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2. MATERYAL VE METOD

3.3. Ö rencilerin Beslenme Al kanl klar

O conceit o de saneam ent o est á relacionado às condições am bient ais necessárias à pr om oção e à m anut enção da saúde,52 par a além da prevenção e da assist ência. A cor relação ent re saúde, saneam ent o e m eio am bient e j á foi am plam ent e est udada e vár ias disciplinas se debruçaram sobre o assunt o, com pr ovando a clara int erdependência ent re est as áreas.

Algum as definições relat ivas ao conceit o de saneam ent o são im port ant es para sit uar o foco das análises que serão desenvolvidas no Capít ulo 4 dest e t r abalho. O saneam ent o am bient al é definido com o:

t em com o dir et rizes a com pat ibilização das int erv enções em saneam ent o com as dem ais ações set or iais v olt adas ao at endim ent o das populações car ent es.

52 A Or ganização Mundial de Saúde definiu, em sua Confer ência Mundial de Ot aw a ( 1996) , o conceit o de

[ ...] o conj unt o de ações sócio- econôm icas que t êm por obj et iv o alcançar nív eis de salubridade am bient al, por m eio de abast ecim ent o de água pot áv el, colet a e disposição sanit ária de resíduos sólidos, líquidos e gasosos, prom oção de disciplina sanit ária de uso do solo, drenagem urbana, cont role de doenças t ransm issíveis e dem ais serviços e obras especializadas, com a finalidade de prot eger e m elhorar as condições de vida urbana e rural ( BRASI L, 1999, p. 14) .

O conceit o de saneam ent o básico foi um bast ant e difundido na década de 1970, a par t ir do Plano Nacional de Saneam ent o ( PLANASA) , e abrange os ser viços de abast ecim ent o de água e colet a de esgot o. Port ant o, pode- se dizer que o saneam ent o básico é um a par t e do saneam ent o am bient al e, durant e m uit o t em po, concedeu - se m aior ênfase a est as duas ações ( abast ecim ent o de água e colet a de esgot os) em relação às dem ais, fat o que nort eou as polít icas de saneam ent o.

Na at ualidade, o conceit o de saneam ent o am bient al t em ganhado dest aque, devido ao reconhecim ent o de que som ent e at r avés de um a ação conj unt a, que int egre t odos os aspect os do saneam ent o, pode se garant ir a condição de salubridade necessár ia ao desenvolvim ent o sust ent ável da sociedade, sej a ela urbana ou rural.

Após um a década de invest im ent os r egulares em urbanização de favelas im plem ent ados pelos m unicípios, o que se pr ocur a verificar nest e t rabalho é at é que pont o essas ações deram or igem a um am bient e ur bano salubre para a população resident e local. Ser ão enfocadas as ações de saneam ent o básico, de m odo a verificar se houve um a com plem ent aridade ent r e est as e as ações de urbanização de favelas. O saneam ent o básico, por ser gerido em nível est adual, r evela- se de m aior dificuldade de art iculação sej a da polít ica de invest im ent os, sej a do planej am ent o das ações.

Não se quer dizer aqui que as dem ais ações, por est arem em nível m unicipal, são de fácil im plem ent ação e ar t iculação. A realidade m ost r a que exist e

um passivo significat ivo em relação à colet a de resíduos sólidos e à varr ição e capina, além do cont r ole de doenças t r ansm issíveis e ações de com bat e a enchent es em favelas. Ent r et ant o, out r o elem ent o definidor da opção pelo est udo do abast ecim ent o de água e da colet a de esgot os reside no fat o de que exist em dados censit ár ios com par áveis no t em po. São as duas m odalidades do saneam ent o que m ais recursos receberam no âm bit o da Polít ica Nacional de Saneam ent o e que “ [ ...] t êm font es de inform ações m ais adequadas par a inferi - las” ( COSTA, 2003, p. 195) . Além disso, os dados de cadast ro de infra- est r ut ura disponíveis para est as duas ár eas do saneam ent o perm it em avançar para além das inform ações dos censos dem ográficos.

2 .2 .1 . H ist ór ico do San e a m en t o em Be lo H or iz on t e

Desde a Ant igüidade são encont rados r egist r os sobre a pr eocupação do ser hum ano com a qualidade da água consum ida e a associação ent re os cuidados com a água e a m anut enção da saúde.

Sonally Rezende e Leo Heller ( 2002) elabor am um hist órico do saneam ent o, desde a Ant igüidade Clássica, passando pelo sist em a feudal, pela form ação dos Est ados Nacionais e chegando à Er a I ndust rial. Nest a época, a t r ansform ação das cidades eur opéias pela aglom eração dos t rabalhadores assalar iados em precárias condições de habit ação e higiene deu início ao desenvolvim ent o das polít icas sanit árias de cunho reform ist a.

No Brasil Colonial, caract er izado por pr ocessos econôm icos de exploração das r iquezas nat ur ais, seguidos pelos ciclos de m onocult uras agr oexport adoras,

evidencia- se um a polarização ent r e lat ifúndio e m inifúndio, não perm it indo o sur gim ent o de um a rede urbana no ent or no das áreas de produção. Ent ret ant o, por out ro lado, pela necessidade da conexão com a m et r ópole por t uguesa, for am criadas poucas, m as grandes cidades. Elas const it uíam as sedes do cont r ole bur ocrát ico e do capit al com ercial. Um t ipo, senão opost o, pelo m enos diferent e da ur banização eur opéia ( OLI VEI RA, 1982, p. 38 - 40) .

As cidades do período colonial evidenciam um a urbanização m arcada pela inst abilidade, precariedade e pr ovisoriedade que influenciou o m odo de vida da população, definindo prát icas sanit ár ias de cunho individual. A água er a ofert ada às colet ividades por m eio de chafarizes, poços, cist ernas e aquedut os, com o t r anspor t e sendo feit o às residências por m eio de pot es. Os esgot os er am despej ados nas vias públicas. Avalia- se que a exist ência da m ão- de- obra escr ava para suprim ent o de água e descar t e dos dej et os foi um dos fat ores que r et ar daram a inst alação de sist em as sanit ários nas principais cidades br asileiras. A presença do Est ado nas quest ões públicas er a m ínim a. As prim eir as obr as de saneam ent o t iveram lugar no Recife, devido à ocupação holandesa, e foram im plem ent adas por Maur ício de Nassau ( 1637 - 1644) . Apenas em m eados do século XI X, devido à pr em ência do cont r ole das epidem ias e da dissem inação de novas doenças at ravés dos port os é que foi assum ida, pelo gover no im per ial, a gest ão da saúde pública, com a criação de ór gãos de cont r ole apenas para a capit al do im pério ( REZENDE e HELLER, 2002, p. 65 - 93) .

Na segunda m et ade do século XI X, for am im plant ados, gr adat ivam ent e, os sist em as sanit ários nas pr incipais cidades br asileir as. As pr im eiras cidades que r eceberam sist em as de esgot am ent o sanit ár io são: Rio de Janeir o ( 1864) ; Recife ( 1873) , São Paulo ( 1892) . Os sist em as de abast ecim ent o de água for am im plant ados em : Por t o Alegr e ( 1861) ; chafarizes em For t aleza ( 1861) ; São Paulo ( 1877) ; Belém ( 1881) e São Luís ( década de 1890) . Alguns dest es ser viços

t inham com o car act eríst ica a at uação de em presas privadas inglesas, pr incipalm ent e, at ravés de concessões. I st o im prim iu aos sist em as de esgot am ent o sanit ár io a car act eríst ica de inspir ação inglesa: sist em as unit ários que colet avam em um a m esm a t ubulação as águas pluviais e residuárias ( REZENDE e HELLER, 2002, p. 122- 125) .

Nesse per íodo, m erece dest aque a at uação do engenheir o Sat ur nino de Br it o, um dos pr ecursor es da engenharia sanit ár ia brasileira. O engenheir o defendia a adoção de t ecnologias apropriadas à r ealidade das cidades br asileiras, considerando sua dinâm ica de ocupação e a pr ot eção dos r ecursos hídricos, t endo um papel preponderant e na adoção do sist em a separador absolut o.53 Crit icava a at uação em er gencial, m ot ivada pelas epidem ias, defendendo um planej am ent o prévio, com dest inação de r ecursos suficient es para um a int er venção eficient e. Sat urnino de Brit o at uou em vár ias cidades brasileir as, inclusive em Belo Horizont e ( REZENDE e HELLER, 2002, p. 111) .

A disponibilidade de água de excelent e qualidade é um dos fat or es que cont ribui para a im plant ação da Capit al do Est ado na cidade de Belo Horizont e, conform e m encionado ant erior m ent e. O sist em a de abast ecim ent o de água im plant ado at endia principalm ent e a área cent r al, a par t ir de capt ações nos córregos, cuj as nascent es sit uavam - se na Ser ra do Curr al ( Córrego da Serr a, do Acabam undo e do Cercadinho) ( BARRETO54, apud FUNDAÇÃO JOÃO PI NHEI RO, 1997, p. 56) .

A prim eira et apa do sist em a de abast ecim ent o de água da Capit al previa o at endim ent o a 30 m il habit ant es. Em 1905, t oda área habit ada se encont r ava abast ecida. Em 1913, com a conclusão do r eser vat ór io Car angola, a

53 Tr at a- se do sist em a de esgot am ent o sanit ário a que t em acesso apenas as águas r esiduárias, ficando as

águas pluviais dest inadas ao sist em a de dr enagem , em separ ado. Daí o nom e separ ador absolut o.

54 BARRETO, A. Belo Hor izont e: m em ór ia hist órica e descrit iv a. Belo Hor izont e: Fundação João Pinheir o,

disponibilidade de água poder ia at ender a um a população de 87 m il habit ant es, sendo que a população exist ent e ainda er a de 42 m il habit ant es. Est a disponibilidade acent uada levava a desper dícios no uso da água, gerando pr oblem as de desabast ecim ent o em ár eas m ais afast adas. O desper dício levou os ór gãos m unicipais a pr oporem o uso de hidr ôm et r os, o que causou debat es acalor ados e oposição gener alizada. Ent ret ant o, o crescim ent o da cidade, pr incipalm ent e da área subur bana, evidenciava a lim it ação do sist em a inicialm ent e im plant ado, que se concent rava na área ur bana ( VI ANNA, 1997, p. 29- 50) . Dados de 1929 dão cont a de que m enos da m et ade das m or adias t inham acesso ao abast ecim ent o de água ( FUNDAÇÃO JOÃO PI NHEI RO, 1997, p. 102) . Est a falt a é acent uada nas ár eas de favelas, onde não havia rede. A m unicipalidade não cogit ava, sequer , a im plant ação delas, avaliando que os ocupant es só poder iam ser at endidos por m eio de concessão precária, que era a inst alação de chafar izes ( FUNDAÇÃO JOÃO PI NHEI RO, 1997, p. 138) .

Várias am pliações e const ruções de novas capt ações, reser vat órios, adut or as e redes foram im plem ent ados ao longo da pr im eira m et ade do século XX. Merece dest aque a const rução da Barr agem da Pam pulha, em 1941, no gover no do prefeit o Juscelino Kubit schek, que t inha por obj et ivo abast ecer a zona nor t e da cidade ( VI ANNA, 1997, p. 29- 68) .

A concepção do sist em a de esgot os sanit ários de Belo Hor izont e, dur ant e a fase de pr oj et os, gerou árduas discussões no int er ior da Com issão Const rut ora.55 As opções eram , por um lado, sem elhant es ao exem plo de Londres, Paris e Berlin, onde o lançam ent o de esgot os nas galerias pluviais era pr át ica com um , dent r o do

55 Sat ur nino de Br it o, quando fez par t e da com issão const r ut or a de Belo Horizont e, defendeu o sist em a

unit ário, em cont r aposição ao engenheir o César de Cam pos, m as r efor m ulou seu pont o de v ist a, quat r o anos depois do pr oj et o de Belo Horizont e, quando av aliou que seria m ais adequado às cidades br asileir as, devido ao alt o índice pluviom ét rico que r equer ia gr andes inv est im ent os na im plant ação de galerias ( FUNDAÇÃO JOÃO PI NHEI RO, 1 99 7, p. 54) .

cham ado sist em a unit ário ou t out à l’égout . Por out r o lado, invent ado em 1879, nos Est ados Unidos, o sist em a separador absolut o t am bém era considerado com o opção possível. Havia t am bém opções m ist as, cham adas sist em a separador incom plet o.

Sat urnino de Br it o com pôs a equipe responsável pelo pr oj et o, m as não se at eve exclusivam ent e a est a quest ão, pois discordava da form a com o haviam sido planej adas as int er venções ur baníst icas, com grande m ovim ent ação de t er ra e desconsiderando os t alvegues nat ur ais e os cur sos d’água. Propôs um t raçado sanit ár io, seguindo a rede hidr ogr áfica, para as pr incipais vias, com o alt ernat iva à pr opost a de Aar ão Reis, que, no ent ant o, não foi acat ado. Com o conseqüência, vários córr egos foram desviados de seu leit o nat ur al, enquant o out r os cursos d’água e t alvegues ficar am sit uados em int er ior de quar t eirão, gerando pr oblem as para a im plant ação fut ura de sist em as colet or es de esgot o, além de várias ocor rências de inundação ( FUNDAÇÃO JOÃO PI NHEI RO, 1997, p. 54; REZENDE e HELLER, 2002, p. 111; VI ANNA, 1997, p. 104)

A opção adot ada pela Com issão Const r ut ora foi o sist em a unit ário, “ [ ...] com a pr opost a de depur ação das águas residuárias at r avés de infilt r ação no solo” ( FUNDAÇÃO JOÃO PI NHEI RO, 1997, p. 54) . For am const ruídos disposit ivos, denom inados t anques fluxíveis, dest inados a pr om over descar gas per iódicas nas galer ias para lim peza dos dej et os.

A depuração dos esgot os at r avés do lançam ent o nos cursos d’água foi adot ada com o alt ernat iva pr ecedent e à const r ução do sist em a de infilt r ação no solo, devido à avaliação de que o volum e dos corpos r ecept ores era suficient e para a diluição dos efluent es. Com o o sist em a de infilt r ação não chegou a ser im plant ado, em pouco t em po os recursos hídr icos da capit al se encont r avam poluídos.

A opção pelo sist em a unit ário com eçou a ser cont est ada devido à dificuldade de operação e ao gr ande consum o de água nos t anques fluxíveis, logo nos pr im eir os anos. A subst it uição pelo sist em a separador foi gradat ivam ent e im plant ada, sendo a t écnica adot ada nos novos pr oj et os. Ainda hoj e, perdur am soluções do t ipo unit ário ( VI ANNA, 1997, p. 104) .

O cr escim ent o da cidade, m ot ivado pelos int ensos fluxos m igr at órios nas décadas de 1940 e 1950, pr ovocou um acr éscim o de dem anda por abast ecim ent o de água, que o sist em a im plant ado não conseguiria supr ir . O pr oblem a da falt a d’água passou a ser um a const ant e nas m at érias dos j ornais da época. Som ent e em 1960, at ravés da const rução do Sist em a Rio das Velhas, houve um a per spect iva de solução do pr oblem a. Em 1965, por exigência dos ór gãos int ernacionais de financiam ent o, foi cr iado o Depart am ent o Municipal de Águas e Esgot o, o DEMAE, est rut urado com o um a aut arquia. O Sist em a, porém , só ficou pr ont o em 1969, pouco ant es da concessão dos ser viços de água e esgot o à Com panhia Mineir a de Água e Esgot os ( COMAG) , à luz do PLANASA, em 1973 ( VI ANNA, 1997, p. 70 - 85) . O DEMAE, nessa ocasião, foi encam pado pela COMAG.

A COPASA, sucessor a da COMAG, assum iu a gest ão dos ser viços de água e esgot o, num convênio firm ado por 27 anos, com t érm ino previst o para o ano 2000. Dur ant e est e prim eir o convênio, houve grande evolução na cober t ura por saneam ent o básico na capit al, colocando Belo Horizont e num a posição de dest aque em relação às principais cidades br asileir as. No ent ant o, segundo a lógica financeira do PLANASA, um a part e da população foi m arginalizada desse pr ocesso, principalm ent e quant o ao sist em a colet or de esgot os sanit ár ios. Est a população se localiza prior it ar iam ent e nas áreas de favelas. Além disso, o sist em a de int er cept ação e t r at am ent o não é suficient e par a garant ir a adequada

dest inação final dos efluent es, causando a poluição da quase t ot alidade dos r ecursos hídr icos da cidade.56

No Capít ulo 3 realiza- se um a análise det alhada da at uação do Orçam ent o Part icipat ivo em Favelas, no período com preendido ent re o seu surgim ent o ( 1993) at é o ano 2000, com o o pr incipal pr ogr am a de ur banização de favelas, t ant o em volum e de r ecursos com o em núm er o de áreas at endidas. Em seguida, no Capít ulo 4, é feit a um a análise dos dados relat ivos ao saneam ent o para o conj unt o da cidade e, em especial, para as favelas. Realiza- se, por fim , no Capít ulo 5 a super posição dos result ados do Orçam ent o Par t icipat ivo em favelas com a sit uação do saneam ent o básico, de m odo a r eflet ir sobr e o alcance sanit ário da urbanização de favelas.

56 No est udo r ealizado com a finalidade de elabor ar um pr ogr am a de inv est im ent o e cont r ole am bient al do

set or indust rial dent r o do Pr ogr am a de Saneam en t o Am bient al das Bacias do Ar r udas e do Onça ( PROSAM) foi feit a a car act er ização dos pr incipais poluent es indust riais e dom ést icos dest as Bacias. Nest e est udo ficou dem onst r ado que 96, 1% da v azão dos despej os er am do t ipo dom ést ico, que r epr esent av am 92, 5% da car ga or gânica do t ot al de poluent es ( SPERLI NG e COSTA, 19 97, p. 19 90) .

Benzer Belgeler