D. YAPAY ADALARA İLİŞKİN ÖNERİLER ve YAPAY ADALARIN BU ÖNERİLER ÇERÇEVESİNDE ULUSLARARASI HUKUK
V. ÖNERİLEN BU PROJELERİN TALÎ KONULAR ÇERÇEVESİNDE DEĞERLENDİRİLMESİ
A presença de escolas entre os povos indígenas de Minas Gerais se deu de forma bastante diferenciada, considerando as várias histórias de contato desses povos, os locais de origem e as necessidades de deslocamento deles. Pouco se sabe sobre tais processos, sobretudo em decorrência das formas de ocupação das terras no Estado e da política indigenista adotada.
A primeira iniciativa para a criação da educação escolar indígena no Estado, conforme preceitos da Constituição Federal, foi em 1993, quando a Secretaria de Estado da Educação (SEE-MG) deu início à elaboração de uma proposta educacional para responder aos anseios das comunidades indígenas mineiras. Alguns encontros envolvendo os povos indígenas, o MEC, a SEE-MG, a Funai, a UFMG e as secretarias municipais foram feitos com o objetivo de elaborar um plano de ação pedagógica adequado à cultura e à realidade de cada povo.
Em 1995, uma equipe de técnicos das várias instituições parceiras (SEE-MG, UFMG, Funai, IEF) realizou o diagnóstico da situação educacional nas áreas indígenas de Minas Gerais para identificar com as comunidades suas principais demandas em relação às escolas indígenas diferenciadas. No mesmo ano, foi criado o Programa de Implantação das Escolas Indígenas de Minas Gerais (PIEI- MG), que deu início ao Curso de Formação de Professores Indígenas em 1996, trazendo contribuições para os povos indígenas na construção de sua própria escola. As primeiras escolas estaduais indígenas de Minas Gerais se instituíram a partir de 1997, quando se fez a contratação de professores indígenas41 pela SEE- MG. Isso significou um grande avanço em relação à construção da escola indígena diferenciada em Minas Gerais, uma vez que os professores passaram a atuar nas
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Os professores contratados foram os que iniciaram o seu percurso de formação em 1996, indicados pelas suas comunidades de origem.
escolas de suas aldeias substituindo os professores contratados pelas prefeituras dos municípios onde se localizam as Terras Indígenas.
Para responder às demandas de formação que foram surgindo, o PIEI-MG ampliou sua atuação nas áreas indígenas por meio da oferta de cursos de formação continuada, que se seguiram à diplomação da primeira turma de professores indígenas, em 1999, além de atender a uma segunda turma com o Curso de Formação de Professores Indígenas, que se iniciou em 2000.
A proposta da formação continuada procurou se configurar em diálogo com as experiências escolares já existentes em cada comunidade indígena, atendendo às especificidades de cada contexto escolar, sendo delineados os percursos de formação diferenciados por etnia. Entre os Xacriabá, a formação continuada buscou atender tanto à organização das atividades escolares para as turmas de 5ª série que começavam a funcionar nas escolas como ao acompanhamento pedagógico às turmas das séries iniciais.
No período compreendido entre 2001 e 2002, constituiu-se na SEE-MG uma equipe de formadores, da qual eu fazia parte, com alguns educadores que já atuavam no Curso de Formação de Professores Indígenas. Essa equipe foi composta por pessoas com diversas trajetórias no campo da educação e que foram contratadas pela SEE-MG para as atividades de formação previstas sem que tivessem vínculo formal com a instituição. Tal fato, apesar de ter possibilitado ricos momentos de trocas de experiências, também foi responsável por momentos de certa tensão e conflitos em relação aos encaminhamentos do trabalho. A articulação entre os formadores e as instituições parceiras do PIEI-MG nem sempre ocorreu de forma consensual, havendo diferentes entendimentos sobre o significado da educação escolar indígena.
A partir de 2003, houve uma série de mudanças no PIEI-MG que acabaram por interferir na política de formação até então implementada a saber: da coordenação executiva do programa, da coordenação de etnia, da forma de se pensar a formação, do lugar do PIEI-MG e da estrutura da SEE-MG. Muitas dessas mudanças significaram avanços importantes, como a incorporação dos professores indígenas como coordenadores pedagógicos de etnia e como membros da coordenação
executiva do PIEI-MG, em substituição à equipe de formadores externos à SEE-MG. No entanto, tais mudanças não levaram, ainda, a uma efetiva participação dos professores nos rumos da educação escolar indígena do Estado. Estar na coordenação do PIEI-MG deveria significar interferir nas decisões políticas relativas à educação escolar indígena, como o uso dos recursos financeiros ou a construção da política de formação, o que ainda não vem acontecendo.
Outra mudança foi em relação à participação dos assessores no PIEI-MG, que passou a se dar apenas no Curso de Formação, que ocorre fora das Terras Indígenas, restringindo nosso contato enquanto formadores com a realidade das escolas. O acompanhamento pedagógico das escolas indígenas ficou a cargo de cada Superintendência Regional de Ensino (SRE) à qual está vinculada cada escola indígena, ocorrendo de formas diversas nas diferentes áreas indígenas, dependendo das pessoas e condições das SRE.
Os povos indígenas continuam demandando mais escolas. Atualmente, em Minas Gerais, há um processo de expansão da escolarização dos indígenas, sendo várias as experiências escolares entre esses povos que aqui vivem: Maxakali, Krenak, Xacriabá, Pataxó, Pankararu, Xukuru-Kariri, Kaxixó. A TAB. 6 registra a evolução da matrícula nas escolas existentes nos vários grupos indígenas de Minas Gerais entre 1997 e 2006.
TABELA 6
Essas várias experiências e a rapidez no processo de escolarização das comunidades têm levado as populações citadas a formular novas demandas pela formação dos professores indígenas. A demanda pela continuidade da formação vem sendo apresentada ao PIEI-MG desde 1999 pelos professores indígenas quando a primeira turma concluiu o Magistério Indígena. A partir daí, essa questão foi encaminhada à UFMG, e muitas discussões foram feitas entre os representantes dos povos indígenas, a universidade, a SEE-MG e as demais instituições parceiras. Tais discussões, marcadas por tensões e contradições, levaram à construção de uma proposta de formação em nível superior para os professores indígenas.
A proposta foi construída com base na experiência de quase dez anos do Curso de Formação de Professores Indígenas em nível médio, com a participação de vários professores da UFMG, incorporando também experiências já em curso no Brasil. Resulta das atividades de pesquisa e extensão realizadas nas populações indígenas de Minas Gerais por docentes e pesquisadores pertencentes a diversas unidades da UFMG, cujos resultados trouxeram grandes contribuições, embora ainda se mostrem insuficientes para melhor compreensão do processo de escolarização que vem ocorrendo entre povos indígenas de Minas Gerais.
Após sua elaboração, o projeto foi discutido e aprovado no III Fórum de Formadores de Professores Indígenas, realizado, em outubro de 2004, na Faculdade de Educação da UFMG, que contou com a presença de representantes do Movimento Indígena de Minas Gerais, da equipe de formadores do PIEI-MG, da SEE-MG, da Funai e do MEC, por intermédio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad).
Depois de aprovado nas instâncias internas da UFMG, o curso Formação Intercultural para Educadores Indígenas (FIEI) foi apresentado ao MEC em 2005, por intermédio do Programa de Apoio à Formação Superior e Licenciaturas Indígenas (Prolind). Aprovado pelo Prolind, em dezembro de 2005, foi realizado o vestibular para selecionar os estudantes indígenas que dele fariam parte. Em maio de 2006, o curso foi iniciado com 142 estudantes das várias etnias do Estado, dentre eles 110 Xacriabá.
O FIEI é dirigido a professores indígenas que estão no exercício do magistério nas escolas indígenas de suas aldeias e que ainda não tiveram a oportunidade de se qualificar adequadamente para a profissão que exercem por meio de um curso superior. Previsto para cinco anos, o curso está organizado em tempos/espaços diferenciados, com etapas de formação na universidade e com etapas de formação no meio socioprofissional de cada estudante. Tem por objetivo formar e habilitar professores indígenas, com enfoque intercultural, para lecionar nas escolas de Ensino Fundamental e de Ensino Médio, sendo, neste último caso, com habilitação específica em uma das áreas do conhecimento: Línguas, Artes e Literaturas; Ciências da Natureza e Matemática; Ciências Sociais e Humanidades.
O currículo do curso está organizado em três eixos temáticos: o conhecimento da realidade socioambiental; a escola indígena e seus sujeitos; e as múltiplas linguagens. Esses eixos estruturam a abordagem dos conteúdos curriculares de natureza científico-cultural, assim como situam as diferentes atividades acadêmicas do curso: prática de ensino, estágios supervisionados, projetos de pesquisa e de produção de material didático e laboratórios interculturais.
Durante a sua formação, cada estudante construirá o seu percurso acadêmico, que será estruturado prevendo uma articulação entre as áreas de conhecimento mencionadas e os projetos sociais da comunidade deles, nos quais as exigências de cada projeto é que vão configurar o eixo de articulação dos diferentes campos de conhecimento envolvidos na realização dos mesmos.
É importante destacar que no momento de escrita deste trabalho assumi o trabalho como monitora do FIEI, compondo a equipe do eixo temático A escola indígena e seus sujeitos também estão participando da construção da proposta pedagógica da Matemática. Dessa forma, foi possível perceber novas questões que estão emergindo nas escolas indígenas em relação à Matemática. Dentre essas questões, posso mencionar a proposta que um grupo de estudantes apresentou para o percurso acadêmico deles que diz respeito à importância de aprofundar os estudos relativos ao ensino dessa matéria nas escolas indígenas baseando-se em um diálogo com a cultura local. Outra proposta apresentada diz respeito à articulação da Matemática com os projetos sociais das comunidades relacionados com a Pesquisa
da Economia Xacriabá,42 realizada em 2005. Tais questões se apresentam como um forte potencial de diálogo para este trabalho, apesar de não constituírem meu objeto de estudo neste momento.