KONSOLİDE FİNANSAL TABLOLARA İLİŞKİN DİPNOTLAR
2. ÖNEMLİ MUHASEBE POLİTİKALARININ ÖZETİ (Devamı) 1 Hazırlık esasları
Para discutir a Política de Assistência Estudantil no IFCE, como política pública diretamente vinculada à Política de Educação, selecionamos elementos fundantes do seu desenvolvimento no contexto brasileiro considerando seu marco regulatório e histórico na trajetória de institucionalização e operacionalização nas instituições federais de ensino.
Estabelecemos como temporalidade demarcadora da efervescência da assistência estudantil no país, o segundo mandato do governo Lula (2007- 2010), momento em que ocorre o lançamento do Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE (2007), pelo Ministério da Educação – MEC, compondo “um conjunto de ações que, teoricamente, constituir-se-ia em estratégias para a realização dos objetivos e metas previstas no Plano Nacional de Educação – PNE” (SAVIANI, 2009, p. 27).
As duas ações contempladas pelo PDE (2007), com destaque para nosso estudo, se voltam respectivamente para a educação superior pública e para a assistência estudantil. Citamos primeiramente o Decreto Presidencial nº 6.096, de 24 de abril de 2007, que institui o Programa de Apoio aos Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais – REUNI, onde salientamos o seu Art. 1º:
[...] com o objetivo de criar condições para a ampliação do acesso e permanência na educação superior, no nível da graduação, pelo melhor aproveitamento da estrutura física e de recursos humanos existentes nas universidades federais (BRASIL, 2007a, p. 01).
E a segunda ação regulamentada pela Portaria Normativa nº 39, de 12 de dezembro de 2007, editada pelo Ministro da Educação, Fernando Haddad, que institui o Programa Nacional de Assistência Estudantil - PNAES, dando início ao processo de institucionalização da assistência estudantil:
[...] considerando a centralidade da assistência estudantil como estratégia de combate às desigualdades sociais e regionais, bem como sua importância para a ampliação e a democratização das condições de acesso e permanência dos jovens no ensino superior público federal [...] (BRASIL, 2007b, p.01).
Cabe ressaltar que o PNAES se configura como desdobramento do REUNI, uma vez que se coloca como base complementar dessa política de democratização do ensino superior, em que as camadas sociais mais acometidas pelas desigualdades tornaram-se público central de intervenção da assistência estudantil.
No âmbito dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia é o Decreto nº 7.234/2010, a partir do seu artigo 4º, que consolida as ações de assistência estudantil ampliadas para abranger o público dessas instituições:
As ações de assistência estudantil serão executadas por instituições federais de ensino superior, abrangendo os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, considerando suas especificidades, as áreas estratégicas de
ensino, pesquisa e extensão e aquelas que atendam às necessidades identificadas por seu corpo discente (BRASIL, 2010b, p. 01).
Desse modo, temos proposto uma análise acerca da assistência estudantil destacando-a como um canal de reflexão e questionamentos sobre as temáticas que são postas como periféricas dentro do ambiente escolar em detrimento da centralidade no discurso da formação, da qualificação e da inserção profissional. As segregações motivadas pelas discriminações e preconceitos dentro e fora da escola se relacionam e interferem na permanência e no êxito acadêmico dos (as) estudantes mais vulnerabilizados (as).
Salientamos, no entanto, que utilizamos o termo vulnerabilidade sem a pretensão de reforçar o enquadramento dos sujeitos nas representações sociais reprodutoras dos estigmas e preconceitos, tampouco, de impelir os indivíduos e os grupos aos processos de exclusão e subalternização dentro das estruturas da sociedade. O que se pretende é fortalecer a defesa pela criação de uma agenda de debates que amplie o campo de atuação da assistência estudantil dentro da educação e contribua para a promoção de mudanças concretas nas relações e no cotidiano das pessoas. Utilizamos, portanto, o conceito de Adorno (2001) sobre o termo vulnerabilidade:
O termo vulnerabilidade carrega em si a ideia de procurar compreender primeiramente todo um conjunto de elementos que caracterizam as condições de vida e as possibilidades de uma pessoa ou de um grupo – a rede de serviços disponíveis, como escolas e unidades de saúde, os programas de cultura, lazer e de formação profissional, ou seja, as ações do Estado que promovem justiça e cidadania entre eles – e avaliar em que medida essas pessoas têm acesso a tudo isso. Ele representa, portanto, não apenas uma nova forma de expressar um velho problema, mas principalmente uma busca para acabar com velhos preconceitos e permitir a construção de uma nova mentalidade, uma nova maneira de perceber e tratar os grupos sociais e avaliar suas condições de vida, de proteção social e de segurança. É uma busca por mudança no modo de encarar as populações-alvo dos programas sociais (ADORNO, 2001, p.12).
Consonante a definição do autor, consideramos que os elementos que caracterizam as condições de vida e as possibilidades do sujeito são passíveis de intervenção por meio de mediações capazes de redimensionar a própria realidade do indivíduo. É dentro desta perspectiva que entendemos a assistência estudantil como uma ferramenta importante, articulada à educação, para a superação das vulnerabilidades em suas diversas formas de expressão.
Fizemos o esforço de apresentar um debate sobre avaliação que fuja da centralidade dada à dimensão financeira, ancorada nos programas de auxílios, a fim de
reforçar a importância de novos estudos e pesquisas avaliativas sobre assistência estudantil que a evidenciem para além de ações e programas, assumindo a sua defesa enquanto um direito social, sendo necessário o seu reconhecimento enquanto política pública de caráter social, imprescindível dentro da estrutura paradoxal da educação no Brasil.
Então, abordaremos neste capítulo as suas possibilidades de atuação diante das questões que refletem as múltiplas dimensões da vida dos (as) alunos (as), em que se verifica a sua importância para a construção de concepções pedagógicas que transcendam a lógica do saber produtivista e tecnicista e que pautem as desigualdades sociais que se expressam dentro e fora da unidade de ensino, sejam elas relacionadas ao gênero, à etnia e raça, à sexualidade, à condição socioeconômica, etc., dentro de um viés não ingênuo que reflita as correlações de força e poder que permeiam as estruturas de dominação.
Para isso, é importante ressaltar que ao longo do capítulo buscamos nos debruçar sobre a trajetória institucional da política, a qual corresponde a uma das dimensões de análise da proposta metodológica da avaliação em profundidade. Rodrigues (2011) considera essa dimensão como um dos aspectos mais importantes para a compreensão do que realmente ocorre no processo de formulação e implementação de uma política e/ou de um programa.