I. KISIM
22. ÖDEME
A terceira instância do corpus deste trabalho analítico tem como base um dos cinqüenta e dois discursos da “vidência” de Itaperuna, Rio de Janeiro, onde, de acordo com o “vidente”, a Virgem Maria denomina-se Mãe do Infinito Amor.
Os fenômenos sobrenaturais ocorridos, naquela cidade fluminense, tiveram início, numa manhã nublada do dia 24 de maio de 1995. Rodrigo Ladeira Carvalho (18 anos), filho de Roberto da Silva Carvalho e Nilva de Pinho Ladeira Carvalho, dirigia-se para a loja de seu pai onde trabalhava, de bicicleta, quando ouviu interiormente uma voz: Hoje o sol irá raiar. Sem entender o que estava acontecendo, o jovem continuou seu caminho. Ao chegar ao trabalho, após alguns instantes, sentiu um frio intenso e tremores no corpo. Julgando estar com febre, Rodrigo foi procurar seu pai para pedir confirmação daquilo que suspeitava. Mas o senhor Roberto ao tocar o filho, afirmou que sua temperatura estava normal. Envolto ainda nessa sensação de calafrio, o jovem Rodrigo ouviu novamente a voz interior. Desta vez, porém, além de identificar-se como sendo Maria, a mãe de Jesus, a mesma voz pediu a Rodrigo que se reunisse com sua família para orar pela cura da prima Luciana, de seis anos, que estava com depressão. A Senhora solicitou ainda que, durante todo o dia, rezassem a jaculatória: Ave cheia de graça.
Às 17h00 do mesmo dia, Rodrigo reuniu-se com seus pais, sua irmã Ana Paula (que recebeu mensagens em locução interior de Jesus), Luciana (a criança doente) e sua mãe, Nelma, e mais uma pessoa chamada Perissência, para, de acordo com a solicitação da “celeste voz”, intercederem pela cura de Luciana. Era o dia de Nossa Senhora Auxiliadora.
Durante a oração, o grupo foi envolvido por uma profunda emoção e todos sentiram perfume de rosas e um vento forte que lhes soprava os pés. Ana Paula, porém, teve ainda uma “visão” da Mãe do Senhor na forma de uma estampa que entrava pela janela da sala onde oravam. Neste espaço de tempo, a voz “comunicou” a Rodrigo que a cura da criança Luciana seria gradativa e que os pais da mesma teriam que colaborar com o processo, não só com constante oração, mas ainda confessando-se e participando da Sagrada Eucaristia, durante sete dias consecutivos. Essas determinações foram postas em prática e a cura aconteceu
como fora anunciada. A Virgem pediu ainda a Rodrigo que ele e Ana Paula jejuassem, por três dias, tomando apenas água. Neste período, indicou nomes de pessoas que deveriam formar um grupo de oração o qual, mais tarde, recebeu o nome de “Corações Unidos”. Este grupo reunia-se todos os dias na casa do “vidente” para a oração do terço. Nestes encontros, Rodrigo “via” a Senhora em forma de imagem e ouvia as mensagens em seu interior, proferindo-as, simultaneamente, para serem copiadas.
A partir de 24 de agosto, Ana Paula começou a “visualizar” o Senhor Jesus, em forma estática e a ouvi-lo também em locução interior.
Ao contrário de Angüera em que as “aparições” acontecem já há mais de 20 anos às terças-feiras e sábados, as de Itaperuna ocorreram num período relativamente curto: de maio de 1995 a outubro de 1996.
Nos dois últimos “encontros” envolvendo a personagem do céu e as da terra (em Itaperuna) que ocorreram nos dias 24 de setembro e 24 de outubro, respectivamente (na fazenda Boa Esperança), a Mãe do Senhor “apresentou-se” a Rodrigo não mais como uma estampa, mas em forma humana.
De acordo com o dizer do vidente, ela é extremamente bela. Segundo Rodrigo, em setembro, a Bela Senhora trajava uma vestimenta de cor marfim claro e um manto marfim mais escuro, com contornos dourados e com pequenos desenhos de ramos e corações. Amarrado à cintura, trazia uma faixa dourada. Sua cabeça estava levemente inclinada para a esquerda e, entre as mãos postas à altura do peito, tinha um terço. Os pés estavam descalços e, embaixo deles, havia uma nuvem ladeada por pequenos anjos. Já no dia 24 de outubro, a Senhora vestia-se de branco e na cabeça tinha um véu azul. Trazia nas mãos seu próprio coração, que pulsava, envolto num rosário de madeira. Presa à cintura portava uma faixa dourada e, na cabeça, uma coroa de intenso brilho. Sob seus pés descalços, havia uma nuvem encimada por rosas vermelhas, brancas e amarelas. Todo seu corpo estava circundado por uma luz tão brilhante que ofuscava os olhos. Seus lábios rosados, abertos levemente num sorriso, contrastam com a alvura da sua pele. Seu olhar penetrante transmite paz profunda. Apresentou-se numa nuvem que pairava sobre uma árvore.
Durante o período das “aparições”, o fato foi acompanhado pela Igreja na pessoa do frei Jorge da Paz (OFM) e líderes da Renovação Carismática Católica. Esses delegados, tanto o sacerdote quanto os membros do Movimento Carismático foram incumbidos de tal missão pelo Bispo da Diocese de Campos da qual faz parte a Igreja de Itaperuna, D. Roberto Gomes Guimarães.
Os irmãos Rodrigo e Ana Paula foram examinados por psicólogo e psiquiatra (também indicados pelo Bispo) que não encontraram neles qualquer sinal de distúrbio mental ou emocional.
Atualmente, Rodrigo se encontra no Seminário dos Padres Redentoristas onde se prepara para professar os votos de pobreza, castidade e obediência e, posteriormente, para a ordenação sacerdotal.
Quanto à Ana Paula, essa continua sua vida de esposa, mãe, profissional e cristã engajada nas atividades pastorais de sua paróquia.
Embora tenham cessado as mensagens de Itaperuna, no 4º domingo de cada mês, os fiéis se reúnem na Fazenda Boa Esperança, próximo à cidade, para a oração do terço e a reflexão das mensagens recebidas e também para pedir graças a Nossa Senhora do Infinito Amor.
As fontes dessas informações foram:
• a obra – Nossa Senhora Mãe do Infinito Amor – Itaperuna, RJ. 2001;
• a mãe dos videntes Rodrigo e Ana Paula, a professora aposentada, Nilva de Pinho Ladeira Carvalho, numa conversa por telefone, no dia 25 de maio de 2005, mais ou menos, às 10h00.
Após esse breve relato introdutório, deter-nos-emos na apreciação analítica de uma das “mensagens” de Nossa Senhora do Infinito Amor. Optamos pela proferida no dia 1º de julho de 1995, em virtude do notável cruzamento vocal ai instalado:
(7) Filhos, entreguem suas vidas a mim e eu as conduzirei. Consagrem tudo
aquilo que faz parte de suas vidas ao meu coração; todas as casas, todos os seus carros, as suas vidas; entreguem-nas a mim. Louvem o meu Filho a cada segundo de suas vidas. Dito-lhes agora uma oração e peço que no momento em que estiverem em apuros que me invoquem nestes termos: “Ó minha mãe, sei que tu és a imaculada, a auxiliadora.
Por isso, elevo a minha voz até teus ouvidos e te peço: vem em meu auxílio, mãe. Meu coração se estremece só de ouvir o teu santo nome. Por isso, tenho certeza de que irás acolher este meu pedido... Louvo-te ó mãe, porque és bondosa e porque sei que teu coração está sempre aberto a me acolher e ajudar”. Filhinhos, o terço é a arma maior que eu deixei para vocês. Sempre tenham um à mão. Não quero que somente leiam a Bíblia; quero que ponham cada palavra deste livro em prática. Assim, alcançarão o céu. O Senhor vive e reina para sempre. Glórias e graças sejam dadas a cada momento ao Santíssimo Sacramento! Amém! Aleluia! Amém!
Assim como nas mensagens de Angüera, também nas de Itaperuna, temos um discurso assimétrico, uma vez que ele é direcionado por um dos interlocutores, ou seja, o sujeito da esfera celeste cf. Fávero, Andrade e Aquino (1999, p. 15/16). O sujeito falante já se apossa do discurso transportando-se do lugar de locutor L, responsável pelo dizer para o de locultor LP, pessoa socialmente constituída, visto entrar na enunciação como mãe que fala a filhos. Assim, o ouvinte é igualmente transladado da função de alocutário AL (correlato do locultor L), para a de
alocutário ALP (parceiro do locutor LP).
(7.1) Filhos, entreguem suas vidas a mim e eu as conduzirei.
As marcas do alocutário perpassam toda a superfície textual, desde o vocativo (filhos, filhinhos) até o emprego dos dêiticos pessoais (lhes, vocês), possessivo (suas) e verbais (estiverem, invocarem, leiam, ponham, alcançarão). Tais marcas aliadas ao uso do imperativo (entreguem, consagrem, entreguem, e louvem), acusam a centralização da linguagem no ouvinte, revelando a presença da função conativa.
O locutor está assinalado pelos dêiticos de 1º pessoa: pessoais (eu, me, mim), possessivo (meu) e verbais (conduzirei, dito, deixei, quero) que, associados aos epítetos vocativos e a outros signos (vida, coração, apuro) que, como esses vocativos, portam uma forte carga emocional, atestam que a função expressiva da linguagem tem, no discurso, uma significativa presença. É notória, portanto, a equivalência entre as duas funções.
Ao introduzir o alocutário no processo enunciativo, o sujeito locutor realiza uma interação com um “tu” coletivo, uma vez que se dirige a “filhos”. Essa pluralização está sinalizada em toda a enunciação, quer pela flexão dos verbos (invoquem,
ponham, alcançarão, etc), quer pelos pronomes: seus, suas, lhes que, no caso,
não exprimem a terceira pessoa e sim, a segunda, ou seja, identificam o sujeito da recepção e não o da referência. Portanto, temos aí um alocutário pessoa-do-
mundo-coletivo: ALPC.
Na dimensão enunciva, temos um delocutário divino – DV: Jesus,
apresentado com tríplice função: a) como Filho:
(7.2) Louvem o meu Filho em cada segundo de suas vidas; b) como Rei e Senhor:
(7.3) O Senhor vive e reina para sempre; c) como o Santíssimo Sacramento
(7.4) Glórias e graças sejam dadas ao Santíssimo Sacramento.
Digno de especial apreciação é a prece que, embora seja um encaixamento discursivo não é uma enunciação reportada, uma vez que realizada por um sujeito in
praesentia e não in absentia. Assim sendo, deixa de ser um simulacro de
enunciação, conforme Fiorin (1996, p.40-41), para constituir-se numa enunciação dentro de outra enunciação. Já que o processo discursivo acontece in loco, aí não pode existir uma enunciação enunciada. Esse, porém, é um in loco que se projeta para um futuro indefinido, visto tratar-se de uma prece que será voz de todos os sujeitos que a ela tiverem acesso e acreditarem na veracidade dos fatos. Por conseguinte, o que temos aí é, literalmente, um continuum discursivo. E já que é um discurso-prece, uma de suas características é a performatividade, pois, indubitavelmente, toda oração, seja louvor, súplica ou agradecimento, constitui uma ação. Com isso, ampliamos a caracterização atribuída por Orlandi (1996, p. 252) a certos textos sagrados:
Se tomarmos, por exemplo, os performativos, veremos que há regras estritas para que esses atos de linguagem se constituam efetivamente em performativos: as formas religiosas, para ter validade, têm que ser usadas em situação apropriada e bem
configurada. Para realizar esses atos, é preciso estar investido de uma autoridade dada (...) em situações sociais bastante ritualizadas, como acontece nas situações em que se diz: “Eu te batizo” ou “Estão casados”, ou então, em relação a orações que, para ter validade, devem ser feitas em condições precisas.
No nosso entender, não são apenas as fórmulas rituais dos sacramentos e as orações tradicionais da Igreja que são atos, mas todo discurso cristalizado ou espontâneo enunciado como prece, pois sempre que um sujeito se apossa da língua dizendo: “Eu te louvo...” “Eu te adoro...” ou “Eu te peço...” está realizando verdadeiramente, atos lingüísticos, como mostramos na dissertação de mestrado (cf. Martins, 1999, p. 92).
Tomada em seu contexto, essa oração assemelha-se ao Pai Nosso e às orações ensinadas na “terceira aparição” de Fátima (já contemplada neste trabalho), no que diz respeito à assunção das vozes,
- Eis como deveis rezar: “Pai Nosso que estais no céu, santificado seja o vosso nome...” Mt 6, 9 – Bíblia Sagrada, p. 1290.
- ... dizei muitas vezes... “Ó Jesus, é por vosso amor, pela conversão dos pecadores...” (Machado, 1983, p. 43 – Fátima)
- Quando rezais o terço, dizei depois de cada mistério: “Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno...” (Machado, 1983, p. 48-49 – Fátima.
- Dito-lhe agora uma oração e peço... que me invoqueis nestes termos: “Ó minha mãe, sei que tu é a imaculada...” (Itaperuna).
pois, enquanto na enunciação reportada, o sujeito falante incorpora a voz de um locutor ausente, tornando atual um fato passado, na oração de Jesus e nas três atribuídas a Maria, o locutor empresta sua voz a um sujeito inserido num aqui e
agora indeterminados. Esses discursos, porém, são diferentes no que se refere ao
sujeito da referência: no “Pai Nosso”, o delocutário é Deus Pai e nas orações de Fátima, Jesus, o Deus Filho. Portanto, em ambos os casos, o delocutário não se confunde com o locutor. No discurso-prece, em análise, porém, há uma fusão do eu com o ele o que caracteriza, uma sui-referenciação.
celeste que se apossa do discurso como locutor L, introduzindo o interlocutor na função de alocutário Al translada-se, já no limiar da enunciação, para o lugar de
locutor P (locutor pessoa-do-mundo), transportando assim o “tu”, o protagonista
terrestre, para a função de alocutário ALP (alocutário-pessoa-do-mundo). Mas, ao ditar a prece, o mesmo protagonista assume também a função de delocutário: EU(L) = ELA (D) – (cf. pg. 46). Por sua vez, o protagonista da esfera temporal, além de ocupar o lugar de alocutário AL e o de alocutário ALP (alocutário pessoa-do- mundo), no discurso intercalado, funciona também como alocutário coletivo, pois o vidente está representando todos os filhos do locutor, como comprova o pronome lhes e os verbos do enunciado que introduz a prece: Dito-lhes agora uma oração e
peço que no momento que estiverem em apuros que me invoquem nestes termos...
Além dessas vozes, no espaço da intertextualidade, outras se inserem, neste processo enunciativo:
a) O enunciado “Louvem o meu Filho a cada segundo de suas vidas” que expressa a maternidade divina remete às vozes que proclamam Maria, mãe de Jesus, como por exemplo:
- Lc 1, 30-31:
O anjo disse-lhe: não temas, Maria, pois encontrastes graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus.
(Bíblia Sagrada, p. 1346).
- Lc1, 41-43:
Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim, a mãe do meu Senhor? (Bíblia Sagrada, p. 1341).
b) A consideração a respeito do terço lembra as “aparições”, em Fátima – Portugal, pois em todas elas sempre há a recomendação de orar o terço (cf. Machado, 1983).
- Quero que venhais aqui no dia 13 do mês que vem, que rezeis o terço
- Quero que venhais aqui no dia 13 do mês que vem, que continuem a rezar o terço todos os dias em honra de Nossa Senhora do Rosário... (terceira “aparição”)
c) Temos remissões a:
- Dt 17, 19:
Conservará esta cópia consigo e a lerá todos os dias de sua vida para aprender a temer o Senhor, seu Deus e a observar todos os artigos desta lei, pondo em prática todas as suas prescrições. (Bíblia Sagrada, p. 234).
- Js 1,8:
Traze sempre na boca as palavras deste livro da lei, medita-o dia e noite, cuidando de fazer tudo o que nele está escrito; assim prosperarás em teus caminhos e serás bem sucedido. (Bíblia Sagrada, p. 253).
- Mt 7,24:
Aquele, pois que ouve estas minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente, que edifica sua casa sobre rocha. (Bíblia Sagrada: p. 1291).
- Tg 1,22:
Sede cumpridores da palavra e não apenas ouvintes; isto equivaleria a vos enganardes a vós mesmos. (Bíblia Sagrada: p. 1539);
no enunciado:
(7.5) Não quero que somente leiam a Bíblia; quero que ponham cada
palavra deste livro em prática. Assim, alcançarão o céu.
Já a afirmação: O Senhor vive e reina para sempre faz emergir diversidades de vozes bíblicas e eclesiais que proclamam o reinado e o senhorio eterno de Jesus.
A primeira é a do mensageiro Gabriel ecoada pela voz do evangelista Lucas: 1, 32-33: Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo e o Senhor Deus lhe
dará o trono de seu pai Davi, e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim (Bíblia Sagrada, p. 1346).
Outra é a voz do próprio Jesus que, no seu julgamento, diante de Pilatos proclama solenemente o seu reinado – Jo 18, 37:
Perguntou-lhe então Pilatos: “És, porventura Rei?” Respondeu Jesus: “Sim, eu sou Rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz”. (Bíblia Sagrada, p. 1409).
No contexto eclesial, merece destaque a festa de Jesus Cristo, Rei do
Universo, celebrada pela Igreja Católica, no último domingo litúrgico. Como
exemplo desta aclamação da realeza de Jesus, podem ser citadas as duas primeiras estrofes do hino das Vésperas I, rezadas por todo clero, religiosos e muitos leigos, no sábado que antecede o domingo de Cristo Rei:
Cristo rei, sois dos séculos Príncipe, Soberano e Senhor das nações! O´ juiz, só a vós é devido
Julgar mentes, julgar corações.
Multidões reverentes no céu, Vos adoram e cantam louvores. Nós também proclamamos que sois Reis dos Reis e Senhor dos Senhores. (Oração das Horas, 1996, p. 726) Quanto ao enunciado:
(7.6) Glórias e graças sejam dados a cada momento ao Santíssimo
Sacramento,
é ele o louvor comum a todo católico, desde o Sumo Pontífice ao fiel não- escolarizado, diante da Hóstia e do Vinho consagrados, ou seja, a todos os que acreditam no milagre da transubstanciação (mudança da substância do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Jesus Cristo).
Outro fato relevante é o nome assumido pela celeste personagem – Nossa
Senhora Mãe de infinito Amor. Este título representa o “novo”, pois em todos
aqueles dados pela igreja à Virgem Maria ou ouvidos por “videntes”, ele não figurava. É um “novo”, porém, que parafraseia aquele que exprime a mais alta
prerrogativa da Virgem de Nazaré – Mãe de Deus. Sim, porque somente Deus foi, é e será sempre amor infinito.
Notável também, neste processo enunciativo, são os diversos traços do discurso religioso, como:
a) Emprego do imperativo e do vocativo.
(7.7) Filhos, entreguem suas vidas a mim e eu as conduzirei. Consagrem tudo
aquilo que faz parte de suas vidas ao meu coração (...)
b) A presença de metáfora, como: “conduzirei” e “coração” (na citação acima). c) Uso de uma expressão, mais ou menos cristalizada: O´ minha mãe” (cf.
Orlandi, 1996, p. 247. 529).
No que diz respeito ao nível de linguagem, é perceptível o uso do registro formal que se manifesta, principalmente:
a) pela harmonização entre signos determinantes e determinados. Ex.: (7.8) Louvem (vocês) a meu Filho a cada segundo de suas vidas. (7.9) Sei que tu és a Imaculada.
b) pelo emprego da forma pronominal nas (entreguem-nas a mim), alomorfe de os;
c) pelo uso da preposição de no enunciado:
Quanto ao jogo polifônico stricto sensu instalado, neste processo discursivo, apresentamo-lo, configurativamente, no esquema abaixo:
E N U N C I A Ç Ã O
C R U Z A M E N T O V O C A L
LOCUTOR ALOCUTÁRIO
L LP AL ALP ALPC
N. S. Mãe N. S. Mãe Católicos Católicos Católicos
do Infinito do Infinito
Amor Amor
D E L O C U T Á R I O
JESUS N. S. Mãe do Infinito
Amor (Sui-referenciação)
Filho Rei e Senhor Eucarístico
FIGURA 8 – Cruzamento vocal no discurso das mensagens de Itaperuna.
4.3. A Discursividade das Mensagens da Rainha da Paz em Jacareí – São