4. DÖRDÜNCÜ BÖLÜM
4.2. Öğretmenlerin Duygusal Zekâ Düzeylerinin Boyutlarına ĠliĢkin Bulgular
Um elemento cultural que sustenta as relações sociais das comunidades negras em Guapi corresponde ao ritmo de vida que, mesmo experimentando o espaço-tempo produtivo de um regime moderno que envolve a intromissão de estruturas industriais e comerciais, continua incorporado na cotidianidade dos habitantes e faz referência a
[...] formas próprias criadas para assumir - entre a intensidade e a passividade - aquelas ordens sociais e simbólicas presentes na vida diária dos guapireños, que em um espaço particular – material determinante e inspirador - e de sua história de povoamento nesta região pacífica, fundamentam e significam uma identidade e cultura particular (Rodríguez, 2012, p.571).
Assim, o rio é um lugar fundamental que define o ritmo dos guapireños, no sentido em que é mediado por ele. Sua existência não só gera condições materiais que determinam os modos de habitar o território, mas também configura um conjunto de
relações familiares e sociais, maneiras de acesso e comunicação com o “exterior”. Por
sua vez, compõe um lugar de memória pelo valor ancestral que possui, remetendo a espaços de refúgio e resistência, pois traçou caminhos de libertação e possibilitou a construção de um território no qual se estabeleceram e produziram outros e novos sentidos de vida.
Sua cotidianidade também está marcada pelo ritmo que implica o nascimento de uma criança, cuja experiência se vive como celebração da vida e representa um valor
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preparativos para dar la bienvenida al nuevo ser, evento que se convierte en fiesta y que
involucra a muchos miembros de la comunidad” (Rodríguez, 2012, p.574). Por outro
lado, as festas religiosas, produto do sincretismo cultural com predomínio dos ritos católicos, definem também o ritmo de vida da comunidade guapireña: os eventos que mais se sobressaem são os da semana santa no mês de abril, o dia da Virgem e dos inocentes em dezembro.
Estes eventos costuram as relações sociais e a identidade do povo porque se tornam lugar de encontro: é neles que ganha valor outro espaço-tempo, o do carnaval, mobilizando diferentes práticas culturais que são expressão do “estar juntos” e do valor da etnicidade desta comunidade. Estas práticas estão todas acompanhadas pela música folclórica própria da região, produto de séculos de mestiçagem, composta tanto pela herança africana como por ritmos europeus e de tradição indígena. Neste sentido, os espaços religiosos são ao mesmo tempo ritmo de vida expressos e ritualizados pelo folclore da música do pacífico sul representada em juga, bunde e currulao13.
O currulao é o complexo cultural que nasce e percorre a região do pacífico sul (inclusive chegando ao litoral do Ecuador), convocando o espaço-tempo tradicional destas populações ao ser mediado por danças e ritmos (patacoré, juga, bunde, aguabajo). Ele é ritualizado ao ser interpretado por um conjunto de marimba, chamado assim por
ser a marimba o instrumento melódico base, conhecido como o “piano da selva” e feito
com palma de chonta, própria da floresta da região, produzindo uma sonoridade particular que remete aos vínculos com o rio. Segundo o pesquisador Germán Patiño, o currulao é
...uma cerimônia coletiva na qual se integram diversas expressões e é ocasião essencial de intercâmbio comunitário. Nele se manifestam a música, a dança, os costumes alimentares, a poesia de tradição oral e permanência do “coplerío”, as trocas de bens e artesanatos e é momento de negócios, namoros, matrimônios, celebrações civis e comunicação de acontecimentos importantes da vida cotidiana (Patiño, Centro virtual Isaacs, online, 2004)14
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Não existe um consenso sobre a origem e definição destes ritmos, sobretudo do currulao. Definições oscilam entre o saber popular e tradição oral da região e o saber acadêmico. Para alguns, o currulao é um sistema que envolve os diversos ritmos de toda a região do pacífico, entre eles o bunde e a juga, sons representativos e de forte influência no município de Guapi. Em termos gerais, o bunde é um ritmo ligado à dimensão religiosa e espiritual, seu âmbito é das celebrações religiosas, os ritos funerários e as canções de Natal. Nas palavras do diretor de Rap folklord (obtidas em conversas durante o trabalho de campo), a juga é um ritmo com sua respectiva dança considerada a mais alegre. Por décadas tem acompanhado os carnavais e as festas tradicionais do litoral. No seguinte link pode-se assistir algumas interpretações tradicionais de currulao: <http://www.youtube.com/watch?v=yjV1tFsNilg&list=RD02vuwOZQil9Lg>. 14 Disponível em:
<http://dintev.univalle.edu.co/cvisaacs/index.php?option=com_content&task=view&id=250>.Acesso em: 06/07/2012.
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Para os grupos musicais Rap Folklord e Chonta Urbana, que fazem parte do corpus empírico desta pesquisa, é vital salientar como critério coletivo a música tradicional do pacífico sul e, por isso, em todas as suas interpretações devem soar os
“repiques” de marimba. Além disso, eles optam por compor suas canções dentro dos
ritmos incluídos no currulao, sendo este para eles mais uma expressão musical que o sugerido por Patiño linhas atrás15.
Nosso interesse neste momento foi caracterizar o mundo do qual provêm (e que é constantemente reconstruído) os jovens guapireños migrantes na cidade; mais ainda, o lugar central da música do pacífico sul em seus grupos nos conduziu a alguns esclarecimentos sobre os ritmos que a integram, principalmente do currulao, mas, isso não implica uma discussão aprofundada sobre o desenvolvimento dos ritmos desta região. Também não centramos a discussão sobre a natureza primária do currulao a partir das diferentes noções que existem a seu respeito.
Interessa-nos no próximo tópico expor outros ritmos de circulação global que influenciam os jovens do município de Guapi, incluindo outras gerações, para ilustrar como sua cotidianidade em relação com a música é receptiva a repertórios de ritmos que fazem parte da diáspora latino-caribeña.