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BÖLÜM 2. YÖNTEM

2.6. Öğretim Materyalinin Geliştirilme Aşamaları

Com o surgimento do Estado moderno no século XVII, fica explícito que o povo representava a riqueza de uma nação, Para tanto, a disciplina e a saúde eram bens indispensáveis para que os sujeitos se tornassem produtivos. Havia uma relação entre enfermidade e condição socioeconômica com suas estratificações e divisões de classe, lembrando que os hospitais da época não eram ainda caracterizados como instituições médicas de fato.

É importante dizer que nos séculos XVII e XVIII estabelece-se uma nova mecânica de poder, que se exercia por vigilância, que é, enfim, um poder disciplinar. (BURMESTER, 2002). Nessa lógica, o corpo se tornou foco de análise da entidade individual, e o século XVIII representou mudanças nas técnicas de poder para tornar o corpo dócil, a fim de que pudesse ser subjugado.

Na Era Moderna, as nações experimentaram transformações substanciais no que tange ao aparecimento de uma nova filosofia política e econômica, rompendo em definitivo com os vínculos remanescentes do modo de produção feudal. Aponta- se a Revolução Francesa (1789-1799) que lutou pelos ideais nacionalistas contra o despotismo da monarquia; a própria Revolução Industrial iniciada em 1760 contribuiu para a expansão econômica e científica de vários países da Europa, América e Ásia. Tais revoluções marcaram o início da Era Moderna, com o

crescimento da economia burguesa, a dominação cultural européia e a migração dos povos, estabelecendo em definitivo o capitalismo industrial a partir do século XIX.

Com o crescimento e incremento do sistema fabril, como conseqüência da grande demanda de exportação, típica da política mercantilista, aceleraram-se o crescimento e a urbanização dos grandes centros da sociedade ocidental. Além disso, houve uma migração de camponeses, em decorrência da falência do modelo feudal, culminando com a formação de uma massa popular que foi absorvida em parte pelas indústrias das grandes cidades.

Essa nova ordem impunha um rígido sistema disciplinar que produzia, ao mesmo tempo, todo um processo de exclusão social. Para se adaptar ao sistema produtivo, era preciso submeter-se a um trabalho alienante e hostil.

Assim, temos a imagem do homem sujeitado, submisso ao poder e ao controle do sistema capitalista, traduzindo um modo de captura de sujeição dos corpos, com vistas à produção de indivíduos disciplinados. Segundo Foucault (1975, p. 172), “a disciplina fabrica indivíduos; ela é a técnica específica de um poder que toma os indivíduos ao mesmo tempo como objetos e como instrumentos de seu exercício”.

A saúde não tem importância, como uma necessidade básica, mas como um modo de manutenção da produtividade, uma vez que a doença -- obstáculo à força produtiva do trabalhador -- é também considerada um transtorno econômico- político. Portanto, na tentativa de manter a capacidade produtiva dos operários, a máquina do Estado assume o controle da assistência à saúde, para que a população se mantenha sadia e produtiva ao sistema.

Ao mesmo tempo, observa-se o aparecimento de um grande cinturão de pobreza e miséria, constituindo-se em ameaça à esfera produtiva, resultado do

próprio crescimento da industrialização, no que diz respeito à nova organização do tecido social.

Diante da hegemonia do capital, a prática médica assume um papel de destaque na esfera produtiva, passando a fazer parte dos grupos políticos dominantes e da elite econômica, e as universidades (livres do controle religioso) modernizaram-se, organizando o seu corpo de conhecimento em face das importantes descobertas anatomopatológicas e terapêuticas.

O avanço da medicina favoreceu expressivamente a organização dos hospitais, visto estar aliada a interesses políticos.

No referido contexto, o saber médico (antes confinado apenas aos livros), passa para o espaço hospitalar no sentido de serem estudadas as causas das doenças e, para isso, fatores ambientais necessitavam ser controlados. Tratava-se, portanto, da instauração de um poder disciplinador.

Aí se encontra conformado um novo conjunto de dispositivos e práticas para atender às necessidades da sociedade industrial, mantendo-se a intenção de se regular os disfuncionamentos da sociedade, princípio que marcou a primeira configuração do cuidado, ao mesmo tempo que se agrega à segunda configuração o cuidado com o corpo, como objeto de dominação e também de conhecimento instituindo-se poderes e saberes.

No século XVIII, o papel da família e, conseqüentemente, o papel da mulher como cuidadora, reforçava o dever natural de compaixão e beneficência. Vale dizer ainda, que o referido século, foi marcado por profundos questionamentos relativos às “estruturas hospitalares frente ao poder do Estado, sendo a pobreza um fato econômico que a assistência deve remediar enquanto existe, a doença é um acidente individual à qual a família deve responder assegurando à vítima os

cuidados necessários”. (FOUCAULT, 2004, p.74).

Há um aspecto relevante no que tange às práticas de cuidado realizadas no seio familiar, ou seja, a família era concebida como o lugar natural da doença, “em família, a doença está em estado de ‘natureza’, isto é, em conformidade com a sua natureza e livremente oferecida às forças regeneradoras da natureza”. (FOUCAULT, 2004, p. 42).

No final do século XVIII, a arte de curar inicia a sua formação, tornando-se pública, política e com poder. Tal transformação ocorre, segundo Foucault (2003), pela necessidade de se colocar ordem nos hospitais militares que representavam desordem econômica, diante do consumo de novas tecnologias militares. Além de curar os soldados era necessário ainda vigiá-los para que os mesmos não fugissem de suas obrigações de combatentes ou mesmo para não fingir que estavam doentes.

Nesse cenário, aparece a figura do médico como o especialista em relação à organização do espaço hospitalar, no que concerne à seleção do melhor local para a sua instalação, levando em consideração o clima, a região, etc. Foucault (2003) ponta que militares e médicos foram os primeiros administradores do espaço coletivo, instituindo-se um poder local disciplinador, por meio de mecanismos disciplinares. No caso da medicina, o efeito da disciplina é tornar o corpo individual objeto da ação política para o exercício do poder disciplinador. Por isso o espaço de cuidado era um espaço político.

A junção dos mencionados elementos (atenção ao meio ambiente e à disciplina do corpo no espaço hospitalar com vistas à vigilância) dá origem a determinados mecanismos como estratégia de cura.

Revolução industrial deram destaque a prática médica, que teve importância política na manutenção do status quo, sendo que seus membros passaram a fazer parte dos grupos políticos e da elite econômica, reforçando, cada vez mais, o seu poder. (GEOVANINI, 200).

O cuidar, até aquele momento exercido por mulheres, filantropos e religiosas, tido como algo indiferenciado e como uma extensão das atividades de cunho doméstico adentra tal território (hospitalar), onde a figura do médico impera como central na hegemonia do curar, institui novas formas de disciplina e controle (registros de entrada e saída, nome, diagnósticos, tratamentos, prescrições), cabendo aos cuidadores a vigilância do espaço e do doente: mudança de paradigma do “religioso” para o “científico”.

É de suma importância salientar que, embora a Enfermagem ainda não estivesse organizada como profissão, é possível perceber prenúncios de mudanças paradigmáticas em relação ao aspecto religioso que acompanhava as práticas de cuidado até então. Nesse sentido, inicia-se uma transformação nas práticas de cuidado, nas quais os dispositivos institucionais (hospitais) começam a funcionar de maneira mais formal, objetivando regular alguns disfuncionamentos da sociedade (doença, miséria...), surgindo timidamente um corpo profissional especializado, mesmo que estivesse muito mais afeto ao trabalho médico.

Houve ainda a intervenção médica na criação de regulamentos e normas internas, estabelecendo-se uma forte hierarquia entre alunos, assistentes e cuidadores, instituindo o que se convencionou chamar visita aos enfermos, em que os médicos deveriam ser anunciados pelo soar de uma sineta, com a presença de uma cuidadora, que deveria estar na porta do quarto com um caderno nas mãos, pronta para acompanhá-lo em seu desfile alegórico que se traduzia em fortes

relações de poder.

No momento em que as práticas de cuidado e cura deixam de estar centradas em um campo exclusivamente de assistência aos pobres e doentes, na vertente da salvação espiritual e proteção/caridade, esboça-se aqui a segunda

configuração das práticas de cuidado: práticas de cuidado centradas em um

campo assistencial composto por dispositivos formalizados de cuidado e de cura, sendo o cuidado exercido sem preparo formal, subsidiados pela formação de um corpo de conhecimentos específicos relacionados a medicina, tendo como pano de fundo o processo de produção de riquezas liderado pela lógica capitalista e pela hegêmonia do saber médico.

Trata-se de compreender então de que maneira, sobre o pano de fundo do modo de produção essa segunda configuração vai tomar forma e constituir um problema que extrapola o campo assistencial, ao mesmo tempo que implica-se diretamente com a questão trabalho/produtividade, como forma de se produzirem riquezas, gerando relações de dominação no mundo do trabalho. A partir do direcionamento dos conhecimentos científicos e tecnológicos, em favor do desenvolvimento do sistema de produção capitalista, houve uma contribuição para a consolidação do mesmo, com o fortalecimento de fato de uma nova ordem social.

Portanto, a segunda configuração está marcada por práticas institucionalizadas, tendo em vista a organização do espaço hospitalar, fazendo emergir, timidamente, mecanismos de disciplinarização, sendo a doença vista como desordem, implicando diretamente com a questão trabalho/produtividade, trazendo mudanças expressivas no desenvolvimento das práticas de cuidado.

3.4.3 A REORGANIZAÇÃO DO HOSPITAL E O DISCIPLINAMENTO DOS

Benzer Belgeler