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Belgede PLC Otomasyon Dersleri 1 (sayfa 54-72)

2. ZAMANLAYICI VE SAYICI

2.2. Sayıcı

2.2.1. Ön Değer Sayıcısı

Como aconteceu em outras revoluções, a de 1930 não fugiu à regra conservadora. Segundo Celso Furtado (2007, p.282n)

“O movimento revolucionário de 1930 – ponto culminante de uma série de levantes militares abortados, iniciados em 1922 – tem sua base nas populações urbanas, particularmente na burocracia militar e civil e nos grupos industriais e, constitui uma reação contra o excessivo predomínio dos grupos cafeeiros – e de seus aliados da finança internacional, comprometidos com a política de valorização – sobre o governo federal.”

Partindo dessa análise pode-se discutir sobre a participação dos grupos industriais no golpe iniciado militarmente em 3 de outubro de 1930. Conforme alguns autores, essa participação não teria ocorrido, como uma leitura simplificada poderia fazer crer. Na visão de Boris Fausto “A Revolução de 1930 não foi feita por representantes de uma suposta nova classe social: a classe média ou a burguesia industrial” (FAUSTO, 2009, p.325). Indo mais adiante, o mesmo autor afirma que “não é de se estranhar que as associações industriais tenham apoiado abertamente a candidatura de Júlio Prestes [concorrente de Getúlio Vargas]” (Ibidem, p.326). Deixando de lado a controvérsia, o que é mais relevante é o caráter elitista da referida revolução, pois isto revelaria mais uma vez o comportamento político brasileiro diante de situações de possíveis revoluções sociais. Mais uma vez se repetiu um movimento conservador, pois,

“[...] podemos dizer que, a partir de 1930, ocorreu uma troca da elite do poder sem grandes rupturas. Caíram os quadros oligárquicos tradicionais, os ‘carcomidos da política’, como se dizia na época. Subiram os militares, os

técnicos diplomados, os jovens políticos e, um pouco mais tarde, os industriais. Muitos, a começar pelo próprio Getúlio, já tinham começado uma carreira vitoriosa, no interior da antiga ordem.” (FAUSTO, 2009, p. 327).

No limite da transição do mundo rural para o mundo urbano, confrontavam-se facções da classe dominante, tais como industriais, fazendeiros, oligarquia dissidente como os mineiros, tenentistas e também camadas médias. Sem reservas, pode-se afirmar que essa “rachadura” na classe dominante poderia minar as bases da dominação e que, portanto, essa tensão no bloco dominante deveria ser resolvida como um problema “interno”, entre aqueles que detinham as frações do poder político, como numa manobra que resolvesse o conflito “de cima para baixo”. A resposta a esses problemas foi a derrubada da República Oligárquica, sem que a oligarquia fosse totalmente alijada do poder, e a chegada de Getúlio Vargas com seu projeto de modernização. Florestan Fernandes define esse processo como “consolidação conservadora da dominação burguesa no Brasil” (FERNANDES, 2006, p. 245).

Com a instauração da chamada Era Vargas, à burguesia brasileira se franqueou uma porta de acesso ao poder, contudo, isto se deu em parceria ou complementaridade com as oligarquias tradicionais, não em franca e aberta oposição. Conforme Florestan Fernandes

“[...] foi a oligarquia [...] – e não as classes médias ou os industriais – que decidiu, na realidade, o que deveria ser a dominação burguesa, senão idealmente, pelo menos na prática. Ela comboiou os demais setores das classes dominantes, selecionando a luta de classes e a repressão do proletariado como o eixo da Revolução Burguesa no Brasil. [...] Aqui não tínhamos uma burguesia distinta e em conflito de vida e morte com a aristocracia agrária.” (Ibidem, p.246).

Tal colocação sobre o relacionamento da classe burguesa com os setores agrários e tradicionais do Brasil sugere que este tipo de comportamento, no limite, era possível pela proximidade de visão social, que ambos os grupos mantinham, visão social que

particularmente se referia ao posicionamento das classes exploradas no sistema socioeconômico brasileiro. Comentando sobre a ocorrência do Estado Novo (1937- 1945) Fausto sugere que este “representou uma aliança da burocracia civil e militar e da burguesia industrial, cujo objetivo comum imediato era o de promover a industrialização do país sem grandes abalos sociais” (FAUSTO, 2009, p.367). [grifo nosso]

Não seria demais relembrar que a saída de Vargas do poder em 1945 também obedeceu à lógica histórica a que nos referimos. Embora não devamos discutir profundamente esta questão aqui, a pressão popular pela democracia, a criação da UNE – União Nacional dos Estudantes, que é desse período, não seriam suficientes para a restauração democrática, não fosse a pressão dos militares, que após a Guerra na Itália, decidiram pôr fim ao apoio ao ditador gaúcho.

É possível, assim, traçar um percurso analítico que se inicia com a Independência e culmina com o Golpe Militar em 1964. Florestan Fernandes nos chama a atenção para o uso freqüente da palavra “crise” nas análises sociológicas e de historiadores de um modo geral. Na discussão que ele nos apresenta, podemos encontrar uma análise sobre os significados das revoluções brasileiras ao longo da história nacional. Ele afirma que:

“Os analistas da história republicana e da evolução política recente usam e abusam da palavra ‘crise’ – em particular, quando focalizam o poder oligárquico e suas relações com a recomposição das estruturas políticas da sociedade brasileira. (...) As crises enfrentadas pela oligarquia agrária ‘tradicional’ ou por seus rebentos urbano-comerciais e financeiros ‘modernos’ no Brasil estão longe de possuir caráter estrutural. Nunca passaram de crises de conjuntura e históricas, que se encerraram (ou se reabriram) através de processos de rearticulação do poder de classe da burguesia, acomodando, assim, seus vários setores e as elites correspondentes, sem atingir as bases propriamente ditas da dominação burguesa (e, dentro desta, da influência da ‘oligarquia’).” (FERNANDES, 2006, p. 306).

A análise sugere a compreensão da existência de um modus operandi das classes dominantes que perpassa a história do Brasil no que tange às suas revoluções. Um

modus operandi que transforma cada oportunidade de mudança estrutural em

continuísmo e que logra operar os momentos de “crise” social nos marcos de uma acomodação de interesses dominantes.

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Benzer Belgeler