Toda norma jurídica de estrutura hipotético-condicional prescreve condutas. As condutas por ela reguladas visam dar concrescência aos valores eleitos pelo sistema de direito positivo como relevantes: objetivos sempre, pois valor só o é enquanto objetivado, motivo pelo qual rechaçamos, em análise dogmática, a busca da intentio legis ou intentio
legislatoris.97
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Entendemos que neste caso não se impede a instauração de relação jurídica, mas sim a proíbe (e toda proibição pressupõe a possibilidade de ocorrência da conduta por ela abarcada).
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Conforme definição enunciada por PAULO DE BARROS CARVALHO em sua obra Direito
tributário, linguagem e método, p. 128.
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Mesmo negando a importância que alguns dispensam aos debates legislativos, o Ministro CELSO DE MELLO reconheceu a possibilidade de esses elementos orientarem o julgador quanto os motivos que levaram o legislador a acolher ou rejeitar determinada proposta, in verbis: “É certo que se mostra
Todas as normas de estrutura hipotético-condicional objetivam regular condutas intersubjetivas, nunca subjetivas: especificamente as condutas intersubjetivas de produzir outras normas.98 Sendo o sistema de direito positivo constituído unicamente por normas jurídicas, o que poderia ser criado por normas jurídicas que não outras normas jurídicas?
As normas denominadas de “estrutura”, a nosso ver, prestam-se a regular a produção de normas introdutoras. Por este motivo as conceituamos de normas sobre produção de normas introdutoras.
Já as normas denominadas de “conduta” regulam a produção – conteúdo semântico99 dos símbolos100 “x”, “y”, (...) – das normas introduzidas. Tal qual anteriormente feito, as denominamos de normas sobre produção de normas introduzidas.
Visando regular as condutas intersubjetivas de produzir outras normas, possuem os enunciados das normas sobre produção de normas introdutoras e introduzidas composição sintática hipotético-condicional.
Em se tratando de norma prescritora de competência tributária, o functor deôntico intraproposicional modalizador da relação jurídica intranormativa de produzir outras normas será o permitido (P)101 ou o obrigado (O), inibindo, no exercício desta competência relativo, sob a perspectiva da interpretação jurídica, o método hermenêutico que se apoia no exame dos debates parlamentares. Na realidade, o argumento histórico, no processo de interpretação, não se reveste de natureza absoluta nem traduz fator preponderante na definição do sentido e do alcance das cláusulas inscritas no texto da Constituição e das leis. Esse método hermenêutico, contudo, qualifica- se como expressivo elemento de útil indagação das circunstâncias que motivaram a elaboração de determinado texto normativo inscrito na Constituição ou nas leis, permitindo o conhecimento das razões que levaram o legislador a acolher ou a rejeitar as propostas submetidas ao exame do Poder Legislativo, tal como assinala o magistério da doutrina (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e
aplicação do direito, p. 310, 9ª ed., 1980, Forense; Anna Cândida da Cunha Ferraz, Processos informais de mudança da Constituição, p. 40/42, 1986, Max Limonad; Luís Roberto Barroso, Interpretação e aplicação da Constituição, p. 126, 1996, Saraiva). Daí a importância, para fins de
exegese, da análise dos debates parlamentares, cujo conhecimento poderá orientar o julgador (...)” (STF, Tribunal Pleno, ADPF 153/DF, rel. Min. Eros Grau, j. 29.04.2010).
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Isso aos que entendem ser o sistema de direito positivo um conjunto de normas interligadas mediante relações de coordenação e subordinação e aglutinadas em relação a determinado referencial normativo, dado em linguagem.
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Em verdade e como há conteúdo semântico em todos os conceitos, a diferença existente entre normas que prescrevem a produção de normas introdutoras e normas introduzidas é que naquelas, ao contrário do que ocorre nestas últimas, prescreve-se o processo de enunciação de normas. Este fato (jurídico) restará alojado na enunciação-enunciada (antecedente) da norma introdutora, onde se guarda as marcas do processo de enunciação (produto de aplicação das normas sobre produção de normas introdutoras) que ela foi submetida.
100
Estes símbolos compõem a proposição que dará origem a norma introduzida.
101
Quando TÉRCIO SAMPAIO FERRAZ JÚNIOR diz que as normas de competência seriam permissivas, ele não faz a distinção entre normas de competência constitucional-tributária primária
legiferante, a produção normativa ou a prática de atos-de-fala que não denotem a conotação por ela imposta. Permitido (P) ou obrigado (O) seriam, na dicção de DANIEL MONTEIRO PEIXOTO,102as “referências de desempenho” do exercício da competência tributária.
De normas gerais e abstratas produzimos normas: a) gerais e abstratas; b) individuais e abstratas; c) gerais e concretas; d) individuais e concretas; e) categóricas.103 As 4 (quatro) primeiras espécies possuem estrutura hipotético-condicional: contudo, apenas as normas concretas (individuais ou gerais104) são aptas a ostentar, em seu consequente, relação jurídica.105
Nas palavras de PAULO DE BARROS CARVALHO, somente
“com o enunciado do consequente da norma individual e concreta é que aparecerá o fato da relação jurídica, na sua integridade constitutiva, atrelando dois sujeitos (ativo e passivo) em torno de uma prestação submetida a operador deôntico modalizado (O, V e P106)”.107
A instauração da relação jurídica (S‟ R S”) depende apenas da ocorrência do respectivo fato jurídico (direito e correlato dever), não atinando, em nenhum momento, “da satisfação prestacional ou do não-implemento da prestação devida”.108 Sua extinção, contudo, carece: (i) do desaparecimento do sujeito ativo; (ii) do desaparecimento do sujeito passivo; (iii) do desaparecimento do objeto; (iv) do desaparecimento do direito subjetivo de que o (que seriam permissivas) e normas de competência constitucional-tributária secundária (cuja aplicação seria modalizada com o functor deôntico “obrigado”). Cf. Introdução ao estudo do direito. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2003, p. 130.
102
“Traçando um paralelo, podemos afirmar que a competência, a que se referem os linguistas, está para as normas de competência do discurso jurídico assim como o desempenho está para o ato de aplicação, o exercício da competência. Utilizamos o termo „referência de desempenho‟ por entendermos que este tipo de diretriz diz respeito à obrigatoriedade ou facultatividade, forçando ou abrindo possibilidade, em relação à conduta de exercer a competência, de desempenhá-la” (PEIXOTO, Daniel Monteiro.
Competência administrativa na aplicação do direito tributário. São Paulo: Quartier Latin, 2006, p.
93/94).
103
Entendemos por norma categórica aquela que, a despeito de não ter estrutura hipotético-condicional, não possa (à luz dos outros elementos do sistema de direito positivo adotado como referencial) ser aglutinada à outra de forma a assumir esta composição.
104
As normas introdutoras são, necessariamente, gerais e concretas. Prevêem, em seu antecedente, o fato jurídico enunciação, e, em seu consequente, a necessidade de todos conhecerem e observarem o enunciado-enunciado por ela introduzido.
105
CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário: fundamentos jurídicos da incidência, p. 130.
106
Como toda relação jurídica, o dever-ser intraproposicional encontrar-se-á modalizado por um dos functores deônticos permitido (P), obrigado (O) ou proibido (V).
107
CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário: fundamentos jurídicos da incidência, p. 130.
108
sujeito ativo é titular; e, (v) do desaparecimento do dever jurídico imputado ao sujeito passivo.109
Para se extinguir a relação jurídica faz-se necessário que a mesma esteja constituída. A instauração do direito da parte e do correlato dever da outra parte sucede-se logicamente, não cronologicamente. A satisfação do dever jurídico imputado ao sujeito passivo (da relação jurídica), contudo, não há de ser assim.
Obrigado, incumbe à parte, no prazo e forma previstos pelo sistema de direito positivo, dar vazão ao ônus que lhe é imposto. Neste interstício não há mora, mas há obrigação.
Por este motivo o sistema de direito positivo possui normas que regulamentam a instauração da relação jurídica e outras que, atuando posteriormente (lógica e/ou cronologicamente) a estas, tratam de sua extinção.