MESLEK EDİNDİRME Hizmet–1 Müfredatın işlenmesi
2.4.3. İnsan Kaynakları
2.4.3.6. Öğretmenlerin Yaş İtibari ile Dağılımı:
Seguindo a abordagem de inspiração marxiana de LETIZIA (2012), que sugere para entender cada momento sucessivo do processo histórico do Continente Oeste – Atlântico, é necessário identificar as forças sociais cujas contradições o puseram em movimento, a quarta contradição que põe o processo histórico em movimento no Continente Oeste – Atlântico são contradições nascentes nos processos de criação de novos Estados.
Essa quarta contradição é um terceiro desdobramento, novamente interno, da contradição principal do processo emancipatório entre Classe Mercantil Colonial versus Classe Mercantil Metropolitana que era uma contradição externa. A nova contradição é a que pôs em movimento os novos estados independentes.
O conflito interno entre os grandes segmentos da nova classe capitalista –industriais e agrários — gerou a primeira contradição que pôs em movimento os novos estados independentes, sendo, nesse momento, ainda secundário o papel das classes subalternas. Nesse novo momento do processo histórico é preciso distinguir antes de tudo a contradição motriz, que resultou na cisão da classe mercantil transformada em capitalista e os agrários. Esta contradição foi decisiva dos rumos políticos tomados pelos EUA, onde desembocou numa guerra civil, e pouco influente nas ex-colônias ibéricas como um todo, onde sempre desembocou numa união de estabilidade variável em torno de privilégios coloniais perpetuados. (LETIZIA, 2012, p.17)
Nas ex-colônias inglesas a contradição se polarizou entre Fabricantes e Comerciantes Exportadores/Importadores versus Agrários escravistas; Agrários, Industriais e Comerciantes Exportadores/Importadores versus Pequenos Agricultores e Comerciantes. Por sua vez, nas ex-colônias hispânicas principais a contradição se polarizou entre Comerciantes Urbanos versus Agrários Exploradores de um Estamento Servil; Agrários e Comerciantes Exportadores/Importadores versus Artesãos e Pequenos Comerciantes.
E na ex-colônia portuguesa a contradição se polarizou entre Comerciantes Urbanos versus Agrários Escravistas; Agrários e Comerciantes Exportadores/Importadores versus Artesãos e Pequenos Comerciantes; Agrários versus Ocupantes Informais da terra.
Fundar um Estado independente é um ato de vontade do bloco político dominante. No período de construção de novos Estados no Continente Oeste – Atlântico, que se abre após o reconhecimento das emancipações políticas, vieram à tona as contradições entre as forças sociais internas das ex-colônias, cujos interesses diversos se chocaram nas decisões sobre o rumo político a ser seguido. (LETIZIA, 2012, p.17)
Criar uma nação soberana implica relações com outras nações que aceitem tornar efetiva tal criação. A relação com outras nações tem um conteúdo econômico inerente, que, para os países do Ocidente significou a ocupação de um espaço no grande mercado internacional aberto pelas grandes navegações e, desde 1815, o livre acesso direto ao mercado mundial aberto pelas potências industriais. Isso se manifesta como movimento expansionista comercial, razão pela qual é posta sempre pela burguesia comercial. Sem esse conteúdo econômico, a questão da nação se colocaria unicamente como direito de uma etnia, que é um povo unificado por uma língua, uma religião e um território comum, original ou presente. (LETIZIA, 2012, p.19)
Na Europa, pelo fato do sentido histórico da Revolução Francesa ter sido derrotado, os movimentos europeus ficaram cada um a cargo de sua própria tarefa nacional. A tarefa nacional faz parte da Revolução Francesa porque a burguesia francesa rapidamente transformou a Revolução Francesa universal em uma revolução nacional, a burguesia não vai além do nacional. A constituição do Estado Nação é um desenvolvimento burguês, mas em sendo um desenvolvimento no qual o capitalismo desenvolve suas potencialidades produtivas, é visto como uma necessidade histórica, na perspectiva de análise marxista. A inevitável lógica expansiva do capitalismo é o processo em que o Estado nacional vai crescendo como uma tarefa e se impondo a todo mundo. As nações burguesas no século XIX se desenvolvem como uma necessidade histórica de desenvolver o capital em suas potencialidades, desenvolver seus pontos produtivos como parte das forças históricas em expansão. E da perspectiva da classe trabalhadora, o proletariado se desenvolve como classe antagônica e complementar nesse processo, de modo que o movimento revolucionário europeu se dividiu em movimentos nacionais. 37
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Entrevista : Roteiro 2, Pergunta: 5. Por que o movimento revolucionário europeu se dividiu em movimentos nacionais? Por que seus grandes proponentes eram as classes educadas?
O nacional, no sentido em que emerge da revolução burguesa, identificando soberania da nação com Estado soberano, era um projeto a ser inventado na América Latina, na medida em que não repousava sobre antecedentes históricos que levassem a identificar, necessariamente, as divisões administrativas dos Impérios iberoamericanos, como Estados nacionais emergentes. Não existiam, aí, nem burguesias ascendentes disputando a hegemonia no interior de formações sociais identificadas com as nações a configurarem mercados nacionais (Europa Ocidental, Estados Unidos da América), nem nobreza ameaçada em suas liberdades tradicionais e hegemonias, que identificassem a defesa destas com o interesse da nação, entendida como conjunto de liberdades diferenciadas interdependentes (Europa Central e Oriental), ou, ainda, não despontavam alianças de classe combinando, de forma variada, as matrizes básicas referidas. (JANCSÓ, 2002, p. 4)
Destacamos em Jancsó que no caso da América Latina, houve uma estreiteza de condições para a formulação e implementação prática de projetos de tipo nacional, entendidos como codificação da necessidade e da possibilidade prática de construção de uma nova organização do Estado que suportasse, instrumentalmente, um novo equilíbrio entre as classes constitutivas das formações coloniais. O caráter de classe das exteriorizações da negação da forma de Estado vigente foi sistematicamente excludente e os movimentos não contemplavam os interesses de segmentos diferenciados das sociedades em cujo interior se gestaram ou eclodiram. Em nenhum deles pode-se notar a participação diferenciada de grupos que apontassem, mesmo que tendencialmente, para a constituição de alianças de classe (ainda que de amplitude limitada) (JANCSÓ, 1993, p. 12)
2.2.5 Quinta Contradição: desenvolvimento capitalista dependente
Em todos os países da América, soberanos ou não, houve desenvolvimento capitalista (1815-1945). Seguindo a abordagem de inspiração marxiana de LETIZIA (2012), que sugere para entender cada momento sucessivo do processo histórico do Continente Oeste – Atlântico é necessário identificar as forças sociais cujas contradições o puseram em movimento, em termos gerais, a contradição força motriz do desenvolvimento capitalista nos países americanos foi a polarização entre polarização entre Novo Proletariado versus Burguesia Industrial.
No entanto, além dessa contradição principal a depender dos desdobramentos das contradições em cada formação social opera o movimento de outras forças sociais. Em termos gerais, as novas contradições motrizes dos países americanos foram as seguintes:
• Novo Proletariado Burguesia Industrial
• Pequenos Agricultores e Comerciantes Burguesia Exportadora/Importadora
• Nova Classe Média Grande Burguesia, nos EUA;
• Novo Proletariado Burguesia Industrial
• Nova Classe Média Grande Burguesia, na área hispânica principal;
• Novo Proletariado Burguesia Industrial
• Nova Classe Média Grande Burguesia
• Agrários Ocupantes Informais da Terra, no Brasil.
O desdobramento dessas contradições relança a questão da construção nacional no decorrer do século XX.
Destacamos nesse esquema que o surgimento de um proletariado industrial não é concomitante à formação de um verdadeiro mercado de trabalho. Este demorou bastante a se
formar na América, só se constitui nos EUA por volta de 1919 e em alguns países latino americanos por volta de 1930. O mercado de força de trabalho se constitui tardiamente e o exército industrial de reserva permaneceu na Europa até 1919-1930.
A entrada em cena de um proletariado industrial numericamente significativo forçou a burguesia a reorientar os termos do debate sobre as decisões a tomar sobre a construção nacional, saindo da discussão dos mitos que forjavam uma identidade nacional para a realidade social.
O desenvolvimento capitalista da América teve por base geral a expansão e diversificação do mercado mundial de produtos primários e o grande afluxo de imigrantes europeus, que, na América ibérica, se acelerou a partir dos anos 70 do século XIX. Todos os países da América tiveram algum desenvolvimento, porém cada país teve seu próprio grau de desenvolvimento, assim como um momento particular de sua aceleração, em função de fatores históricos. O mais importante desses fatores foi a abolição da escravatura, que, nos EUA, ocorreu definitivamente em 1865 e no Brasil em 1888; e o segundo em importância, parcialmente derivado dela, foi a grande entrada de imigrantes europeus, com a qual vieram também organizações operárias e, com elas, novos métodos de luta social, elementos fundamentais desse desenvolvimento.
No Brasil, após o fim do tráfico de africanos (1850), começa a entrada significativa de imigrantes europeus chamados a substituir mão-de-obra escrava a partir de 1874, (houve uma fracassada em 1840, em plena vigência do tráfico de africanos). Essa entrada de italianos, se intensificou a partir da Abolição de 1888.
Na América hispânica, esse fator teve menos importância nos países estratificados em classe dominante e estamento servil, que não foi substituído por europeus. Nestes, o desenvolvimento social foi muito menor. Embora não seja exceção, cabe assinalar o caso do México, onde os nativos fizeram sua primeira (e única) aparição no cenário da história pós- colombiana, com a Revolução de 1910-17. Infelizmente a derrota, para a qual contribuiu a intervenção armada do operariado de origem europeia, não lhes permitiu sair do porão social em que se encontram até hoje38. Razão pela qual a conquista da propriedade coletiva
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Uma parte da historiografia marxista definem a guerra civil deflagrada no México em 1910 como revolução proletária. Nos aproximamos das interpretações que a entende como uma grande revolta indígena (Zapata no Sul)
concedida aos nativos na constituição mexicana de 1917 terminou se verificando vazia.
A América hispânica beneficiou-se em escala menor do desenvolvimento do século XIX exceto Uruguai, Argentina e Chile, onde houve precoce desenvolvimento social. Nesses países, o passado histórico colonial pesou menos, pela maciça presença de imigrantes europeus e a abundância de recursos naturais de exploração fácil (o Pampa, minas a céu aberto), a expansão rápida da demanda de couro, lã, cobre, guano (e carne, a partir do surgimento da frigorificação nos anos 80 passados) favoreceu um desenvolvimento econômico mais rápido. O desenvolvimento social, entretanto, foi maior e a riqueza menos concentrada no Uruguai, onde não foi entravado por governos extremamente repressivos, como os de Chile e Argentina.
Nos EUA, a entrada de imigrantes começa desde 1820, mas a grande vaga começa em 1865, após o fim da Guerra da Secessão (1861-5), quando os governos nortistas passaram a acelerar a distribuição de terras a europeus, invadindo territórios nativos a Oeste do Mississipi. A entrada em cena dos imigrantes europeus, atraídos pelo forte dinamismo da economia da América gerou novas contradições, que passaram a mover os países americanos. A principal delas é o novo proletariado de origem europeia, a substituir mão-de-obra escrava e a produzir para atender à insaciável sede de produtos primários das potências industriais.
No Brasil, gente de origem humilde, como o exemplo de Mauá, ascendeu ao cume da classe burguesa em meados do século XIX, em plena época escravista e, logo depois, começou a entrar um fluxo persistente de imigrantes europeus substitutos de mão-de-obra escrava, aos quais se teve que pagar algum tipo de salário. Muitos desses imigrantes, possuidores de conhecimentos técnicos e tino comercial, vieram a prosperar como agricultores, industriais e comerciantes, assim como os operários.
Destacamos no desdobramento da contradição Novo Proletariado versus Burguesia Urbana e Agrária, que a partir do fim do século XIX até oinício do século XX, quando se constitui uma classe proletária na América Latina com vinculo muito forte com o processo de imigração, a situação de grande parte do operariado mundial era de inserção na sociedade capitalista por meio de um emprego, fragilizando o projeto de derrubá-la. Isso não acontecia e dos mestiços submetidos à servidão (Pancho Villa no Norte), esmagada por uma contra-revolução burguesa, com a ajuda militar decisiva do operariado de origem europeia.
no tempo de Marx, quando o objetivo da maioria dos operários era derrubá-la. Nesse sentido, ressaltamos a importância de servir do método de Marx para notar o desdobramento dessa contradição fundamental no capitalismo, pois essa situação do operariado a nível mundial transformou o capitalismo, de sistema ameaçado em sistema estável quando a contradição capital e trabalho de fato se coloca nas formações sociais dependentes.
2.3 Questão nacional em formações sociais dependentes
Neste item tratamos de examinar o conteúdo da questão nacional na América Latina buscando identificar diferenças com relação ao conteúdo que se universalizou como desdobramento dos processos europeus (não homogêneos). Numa primeira aproximação diríamos: enquanto no segundo, as aspirações nacionais foram sintetizadas na forma de organização social própria da dominação burguesa que é o Estado-Nação; na primeira, essas aspirações nacionais repousam no povo portador da tarefa de realizá-las.
(Quadro 2) Desdobramentos das contradições
1º e 2º contradição Sociedade Nativa Negada
Modo de agir com violência (2.3.1)
3º e 4º contradição Aleijume de nascença do Estado nação
Vazio da questão nacional na formação do Estado Nação
(2.3.2) 5º contradição Desenvolvimento capitalista dependente Desenvolvimento capitalista dependente e Imperialismo (2.3.3)
2.3.1 Modo de agir com violência
Nesse item intitulado “modo de agir com violência” examinamos o desdobramento da 1º e 2º contradições que movem o processo histórico na América Latina deflagradas respectivamente nos processos históricos de invasão e colonização. A colonização teve como característica a rejeição das sociedades nativas, a partir da qual se compreende o molde gerador das formações sociais dependentes caracterizado pelo “o modo de agir com violência”.
A violência é o “tipo de contradição” ou é “a marca” de como a contradição vai se desenvolver no processo histórico do Continente Oeste – Atlântico.
Identificar a violência como força motriz do processo revela o fundamento predominante nas relações sociais marcadas pela violência exacerbada das forças opressoras dos Estados Nacionais, pelo desprezo à vida, pela prática da opressão e humilhação e notadamente pela exploração da força de trabalho.
Neste momento, destacamos que essa violência é desdobramento de um processo distinto da violência própria da sociedade de classes em geral. Trata-se de uma violência que não opera na condição de um ser humano sobre outro, mas no caso rejeita a humanidade de homens, mulheres e crianças, ao negar as nações primitivas das colônias no continente a oeste do Atlântico.
Desse modo, identificar a violência como força que move a contradição no continente é reconhecer a condição de sub-humanidade em que foram lançados os povos nativos da América Latina, como resultado de uma violência de natureza distinta a da violência identificada por Marx na Assim chama Acumulação Primitiva, Capítulo XXIV, O Capital.
No caso da Europa, Marx (1983) no Capitulo XXIV: A assim Chamada Acumulação Primitiva, capítulo histórico de O Capital, crítica da economia política, mostra como a acumulação primitiva que precede a acumulação capitalista, ou seja, as condições da acumulação que não é resultado do Modo de Produção Capitalista, mas sim seu ponto de partida, desempenha na Economia Política um papel análogo ao que o pecado original desempenha na teologia. Desse “pecado original” data a pobreza da grande massa que apesar de todo o seu trabalho, nada possui para vender senão a si mesmo, e a riqueza dos poucos, que cresce continuamente, embora há muito tenham parado de trabalhar.
Olhando para o processo histórico de Inglaterra, Marx mostra como na história a violência desempenhou o papel principal o que entra em conflito com a narração idílica que reina na Economia Política Clássica sobre esse mesmo processo, como se a “mão invisível” de Adam Smith tivesse dado conta de apagar a violência da história em nome do equilíbrio social. Isso intrigou o jovem Marx quando se debruçava, pelos anos de 1844, nos estudos dos Economistas Clássicos que tinham como pressuposto a propriedade privada, presente com grande centralidade nos fundamentos da Ciência Politica Clássicos (jusnaturalismo/ contratualistas), e que na origem da Ciência Econômica simplesmente não aparece.
Podemos dizer que no Capitulo XXIV de O Capital, Marx trabalha com os esquecimentos da Economia Política reivindicando “lucidez” sobre esse processo histórico em que a violência foi a protagonista na separação do trabalhador das condições de realizar trabalho. A indagação levantada pelo autor indica um sentido que é se perguntar quais poderiam ser os esquecimentos da Economia Política se os pressupostos dessa ciência são apoiados na história. O “esquecimento” é o esquecimento absoluto de que o homem em sociedade de classe não pode ter conhecimento dos acontecimentos violentos que deram origem a sociedade cindida. Em qualquer formação histórica a sociedade de classes é penosa ao homem, trata-se de uma transição violenta de homens iguais no estado de cooperação para Homens (humanidade) divididos em classes na qual o trabalho que deve contribuir para a produção social não é favorável quem trabalha, mas é favorável a outrem.
Esse processo penoso de transição violenta deve ser esquecido para parecer tudo uma transição natural da propriedade da natureza, à propriedade familiar, à propriedade do capital. O “esquecimento do processo violento” aponta para a narrativa idílica de Adam Smith e David Ricardo, que desenvolvem uma abordagem como se a Humanidade não pudesse organizar o trabalho de outra forma.
O “esquecimento da dimensão violenta do processo histórico” é funcional para ocultar a violência da constituição do mercado de trabalho, a rigor mercado de força de trabalho transformada em mercadoria, para que a sociedade se reproduza.
Marx elucida ainda que “o esquecimento do movimento histórico” que transforma trabalhadores em assalariados tem o Estado como organizador desse esquecimento.
procurar identificar o tipo de contradição que move o processo histórico na Europa na transição do modo de produção feudal ao modo de produção capitalista, transição essa que teve o protagonismo da violência como “parteira da história”.
A necessidade de se ter lucidez do papel da violência no processo histórico da América esta relacionada, portanto, à identificação do tipo de contradição, dentro da metodologia que a história é movida por forças em conflito social e essas forças desencadeiam o processo. Ressaltamos que entender o tipo de contradição que desencadeia o processo é pressuposto para desenvolver o marxismo próprio do pensamento crítico da América.
A violência da acumulação primitiva não rejeitou homens, mulheres, nem mesmo crianças, ao contrário todos foram, considerados aptos para arrancados de seus modos viventes e expropriados dos meios de produção para ser transformados em força de trabalho.
Essa violência imprime um tipo de contradição fundamentalmente diferente da violência de rejeitar a humanidade de homens, mulheres e crianças ao negar as sociedades nativas das colônias na América.
Nessa perspectiva de apontar a violência para entender o tipo de contradição que desencadeia o processo histórico em sociedades coloniais, destacamos, como exemplo, as contribuições de Fanon e Quijano.
Frantz Fanon (1979) é um dos autores que destaca o papel da violência em sociedades colonizadas, e nesse sentido qualifica a "dureza interna" que destacamos em Letizia. Em “Os condenados da Terra”, sobre a Argélia, ele qualifica a violência em se tratando do mundo colonizado:
O primeiro confronto dessas forças se desenrolou sob o signo da violência, e sua coabitação – mais precisamente a exploração do colonizado pelo colono – prosseguiu graças às baionetas e aos canhões. O colono e o colonizado são velhos conhecidos. E, na verdade, o colono tem razão quando diz que “os” conhece. Foi o colono que fez e continua fazendo o colonizado. O colono tira a sua verdade, isto é, os seus bens, do sistema colonial. (FANON, 1979, p. 52)
Nesse sentido, a libertação nacional ou o renascimento nacional, a restituição da nação ao povo sempre será um processo violento de descolonização, porque será uma substituição de uma “espécie de homens por uma outra espécie de homens”.
A descolonização modifica fundamentalmente o ser, transforma espectadores esmagados pela inessencialidade em atores privilegiado, tomados de maneira grandiosa pelo rumo da história. Ela introduz no ser um ritmo próprio, trazido pelos novos homens, uma nova linguagem, uma nova humanidade. A descolonização é verdadeiramente a criação de homens novos. Mas essa criação não recebe a sua legitimidade de nenhuma potência sobrenatural: a “coisa” colonizada se torna homem no processo mesmo pelo qual se liberta. (Fanon, 1979, p. 52)
Destacamos em Fanon (1979), a instância de análise: a realidade humana. A