• Sonuç bulunamadı

V. SONUÇ, TARTIġMA VE ÖNERĠLER

5.4. Öğretmen Adaylarının Anne Baba Tutumu, EleĢtirel DüĢünme Becerileri Ve

Como verificamos a partir da exposição acima, Husserl reconhece que há uma diferença fundamental entre o objeto intencional e o objeto físico “real” (efetivo), pois o primeiro é uma entidade abstrata, enquanto que o segundo é uma entidade física e espacial. No entanto, a despeito de tal diferença, o objeto intencional relaciona-se com o objeto físico “real”. Eles não são exatamente a mesma coisa tomada no mesmo aspecto, devido a suas naturezas distintas, mas também não são entidades realmente diferentes, que não têm relação. A grande dificuldade seria explicar o modo como ocorre sua ligação.

Pretendemos defender, portanto, que o noema e o objeto, a despeito de suas naturezas distintas – abstrata e física, respectivamente – são uma e a mesma entidade, ou seja, não são ontologicamente diferentes. Acreditamos, grosso modo, que noema e objeto são a mesma entidade apresentada em modos distintos e consideradas a partir de pontos de vista diferentes. Conforme nossa análise sobre a exposição husserliana da noção de noema, verificamos diversas dificuldades de interpretação que teríamos que enfrentar. Algumas das quais dizem respeito à estrutura mesma do noema.

Um dos pontos de confusão é como entender a relação entre um noema particular e o noema como um todo, assim como o papel que o sentido [Sinn] desempenha em cada caso. Como vimos, Husserl parece conectar a noção de objeto

150

esgota o noema como um todo (Ideen I, §90), o que sugere que o sentido é uma parte da estrutura noemática. O filósofo também afirma que o noema como um todo é um

complexo de momentos noemáticos onde o sentido funciona como um “estrato nuclear”,

o que indica que o noema como um todo seria uma estrutura que agrega os diversos noemas particulares (de atos específicos) unidos em um núcleo dado pelo sentido (Ideen

I, §90).

Em outras passagens, no entanto, o sentido parece ser compreendido como uma entidade intermediária agregada ao noema, através da qual o noema relaciona-se com o objeto [Gegenstand] (Ideen I, §129). Fala-se em sentido, nesse caso, como o conteúdo [Inhalt] pelo qual o noema dirige-se ao seu objeto. No entanto, é preciso determinar o que seria esse objeto: o próprio objeto efetivo (“real”) do mundo ou o objeto enquanto parte do noema? Além disso, em outras passagens, parece haver uma distinção entre

sentido e conteúdo, pois é afirmado que o sentido depende do “conteúdo determinado”

para existir (Ideen I, §131). Outras dificuldades na interpretação do sentido surgem:

haveria a diferença entre “sentidos particulares” e “sentido total”, na qual o último daria

unidade aos sentidos particulares, formando um sentido total que é parte do núcleo noemático (Ideen I, §131, 132). Isso parece estranho, na medida em que já havia sido feita uma clara distinção entre núcleo e sentido (Ideen I, §131).

Husserl ainda desenvolve a análise da noção de noema como um sistema complexo que pode ser dividido em dois aspectos: um que inclui os diversos modos como o objeto é determinado no ato (ser julgado, observado, lembrado, etc, além de todas as propriedades a ele atribuídas), e outro onde ignoramos as particularidades do ato e tomamos o objeto em abstração de todos os seus predicados, apenas enquanto o

“puro X” que é sujeito de todas as determinações (Ideen I, §130-1). Esse puro X é o “objeto” [Gegenstand] que é identificado como um “ponto central” para o núcleo do

noema, pois é o portador de suas propriedades (Ideen I, §129). Se considerarmos, portanto, que a noção de “objeto” [Gegenstand] nesse contexto é a mesma usada anteriormente, quando Husserl falava do sentido como um meio pelo qual o noema refere-se ao “objeto” [Gegenstand], deveremos entender esse termo como algo que é interno ao campo noemático e não como uma referência ao objeto físico do mundo.

Assim, o “objeto” [Gegenstand] seria o puro X, o portador das propriedades dadas

151

Essa mesma dificuldade quanto a determinar qual tipo de objeto o filósofo se refere surge também no que diz respeito aos termos “objeto enquanto intencionado” e

“objeto que é intencionado”. Como vimos, essa distinção que aparece desde a obra

Investigações Lógicas, já foi interpretada tanto como a diferença entre o objeto

intencional (noema) e o objeto efetivo (“real”) do mundo, como quanto a diferença entre dois aspectos do noema: noema em conexão com suas propriedades e predicados (o

“objeto no como de suas determinações”) e noema em abstração de tais características (“puro X”). Também sobre esse ponto, portanto, é necessário posicionar-se para

encontrar uma interpretação adequada para o noema e sua relação com o objeto efetivo322.

Conforme analisamos nos capítulos anteriores323 em detalhes, diferentes

interpretações procuram responder satisfatoriamente a tais dificuldades e defendem visões distintas sobre o noema. A chamada interpretação fregeana entende o noema

como o objeto intencional, que seria ontologicamente distinto do objeto “real” (efetivo)

do mundo324. O sentido, de acordo com essa interpretação, é uma estrutura fundamental do noema que serve de mediação entre o ato e objeto efetivo. De fato, conforme vimos, muitas passagens da obra de Husserl parecem justificar uma interpretação desse tipo: o filósofo reitera a diferença entre o objeto efetivo do mundo e o objeto intencional, na medida em que o primeiro é uma entidade física e espaço-temporal e o segundo, não (Ideen I, §89); além disso, é dito explicitamente que “cada noema possui um 'conteúdo' [Inhalt], isto é, seu 'sentido' [Sinn], e relaciona-se através dele com seu objeto [Gegenstand]”325.

Além das dificuldades mais específicas relacionadas à interpretação fregeana do

322 Retomamos aqui apenas os aspectos centrais da análise já feita anteriormente. Para a exposição em

detalhes dessas questões, ver capítulo 3.1.

323 Capítulos 3.2.1, 3.2.2 e 3.2.3.

324“Husserl traça uma distinção crucial entre o objeto percebido e o objeto enquanto percebido, também

chamado de sentido perceptual. Essas duas entidades são categorialmente distintas: pertencem a categorias ontológicas distintas. Especificamente, a árvore ela mesma ('simplesmente') é uma 'coisa na natureza', um objeto 'real' existente no espaço-tempo, algo que 'pode queimar, ser decomposto em elementos químicos, etc'. Por outro lado, o sentido da percepção 'não pode queimar, não possui propriedades reais'; não é uma coisa na natureza, um objeto 'real' no espaço-tempo. Antes, um sentido (Sinn) é um objeto ideal, não espaço-temporal (…)” (SMITH, David. Husserl, p. 267).

152

noema326, ela nos parece equivocada sobretudo em relação à maneira como compreende o sentido. De fato, pode-se dizer que devemos entender suas alegações sobre a separação ontológica entre noema e objeto efetivo em um sentido fraco, isto é, uma separação tal que não impediria que aquilo que é apreendido no ato seja o próprio objeto. Essa é, realmente, a intenção dos defensores de tal interpretação, pois embora falem em “diferença ontológica” entre as duas entidades, pretendem manter algum realismo em suas análises, creditando ao noema a possibilidade de dirigir-se ao objeto ele mesmo, tal como é. Ainda assim, no que diz respeito ao sentido, nos parece que há uma confusão grave: os intérpretes entendem as passagens onde Husserl diz que o noema relaciona-se com o objeto através do sentido (Sinn) de maneira equivocada.

Acreditamos que “objeto” [Gegenstand], nesse contexto, não é o objeto efetivo, mas sim o noema enquanto “puro X”. Dessa maneira, ao contrário do que defendem os partidários da interpretação fregeana, pensamos que Husserl afirma que cada noema particular, envolvendo suas determinações e o sentido, relaciona-se por meio desse sentido com o objeto enquanto “puro X”, ou seja, enquanto aquilo que abstrai suas propriedades embora seja o portador de todas elas. Em outras palavras: enquanto para a interpretação fregeana Husserl afirmaria que o noema relaciona-se com o objeto efetivo através do sentido, para nós, ao contrário, o que está sendo dito é que o noema particular sempre é remetido, através de seu sentido, ao núcleo no noema enquanto “puro X”, que é o que garante a unidade ao objeto. O filósofo está, portanto, descrevendo a maneira como ocorre a formação dos objetos na consciência, e não fazendo uma referência

extra-fenomenológica que ultrapassaria os limites da redução. De fato, se Husserl

estivesse referindo-se ao objeto efetivo nesse contexto, ele estaria falando, na verdade,

do objeto “puro e simples”, o que não é a intenção fenomenológica e nem mesmo uma

possibilidade para a fenomenologia no contexto da redução.

É claro que diante disso precisaremos explicar como entender a identidade ontológica entre noema e objeto. Antes, porém, é importante retomar os limites de outra das interpretações do noema, a chamada interpretação neo-fenomenalista, a qual nos ajuda a compreender algumas das dificuldades em torno dessa problemática da identidade de noema e objeto. Conforme analisamos anteriormente, essa interpretação

153

entende o noema como uma parte do objeto ele mesmo: o objeto em si nada mais é do que o sistema de noemata, o conjunto dos diversos noemas. Desse modo, o noema particular não é o objeto propriamente, mas está ligado a ele na medida em que é uma parte do objeto, uma apreensão parcial do mesmo.

De fato, há diversos aspectos interessantes em tal visão: conceber o noema desse

modo garante o acesso ao objeto “real” (efetivo), na medida em que o noema é uma manifestação do objeto (de uma de suas “faces”, por assim dizer). Porém, resta a

dificuldade de explicar como chegamos a apreender o objeto como um todo se, concretamente, nossa experiência é sempre limitada, parcial e finita, dada a partir de atos particulares. A explicação de Gurwitsch, principal defensor da interpretação neo-

fenomenalista, tem influência da teoria da Gestalt e formula uma relação entre partes

(noemas) e todo (noemata) na qual as partes sempre pressupõem o todo. Desse modo, o acesso ao objeto é garantido na medida em que o sistema de noemata (conjunto de todos os noemas) é sempre pressuposto na experiência particular: sem o todo que dá sentido às partes, não haveria partes, o que significa que o sistema de noemata (e, portanto, o objeto ele mesmo) é anterior ao noema particular e já está imbricado nele de antemão.

Como vimos, ainda que tal interpretação envolva aspectos interessantes, ela não é fiel ao pensamento de Husserl, pois o filósofo em nenhum momento descreve o noema como uma parte do objeto ele mesmo, mas apenas como uma apreensão particular do

mesmo. O que parece ocorrer, no caso de Gurwitsch, é confundir as noções de “puro X” e “objeto no como de suas determinações” com objeto “real” (efetivo) e noema,

respectivamente. Assim, as passagens nas quais Husserl afirma que o “puro X” diz

respeito a um “ponto central” que é o portador dos predicados diversos dos noemas

(Ideen I, §131), seriam interpretadas por Gurwitsch como a relação entre os noemas particulares (com seus predicados) enquanto partes e o “puro X” enquanto o todo.

Com isso percebemos mais claramente as razões pelas quais nos aproximamos de uma interpretação do noema semelhante àquela que o entende como objeto entre

parênteses: nos parece que outras leituras do noema falharam em compreender algumas

passagens fundamentais da obra de Husserl. Um dos pontos fundamentais que estão por trás dessas dificuldades é a pouca importância dada à redução fenomenológica: devemos observar que toda a análise do objeto intencional pressupõe o campo transcendental aberto pela redução. Assim, quando Husserl fala em noema ele está

154

falando em objeto intencional e não em objeto “puro e simples”.

Isso fica evidente se lembrarmos que o filósofo reitera, mesmo em contextos onde trata do noema ou do sentido noemático (Ideen I, §90), que seu interesse é descrever a maneira como os objetos aparecem à consciência, de modo que a redução fenomenológica é um passo metodológico necessário para não nos envolvermos em problemas metafísicos que nos afastem do objetivo descritivo. Desse modo, no caso das percepções, buscaremos o que é dado como inerente e necessário no ato. Como esclarece Husserl:

(...) o ‘pôr entre parênteses’ por que passa a percepção impede todo juízo sobre a efetividade percebida (isto é, todo juízo fundado na percepção não modificada, que, portanto, acolhe a tese desta em si). Ela não impede, porém, que a percepção seja consciência de uma efetividade percebida (de que agora

apenas não se permite seja ‘efetuada’ a tese); e não impede nenhuma descrição dessa ‘efetividade como tal’ que aparece para a percepção com os

modos particulares em que se é consciente dela, por exemplo, justamente

como efetividade percebida, embora por ‘um de seus lados’, nesta ou naquela

orientação, etc327.

Não é, portanto, como se algo do que é o objeto se perdesse depois de efetuada a redução: o objeto será descrito e compreendido tal como aparece à consciência, apenas com abstenção do julgamento sobre sua existência na efetividade ou “realidade”. Além disso, essa abstenção não nos leva a compreender o objeto como um mero fruto da mente, como se a consciência fosse a esfera inteiramente responsável pela existência do objeto. Mesmo na percepção reduzida temos consciência de que se trata de uma realidade exterior, apenas não julguemos o objeto sob esse ponto de vista, mas sim a partir do modo como aparece enquanto fenômeno.

Feita tal ressalva, reiteramos as razões pelas quais acreditamos que o noema é o objeto entre parênteses, isto é, o objeto conforme concebido a partir da redução fenomenológica: no que diz respeito especificamente ao texto de Husserl, vemos que o noema é compreendido como o objeto enquanto intencionado no ato (Ideen I, §89, 90) o que é uma análise que pressupõe a redução fenomenológica (Ideen I, §32). Além disso,

o filósofo é claro em afirmar a diferença entre noema e objeto “real” físico (objeto

efetivo) ou “objeto puro e simples” (Ideen I, §89), porém, apesar de marcar tal

distinção, reitera também que não há “duas realidades”, mas apenas uma (Ideen I, §90), sendo o próprio objeto aquilo que apreendemos e não um “signo” ou “imagem” do

327 Ibidem, §90, p. 187-8, p. 209.

155 mesmo (Ideen I, §43).

Para além de uma análise focada em detalhes do texto de Husserl, nossa posição fica clara se levarmos em conta o contexto da posição fenomenológica a partir da

“virada idealista” de Ideen: o interesse da fenomenologia é descrever os fenômenos da

maneira como esses aparecem à consciência. A redução é o primeiro passo metodológico que nos direciona para a realização dessa proposta. Mas dizer que a fenomenologia pretende apreender os objetos tal como aparecem à consciência, não quer dizer que com isso estamos pressupondo apreender outra coisa que não as coisas elas mesmas. A posição da fenomenologia é justamente essa: chegar às coisas elas mesmas – “zu den Sachen selbst”, como diria Husserl –, mas as coisas elas mesmas são acessíveis justamente pela consciência, através do modo como mostram-se à consciência. Dito isso, não faria sentido entender o noema, o objeto intencional, como algo ontologicamente diferente do objeto ele mesmo, pois, nesse caso, não seria a coisa mesma aquilo do qual temos consciência.

Assim, como vimos a partir da análise da interpretação do noema como objeto

entre parênteses, o noema deve ser compreendido, simultaneamente, como o objeto

enquanto intencionado no ato, que é o objeto reduzido, e como uma entidade abstrata que não é ontologicamente distinta da entidade concreta (no caso das percepções). A maneira de entender a constituição do objeto, conforme analisamos, pressupõe compreender que não se trata de uma relação entre parte e todo, onde o todo (o objeto), seria a mera soma de suas partes (sistema de noemata). A relação que explica

adequadamente a formação do objeto na consciência é do tipo “identidade na

multiplicidade”, que ocorre quando o todo não é a mera soma de suas partes, pois não é reduzível às partes. No caso do objeto, ele não é apenas o conjunto de suas partes, pois

pode ser abstraído de tal multiplicidade (enquanto “puro X”), mas também não é

ontologicamente diferente de suas partes (a multiplicidade de suas aparências) pois isso é, também, aquilo que ele é. Isso implica, de maneira coerente com a posição da fenomenologia, que o objeto é tanto aquilo que pode ser abstraído enquanto uma unidade concreta, como aquilo que se manifesta através de uma multiplicidade de modos de aparecer.

Desse modo, a partir da retomada das principais dificuldades na análise do texto husserliano e do detalhamento, feito anteriormente, do caso particular da percepção de

156

coisas transcendentes, especialmente objetos físicos, podemos perceber as razões pelas quais consideramos que a interpretação do noema como objeto entre parênteses seja a mais adequada para determinar apropriadamente as características dessa noção, ainda que necessite de um desenvolvimento no que diz respeito ao papel do “sentido” na estrutura noemática. Em primeiro lugar, tal interpretação reconhece a unidade ontológica entre noema e objeto físico, assim como suas diferenças (o primeiro ser uma entidade abstrata, o segundo ser uma entidade física). Além disso, a maneira como explica a relação entre tais noções nos parece ser, como justificamos anteriormente, bastante adequada dentro da perspectiva fenomenológica.

Quanto às dificuldades referentes ao papel do sentido (Sinn), que tal interpretação não desenvolve em tantos detalhes, pensamos ser possível encontrar uma explicação para os problemas apresentados. Como vimos, há uma aparente ambiguidade no conceito de sentido, pois ele ora é diferenciado do noema, ora é dito ser o núcleo mesmo do noema, ora é dito ser dependente do conteúdo, ora é dito ser o próprio conteúdo por meio do qual chega-se ao objeto. Acreditamos, no entanto, que a dificuldade aqui reside na necessidade de distinguir, tal como acontece com a noção de noema, entre dois conceitos para sentido.

No primeiro caso, trata-se dos “sentidos particulares”, isto é, dos diversos sentidos que cada ato noético diferente gera. Essa primeira noção de sentido, por ser algo particular, deve ser diferenciada do noema enquanto “noema total” e “puro X”. Desse modo, podemos dizer que sentido, nessa acepção, depende do conteúdo, pois se relaciona com o conteúdo total pelo qual o objeto intencional é tomado. Quanto à segunda definição, sentido diz respeito ao “estrato nuclear” no noema como um todo (ao objeto enquanto entidade individual), e não aos noemas particulares correlatos aos diversos possíveis atos noéticos de apreensão da coisa. Trata-se da distinção feita por

Husserl, portanto, entre “sentidos particulares” e “sentido total”. Assim, não haveria

contradição por parte do filósofo, mas apenas pouca clareza no momento de determinar

em qual acepção ele estava usando o termo “sentido” em cada caso.

As consequências da interpretação que aqui defendemos para o entendimento do idealismo de Husserl ficarão mais claras a partir do confronto com outros pontos de seu pensamento, mas algumas conclusões já podem ser tiradas: uma vez que noema e objeto físico não são entidades ontologicamente distintas, é evidente que a fenomenologia não

157

prega um idealismo subjetivo ao modo de Berkeley e tampouco dá margem à noção de

coisa em si. Aquilo que apreendemos no ato não é algo diferente da coisa mesma. O que

ocorre é que a fenomenologia procura descrever, a partir do método da redução, a maneira como os fenômenos mostram-se à consciência. Mas aquilo que chega à consciência é a própria coisa, tal como é.

Assim, para compreender de maneira mais completa as consequências das análises aqui desenvolvidas, é fundamental investigar, em primeiro lugar, o conceito de

mundo, de modo a entender o contexto amplo no qual a objetividade se insere na

fenomenologia husserliana, pois ainda que tenhamos observado em linhas gerais como ocorre a constituição dos objetos na consciência, resta a questão de como se constitui algo que abrange todos os objetos de que possamos ter experiência. Nessa exposição, destaca-se a ideia de mundo da vida, que permite observar a preocupação da fenomenologia husserliana com elementos da chamada “vida concreta”, para além de considerações exclusivamente intelectualistas, como acusam seus críticos. Antes, porém, é interessante observar alguns pontos questionáveis do pensamento de Husserl no que concerne às análises relativas à percepção.

3.4. Apontamentos para uma crítica fenomenológica à teoria da percepção