Prevista no art.182 da Constituição Federal de 1988 e regulamentada pela Lei 10.257/2001, nos arts. 39 a 42, o Plano Diretor é um instrumento fundamental para o planejamento urbano definir a política de desenvolvimento e expansão urbana, estabelecendo um modelo compatível com os recursos naturais, em defesa do bem estar da população.
O Plano Diretor tem origem no Estatuto da Cidade, que significou uma profunda transformação social na vida urbana, principalmente na propriedade uma vez que ao imóvel deve ser dado um tratamento social e produtivo.
A finalidade do Estatuto da Cidade é disciplinar a função social da propriedade urbana, controlando a especulação imobiliária, através de instrumentos como a cobrança do imposto progressivo, disciplinando assim mecanismos em benefício da população.
O art. 2º do Estatuto da Cidade, Lei 10.257/2001, faz referência à garantia do direito a uma cidade sustentável, entendida como direito à terra urbana, à moradia, ao saneamento ambiental, à infra-estrutura urbana, ao transporte e aos serviços públicos, ao trabalho e ao lazer, para as presentes e futuras gerações; à ordenação e controle do uso do solo, de forma a evitar a poluição e a degradação ambiental e a realização de audiência pública.
É significativa uma referência ao Fórum Nacional de Reforma Urbana – FNRU, que teve uma importante atuação no projeto da Constituição de 1988, e na elaboração das Leis Orgânicas Municipais. Sua ação é orientada pelos seguintes princípios:
“direito à cidade e à cidadania, entendia como a participação dos habitantes das cidades na condução de seus destinos. Inclui o direito à terra, aos meios de subsistência, à moradia, à educação, à saúde, ao transporte público, à alimentação, ao trabalho, ao lazer, e à informação. Inclui também o respeito às minorias, a pluralidade étnica, sexual e cultural e ao usufruto de um espaço culturalmente rico e diversificado, sem distinções de gênero, etnia, raça, linguagem e crença. Gestão democrática da Cidade, entendida como a forma de planejar, produzir, operar e governar as cidades submetidas ao controle social e à participação da sociedade civil: Função social da Cidade e da Propriedade, como prevalência do interesse comum
sobre o direito individual de propriedade. É o uso socialmente justo do espaço urbano para que os cidadãos se apropriem do território, democratizando seus espaços de poder, de produção e de cultura dentro dos parâmetros de justiça e de criação das condições ambientalmente sustentáveis.”
(FNRU - Folheto de apresentação).
“A cidade é fruto do trabalho coletivo de uma sociedade. Nesta está materializada a história de um povo, suas relações sociais, políticas econômicas e religiosas. Sua existência ao longo do tempo é determinada pela necessidade humana de se agregar, de se interrelacionar, de se organizar em torno do bem estar comum, de produzir e trocar bens e serviços; de criar cultura e arte; de manifestar sentimentos e anseios que só se concretizam na diversidade que a vida urbana proporciona. Todos buscamos uma cidade mais justa e mais democrática, que possa de alguma forma, responder à realização de nossos sonhos.”
(Câmara dos Deputados, Apresentação Secretaria Especial de Desenvolvimento Urbano da Presidência da República/Caixa Econômica Federal, 2001, p. 17)
Para vencer a tendência autoritária da administração pública em geral, foram estabelecidos novos modelos de gestão de interesse público; nessa linha, o inciso I do artigo 43 do Estatuto prevê a existência de órgãos colegiados de política urbana, para assegurar a gestão democrática das cidades, nos níveis nacional, estadual e municipal.
Uma referência válida foi a plataforma de reforma urbana, firmada em meados dos anos 1980, e apresentada ao Congresso brasileiro no período da Constituinte, tendo resultado em diretrizes estabelecidas na Constituição de 1988, por meio de uma emenda popular com os seguintes objetivos (Cf. resumo apontado por SAULE JR., 2005,p. 38)
Reconhecimento do direito à cidade: reconhecimento dos direitos das pessoas que vivem na cidade, como um direito fundamental;
Aplicação dos princípios das funções sociais da cidade e da propriedade: condicionar as atividades econômicas e de desenvolvimento e o direito à propriedade urbana, a uma política urbana que promova as funções sociais da cidade e da propriedade;
Implementação da gestão democrática da cidade: fortalecer o papel dos municípios para a promoção de políticas públicas que assegurem os direitos dos habitantes das cidades mediante uma gestão democrática das cidades, de modo a
assegurar a participação popular dos segmentos em situação de desigualdade econômica e social.
Desse movimento amplo foram obtidos: um capítulo da política urbana na Constituição; a Lei Nacional Estatuto da Cidade; a criação do Ministério das Cidades. O Fórum Nacional de Reforma Urbana protagonizou, com outros atores, a Primeira Conferência Nacional das Cidades (2003), e a implantação do Conselho Nacional das Cidades.
O Estatuto se traduz na implantação do denominado Plano Diretor, instrumento básico da política municipal de desenvolvimento (artigo 182, & 4º. do texto da Constituição de 1988). Tentando romper com a idéia difundida de separação do planejamento urbano (esfera técnica) e de sua gestão (esfera política), o documento defende que a cidade é produzida por uma multiplicidade de agentes que alcancem um pacto que corresponda ao interesse público. Numa linha contestatória, “o chamado Plano Diretor está desvinculado da gestão urbana. Discurso pleno de boas intenções, mas distante da prática. Conceitos reafirmados em seminários internacionais ignoram a maioria da população” (MARICATO, 2007, p. 64).
A institucionalização do planejamento nas administrações municipais se disseminou a partir da década de 70, com a missão de promover o desenvolvimento integrado e o equilíbrio das cidades, em contexto de explosão do processo de urbanização.
O planejamento urbano começa a ser mais fortemente questionado com a emergência de movimentos sociais urbanos cada vez mais convergentes e abrangentes. A reforma do ordenamento jurídico com o advento do estatuto da cidade, Lei 10.257/2001, impulsionou o tema da reforma urbana, provocando o debate sobre a criação do plano diretor.
O Plano Diretor pode ser definido como um conjunto de princípios e regras orientadoras da ação dos agentes que constroem e utilizam o espaço urbano. O Plano Diretor parte de uma leitura da cidade real, envolvendo temas e questões relativos aos aspectos urbanos, sociais, econômicos e ambientais, que embasa a formulação de hipóteses realistas sobre o desenvolvimento das cidades.
Ressalta-se que a partir da criação de lei municipal que dispõe sobre o Código de Obras, datado do ano de 1998, por exigência da Lei municipal nº 3.633/98, o município de Rio Verde-GO, passou a exigir que os projetos de loteamentos deveriam conter uma infra-estrutura mínima, no caso, asfalto, energia elétrica, meios fios e rede pluvial.
No ano de 2007, com base na Lei Federal nº 10.257/2001, foi criada a Lei complementar municipal nº 5.318/2007, dispondo sobre o plano diretor e planejamento do município de Rio Verde-GO. Cabe ressaltar que o art. 150 da referida lei complementar municipal prevê a revisão de dois em dois do plano diretor, sendo avaliado por um conselho da cidade. De acordo com as diretrizes expressas no Estatuto da cidade, os Planos Diretores devem contar necessariamente com a participação da população e de associações representativas dos vários segmentos econômicos e sociais, não apenas durante o processo de elaboração e votação, mas, sobretudo, na implementação e gestão das decisões do Plano Diretor.
Atualmente, existe previsão do conselho da cidade, mas até a presente data não houve avanços para instalação e funcionamento, no sentido de decidir sobre os requerimentos, dúvidas e revisão acerca da Lei complementar municipal nº 5.318/2007, denominada Plano Diretor.
A discussão a respeito do plano diretor de Rio Verde foi pequena e não houve audiências públicas para que a população pudesse opinar a respeito da legislação de planejamento urbano, no caso o plano diretor. A Câmara Municipal de Rio Verde aprovou o plano diretor do município, mas deixou de promover uma discussão ampla com as entidades de representação e com a sociedade rioverdense.
A cidade possui muitas entidades não governamentais, tais como; igrejas, associações, sindicatos, conselhos, mas todos se encontram omissos em relação à política urbana do município de Rio Verde-GO.
Recentemente, foi sancionada no dia 28 de setembro de 2009, a Lei Municipal nº 5.655/2009, que alterou o art. 6º da Lei 3.633/98, determinando que todas as vias públicas constantes do loteamento, deverão ser construídas pelo proprietário: redes de energia e iluminação, drenagem de águas pluviais, de água
tratada, asfalto, meio fio com sarjetas e demarcação das quadras e lotes com marcos de concreto.
Um ponto de questionamento e análise seria no momento do lançamento de um loteamento em que o empreendedor possui a finalidade específica de vender os terrenos, mas ao analisar o projeto de loteamento, o município precisa preocupar-se na viabilidade de levar todos os serviços públicos aos moradores daquele novo bairro.
A cidade precisa construir um macro zoneamento, pois se trata de um instrumento fundamental para o conhecimento da realidade do município. A Prefeitura deve dispor de um sistema de informações espacializadas, que vão oferecer dados a respeito da pertinência ou não da ocupação de cada área.
O município de Rio Verde com base nos princípios constitucionais e também na lei 10.257/2001 inseriu no seu Plano Diretor a política de transporte urbano, tráfego e sistema viário.
O Estatuto da Cidade, Lei 10.257/2001 torna obrigatória a existência de um plano de transporte urbano integrado para as cidades, e este plano deve estar inserido no Plano Diretor.
Um dos componentes da política urbana deve ser um elemento indutor do cumprimento da função social da propriedade urbana, viabilizando o exercício do direito ao transporte, para assegurar as pessoas que vivem na cidade e o direito de locomoção à circulação.
Uma política obrigatória, que deve ser tratada no Plano Diretor é a política de transporte e mobilidade, especialmente para as cidades de grande porte e situadas nas regiões metropolitanas.
O Município, neste caso, em decorrência da obrigatoriedade, pode instituir um plano de transporte urbano próprio mediante uma lei municipal específica, ou pode estabelecer o plano como uma parte integrante do Plano Diretor.
O Plano Diretor do município de Rio Verde contempla em seus arts. 58 a 65 os objetivos e as diretrizes referentes ao sistema de transporte urbano.
No caso do transporte urbano de passageiros (coletivo), o art. 59 do Plano Diretor, lei municipal nº 5.318/2007, determina que o transporte deve ser organizado,
planejado e implementado, via sistema de planejamento mediante as seguintes diretrizes:
I- planejamento e implementação de soluções para o transporte coletivo que ampliem a mobilidade da população por modos coletivos;
II- garantia de prerrogativas e atribuições do Município no modelo de gestão unificada do serviço de transporte coletivo, mediante a sua participação nas instancias deliberativas e executivas do transporte coletivo;
III- adoção de soluções para infra-estrutura viária que garanta prioridade e primazia na circulação do transporte coletivo sobre o transporte individual;
IV- promoção de ações que permitam universalizar o serviço de transporte coletivo, considerando as necessidades específicas dos usuários, contribuindo para a mobilidade sustentável.
A omissão e a falta de investimentos públicos, acumulando com os descumprimentos das leis é uma das causas da falta de solução dos problemas de planejamento urbano da cidade de Rio Verde e da maioria dos municípios brasileiros. No caso do município de Rio Verde o Plano Diretor em seu art. 3º determina uma reavaliação a cada dois anos.
Vê-se que o desenvolvimento planejado de Rio Verde, deve obedecer aos princípios constitucionais com medidas e ações dos gestores públicos e privados para o cumprimento da lei e com participação popular e planejamento participativo.
O transporte urbano de passageiros está contemplado no Plano Diretor do município de Rio Verde, porém precisa de ações emergentes, a saber, estudos técnicos da malha viária para o transporte coletivo e o transporte individual. Porém, até a presente data os governantes municipais não enxergaram ou não querem ver a realidade caótica do trânsito de Rio Verde caracterizando um flagrante descumprimento da lei constitucional, podendo eles responder pela omissão.
CAPÍTULO III – A PROTEÇÃO E DEFESA DO USUÁRIO DE