1.2. Kamu Yönetimi ve Etik
1.2.4. Kamu Yönetimi Etiğinin Felsefi Temelleri
1.2.4.2. Deontolojik (Sonuçsalcı Olmayan) Yaklaşımlar
1.2.4.2.1. Ödev Merkezli (The Duty-Based) Yaklaşım
Conforme verificado no capítulo 2.1.2 existem cada vez mais programas de incorporação de biodiesel no mundo. Esses programas são potenciais importadores do biodiesel brasileiro. No caso mais significativo, da União Europeia, a meta é atingir 5,75% de substituição do óleo diesel em 2010, e existem muitas controvérsias sobre a capacidade de atingir essa meta sem recorrer a importações.
Conforme apresentado na tabela 14 e na figura 16, desde o ano 2000 a demanda Europeia por óleos vegetais é maior do que a produção local, e vem crescendo a um ritmo mais acelerado do que esta última. Isso significa uma necessidade crescente de importações de óleos vegetais para a produção de biocombustíveis da União Europeia. Conforme mostra a figura 16, desde 2004, esta tendência vem crescendo a um ritmo mais acentuado.
Tabela 14: Produção e demanda de óleos vegetais na UE (em mil toneladas)
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Produção (A) 9.546 9.444 9.628 9.601 9.777 10.636 11.145 Demanda (B) 10.669 11.496 12.446 12.954 13.570 15.380 18.041 Déficit (A-B) 1.123 2.052 2.818 3.353 3.793 4.744 6.896
Figura 16: Necessidade de importação de óleos vegetais na União Europeia (milhões de toneladas) Fonte: NAPPO, 2007
Essa tendência de aumento nas importações de óleo vegetal para fins combustíveis deve aumentar ainda mais nos próximos anos, isso porque, conforme mostra a figura 17, as metas de produção de biodiesel na União Europeia ainda devem crescer consideravelmente até 2010.
Figura 17: Produção de biodiesel e metas de incorporação na União Europeia (em mil toneladas) Fonte: NAPPO (2007)
Conforme mostra a tabela 15, a produção potencial de óleo de colza na União Europeia não deve ser suficiente para atender as metas de produção de biodiesel, o que significa que nos próximos anos a União Europeia deve apresentar uma necessidade crescente de importação de óleos vegetais para a produção de biocombustíveis.
Tabela 15: Disponibilidade de óleo de colza para a produção de biodiesel na UE
DISPONIBILIDADE DE ÓLEO DE COLZA PARA A PRODUÇÃO DE BIODIESEL NA UNIÃO EUROPEIA (mil toneladas)
2005 2006 2007 2008 2009 2010
Metas de produção de biodiesel na União Europeia 4.113 5.950 7.750 9.550 11.500 12.746 Produção potencial de óleo de colza 6.417 6.688 7.229 7.925 8.784 9.708 Demanda de óleo de colza para uso alimentar 2.500 2.500 2.350 2.200 2.050 1.900 Óleo de colza disponível para a produção de biodiesel 3.917 4.188 4.879 5.725 6.734 7.808 Necessidade de importação de óleos vegetais 196 1.762 2.871 3.825 4.766 4.938
Fonte: NAPPO, 2007
Esse é um cenário extremamente promissor para o Brasil, que atualmente já é o maior exportador mundial de óleo de soja para a União Europeia.
Esse cenário constitui uma oportunidade interessante para transferir os custos do programa de produção de biodiesel do consumidor brasileiro para os consumidores dos países importadores. É do interesse do país poder contar com as importações dos países ocidentais para financiar um programa nacional de desenvolvimento. Ainda mais para um país em desenvolvimento, onde ainda não existe a maturidade econômica nem as motivações para colocar o biodiesel à frente dos gastos com saúde, saneamento e educação, por exemplo.
Conforme a figura 18, é possível observar que tanto o custo de produção como a tributação do diesel no Brasil são inferiores à metade dos valores na Alemanha, maior consumidor de biodiesel no mundo.
Esta situação faz com que seja muito mais difícil o biodiesel competir com o diesel no Brasil, isso porque este último é muito mais barato do que o diesel fora do Brasil. Por outro lado, devido à pouca tributação existente no Brasil, qualquer política de renúncia fiscal tem um espectro de ação estruturalmente limitado no país.
biodiesel for totalmente desonerado de impostos, então seu custo de produção pode ser até 45% mais caro do que o do diesel e continuar sendo competitivo. No Brasil, onde a tributação é na faixa de 25%, mesmo que houvesse uma desoneração total dos impostos, o custo de produção do biodiesel não poderia superar de 25% daquele do diesel, sob pena de perder competitividade (FERRÈS, 2006).
Figura 18: Preço do diesel na bomba (Euros / Litro). Fonte: Ferres (2006).
Por outro lado, os países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) se beneficiam de cada vez mais incentivos fiscais para a comercialização de biocombustíveis, em particular devido às metas de redução das emissões previstas do protocolo de Kyoto. Cabe lembrar que não se aplicam no Brasil as mesmas restrições na emissão de CO2 que aplicam nos países desenvolvidos.
Apesar de muito controversa, a ideia de que é possível exportar biodiesel, tudo indica que os países europeus não necessariamente estão dispostos a importar biodiesel para atingir uma meta de incorporação, que é indicativa e não obrigatória. As barreiras às exportações de biodiesel estão muito fortes, e não houve nos quatro primeiro anos de vida do PNPB nenhum
resultado concreto neste sentido.
Por outro lado, mesmo que os programas nacionais não sejam suficientes para atingir a meta de 5,75% em 2010 na Europa, e que haja importações, tudo indica que seriam importações de óleo vegetal, para ser transformado em biodiesel no local.
Finalmente, convém perguntar se é desejável para o Brasil comprometer suas riquezas naturais para exportar energia. O impacto para aumentar a produção de óleo vegetal no país, seja de soja, seja de dendê, é completamente distinto em cada caso.
No caso da soja, exigiria uma pressão ainda mais forte nos ecossistemas dos cerrados e da Amazônia, e também pressionaria a pecuária a migrar mais para o norte e comprometer a Amazônia. A monocultura de soja reduz a biodiversidade e é muito intensa em defensivos e insumos químicos que impactam os ecossistemas e os lençóis freáticos. Considerando que o biodiesel de soja é aquele tipo de biodiesel menos interessante do ponto de vista ambiental visto que é aquele que mais extensão de terra precisa para cada litro produzido, que promove a monocultura e o uso de sementes transgênicas, e apresenta um balanço energético pouco interessante, então não justifica o Brasil sofrer as externalidades negativas ligadas a sua produção se não recebe as externalidades positivas criadas pelo seu consumo.
Por outro lado, no caso do dendê, os impactos seriam completamente distintos. A área necessária seria até dez vezes menor. Esta expansão poderia acontecer em áreas já degradadas e com árvores perenes que lutam contra a erosão. A intensidade em mão de-obra é também bem maior no caso do dendê do que na soja.
Neste contexto, considerando que no caso do biodiesel de soja, as externalidades negativas provêm principalmente da sua cadeia produtiva e as externalidades positivas, essencialmente do seu consumo, então, a exportação de biodiesel de soja faz com que os beneficios ficam reservados aos países importadores e o onus para o país produtor. A situação seria diferente no caso do dendê, isso porque existem externalidades positivas tambem na cadeia produtiva conforme visto acima.
Ou seja, não é possível responder se o crescimento da produção e das exportações de biodiesel é uma boa coisa por si só. Depende da maneira como esse crescimento é feito.