duração razoável do processo administrativo fiscal. Revista Dialética de Direito Tributário (RDDT), São Paulo: Dialética, n. 142, jul. 2007. p. 85.

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THEODORO JÚNIOR, Humberto. Direito processual constitucional. Revista Estação Científica (Ed. Especial Direito), Juiz de Fora, vol. 01, out/nov. 2009. p. 40.

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3.3. ANÁLISE DOS REFLEXOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO NO

Benzer Belgeler