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Entre os anos de 1976 e 1981 o Núcleo de Documentação e Informação Histórico Regional (NDIHR) experimentou suas primeiras atividades como órgão ligado à UFPB que procurou provocar uma mudança significativa na pesquisa histórica realizada na Paraíba.

A definição de seu enquadramento institucional foi a primeira questão discutida pelos pesquisadores do NDIHR69. Ao menos entre os anos de 1976 e 1979, o NDIHR não ocupou um claro lugar frente à burocracia universitária, já que a estratégia adotada pela reitoria se deu a partir da orientação segundo a qual primeiro deveria se processar a implantação do respectivo núcleo de pesquisa e, só após o acúmulo de experiências, poder-se-ia promover o processo de institucionalização, no qual seu lugar frente a estrutura burocrática seria determinado. Segundo o Relatório Geral de Atividades do NDIHR (1976-1980), escrito pela então coordenadora Rosa Godoy Silveira, esse foi um dos principais problemas vivenciados naqueles anos, havendo uma série de razões práticas que tornava urgente a institucionalização do NDIHR70.

O processo que vai da implantação do NDIHR (1976) à sua institucionalização (1979)71 revela o esforço que havia no sentido de viabilizar tal núcleo como órgão capaz de

69Em função da nomenclatura do NDIHR tanto poderia estar vinculado ao Departamento de Filosofia e História,

quanto ao Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes. Além disso, foi visualizada a possibilidade de haver uma vinculação à Biblioteca Central, se situando como um setor desta. Cf. SILVEIRA, Rosa Maria Godoy.

Relatório de Atividades do NDIHR (1976-1980). MAIA, Neiliane. (Org.), João Pessoa, abr. 1980.

(Datilografado).

70 O que se procurava era a possibilidade de uma maior estabilidade institucional para a realização das tarefas

outrora propostas no Projeto de Implantação dos CDIHRs e no que estava sendo sugerido pelo regulamento do NDIHR, que fora discutido e escrito entre 1978 e 1979. As medidas visualizadas como urgentes foram: Definição de responsabilidades, por parte da reitoria e do NDIHR; Confirmação profissional e unidade departamental; Mecanismos mais organizados de gerência de recursos com relação a convênios; Facilitação da divulgação das atividades do NDIHR. Cf. SILVEIRA, Rosa Maria Godoy. Relatório de Atividades do NDIHR

(1976-1980). MAIA. Neiliane. (Org.), João Pessoa, abr. 1980. (Datilografado).

71 Em abril daquele de 1979 a CONSEPE, a partir da resolução nº 26/79, resolve criar o Núcleo de

Documentação e Informação Histórica Regional, estando esse confirmado como “Órgão Suplementar” da reitoria, “destinado à atividade de documentação e pesquisa da História Regional, de apoio à integração ensino-pesquisa e à comunidade, na área científica considerada.”. Por fim, em maio deste ano, o Conselho Universitário lança a resolução de nº 169/79, aprovando o regulamento do NDIHR e, consequentemente, encerrando o processo de institucionalização deste núcleo junto à UFPB.

realizar-se como um centro de pesquisa e documentação atento aos ditos “problemas regionais”.

Em março de 1979, o Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (CONSEPE), através da resolução n. 15/1979, resolve fixar normas para a criação de Núcleos de Pesquisa e Extensão. Alguns pontos dessa resolução são importantes por conterem as normas que os núcleos deveriam desenvolver para poderem ser institucionalizados.

Art. 3º Os Núcleos deverão desenvolver atividades multidisciplinares, direcionadas para temas de importância ao desenvolvimento científico, cultural, social e econômico.

Art. 4º Os Núcleos deverão apoiar a extensão, a pesquisa e o ensino estimulando a participação de docentes e discentes em todas as suas atividades.

Art. 6º Os Núcleos deverão gerar e desenvolver temas de trabalhos compatíveis com a ação educacional da Universidade, produzir serviços, divulgar seus resultados e manter intercâmbio com entidades congêneres no País e no exterior. 72

No Relatório de Atividades (1976-1980), há um movimento de busca de uma definição conceitual e institucional do NDIHR, estando a montagem dos setores, tal como a divisão de tarefas e responsabilidades, entre as experiências realizadas no sentido de corresponder aos objetivos propostos no momento de sua implantação. Duas são as principais diretrizes que já estavam presentes no Projeto de Implantação dos CDIHRs e que pautariam as respectivas atividades do NDIHR:

A História Regional como objeto de estudo, entrevista através de linhas temáticas estruturadas em torno de problemas cuja documentação análise e interpretação possibilitem o entendimento da realidade nordestina atual; A informação como proposta de expressão dos resultados anteriores – a de documentar e de pesquisar – e de forma de repasse dos conhecimentos aos estudos de um modo geral.73

No que diz respeito ao conhecimento histórico, verifica-se o esforço de dotar a universidade como espaço legítimo de sua produção, enfatizando a ideia de que a instituição poderia tanto atender às exigências científicas contemporâneas, quanto de se ocupar com as questões político-sociais emergentes, procurando aliar, em torno do campo universitário,

72 Sobre competência social e competência científica ver: BOURDIEU, Pierre. Homo academicus. Trad. Ione

Ribeiro Valle; Nilton Valle. Rev. Téc. Maria Tereza de Queiroz Piacentini. 2. ed. Florianópolis: Ed. UFSC, 2011. p. 95-101.

73 SILVEIRA, Rosa Maria Godoy. Relatório de Atividades do NDIHR (1976-1980). MAIA. Neiliane. (Org.),

competências científicas e competências sociais74, como estratégia de legitimação do saber ali

produzido.

Para se alcançar os objetivos de compreensão da História Regional, a partir de linhas temáticas que possibilitassem o entendimento do que então se compreendia por “realidade nordestina atual”, tal como o de se preocupar com os aspectos carentes dessa realidade no tocante a pesquisa e a atividade de documentação, o NDIHR foi estruturado a partir de quatro programas básicos, são eles: Programa de Pesquisas Temáticas e Projetos Especiais; Programa de Documentação; Programa de Ensino e Extensão; Programa de Informação e Divulgação.

Tais programas circunscrevem o processo que vai desde a pesquisa (que fora estruturada em torno de linhas temáticas) – estas deveriam ser associadas às atividades de ensino e extensão dentro de uma concepção de universidade que, até então, não era vislumbrada na UFPB - passando pelo processo de organização e sistematização da documentação (muitas vezes realizadas como resultado das pesquisas temáticas), chegando até as atividades de informação e circulação, tanto dos resultados das pesquisas, quanto da documentação então sistematizada, “juntos, os programas do NDIHR proporcionam uma gama de serviços que dão acesso às informações contidas as fontes documentais e nos resultados elaborados por cada projeto de pesquisa, com o fim de preservar a memória/história regional, divulgar a informação e gerar conhecimento científico”. (MORAIS, 2012, p. 20).

É justamente na relação entre pesquisa-documentação-treinamento-informação que é constituído uma primeira tentativa de conceituação do conhecimento histórico a ser desenvolvido pelo NDIHR, alinhada à formatação institucional que se buscou realizar logo em seus primeiros anos. Desta maneira, a História deveria ser operacionalizada através de demandas oriundas da própria realidade regional e comprometida não apenas com o conhecimento em si, mas tanto com os aspectos relacionados ao treinamento de profissionais capacitados para desenvolver a pesquisa histórica, quanto com relação à necessidade de divulgação e circulação dos resultados das pesquisas que pudesse ser capaz, inclusive, de agregar não apenas a comunidade científica, mas, também, a comunidade em geral, ou seja, o NDIHR ao se constituir como órgão de socialização de informações históricas e historiográficas, como procura mostrar Laudereida Morais (2012), acabou por iniciar a

74 Sobre competência social e competência científica ver: BOURDIEU, Pierre. Homo academicus. Trad. Ione

Ribeiro Valle; Nilton Valle. Rev. Téc. Maria Tereza de Queiroz Piacentini. 2. ed. Florianópolis: Ed. UFSC, 2011. p. 95-101.

definição do seu lugar social não apenas enquanto instituição que produzisse uma determinada escrita da história, mas que pudesse fazer circular os saberes ali formulados.

O Programa de Documentação e Memória Regional procurou atuar como suporte para as pesquisas temáticas e na prospecção de fontes históricas. Segundo Morais (2012, p. 68), entre os anos de 1976 e 1999, os objetivos básicos desse programa foram:

a) Revigorar a política de estudo e as reflexões do Programa sobre a proteção do patrimônio arquivístico, para estimular o debate e a troca de experiências, visando fortalecer os projetos de ensino, pesquisa e extensão;

b) Concluir a organização documental das atividades-fim desenvolvidas pelo NDIHR em seu arquivo permanente, registrada em diferentes suportes;

c) Promover seminários mensais sobre temas indissociáveis, como História, Memória e Patrimônio Documental;

d) Dotar alunos de História e de Biblioteconomia, que atuam como bolsistas e como auxiliares de pesquisas (voluntários), de conhecimentos teórico-metodológicos nas áreas de História e de Arquivologia, como ponto de partida para a pesquisa histórica.

e) Organizar os arquivos setoriais da UFPB e capacitar servidores para organizarem arquivos e aplicarem a TTD da Reitoria, para atender satisfatoriamente à demanda institucional. [Grifos da autora]

Para a realização desses objetivos, as ações do Programa de Documentação e Memória Regional foram divididas em três linhas básicas: Levantamento/referenciação de fontes históricas; capacitação de recursos humanos; Organização de arquivos75.

Esse programa permite a visualização do esforço de instituir no NDIHR em elaborar um conjunto de práticas que evidencia a forma como cada sociedade se pensa historicamente, através dos instrumentos que lhe são próprios (CERTEAU, 2008). De alguma forma, o NDIHR assistiu ao desenvolvimento de um conjunto de práticas que fizeram esse movimento colonizador de transformação da natureza em cultura. Desde os primeiros momentos de

75 Morais (2012) faz uma lista dos projetos e propostas que objetivavam fazer um levantamento/referenciação de

fontes históricas. Entre os anos de 1976 e 1997 foram realizadas 19 propostas nesse sentido, das quais 17 foram concluídas e/ou executadas total e/ou parcialmente, e oito foram publicadas, quais sejam: Memória fotográfica das comunidades pesqueiras do estuário do Rio Paraíba (1976); Levantamento dos Acervos Cartoriais do estado da Paraíba (1976-1977); Organização de um Catálogo dos Documentos referentes à História da Paraíba existente no Arquivo Ultramarino de Lisboa – Portugal (1976-1979); Projeto de levantamento de documentação paraibana em arquivos portugueses (1979); Memória da Universidade Federal da Paraíba (1980); Aquisição de relatórios de Presidente de Província da Região Nordeste e catalogação dos relatórios paraibanos (1988); Levantamento dos resultados eleitorais da Paraíba entre os anos de 1945 e 1990 (1990); Catalogação das obras raras do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (1997). Por outro lado, na ação de organização de arquivos, o NDIHR, entre os anos de 1976 e 1988, promoveu pelo menos vinte e quatro projetos (alguns por diferentes razões não se realizaram), ação que estava diretamente vinculada à capacitação de recursos humanos, sobretudo, relacionados às áreas de Biblioteconomia e História, já que foram essas atividades que puderam capacitar uma série de alunos no trato direto com acervos diversos.

implantação já havia a presença de discussões em torno das técnicas que deveriam ser utilizadas, das abordagens metodológicas, além de uma preocupação com a constituição de um acervo documental76, que para além de se fazer justificável em função de ser o NDIHR um centro de documentação, operou segundo a necessidade de definir quais os materiais que deveriam se constituir como instrumentos indispensáveis no processo de elaboração de uma nova historiografia para a Região Nordeste. Já se verificava, então, a necessidade de “trabalhar sobre um material para transformá-lo em história”. (CERTEAU, 2008, p. 79).

Mas o historiador não se contenta em traduzir de uma linguagem cultural para outra, quer dizer, produções sociais em objetos de história. Ele pode transformar em cultura os elementos que extrai de campos naturais. Desde sua documentação (onde ele introduz pedras, sons, etc.) até seu livro (onde plantas, micróbios, geleiras, adquirem o estatuto de objetos simbólicos), ele procede a um deslocamento da articulação natureza/cultura. Modifica o espaço da mesma forma que o urbanista, quando integra o campo no sistema de comunicação da cidade, o arquiteto quando transforma o lago em barragem, Pierre Henry quando transforma o rangido de uma porta em tema musical (...). Modifica o meio ambiente através de uma série de transformações que deslocam as fronteiras e a topografia interna da cultura. Ele “civiliza” a natureza – o que sempre significou que a “coloniza” e altera. (CERTEAU, 2008, p. 80).

Desta maneira, já nos primeiros anos de atuação do NDIHR se desenvolveu uma série de pesquisas que empreenderam a seleção do material a ser trabalhado, transformando o natural em utilitário77. Os Cadernos de Estudos Regionais78, primeiro conjunto de publicação

do NDIHR, proporcionaram a publicação de instrumentos de pesquisas, sobretudo o primeiro

76 Ainda nos primeiros anos do NDIHR, a historiadora Joana Neves escreveu um texto intitulado Subsídios para a estruturação do setor de acervo do NDIHR. Com a intenção de corrigir os equívocos realizados nos

primeiros anos do NDIHR, aponta a separação entre acervo e pesquisa como um dos mais graves, pois sugeriria dois pressupostos que seriam superficiais, já que primeiramente apontaria para ideia de uma função puramente instrumentalizadora do acervo, além de pensar este desligado de um projeto de pesquisa. Para Neves (1979a, p. 2): “A formação de um acervo, no nível que está a ciência histórica atualmente, constitui-se em uma tarefa altamente interpretativa e crítica, na qual a seleção e organização do material apresenta uma postura científica face ao processo histórico gerada, ao mesmo tempo, das indagações demandam a pesquisa e das fontes que a possibilitam.” [Grifos da autora]. Nesse mesmo texto a autora enfatiza que o documento recolhido é resultado de uma seleção.

77 Como exemplo de discussões em torno da forma como uma mesma documentação pode ser utilizada em

sentido diverso, ver: NEVES, Joana. A Documentação Cartorial: utilização e abordagem teórica na História.

Cadernos de Estudos Regionais: Arrolamentos de acervos cartoriais para a história da Paraíba – Série

Documentação, João Pessoa: UFPB/NDIHR, 1979b. E GALIZA, Diana. Uma experiência de pesquisa com base em Documentação Cartorial. Cadernos de Estudos Regionais: Arrolamentos de acervos cartoriais para a história da Paraíba – Série Documentação, João Pessoa: UFPB/NDIHR, 1979.

78 Entre 1976 e 1981, o NDIHR iniciou o processo de publicações de suas pesquisas através dos chamados Cadernos de Estudos Regionais. O primeiro número, publicado em 1976, foi uma espécie de experiência

realizada em um momento em que o Programa de Publicação e Divulgação não estava estruturado. Os outros quatro números, publicados entre 1979 e 1981, correspondem à um projeto mais sistematizado deste programa, além de divulgar as primeiras atividades realizadas pelo NDIHR. Nesse sentido, nossa análise se pautará a partir do segundo volume.

número que se divulgou as pesquisas empreendidas nos arquivos cartoriais na Paraíba79. Nos outros números dos Cadernos de Estudos Regionais também se dispõe de documentações produzidas/coletadas, sobretudo no terceiro e quarto volume que, ao tratar do Estuário do Rio Paraíba, do Porto de Cabedelo e da Pesca da Baleia, foram produzidas fotografias sendo dispostas nas respectivas publicações, constituindo um acervo não apenas de documentos escritos, mas também de natureza imagética. Além das fotografias e dos documentos disponibilizados, houve a utilização de entrevistas, tanto nos volumes citados, quanto no último número, que tratou da Questão Agrária no Nordeste, no qual participantes das Ligas Camponesas e de movimentos agrários foram entrevistados. Além disso, chegou-se a discutir a utilização do cinema como recurso possível para tratar as questões regionais, em específico, a pesca da baleia80.

Essas práticas de pesquisas apesar de serem elaborados no intuito de servir à melhor compreensão da realidade regional, significaram uma redistribuição do espaço, pois o estabelecimento das fontes se dá, conforme explica Michel de Certeau, com o gesto de separar, de reunir, de transformar em documentos certos objetos distribuídos de outra maneira. Nesse sentido, as técnicas de pesquisa não se desenvolvem de modo a “resgatar” no passado as informações pertinentes ao presente, mas de produzir tais documentos “pelo

79 O projeto de pesquisa que consiste no levantamento do acervo cartorial na Paraíba foi estimulado a partir das

necessidades documentais da pesquisa de mestrado que Diana Galiza, então professora do Departamento de História da UFPB, estava desenvolvendo junto ao Curso de Mestrado em História da Universidade Federal de Pernambuco79. Segundo Rosa Godoy Silveira (1979), deve-se registrar o caráter absolutamente experimental

dessa pesquisa, que ao ser proposta em 1976, portanto no ano de implantação do NDIHR, foi desenvolvida entre os anos de 1976 e 1977. As publicações contidas nesse número dos Cadernos de Estudos Regionais foram: Tipologias e Cartórios na Paraíba, apresentadas por Neiliane Maia, que demonstra o que são os documentos cartoriais, quais suas funções, e quais os registros que oferecem ao pesquisador, além disso, descreve o funcionamento, organização e regulamentação dos Cartórios no Brasil, atentando para sua normatização jurídica e mostra, também, a função dos profissionais que trabalham nos cartórios e dispõe uma lista dos cartórios existentes em trinta e duas cidades na Paraíba; Levantamento Documental, que apresenta tanto sínteses históricas dos municípios pesquisados, realizados por Antônia Batista do Carmo, e uma organização do levantamento, operada por Ruston Lemos de Barros, ambos professores do Departamento de História e pesquisadores do NDIHR. Nesse trecho, são dispostas listagens (algumas completas, outras não) da documentação levantada, contendo a localização da documentação (maço), o nome do inventariante e do inventariado e a data dos inventários levantados, compreendendo, sobretudo, os séculos XIX e XX; Subsídios

para a elaboração do Projeto, escrito por Marileuza Fernandes de Brito, ex-bolsista do NDIHR e no momento

de publicação do referido texto estava fazendo mestrado em História na USP. Esse texto contém as discussões iniciais que deram base ao desenvolvimento do referido projeto de levantamento da documentação cartorial;

Alguns Modelos de Fichas para coletas de dados, que dispõe de fichas diversas, que seriam utilizados no

levantamento de dados junto aos arquivos cartoriais. Por último, há ainda um apêndice que dispõe de alguns documentos cartoriais de interesse para a História da Paraíba, tais como: Carta de alforria; Termo de Soldada; Procuração e um Processo Criminal. Estes documentos foram fotocopiados e dispostos em seu estado “original”.

80 Moacyr Madruga (1980c) relata que se tentou produzir um filme sobre a pesca da Baleia na Paraíba, tendo

como resultado final um documentário de 35 mm chamado “Oro”. Sobre a discussão da relação entre Cinema, Universidade e pesca da baleia ver texto: A questão da Baleia: Da luta ecológica à Exploração Humana, em especial o “Anexo: Universidade, cinema e baleia.” (p. 112-115).

simples fato de recopiar, transcrever ou fotografar estes objetos mudando ao mesmo tempo o seu lugar e o seu estatuto”. (CERTEAU, 2008, p. 81).

O que se verifica no NDIHR, observando, por exemplo, a pesquisa nos arquivos cartoriais, é a combinação de um grupo, de lugares e de certas práticas, cuja origem já estava presentes, segundo Certeau (2008), na própria emergência dos arquivos modernos. Uma indicação de um complexo técnico que inaugurado no Ocidente com as “coleções”, a partir do século XVI, “se conjugam a criação de um novo trabalho (“colecionar”), a satisfação de novas necessidades (a justificação de grupos familiares e políticos recentes, graças à instauração de tradições, de cartas e de “direitos de propriedade” específicos), e a produçãode novos objetos (os documentos que se isolam, conservam e recopiam) cujo sentido, de agora em diante, é definido pela sua relação com o todo (a coleção)”. (CERTEAU, 2008, p.81). É no estabelecimento de fontes que nasce a ciência histórica, recebendo desta instituição técnica sua base e suas regras.

É certo que o projeto institucional do NDIHR se difere em natureza e forma com relação às “coleções” do século XVI, mas mantêm com estas uma ligação no que diz respeito ao gesto fundador que é o da combinação de um lugar, de um aparelho e de técnicas que caracterizam o que Michel de Certeau chama de “estabelecimento das fontes”, pois:

Primeiro indício deste deslocamento: não há trabalho que não tenha que utilizar de outra maneira os recursos conhecidos e, por exemplo, mudar o funcionamento dos arquivos definidos, até agora por um uso religioso ou “familiar”. Da mesma forma, a título de novas pertinências, constitui como documento utensílios, composições culinárias, cantos, imagens populares, uma disposição dos terrenos, uma topografia urbana, etc. Não se trata apenas de fazer falar estes “imensos setores adormecidos da documentação” e dar a voz a um silêncio, ou efetividade a um possível. Significa transformar alguma coisa que funciona diferentemente. (...) Um trabalho científico é quando se opera uma redistribuição do espaço e consiste, primordialmente, em se dar um lugar, pelo “estabelecimento das fontes” – quer dizer por uma ação instauradora e por técnicas transformadoras. (CERTEAU, 2008, p. 82- 83).

Entre os programas do NDIHR, percebe-se que foi conferido um papel de importância ao Programa de Publicação e Divulgação, cujo objetivo central era o de divulgar os resultados das pesquisas, tal como as atividades ligadas ao Programa de Documentação e Memória Regional. Apesar de contar com inúmeros problemas, sobretudo, de ordem

Benzer Belgeler