RE CURSO ORDI NÁRI O EM M ANDADO DE SE GURANÇA. CONST IT UCIONAL. INQUÉ RIT O CIVI L. ACE SSO A ADVOGADO
CONST IT UÍDO PE LOS IMPET RANT E S. POSSIBI LIDADE .
PRE CE DENT ES. RE CURSO P ARCI ALME NT E PROVI DO. 1. E mpr esarial Plano de Assistência Médica Ltd a e Outro impetrar am mand ado de segurança contra ato do J uiz de Direito da 2 ª Var a Cível do Foro Regio nal d e São Jo sé dos Pinhais, Co marca da
Região Metropo litana de Curitiba, co nsub stanciado no
indeferi mento de pedido de acesso a inquérito civil contra eles insta ura do. 2. No presente recurso ordinário, os recorrentes
pleiteiam a r efor ma do acórdão pro ferido pela Corte lo cal, co m a conseq uente co ncessão da segur ança, para q ue seja reco nhecido o direito de acesso ao s autos do p roced imento investigatór io 1.578/2007, b em co mo "lhes seja facultado o direito de fazer ano taçõ es e cóp ias; seja ved ado o uso de do cumento s já encar tado s no s auto s por quem q uer que seja, inclusive e especialmente a par te requerente, ante a ind evida obtenção d e tais documento s sem aud iência d as r eq uerentes; sejam devo lvido s todo s o s prazo s co mp etentes e impo níveis co ntra o r. despacho q ue aco lheu a pretensão do Ministér io Púb lico , par a q ue po ssam as impetrantes manifestar o s co mpetentes recurso s; sejam intimado s d e todo s o s ato s do processo doravante" ( fl. 221) . 3. Não é lícito negar ao advo gado co nstituído o direito de ter acesso ao s auto s de inq uér ito civil, embora trate-se de procedimento mer amente infor mativo, no qual não há necessidade de se atender aos princíp ios do contrad itór io e da ampla defesa, porq uanto tal med ida poder ia subtr air do investigado o acesso a infor mações que lhe inter essam diretamente. Co m efeito, é direito do advoga do, no interesse do
cliente envolv ido no procedi mento inv estigatório, ter acesso a inquérito insta ura do por ó rgão co m co mpetência de polícia judiciária ou pelo M inistério Público , relativa mente aos
ele mento s já do cu mentado s nos a utos e que diga m respeito a o inv estiga do, dispondo a a utorida de de meios legítimo s pa ra garantir a eficácia das diligência s e m curso. Ressalte-se,
outrossim, q ue a utilização d e mater ial sigiloso, co nstante d e inq uérito, par a fim d iver so da estr ita d efesa do investigado, constitui cr ime, na for ma da lei. 4. Nesse contexto, o Pretór io Excelso edito u a Súmula Vinculante 14, segundo a q ual "é direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amp lo aos elemento s de pro va que, já documentado s em procedimento investigatór io r ealizado por ór gão co m co mp etência de po lícia judiciár ia, d igam respeito ao exer cício do direito de defesa". 5. Nas palavr as do M inistro Luiz Fux, "não o bstante a garantia estabelecida pelo ar t. 7º , XIV do E statuto dos Advo gado s do Brasil, constitui interesse pr imário d e ind iciado em p roced imento q ue possa acarr etar em cerceamento de sua liberd ade, o acesso ao s auto s da investigação, justamente no s resultado s q ue já constem do feito . Por outro lado, caso venha a se violar o segr edo de justiça, utilizando -se as infor mações obtidas par a fins outros q ue não a defesa do paciente, responder á o respo nsável no s ter mo s da lei aplicável pelos delito s que co meteu. Ressalte-se que a a dequa ção
do sig ilo da investigação co m o direito constitucio na l à info rma ção do investig ado deve m se coa dunar no acesso restrito do indicia do às diligência s já realizada s e acosta das ao s auto s.
Afinal, a decr etação de sigilo não i mpede o ad vogado de ter acesso aos auto s do inq uér ito policial. E ntretanto , essa gara ntia
conferida aos ca usídicos dev erá se li mita r aos docu mento s já disponibiliza do s no s a uto s, não sendo po ssív el, a ssi m, so b pena de ineficá cia do meio persecutório, que a defesa tenha acesso, 'à decretação e às vicissitudes da execução de diligência s e m curso.' (HC nº 82354/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Sep úlveda Pertence,
DJ de 24/09 /2004)" (HC 123 .343/SP, DJe d e 9.12.2008). 6. Não merecem pro sper ar o s demais pedido s for mulados no mandamu s, relativamente à necessidade de audiência e de intimação do s impetrantes e d e devolução do s pr azo s para apresentação de recur sos. Isso, porq ue o inq uér ito é procedimento meramente infor mativo, visando à investigação e ap uração de fatos, não sendo necessário , pois, atend er aos princípio s do contraditór io e da ampla defesa. 7. Recurso ordiná rio pa rcial mente prov ido , para ,
refor ma ndo o acórdã o recorrido, co nceder parcial mente a seg ura nça, deter mina ndo-se que seja ga rantido ao s a dvoga do s
dos i mpetra ntes a cesso ao inquérito civ il, be m co mo fazer anotações ou tira r có pia integra l da s peça s já a co stada s ao s auto s, se requisita da, mediante o pagamento das taxas devidas.
(gr ifamo s – ROM S 2 00900359105, DE NISE ARRUDA, ST J - PRIMEI RA T URM A, 26 /11/2009) ;
PROCE SSUAL PE NAL. REEXAM E NE CESSÁRIO CRI MINAL .
HABEAS CORP US P RE VENT IVO. ORDE M PARCI ALM ENT E
CONCE DIDA. PRI NCÍPIO DA NÃO-AUT O-INCRI MINAÇÃO
(NE MO TE NE TU R SE DETEGE RE). ART . 186 CPP.
MODIFI CAÇÃO. LEI 1 0.792/03. ACE SSO DO ADVOGADO AO S AUT OS DE INQUÉRI T O. PERMI SSÃO ASSEGURADA COM RE ST RI ÇÕES. ST F, SÚMULA VI NCULANT E Nº 14. 1. Por expr essa gar antia co nstitucio nal ( CF, ar t. 5º , LXIII), ningué m é obrigado a prod uzir provas co ntra si (nemo ten etu r se detegere). 2. A Lei 10.792/03, ajustando o Código de Processo Penal à Co nstituição, introd uziu deter minação exp ressa no parágrafo único do art. 186, pro ibindo a interpretação do silêncio e m desfavor d a defesa, tendo em vista tratar -se de dir eito p úblico subjetivo do investigado/indiciado/denunciado /réu. 3 . A ga ra ntia de acesso ao s
auto s de inquérito pelo advogado , pa ra melhor a ssistência ao direito de defesa do representa do, não é ili mi tada. Ao contrário, restringe-se tão-so mente aos elemento s de prova já documentado s no procedi mento investigativo rea liza do po r órgão co m co mpetência de po lícia judiciária, consoa nte o enuncia do da Sú mula Vincula nte nº 14, do Supremo Tribuna l Federal. 4. Reexame necessário a q ue se nega pro vimento.
(gr ifamo s – RE OCR 200938130020496, JUÍZA FEDE RAL M ARI A LÚCI A GOME S DE SOUZA ( CONV.), T RF1 - T ERCEI RA T URM A, 05/02/2010) ;
PROCE SSUAL PE NAL. M ANDADO DE SEGURANÇA.
INQUÉ RIT O POLI CI AL. DI LI GÊNCI AS E M CURSO. SIGI LO. DI REIT O DO ADVOGADO CONST IT UÍDO DE ACE SSO AO S AUT OS. RE SSALVAS. I - E stão co ntrapo stos no presente writ do is inter esses: de um lado o da parte, a q uem deve ser assegur ado o direito de saber a razão pela qual está sendo investigada e, de outro, o inter esse p úb lico, co nfigurado pela necessidade d e q ue o inq uérito se processe sob sigilo. II - O inq uérito po licial não é infor mado pelo s princíp ios do co ntrad itór io e d a amp la d efesa ante a sua natureza de proced imento ad ministrativo . Disso não dissentem
as po siçõ es doutrinárias nem as jur isp rudenciais. III -
Hodierna mente preva lece a o rientação de que deve m ser conciliado s o s interesses da investigação e o direito à infor maçã o do investigado e, conseqüente mente, de seu advogado , a fim de salvag uardar a s sua s garantias co nstitucio nais. IV - O Co lendo
ST F, em orientação jur ispr udencial, ado to u o entendimento de q ue é possível o acesso d e advo gado co nstituído ao s autos d e inq uér ito policial, em ob ser vância ao direito de info r mação do indiciado e ao Estatuto d a Ad vo cacia, r esguardando as garantias co nstitucio nais. V - T al posicio namento, contudo, ressalva o sigilo aos proced imento s que, por sua própria natureza, não podem d isp ensá-lo, sob pena d e ineficácia da diligência investigatória. VI - O entend imento proclamado está em co nfor midade co m a or ientação fir mada pelo Colendo ST F, q ue erigiu a Sú mula Vinculante nº 14, em 02/02/2009. VII - I mpõe-se, o utro ssim, respeitar o direito garantido aos ad vo gado s r egular mente co nstituídos co m fulcro na Lei 8.906/94 (E statuto da Ad vocacia) , mor mente em seu ar tigo 7º , inciso XI V. VIII - Segura nça parcial ment e concedida para
asseg urar ao s a dvoga dos co nstituído s o acesso ao s autos do inquérito po licia l nº 12-0143/06 (20 06.61.81.005613-9), aparta ndo -se as diligências investigatórias em curso , cujo sig ilo se ma ntém, se m po ssibilida de de extração de cópias. (grifamo s –
MS 200603000739200, JUI ZA CE CI LI A ME LLO, T RF3 - PRIMEI RA SE ÇÃO, 27 /09/2010);
M ANDADO DE SEGURANÇA. CRI ME CONT RA O SI ST EM A FINANCE IRO NACI ONAL. LAVAGE M DE DI NHEI RO. ACESSO ÀS INFORM AÇÕE S DE INQUÉ RIT O POLI CI AL. INCABIME NT O. INEXI ST ÊNCI A DE DI REIT O LÍ QUI DO E CE RT O. DI LIGÊ NCI AS EM CURSO. SÚM ULA VI NCULANT E Nº 14 DO E . ST F. INAP LI CAB I LIDADE. 1. Cuida -se de ma ndado de segurança
impetrado co ntra decisão que indeferiu pedido de vista e có pia s de inquérito policia l que trata de cri me de lavagem de dinheiro que tra mita sob sig ilo. 2. Entretanto , inexiste ilegalid ade na
decisão q ue indeferiu p edido de acesso aos autos, tendo em vista que visa, excepcio nalmente, garantir eficácia das investigações ainda em curso . 3. A decisão gua rda conso nâ ncia co m a
orientação que e ma na da Sú mula Vincula nte nº 14 do e. STF, na
qual resta gizado q ue é direito do defenso r, no interesse do representado, ter acesso amplo ao s ele mento s de pro va q ue, j á documentados em procedimento investigatór io realizado por ór gão
co m co mp etência de po lícia jud iciár ia, d igam respeito ao exercício do direito de d efesa. 4 . Os "elemento s de prova" referidos na
sú mula não se co nfunde m pro pria mente co m a sua o btençã o media nte diligência única. No ca so sub judice, que trata de inv estigação de crime contra o siste ma financeiro nacio nal, noticia-se tratar-se da pri meira de vá ria s etapa s necessárias para identificar a o rigem do s recursos e o destino fina l deles, possibilita ndo a té neste últi mo ca so o sequestro de produto do supo sto cri me, ca so se conclua por sua existência. (grifa mos –
MS 200904000364311, T ADAAQUI HI ROSE, T RF4 - SÉT IM A T URM A, 07/01 /2010) ;
PROCE SSUAL PE NAL. HA BEAS CORP US. INQUÉ RIT O
POLICI AL. ACESSO AOS AUT OS. DI RE IT O À AMP LA DE FE SA. SÚMULA VINCULANT E Nº 14 DO ST F. AUSÊ NCI A DE INT ERE SSE DE AGI R. CONST RANGIME NT O ILEGAL NÃO DEM ONST RADO. I. A Súmula Vinculante nº 14 do ST F p er mite o acesso dos investigado s em inq uérito policial aos e lemento s de prova já documentado s apó s o encerramento das respectivas diligências, ainda q ue o procedimento tramite sob sigilo. Co ntudo, tal dir eito não deve ser alegado a par tir de boato s o u r u mores, quando o j uízo de 1º grau infor ma não haver prova do cumentada, no s ter mo s da Súmula. II. A a usência de requeri mento de vista
pelos pacientes e de decisão específica da autorida de judicia l exclui o interesse de agir pa ra a ação de ha bea s corpus, fa ce à ausência de lesão co ncreta à a mpla defesa ou de a meaça à liberda de. III . Or dem denegada. ( grifamo s – HC 00015059820104050000, Desembar gador Fed eral Leo nardo Resend e Martins, T RF5 - Quar ta T ur ma, 25 /03/2010).