2.2. İş Doyumu
2.2.5. Öğretmenlik Mesleğinde İş Doyumunu Etkileyen Faktörler
É bastante disseminada a concepção que tem a interpretação como maneira de captar o sentido de textos de qualquer natureza, como processo que, partindo da insuficiência de expressão da “superfície” do texto, dirige-se à profundidade do que repousa em sua essência. Como resultado desse processo, estabelece-se uma identidade aproximada entre o que o sujeito de uma autoria desejava expressar e o entendimento do intérprete, já que o conteúdo verdadeiro de uma obra, embora dela emane, não é passível de ser acessado em toda sua extensão. O paradigma hermenêutico parte da dicotomia expressão/interpretação, considerando que ambas as dimensões sofrem de uma insuficiência intrínseca. Se a expressão articulada pelo corpo – o texto – nunca corresponde perfeitamente ao sentido articulado pelo espírito, faz-se necessária a interpretação. Para filósofos como Heidegger, essa inferência seria o centro da existência humana, como se houvesse uma verdade do espírito presente no mundo e passível de revelação.
Em oposição a esse pensamento, há um campo que considera obsoleto perguntar pela intenção do autor, bem como pela significação, mensagem ou mesmo valor estético intrínsecos a uma obra. No campo não-hermenêutico, o ato interpretativo foi deslocado do centro da existência humana. Essa tendência, possibilitada pelo advento da Estética da Recepção, é movida pela contínua indagação acerca das condições que possibilitam a emergência de estruturas de sentido. Não apresenta, contudo, uma teoria hegemônica, mas apenas uma “convergência no que diz respeito à problematização do ato interpretativo, convergência capaz de associar pontos de vista sem dúvida distintos” (GUMBRECHT, 1998b:144).
Sob seu espectro há, por exemplo, a produção fundada pelas premissas da pós- modernidade – destemporalização, destotalização, desreferencialização – e onde figura, segundo Hans Ulrich Gumbrecht, a comunicação contemporânea. Gumbrecht, que assume a perspectiva não-hermenêutica da construção de conhecimento, fala da importância da forma, da materialidade para a constituição do sentido. A forma, ou ritmo, para o autor, é capaz de construir uma estrutura de auto-referência que, ao mesmo tempo, produz uma referência externa. Tal processo possui caráter produtor, pelo engendramento de novos estados, desconhecidos, não articulados previamente, e sua condição encaminha-nos para
uma valorização da materialidade: a forma material do meio desempenha um papel decisivo na constituição do sentido.
Contra uma tendência imanentista (close reading), que sugere uma leitura correta e única para uma obra, mas ainda ligada à estrutura do texto, numa espécie de posição intermediária entre a decifração da hermenêutica tradicional e a crença em uma materialidade da comunicação, temos a dinâmica de leitura textual conhecida como processamento do texto (text processing). Essa tendência, defendida sobretudo por Wolfgang Iser, postula que o texto não encerra uma carga de significado que deve ser extraído pelo leitor, mas contém um escopo de informações necessárias para sua compreensão. O texto tem, sob essa perspectiva, um caráter forçosamente virtual, e o que lhe ocorre no processo de leitura é uma elaboração. O resultado a que se chega não corresponde nem a algo que se possa captar do texto, nem a algo subjacente à conduta do leitor. “O texto é um potencial de efeitos que se atualiza no processo de leitura”, diz Iser (1996:15), é uma construção que só se concretiza quando processada – o texto não pré- existe à sua recepção. Qualquer resultado que se possa chamar de interpretação é fruto da interação central entre a estrutura da obra e o receptor. Tal atualização é um processo subjetivo que se constitui na consciência imaginativa do leitor, mas o que o impele é a estrutura textual, que põe em interação, como já dissemos, o fictício presente no texto e o imaginário construído pelo receptor. Dessa forma é que se pode caracterizar, como já feito, o sentido textual como um evento que só emerge em processo.
Tal interação não emerge espontaneamente, mas precisa de impulso para se realizar. Esse impulso é precisamente a estrutura lacunar do texto, que captura a atenção do receptor e lhe demanda que preencha com informações seus “espaços em branco”. Umberto Eco chama de “passeios inferenciais” os recursos textuais de que o autor se utiliza em obras de ficção, a título de concessão, para que o receptor possa fazer algumas previsões acerca do encaminhamento da história e do destino dos personagens. Essa estrutura de lacunas, sobretudo nos textos de ficção, tem natureza complexa, e o processamento do texto através dela se dá em função do que Iser classifica como um aspecto duplo dos textos: estrutura verbal e estrutura afetiva. Assim, “o aspecto verbal dirige a reação e impede sua arbitrariedade; o aspecto afetivo é o cumprimento do que é preestruturado verbalmente pelo texto” (ISER, 1996:51-2).
Naturalmente, essa abertura do texto sugere um alto grau de polissemia, que só se reduz com a atualização pela leitura, já que esta é, concretamente, condicionada pelas disposições individuais dos leitores, bem como pelo código sociocultural do qual eles fazem parte. Cada leitor se orienta e faz sua seleção a partir do que, conforme suas referências, pareça-lhe mais consistente. Em suma, interpretação, na concepção de Iser, é um processo
que evidencia e atualiza o potencial de sentido proporcionado pelos textos, através do contato com a bagagem experiencial e a imaginação do leitor. Cabe lembrar que esse potencial jamais será plenamente elucidado no processo de leitura, e que o sentido de uma obra se atualiza a cada leitura; ele nunca é algo que se cristaliza. Sendo assim, podemos inferir que a leitura é um ato individual e o sentido dela resultante apresenta nuances particulares. Não obstante, não se deve esquecer que “o próprio ato de constituição [do texto] tem características assinaláveis em que se baseiam as realizações individuais do texto; por conseguinte, elas são de natureza intersubjetiva” (ISER, 1996:54). No mais, o processo de significação de textos ficcionais tem caráter anfibológico: o sentido ora tem caráter estético (logo que o receptor se dá conta dele), ora discursivo (assim que o leitor o relaciona com outras experiências já vividas, com textos já lidos e com aspectos já conhecidos da realidade do mundo).
Sabemos bem que todas essas idéias foram concebidas com vistas ao texto literário. Entretanto, como fazemos nós aqui, João Cezar de Castro Rocha sugere a aplicação do modelo de processamento de texto a outros tipos de ficção, distendendo seu uso para, por exemplo, o texto televisivo:
(...) poderíamos entender esse modelo no âmbito de uma história da comunicação; um modelo, portanto, que não se limitaria à experiência literária, mas que procuraria contemplar outras formas de comunicação. (...) Qual seria a diferença da emergência que ocorre na literatura e a que acontece em outros processos de comunicação? Poderíamos dizer que na experiência literária ela ocorre in absentia dos agentes envolvidos na comunicação, enquanto em outros processos ela costuma acontecer in praesentia desses mesmos agentes? (ROCHA in ISER, 1999:59).
A essa questão Iser responde acreditar que o texto literário, pelo seu “descompromisso” com a dimensão prática, faz vir ao mundo algo que não existia antes dele, uma novidade que não emerge no caso das comunicações cotidianas, permeadas por marcas pragmáticas. Embora não desconsideremos que meios como a televisão tenham, de fato, um lastro imediato com uma realidade prática (e geralmente comercial), como os níveis de audiência e a publicidade, não só não gostaríamos de manter uma visão tão romântica acerca da literatura quanto não desconsideramos que a televisão, assim como o cinema e outros de meios de comunicação de massa, possuem potencial estético, capacidade de fazer deslocar-se o receptor. Parece-nos, pois, questionável, até um tanto elitista, tal pressuposto, o que nos levará a tomar a idéia de text processing como fundamento também para a análise de nosso objeto empírico, um texto televisivo. Se pudéssemos estender essa assertiva de Iser, diríamos que no mínimo o texto ficcional, de qualquer natureza, faz emergir um mundo novo, faz vir à tona algo que não existia antes.
Gumbrecht procura fazer essa transição entre a teoria literária e o estudo de outros meios que realizam um processo de comunicação também fundamentado em textos. Ele adota,
como já dissemos, a idéia de materialidade comunicativa, investigando a “possibilidade de constituição de sentido ao invés de privilegiar a decodificação de um sentido já dado” (ROCHA in GUMBRECHT, 1998b:18), com inspiração na teoria sistêmica de Niklas Luhmann, contra um pensamento de natureza imanentista. Na teoria sistêmica Gumbrecht foi buscar o instrumental necessário para pensar a importância da materialidade dos meios de comunicação, já que a emergência de sentido, segundo ele, somente pode ocorrer através do concurso de formas materiais. Para o autor, as condições concretas de articulação e de transmissão de uma mensagem influem no caráter de sua produção e recepção. Ele não olha para os meios como instrumentos técnicos exteriores ao processo cognitivo. Assim, a introdução de novas formas de comunicação gera modificações muito mais profundas do que uma mera acomodação automática, e o emprego de diferentes meios gera formas inéditas de raciocínio. Com isso, as condições de transmissão simbólica da televisão não devem ser desconsideradas quando se fala no processo interpretativo de seus textos. Quanto ao processo de recepção, Gumbrecht reafirma basicamente o enunciado anteriormente, embasado na teoria do ato da leitura de Iser, no qual se considera que o receptor interpreta o texto dentro da perspectiva de seu próprio plano de experiência.