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ÖNEMLİ BİLGİLER

Uma contribuição bastante interessante ao tratamento da transitividade no ensino de língua materna pode ser encontrada no funcionalismo norte-americano, especificamente no trabalho de Hopper e Thompson (1980).

Nogueira (2014) explica que, para Hopper e Thompson, transitividade é uma propriedade da oração inteira. Quando uma oração tem transitividade alta, isso significa que uma ação é transferida de um agente para um paciente, portanto ela envolve necessariamente dois participantes e uma ação efetiva. Hopper e Thompson (1980) propõem dez parâmetros para medir a transitividade de uma oração. Segundo Nogueira, sob esse ponto de vista, a transitividade é encarada como um continuum, e não como uma dicotomia, tal como faz a gramática tradicional. Assim, mesmo as orações tradicionalmente tidas como intransitivas devem ser localizáveis em algum lugar da escala, o que não quer dizer, contudo, que elas estejam situadas no extremo da intransitividade.

A seguir, citamos os parâmetros de transitividade propostos pelos autores.

(1) DOIS PARTICIPANTES: a ação deve ter, no mínimo, dois participantes envolvidos para que seja efetivamente transferida;

(2) CINESE: uma ação pode ser transferida de um participante para outro; um estado não pode;

(3) ASPECTO: uma ação télica é mais efetivamente transferida do que uma atélica; (4) PONTUALIDADE: o aspecto é pontual quando a ação do verbo não apresenta nenhuma fase de transição entre início e fim. Ações pontuais têm mais efeito sobre seus pacientes do - que as ações que são inerentemente durativas. As noções de aspecto télico e pontual estão relacionadas com o grau de afetamento do objeto. (5) VOLITIVIDADE: refere-se à intencionalidade, ou seja, à vontade consciente, à espontaneidade do agente. O elemento "volicional" é normalmente parte do significado do verbo de ação. Há mais efeito sobre o paciente quando o agente é apresentado como tendo intenção de realizar a ação.

(6) AFIRMAÇÃO: trata-se do parâmetro afirmativo/ negativo. Os autores demonstram que, em várias línguas, o objeto de uma oração negativa é menos afetado pela ação verbal, isto é, a ação- do verbo parece incidir menos diretamente sobre o paciente. Afirmam ainda os autores que o efeito é ainda menos direto se o objeto for indefinido e não-referenda! (não-rastreador), ou quando o aspecto é imperfectivo, ou quando a oração está no modo "irreal";

(7) MODO: refere-se à distinção entre uma ação "real", isto é, que tem correspondência direta com um evento do mundo real e uma ação "irreal", ou seja, que é contingente. O modo real corresponde às formas indicativas; o irreal, às formas do subjuntivo, optativo. As formas irreais ocorrem em geral, em ambientes menos transitivos.

(8) AGENTIVIDADE: os participantes mais altamente agentivos podem transferir uma ação mais efetivamente do que aqueles que têm baixa agentividade.

(9) AFENTAMENTO DO OBJETO: o grau com que uma ação é transferida para um paciente está diretamente ligado à intensidade com que o objeto é afetado. (10) INDIVIDUAÇÃO: uma ação pode ser mais efetivamente transferida para um paciente que é individuado do que para um que não é. (NOGUEIRA, 2014)

Com a verificação dessas dez propriedades, Hopper e Thompson (1980) sugerem uma escala pela qual as orações podem ser ordenadas em transitividade alta ou transitividade baixa. Dessa forma, chegamos à conclusão de que para uma oração ser altamente transitiva, deve ter dois participantes envolvidos, e o verbo deve indicar Ação, pois só as ações podem ser transferidas de um participante para outro. Além disso, o sujeito deve ser também mais altamente agentivo e agir intencionalmente. Quanto ao aspecto, os autores propõem que a ação deve ser télica, isto é, deve ser vista como completa, terminada, para ser mais efetivamente transferida De preferência, deve ser também pontual, pois as ações durativas têm efeito menos marcado sobre seus pacientes. O objeto paciente tem que ser mais altamente afetado e individuado. É preferível, ainda, que a oração seja afirmativa e que a ação seja apresentada como ocorrendo em um mundo real (nas formas do indicativo). (NOGUEIRA, 2014)

Hopper e Thompson (1980, apud Nogueira, 2014) postularam um princípio pragmático único, isto é, alguma função discursiva universal que estivesse ligada aos componentes de transitividade. Eles observaram que os falantes organizam seu discurso de acordo com objetivos comunicativos e com a percepção que têm das necessidades dos ouvintes. Assim, na produção do discurso, por diferentes recursos, entre eles, a transitividade,

uma distinção entre informações mais importantes (Figura) e menos importantes (Fundos) conforme os propósitos centrais da comunicação.

De acordo com esses pesquisadores, as orações de Figura fornecem o

“esqueleto” do texto, dando-lhe sua estrutura básica, enquanto as orações de Fundo

preenchem essa estrutura, mas são externas a sua coerência estrutural. As orações de Figura são ordenadas em uma sequência temporal; uma mudança de ordem entre elas sinaliza uma mudança na ordem dos eventos do mundo narrado. Já as orações de Fundo não são ordenadas entre si, e podem ser deslocadas em relação aos trechos de Figura. (NOGUEIRA, 2014)

Segundo Hopper e Thompson (1980, apud Nogueira, 2014), a distinção Figura e Fundo configura o relevo discursivo (grounding) do texto, que pode ser sinalizado por traços linguísticos como a transitividade. E enunciaram a seguinte hipótese: As orações de Figura têm mais traços de alta transitividade. As orações de Fundo têm traços de baixa transitividade.

Segundo Nogueira (2014), quanto à proposta funcionalista desses autores, uma habilidade a ser trabalhada com os alunos é a de construir sentenças mais transitivas (isto é, com mais traços de alta transitividade, conforme os parâmetros propostos) em passagens cruciais para o desenvolvimento de uma sequência narrativa. Em outras palavras, essa base teórica pode contribuir para produção do texto conforme os propósitos e esquemas da narrativa.

Benzer Belgeler