3. YÖNTEM
3.2. Konya-Karaman Hızlı Tren Hattı
3.2.6. Konya Karaman Hızlı tren Projesindeki Bazı Sorunlar
3.2.6.1. Ödenek sorunu
3 – Lia Campos
ia Campos nasceu em Encruzilhada do Sul, no estado do Rio Grande do Sul, no dia 13 de maio de 1928. Filha de Albertino Campos, Exator Estadual – atual Auditor de Finanças Públicas – e de Carlota Nunes Campos, era a quinta filha do casal, juntamente com sua irmã gêmea Léa, e mais seis irmãos, por ordem: Ruth, Evaldo, Jaime, Hélio, Renan e Dila.
L
A professora Lia Campos fez seus primeiros estudos em sua cidade natal. Em 1935, concluiu o Curso Primário no Grupo Escolar Borges de Medeiros e, em 1939, diplomou-se como aluna mestra7 pela Escola Normal Olavo Bilac, em Santa Maria/RS.
7 Segundo Louro (1997), aluna-mestre é aquela normalista que se dedica ao magistério
primário. O ensino era dividido em dois cursos: primário (com trabalhos de agulhas e prendas e princípios de música); e o curso secundário, dividido em dois anos (1º português, ortografia, francês, aritmética, até proposições, música e piano e 2º português, francês, noções gerais de geografia, história sagrada e do Brasil, piano e canto).
Figura 1: Foto da formatura de Lia Campos na Escola Normal (1939) Fonte: Acervo pessoal da família Campos
Aprovada em Concurso Público, iniciou suas atividades profissionais em 1941, no Grupo Escolar José do Patrocínio, sendo nesse mesmo ano removida para o Grupo Escolar Miguel Couto, na cidade de Barra do Ribeiro/RS, onde permaneceu até o início do ano letivo de 1943.
Sempre inquieta no que dizia respeito aos temas educacionais, Lia Campos iniciou como bolsista, em 1949, um Curso de Especialização em Administração e Supervisão no Instituto de Educação General Flores da Cunha, no seu estado natal. Após a conclusão dessa especialização, foi convidada a participar da equipe de Orientadores da Educação Primária do Centro de Pesquisas e Orientações Educacionais (CPOE) da Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul.
Sua vida sempre dedicada à educação e à cultura a fez migrar – trabalhar – para várias instituições de ensino e participar de diversos cursos de especialização e aperfeiçoamento. Por isso, nas palavras de sua sobrinha e afilhada Nara Campos Lage, “não hesitou em abdicar de constituir sua própria família para fazer o que realmente a impulsionava, a educação” (2004, p. 02).
Entretanto, mesmo dedicada à educação a professora Lia tinha sua atenção também voltada para a família. Em especial, aos seus treze sobrinhos, aos quais incentivou a estudar e buscar satisfação profissional. Nara Campos Lage (2004, p. 01), fala a seu respeito:
Até hoje agradeço a ela por ter despertado em mim o amor pela leitura. A coleção O Mundo da Criança8, que tenho até hoje, foi
um dos primeiros presentes que recebi dela. Lembro com muito carinho sua voz doce contando histórias que me faziam viajar no mundo da imaginação. Outro legado seu foi o gosto pela correspondência, pois mesmo antes de ser alfabetizada, já recebia suas cartas que eram lidas por minha mãe; mais tarde eu mesma passei a respondê-las.
Mesmo tendo a educação como alicerce da sua vida, Lia Campos não se descuidava da aparência e de cultivar amizades. Seus familiares e amigos que fez por Natal e pelo Estado confirmam este seu lado vaidoso, mas sem extravagância.
Vaidosa e elegante, adorava comprar muitas roupas, sapatos e bolsas; sua presença era sempre anunciada por perfumes suaves, mas marcantes e inesquecíveis. Adorava viajar e tinha
8 Lançada na década de 1950 pela Companhia Editora Nacional, a coleção O Mundo da
Criança reúne contos populares de diversos países. Tem por objetivo estimular a iniciação à leitura através de fábulas muito populares em várias regiões do mundo: A Galinha Ruiva (Inglaterra), O Leão e o Rato (Grécia), O Menino e a Baleia (Japão) e Por Que o Sol e a Lua Vivem no Céu (África). Ao final de cada capítulo existe um almanaque que trata a respeito dos locais dos contos. Atualmente, tal coleção pode ser encontrada em formato multimídia. (http://www.ibep-nacional.com.br/mundo/default.asp).
muitos amigos, a grande maioria ligados à cultura e educação (Nara Campos Lage, 2004, p. 02).
Zilda Lopes do Rêgo também fala a esse respeito:
Ela se trajava muito bem, luxuosa, perfumada. Ela encantava quando chegava. Pessoa extraordinária, tinha um papo muito bom... Era muito religiosa. Ela era religiosa, a gente ia muito à missa. Gostava muito de cinema, lia muito. Quando ela desistiu, não veio mais... Porque ela foi convidada e não veio mais. Eu tive que fazer toda a embalagem da bagagem dela. Foi uma bagagem imensa...
A professora permaneceu nos quadros da Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul até 1957. Nesse mesmo ano, passou a coordenar Cursos de Aperfeiçoamento para Professores do Ensino Primário, por indicação do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP) /Ministério de Educação e Cultura (MEC), no Estado do Rio Grande do Norte.
O jornal A República de 10 de janeiro de 1957 registra a instalação deste curso e a aguardada presença da professora vinda do Rio Grande do Sul para coordená-lo:
Ontem, às 8 horas, no Instituto de Educação, foi solenemente instalado o Curso de Férias para professores primários do RN, iniciativa que virá, sem dúvida, ampliar os conhecimentos didáticos dos componentes do nosso magistério primário. (...) Para coordenar o Curso de Férias, está sendo esperada hoje, a professora Lia Campos, do INEP, quando serão intensificadas as aulas as quais se prolongarão por um mês.
Lia Campos, que inicialmente veio a nossa terra para coordenar o curso de um mês, permaneceu por quase uma década. Mais precisamente sete anos. Tendo assim, a oportunidade de aplicar toda a sua experiência profissional.
De acordo com entrevista concedida ao jornal Tribuna do Norte de 21 de outubro de 1979, a professora Maria Alexandrino Sampaio9, uma de suas auxiliares, comenta que:
Lia Campos, com sua atuação inconfundível, despertou em todo o magistério um grande entusiasmo de lutar e crescer na profissão. Ela conclamava o professor a fazer da escola o centro da comunidade e nela se projetar pela obra educativa.
Foi dessa maneira que Lia Campos imprimiu seu nome na História da Educação do Rio Grande do Norte, trabalhando até 1964, quando a Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul reclamou a sua volta ao seu torrão natal. Restou à Secretaria de Educação do Rio Grande do Norte consentir com o seu regresso.
Em reconhecimento ao trabalho por ela desempenhado o Governador Tarcísio de Vasconcelos Maia, no ano de 1975, concedeu a Lia Campos e a outras nove personalidades, a medalha do Mérito Alberto Maranhão10, a mais alta comenda potiguar destinada às pessoas que tenham se destacado nos campos da cultura e educação.
9 Maria Alexandrino Sampaio concluiu o Ginásio Normal e tornou-se professora primária.
Coordenou o Programa de Aperfeiçoamento do Magistério Primário (PAMP) do Rio Grande do Norte, durante a administração do governador Dinarte de Medeiros Mariz, órgão responsável pelo sistema de distribuição de bolsas de estudo para os componentes da Secretaria de Educação e Cultura deste Estado. Foi proprietária de uma escola privada de ensino primário que recebera o nome Escola de Ensino Primário Maria Alexandrino Sampaio, a mesma situava- se no Centro de Natal, na rua Felipe Camarão. (NANCI GOMES DOS SANTOS).
10 Alberto Frederico de Albuquerque Maranhão nasceu em Macaíba, no dia 02 de outubro de
1872. Foi promotor público em Macaíba, elegeu-se governador do Rio Grande do Norte pela primeira vez em 1899. Em 1908, retorna ao Governo do Estado, função na qual permanece até 1913. Foi responsável pela construção do Teatro Carlos Gomes (atual Teatro Alberto Maranhão), criou o Conservatório de Música, o Hospital Juvino Barreto (hoje Hospital Universitário Onofre Lopes), implantou a luz e o bonde elétricos em Natal. (http://www.cabugi.globo.com/rnonline/personalidades.html).
Figura 2: Foto de Lia Campos recebendo a Medalha Alberto Maranhão das mãos de Tarcísio Maia (1975)
Fonte: Acervo pessoal da família Campos
Na ocasião, em nome dos agraciados, o professor Edgar Barbosa11 agradeceu com um discurso:
Movido pela simpatia de todo governante civilizado por aqueles que aplicam seu esforço longe do gosto e da cobiça de consagrações, Vossa Excelência distingue nesta hora educadores, professores, cientistas, destacados pelo seu devotamento ao progresso cultural do Rio Grande do Norte. Assim fazendo, Vossa Excelência honra a memória de Alberto Maranhão e legitima ainda mais os superiores objetivos de um prêmio dante do qual nos curvamos com emoção e orgulho (A REPÚBLICA, 18/12 de 1975).
11 Edgar Barbosa, nascido em Ceará-Mirim, em 1909, formou-se em Direito em Recife, em
1932. Trabalhou em alguns jornais, como: A República, O Debate, A Ordem. Fundou a Faculdade de Filosofia e foi seu primeiro diretor. Foi também autor de alguns livros: História de
uma Campanha (1936), Três Ensaios (Recife, 1960), Imagens do Tempo (Natal, 1966).
A professora Lia Campos partiu desse mundo no dia 15 de outubro, por coincidência, no dia do Professor. Em 1979, aos 51 anos, na cidade de Porto Alegre/RS, morreu vitimada por um câncer.
O jornal Tribuna do Norte de 21 de outubro de 1979 noticia o seu falecimento com o seguinte título na reportagem de página inteira: Morte de Lia Campos encerra fase importante da história da educação do RGN. Ainda, enaltece suas características físicas e sua personalidade:
Nem alta nem baixa, cabelos castanhos, olhos claros, traços finos. Uma figura elegante e que poderia ter sido comum, mas o sangue gaúcho que lhe corria nas veias, deixava aflorar uma firmeza de espírito e uma sensibilidade que muitas vezes surpreendia.
No ano seguinte à sua morte foi criado o Centro de Estudos Supletivos Professora Lia Campos12, voltado para o ensino de 2º Grau, através do Decreto
nº 7.851 de 26 de fevereiro de 1980, estabelecendo que o Centro se submeteria às normas da legislação em vigor, no tocante às disposições pedagógico-administrativas, tendo também um regimento interno.
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A escola atualmente exibe em sua fachada o nome Centro de Educação de Jovens e Adultos Professora Lia Campos.
Figura 3: Foto da fachada do Centro de Educação de Jovens e Adultos Professora Lia Campos (2005)
Fonte: Daniela Fonsêca Vieira
Na solenidade se fizeram presentes seus irmãos, Evaldo Campos, Léa Campos Lage e Ruth Campos Magalhães, sendo esta última também professora.
Seu irmão, Evaldo Campos, na ocasião proferiu um discurso no qual lembra o apreço e desvelado carinho que Lia Campos nutria pelos norte- riograndenses. Ela sempre se referia aos seus colegas e amigos do Rio Grande do Norte com entusiasmo e orgulho.
Nos serões da família, quando havia a participação de amigos menos identificados com as causas que faziam de Lia a grande promotora deste Estado, alguns a interrogavam, confusos, se ela era potiguar ou gaúcha, já que, como Sul Riograndense, muitas vezes parecia Riograndense do Norte, tal o carinho e o amor que caracterizavam as recordações de sua passagem por aqui (CAMPOS, 1980).
Na mesma solenidade de homenagem póstuma a Lia Campos, o então Secretário de Educação Arnaldo Arsênio de Azevedo13 lembrou o trabalho da professora, exaltando a sua dedicação e amor ao magistério. Para ele, nada mais justo do que “o seu nome no frontispício de uma escola, é o mínimo que se pode fazer em reconhecimento pelo seu trabalho a favor do nosso sistema de ensino” (TRIBUNA DO NORTE, 25/03 de 1980).
É com a finalidade de mostrar quem foi esta professora que pretendi evidenciar o modo como Lia Campos atuou no cenário educacional enquanto esteve trabalhando no nosso Estado, observando e analisando de que forma ela pôs em prática o que se pretendia para a educação no período de 1950 a 1960 e de que forma essas mudanças, principalmente a Reforma do Ensino, repercutiram no território norte-riograndense.
13 Professor, formado em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, foi diretor
da então Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte (ETFERN), no período de 26/03/1974 à 25/05/1979. Hoje, seu nome encontra-se gravado em uma escola estadual localizada no município de Parnamirim/RN. (http://www.cabugi.globo.com/rnonline/personalidades.html).