6. İlgili Araştırmalar
4.4. Öğretmenlerin Sınıfta Sosyal Adalet Liderliği Düzeylerinin Öğrenci
Programa de José Serra, do dia 2 de setembro de 2010
Personagem: Mais uma vez, adversários de José Serra tentam fazer uma armação para prejudicá-lo. Primeiro, violaram o Imposto de Renda de pessoas ligadas ao Serra. Agora, violaram o imposto de renda até da filha dele. É como se alguém usasse a sua senha de banco, vasculhasse a sua conta, invadisse a sua casa, revirasse suas gavetas, só pra te prejudicar. Gente, não é de hoje que esses escândalos acontecem nas eleições, não é?
Locutor: 1989. Lula e Collor disputam o segundo turno. A poucos dias da eleição, Collor apela e coloca até a filha de Lula na campanha. Uma baixaria. Collor vence a eleição. Como presidente, renuncia para não ser cassado. Hoje, Collor está com Dilma.
Collor: Não se esqueçam desse nome: Dilma Roussef presidenta, número 13 na cabeça, no próximo dia 3 de outubro.
O indivíduo ao qual nomeamos personagem não faz parte do grupo de apresentadores do programa, tampouco desempenha o papel de testemunha – o que dificulta sua representação enquanto povo/eleitor em geral. Trata-se de uma personagem que incorpora um tipo intermediário entre o apresentador credenciado do programa do candidato e o informante, que também não é o repórter jornalístico. É o pedagogo das emoções: ele orienta verbalmente a reação do eleitor frente a seu comunicado didatizado. Vejamos:
A expressão facial com a qual o indivíduo profere seu dizer orienta o (e)leitor a uma representação emocional da indignação: sobrancelhas arqueadas e franzido na testa; semblante fechado. Sua imagem “dá o tom” do discurso a seguir. A sequência oral, nos dois primeiros períodos da fala da personagem, que traz os marcadores “mais uma vez”, “primeiro”, “agora” e “até” constroem o deflagrador do paradigma de leitura do enunciado, dentro do imaginário do que não se aceita mais neste país, ou seja, o que causa a indignação.
A causa da indignação também se apresenta no primeiro momento de fala, a partir da construção do estereótipo do que causa a aversão: o bem que sucumbe ao mal. Os “adversários” que realizam a “armação” – e que logo serão identificados, na verdade, como um único adversário: a candidata Dilma – de um lado, e “Serra”,
prejudicado, do outro. A oposição entre o bem – que não triunfa – e o mal – que parece
vencer o bem – busca promover efeitos de sentido que reforcem a manifestação da indignação endereçada a quem dá corpo aos chamados “adversários” e que, além disso,
construam uma aliança com aquele que incorpora o sujeito do bem, o que atrairia o voto dos eleitores para Serra e afastaria os votos de Dilma.
Estabelecidos e identificados os sujeitos que dão corpo ao bem e ao mal, legitima-se a verdade do dizer: enquanto ouve-se a fala da personagem que diz “Agora, violaram o imposto de renda até da filha dele”, é possível observar a folha do jornal O Estado de São Paulo, identificado na tela, com data de 01/09/2010, que traz a prova
documental da ação dos adversários que prejudicam: “Dados fiscais da filha de Serra também foram violados na Receita”. O verbo institucionalizado vindo da mídia de informação, credibilizada historicamente, confere ao verbo oralizado um grau maior de confiabilidade, a legitimação de uma verdade.
Ainda que legitimada, a verdade do dizer ainda permanece abstrata: a violação de dados no sistema federal de recolhimento de tributos e suas consequências na vida do cidadão/eleitor comum é desconhecida, já que se trata de procedimento raro. Parece não haver, no imaginário social, uma imagem que dê corpo à afirmação dada pelo verbo.
Desse modo, o indivíduo que fala didatiza a verdade a partir de comparações com ações que estão presentes no imaginário social e são bastante fáceis de tomar corpo na memória cultural: “É como se alguém usasse a sua senha de banco, vasculhasse a sua conta, invadisse a sua casa, revirasse suas gavetas, só pra te prejudicar.” As comparações, no entanto, convocam o medo como parte do que seria a intensificação do sentimento de indignação, já que ações como usar a senha do banco e invadir a casa se associam à atuação de criminosos e à subtração de bens e valores. A indignação, assim, se opacifica e o medo emerge no enunciado.
Na fala do locutor, o medo se intensifica, travestido de indignação – pela expressão que qualifica a atuação como “Uma baixaria” – e cercado por uma aparência de comparação com um passado, a partir da construção de uma memória acerca da disputa eleitoral entre Fernando Collor e Lula no ano de 1989.
“1989. Lula e Collor disputam o segundo turno. A poucos dias da eleição, Collor apela e coloca até a filha de Lula na campanha. Uma baixaria. Collor vence a eleição. Como presidente, renuncia para não ser cassado. Hoje, Collor está com Dilma.”
Na comparação com o efeito de memória, Collor dá corpo aos “adversários” do início da fala da personagem, individualizando a nomenclatura e colocando em circulação efeitos de sentido que o colocam no lugar da candidata Dilma. A construção “até a filha de Lula” se assemelha à construção “até da filha dele”, instaurando o
lugar de “filha” a ser preenchido pela imagem da menina Lurian. A imagem de Lula se coloca no lugar da imagem de Serra. O efeito de memória, então, vai acompanhar, ainda comparativamente, uma projeção de futuro: Collor vence/Dilma vence; renuncia para não ser cassado/cassada. A projeção de futuro se fecha e se confirma com a afirmação Collor está com Dilma. É por esse efeito de memória/projeção que se instaura o medo: um medo que se (re)atualiza sobre a ascensão e a queda do ex-presidente Fernando Collor, na disputa eleitoral de 1989 que lhe deu o mandato até 1992 – e se associa fortemente a um imaginário social estabelecendo um paradigma de leitura que afirma que o brasileiro não sabe/não sabia votar –, e que recai sobre a projeção de uma vitória de Dilma sobre o candidato Serra, com as mesmas consequências de 1989. Serra, sua filha e Dilma não aparecem nas imagens, é pelo corpo de Lula, sua filha e Collor, respectivamente, que aqueles são significados e que os efeitos de sentido do medo e da indignação se fazem presentes.
3.3.5.2. Programa 6 – “de mulher pra mulher”