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II. YARIYIL BAHAR

6. ÖĞRETİM KADROSU

então preferi me tratar aqui. A Terapia Comunitária com os terapeutas comunitários desse CAPS é muito boa! Gosto da forma como ela funciona e das coisas que as pessoas falam [...] muitas vezes essas coisas se encaixam perfeitamente no meu problema, então passo a aceitar e entender melhor aquilo que estou passando.

A Terapia Comunitária me ajuda muito porque antes eu não tinha envolvimento com ninguém. Não gosto de muita intimidade com as pessoas, é de mim mesmo. Às vezes estou sentado na calçada da minha casa e chega um amigo pra conversar e eu já começo a me agitar então digo logo que preciso ir ao banheiro e entro em casa. Depois vou melhorando e quando saio novamente, ele não está mais lá fora. Quando precisava ir ao Centro com minha esposa, pegar algum medicamento no CEDMEX (Centro Especializado de Dispensação de Medicamentos Excepcional) pegava o ônibus direto e só parava quando chegava no hospital de Jaguaribe, depois pegava o remédio e tentava voltar logo para casa, porque tinha medo de uma moto que passava perto de mim, de uma bicicleta [...] tinha medo até do ônibus [...] e a Terapia Comunitária tem me ajudado muito nisso, porque agora enfrento meus medos, melhorei nesse sentido. Na Terapia Comunitária também aprendo muitas coisas [...] inclusive semana passada, o terapeuta comunitário veio conversar comigo e me perguntou se eu me achava preparado para voltar a trabalhar novamente a partir da melhora que ele tem percebido em mim desde que comecei a participar da Terapia Comunitária. Eu disse que ainda não, porque, um dia, estou bem, outro dia, já estou mal, então me sinto inseguro pa ra voltar a trabalhar agora, mas não gosto de ficar parado, sem fazer nada [...] isso piora minha situação.

Melhorei muito depois que comecei a participar da Terapia Comunitária, não digo que foi uma melhora de cem por cento, mas frente à minha situação de antes, melhorei muito. Tem dias que venho pra Terapia Comunitária muito mal, desestimulado, triste e saio muito melhor [...] converso com o pessoal, converso com os terapeutas comunitários [...] e isso me ajuda muito. Não gosto de participar das outras Terapias, porque elas não trabalham a mente [...] não existe conversa [...] e a Terapia Comunitária vai em cima do problema, vai em cima do sofrimento [...] age numa amargura, num desprezo familiar, num problema financeiro, numa crise, na sua incapacidade de trabalhar e ouvindo as histórias das outras pessoas a gente aprende e leva pras nossas vidas.

Eu queria na verdade que a Terapia Comunitária acontecesse pelo menos três vezes na semana [...] Segunda, Quarta e Sexta [...] e queria poder vir todas às vezes, mas como não acontece e como não tenho condições, fica como está. Sinto que meu tratamento precisa disso [...] que eu participe mais vezes da Terapia Comunitária [...] porque um dia estou bem, outro dia estou mal, agoniado com tudo [...] fico dentro de casa, deito no sofá, vou no quintal, vou no portão, ando para lá, ando para cá, me sento na calçada, me deito na cama, fico inquieto [...] às vezes minha esposa prepara um chá de romã para mim e fico nisso o dia inteiro até me acalmar. Mas da Terapia Comunitária, gosto muito de participar! Se você escutar a história de Maria José, você vai ver também como a Terapia Comunitária ajuda a gente. Ela mudou muito depois que começou a participar [...] e essas coisas ajudam a gente a querer vir mais.

Com a Terapia Comunitária melhorei também porque eu era uma pessoa calada, não sorria para os outros desde que tive esse meu problema de depressão. Antes eu brincava muito com meus filhos, minha esposa e depois da depressão tiveram dias que eu nem falava com ela [...] e a Terapia Comunitária me ajudou a falar mais, a conversar mais com eles e com as pessoas, mas digo sempre [...] que se a Terapia Comunitária acontecesse mais vezes eu iria melhorar mais ainda, porque ela significa muito pra mim!

Maria José é usuária do CAPS Caminhar. Uma mulher forte e perseverante, que participa, com satisfação, da Terapia Comunitária há um ano. Atualmente, retomou sua rotina de trabalho com a venda de cosméticos e de bijuterias que ela mesma produz. Embora afirme que a Terapia Comunitária tem transformado sua vida, destaca, entristecida, que sente na pele o peso do preconceito. Confiante em Deus, afirma que um de seus maiores anseios é ser inserida e “aceita” com respeito e dignidade no mercado formal de trabalho e sonha em abrir seu próprio salão de beleza.

Tom vital:Hoje sou outra pessoa!

O meu problema (esquizofrenia) começou a aparecer quando tive depressão pós-parto. O pai do meu filho me largou no meio da gravidez e pra piorar tudo, minha família ainda me abandonou quando perceberam que eu estava ficando cada vez mais doente. Depois disso fiquei só, não tive o

apoio de ninguém. Nem paciência com “meu inocente” eu tive! Jesus Cristo há de me perdoar por

minhas agressões contra meu filho. Mas não tinha culpa, a s coisas que eu fazia eram fruto da minha mente, confusão da minha mente muitas vezes. Eu dava remédio de verme a ele, a criancinha ficava entrando em crise de desmaio, mas por quê? Não estou culpando minha família, mas hoje vejo que eles deveriam ter me ajudado. Por que eles não me levaram a um hospital antes? Pra me cuidar? E podiam até levar meu filho também já que eles não queriam cuidar dele [...] eles não cuidaram da minha criancinha direito. Meu único filho é um homem, mas eu não podia cuidar dele, minha família não deixava. E quando me lembro de tudo, rezo o pai-nosso, santo anjo do senhor, entrego ele ao anjo da guarda e pronto! É o que eu posso fazer.

A única coisa que minha família fazia era impedir que eu tocasse no meu filho [...] eu era muito maltratada [...] me chamavam de “louca”, diziam que eu ia matar a criança, não me deixavam comer. Eles me rejeitaram muito. Hoje moro com minha irmã e sinto que ela não me quer dentro de casa, mas como ainda não estou trabalhando fora, numa empresa [...] não posso ter meu cantinho. Quando era mais nova, minha família me colocava para trabalhar na casa dos amigos como faxineira [...] e nessas casas eu não era tratada como deveria [...] as pessoas debochavam de mim [...] então eu entrava e saia das crises sem contar com a ajuda de ninguém, só de Jesus mesmo! E antes de

Maria José

“Você nunca sabe a força que tem.

Até que a sua única alternativa é ser

forte”. (Johnny Depp)

Benzer Belgeler