• Sonuç bulunamadı

NOT 2 – FİNANSAL TABLOLARIN SUNUMUNA İLİŞKİN ESASLAR (Devamı)

2.8. Önemli Muhasebe Politikalarının Özeti

Assim como a polis grega precisava de um espaço de debate onde opiniões e impressões eram trocadas publicamente, o qual os gregos deram o nome de ágora, a instância midiática também necessita de tal espaço. Para o filósofo alemão Jürgen Habermas (2003), a esfera pública representaria uma dimensão social que atuaria como mediadora entre o Estado e a sociedade. Em tal dimensão social, o público se organizaria como portador de opinião. Seria justamente a opinião mais compartilhada pelo público que o teórico intitulou opinião pública. Por mais que a ágora grega ou a esfera pública habermasiana inspirem questionamentos maiores sobre a democracia, focaremos apenas na questão do terreno para o debate, na existência do espaço de troca de opiniões, seja ele físico ou virtual.

Na ágora grega o cidadão convivia com outros e era esse também o espaço para o comércio, discussões políticas e tribunais populares, ou seja, era o espaço físico delimitado para trocas de opiniões. Era a ágora de Atenas a mais conhecida justamente por oferecer aos cidadãos igualdade em voz e direitos. Já o conceito habermasiano coloca como condição sine qua non a existência da liberdade de expressão para que seja formada a opinião pública. Também essenciais na esfera pública são os atos de reunir e associar opiniões. Em uma sociedade de grandes dimensões a comunicação na esfera pública requer meios específicos de transmissão de informações; Hoje são as diferentes mídias, como rádio, TV ou internet as responsáveis por mover a máquina da opinião pública.

Debruçar-se sobre os estudos de Habermas é, invariavelmente, perceber o quanto o autor observou o poder de transformação da esfera pública, alimentada por troca de informações e relações sociais. De acordo com o autor (2003), houve uma transformação subjacente à formação da esfera pública, transformação essa que trouxe arenas organizadas na vida pública, como o

104

crescimento da cultura urbana, novos cenários para relações sociais e o surgimento do público leitor através de uma sociedade de língua e leitura. As transformações estão intrinsecamente ligadas à sociabilidade. A possibilidade de alegar, argumentar e discutir são os principais nortes da análise habermasiana sobre a esfera pública. Os direitos de expressão, pensamento e debate, com razoável troca entre iguais, conformam o ideal que interessa a Habermas.

Com o advento da internet, a informação passa a se tornar exponencialmente mais complexa, carregando mais conteúdo e diversos canais de resposta em cada caminho que pelo qual a informação é transmitida. O espaço no qual as trocas de opinião acontecem se pulveriza, gerando um número de indivíduos que, perdidos, imergem na relação unilateral provida pelos massivos meios de comunicação, mas não chegam de fato a debater sobre assunto algum ou se voltam para a comunicação de par a par, através do grande terreno de debate que a internet representa.

Segundo Jenkins (2006) a nova arena do debate sobre a televisão e sua programação é a internet. É nesse novo terreno que surge o fandom, o que o autor define como um veículo para grupos marginalizados de subculturas (como mulheres, adolescentes, gays e assim por diante) no qual tais grupos podem explorar o espaço aberto de suas preocupações culturais dentro das representações dominantes. Ainda segundo o autor, o fandom é como esses grupos se apropriam de textos culturais e o reinterpretam servindo diferentes propósitos, uma maneira de transformar produtos de cultura de massa em cultura popular.

É essa a dúvida de Zengotita (2006): Onde acontecerão as conversas do watercooler, quais mudanças acontecerão frente à nova arquitetura de participação da televisão. O autor e questiona o que aconteceria caso os conteúdos de nichos acelerasse o processo de divisão celular de conteúdos a ponto de não haver como encontrar indivíduos semelhantemente informados que compartilhassem do mesmo ponto de vista ou do mesmo perfil como espectador. Já Jenkins (2006), parece partir da mesma pergunta de Zengotita (2005) quando decide investigar as comunidades de fãs, blogueiros e as novas mídias – o já citado fandom. Jenkins revisita a dúvida e aponta em direção à criação de

105

círculos e comunidades virtuais, que produzem conteúdo e cujo debate incessante sobre assuntos em comum gera uma fonte inesgotável de material.

Jenkins (2006) define sua publicação defendendo os poachers, termo cunhado pelo autor para definir os fãs que ultrapassaram os limites da simples apreciação de um conteúdo. Para o autor o momento da convergência e digitalização dos meios permite que os fãs não sejam mais marginalizados do sistema de operação dos meios. Não mais entremeando o arquétipo do espectador acéfalo e inarticulado, os fãs principalmente através dos meios digitais, construiriam uma nova cultura, na qual eles participam ativamente através de críticas, debates e até criações próprias. Assim como Anderson (2006), que acredita que a democratização das ferramentas de produção de conteúdo transformam o fã médio em um fã produtor, Jeninks (2006) define o momento atual do consumo de conteúdo audiovisual como momento da cultura da participação.

Jenkins ainda observa que tradicionais instituições, como o Direito, a Igreja, a Educação, a Publicidade e a Política, possuem pressa em se adaptar ao novo cenário, permitindo, ou pelo menos tolerando, a participação popular. E na televisão não é diferente. Aos poucos saindo de uma transmissão unilateral e flertando com a interatividade, através das promessas da TV digital e da convergência com outras mídias, e indo em direção diferentes formas de transmissão além do broadcast. A televisão parece ter percebido que não é mais possível ignorar quem está do outro lado da tela. TV Watercooler é uma expressão clara do momento atual da televisão, que convida os espectadores a continuarem dentro do universo da televisão sem precisar, necessariamente, trocar de tela. No programa é possível comentar a televisão, interagir e moldar o conteúdo ao seu gosto. É uma forma possível de TV participativa.

Benzer Belgeler