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9. Black sapote (kara sapot, Diospyros digyna Jacq., D.nigra, Ebenaceae): Anavatanı

5.5. Raf Ömrü

Em alguns países, há previsão legal para cada fase processual, restando, neste caso, esclarecido por quanto tempo o acusado poderá permanecer enclausurado sem que lhe incidam efeitos definitivos de uma sentença condenatória. São exemplos: Portugal, Alemanha, Espanha, Itália, Paraguai. O Brasil, todavia, adotou a doutrina do não prazo, conforme já se frisou noutro momento, permitindo uma indeterminação acerca da duração da prisão cautelar. O grande problema de se julgar além do prazo razoável, qualquer que seja a causa da demora, é que se estará julgando um homem completamente distinto daquele que praticou o delito, em toda complexa rede de relações familiares e sociais em que ele está inserido e, por isso, a pena não cumpriria suas funções de prevenção específica e retribuição.

Em consulta à obra de Aury Lopes Jr.75 observa-se sob qual prisma o prazo razoável da prisão preventiva é encarado. Na Espanha, a prisão cautelar poderá durar, no máximo até 1 ano se a pena cominada for de até 3 anos; até 2 anos, se a pena cominada for superior a 3 anos. A prorrogação é possível, excepcionalmente, por mais 6 meses naquele caso, até dois anos neste. Sendo condenado e recorrendo do édito, o réu pode ter sua prisão estendida até o limite da pena inicialmente imposta. Quanto ao direito de ser julgado em prazo razoável, o legislador espanhol estabeleceu que o recurso de apelação em face de decisão que decreta, prorrogue ou negue pedido de prisão preventiva deverá ser julgado no prazo limítrofe de 30 dias.

Continua o autor assentando que na Alemanha, em regra, a prisão não durará mais que 6 meses. A exceção se daria quando houvesse peculiar dificuldade, extensão da investigação ou outro motivo importante que obste a prolação da decisão, o que justificaria a manutenção da prisão. Numa eventual prorrogação, poderá será acionado Tribunal Superior pátrio para que este proceda a uma análise

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STF, 1ª Turma, HC n 97.983/SC, Rel. Min Luiz Fux, julgado em 08/10/2013. 75

(que deve ser renovada a cada 3 meses) acerca da necessidade da continuidade da prisão.

Na Itália, o CPP utiliza critério de quantidade de pena em abstrato para determinar o tempo máximo de duração da prisão cautelar, havendo, pois, uma variedade de prazos, a depender da gravidade do delito e da fase em que o processo de encontra. O legislador italiano se acautelou de observar que os prazos devem ser considerados independentes e autônomos em cada fase processual. Por mais que, em alguns casos, possa ser considerada excessiva a duração da medida constritiva, existe ao menos um referencial num horizonte legal que baliza cada situação.76

Em Portugal, o juiz tem obrigação de revisar a cada período de 3 meses a medida cautelar imposta, perscrutando se os pressupostos que ab initio a autorizaram permanecem incólumes. Mais. Passados 6 meses da prisão sem que não tenha havido acusação formal, é de rigor o livramento do imputado. Em regra o Código de Processo Penal Português prevê que passados 18 meses sem sentença ou 2 anos sem trânsito em julgado, deve o acusado sem posto em liberdade, a menos que exista uma complexidade relevante a justificar a dilação do prazo.

O legislador brasileiro teve a oportunidade de sanar essa lacuna existente no ordenamento Brasileiro - a falta de fixação de um prazo máximo para a prisão preventiva - com o advento da Lei 12.403, de 04 de maio de 2011, que reformou parcialmente o Código de Processo Penal, principalmente no que se refere às medidas cautelares. O PL 4208/2001, seu antecedente, estipulava que “a prisão preventiva terá duração máxima de 180 dias em cada grau de jurisdição, exceto quando o investigador ou acusado tiver dado causa a demora”. Tal dispositivo, contudo, fora vetado. Havia uma expectativa de que, com a novel lei, referencial para a duração máxima da referida medida fosse estabelecido, ou mesmo que fosse imposta ao órgão julgador a obrigação de revisar periodicamente a necessidade de sua manutenção. Essa ausência de referencial ou de critérios admite uma ampla interpretação do magistrado, o que leva de certa forma a uma insegurança jurídica,

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Por exemplo, o Código de processo penal italiano prevê um máximo de 04 anos de custódia para os crimes com pena de reclusão não-superior a 20 anos, e 06 anos para os crimes cujo delito a lei estabelece pena de prisão perpétua ou reclusão superior a 20 anos.

uma vez que no ordenamento jurídico atual fica ao livre alvedrio do órgão julgador estabelecer o tempo de duração da medida cautelar.

Ainda que não contemplado dispositivos simétricos ao de legislações estrangeiras na última reforma, poder-se-ia recorrer ao PLS 156/2009 (Anteprojeto do novo Código de Processo Penal), o qual estabelece regras para o reexame obrigatório da prisão preventiva em noventa dias, dentre outras alterações relevantes ao sistema processual penal.

Os fundamentos da prisão preventiva seriam mantidos, podendo ser decretada: como garantia da ordem pública ou da ordem econômica; por conveniência da instrução criminal; para assegurar a aplicação da lei penal; em face da extrema gravidade do fato; diante da prática reiterada de crimes pelo mesmo autor. Sempre somadas à prova da existência do crime e indícios suficientes de autoria.

A grande alteração, contudo, estaria por conta das limitações temporais à segregação cautelar, a depender do momento processual, da conduta do réu, de atos processuais da defesa ou ainda da pena máxima em abstrato cominada. O prazo da prisão poderia variar de 180 dias a 4 anos.

Num primeiro momento, poder-se-ia aludir a uma falta de razoabilidade no estabelecimento do prazo máximo de 4 anos para a duração da prisão preventiva.77 Contudo, é preciso pontuar que, ainda assim seria uma baliza legal que o julgador não poderia transpor, um parâmetro objetivo. Ademais, nem sempre (na verdade, quase nunca) seria necessária a aplicação do lapso temporal máximo. Ao contrário, havendo disposição de que reexame obrigatório das circunstâncias autorizadoras da prisão a cada 90 dias, seria necessário sempre que o magistrado fundamentasse concretamente a manutenção da constrição.

Analisando a duração das prisões provisórias nas legislações estrangeiras, verificamos que é dupla a perspectiva sobre a qual seus dispositivos devem ser considerados. Com relação à proteção da prisão provisória injusta, sendo este aspecto regulamentado na maioria dos países, mediante regra geral em que o

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Na redação originária do projeto, o prazo máximo era de 3 anos:

“Art. 547. Os prazos máximos de duração da prisão preventiva são contados do início da execução da medida. §1º Se, após o início da execução, o custodiado fugir, os prazos interrompem-se e, após a recaptura, serão contados em dobro.

§2º Não obstante o disposto no §1º deste artigo, em nenhuma hipótese a prisão preventiva ultrapassará o limite máximo de 3 (três) anos, ainda que a contagem seja feita de forma descontínua”

imputado é posto em liberdade tão logo decaiam os motivos que ocasionaram a prisão. No que diz respeito ao encurtamento da prisão provisória justa, que se considera como medida necessária para o processo. É reconhecida nos ordenamentos jurídicos como medida de exceção, no sentido de que os casos de prisão devem ser examinados com preferência, devendo ser estudados em relação estreita com o princípio da presunção de inocência.

O meio principal para se analisar a duração da prisão são seus exames periódicos, visando à reavaliação de sua manutenção e às ordens de prisão limitadas a um determinado tempo.

O que se constatou, outrossim, é que a regra de prazos preestabelecidos é excetuada quando a razoabilidade o requerer (a depender da complexidade do caso). Em ultima ratio o julgador avistando necessária uma prorrogação, poderia decretá-la desde que em ordem fundamentada. O que diferiria então da conjuntura jurídica nacional? O traço distintivo maior é que ao julgador estrangeiro é fornecido um parâmetro objetivo para uma análise escorreita do prazo razoável da medida. Uma verdadeira baliza que limita norteia a sua atuação. Aqui ainda carecemos de parâmetros objetivos sedimentados, havendo ainda grande subjetivismo na análise de cada caso.

No tópico adiante, abordar-se-á a ideia de um parâmetro objetivo que sirva de instrumento norteador da atuação do Estado. Na ausência de um prazo definido expressamente, aludir-se-á de forma sugestiva à construção de um elemento que venha a mitigar a discricionariedade do julgador na ánalise do prazo razoável, sem evidentemente retirar-lhe por completo.

4.4 A sanção como parâmetro objetivo de fixação do prazo da prisão

Benzer Belgeler