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2.3. Öğrenme

2.3.2. Öğrenme Stilleri İle İlgili Yapılan Araştırmalar

clássicos do direito internacional, os tratados251. Os tratados são acordos formais concluídos entre sujeitos de direito internacional público, destinados a produzir efeitos jurídicos252. A doutrina anglófona designa-os, genericamente, como hard law253, em alusão ao fato de criarem direitos e obrigações jurídicas.

Mas a possibilidade dos indivíduos exercerem esses direitos, e das autoridades estatais lhes exigirem o cumprimento dos deveres depende da incorporação ao direito interno dos Estados, do conteúdo das disposições internacionais e dos mecanismos necessários à sua execução254. Isto porque como sujeitos de direito internacional os Estados nacionais são chamados à implementação não só de seus próprios preceitos penais mas também dos internacionais - inexistente, por ora, um monopólio de força no âmbito do Direito Penal internacional sobre cuja base se possa fundar um jus puniendi - os tratados internacionais em matéria penal carecem de disposições diretamente aplicáveis, pelo que exortam os Estados- parte a implementar seus preceitos penais255.

No Brasil, para que um tratado internacional passe a produzir efeitos entre as partes, é necessário que seja promulgado por decreto do Presidente da República, após ter sido apreciado pelo Legislativo (responsável pela aprovação dos acordos internacionais, dentro do controle e da fiscalização que exerce sobre alguns atos do Executivo). REZEK256 afirma que o decreto de promulgação não é exigência constitucional, mas produto de uma praxe tão antiga quanto a Independência e os primeiros exercícios convencionais do Império... A partir do momento em que passa a integrar a ordem jurídica interna (depois da promulgação e de sua entrada em vigor), tem a estrutura hierárquica de uma lei nacional, não se distinguindo como norma jurídica das leis emanadas pelo Executivo.

3.1.1.1 Convenção de Viena de 1988 (Tráfico de Drogas)

251 Tratado é um termo geral, que abrange convenções, pactos, cartas e outros acordos internacionais. 252 REZEK, José Francisco. Direito Internacional Público, p. 14.

253 MACHADO, Maíra Rocha. Internacionalização do Direito Penal: A Gestão de Problemas Internacionais por

Meio do Crime e da Pena, p. 47.

254 MACHADO, Maíra Rocha. Internacionalização do Direito Penal: A Gestão de Problemas Internacionais por

Meio do Crime e da Pena, p. 29.

255 AMBOS, Kai. Direito Penal: Fins da Pena, Concurso de Pessoas, Antijuridicidade e Outros Aspectos, p. 26. 256 REZEK, José Francisco. Direito Internacional Público, p. 84-85.

A Convenção das Nações Unidas Contra o Tráfico Ilícito de Entorpecentes e Substâncias Psicotrópicas (Viena, 1988, ANEXO D) é considerada o marco internacional que forneceu a primeira definição mundialmente aceita sobre o crime de lavagem de dinheiro257 (sem adotar essa denominação, contudo) e que impôs aos Estados que a ela aderiram258 a obrigação de tipificar basicamente, em suas legislações nacionais, a conduta de converter ou de transferir bens, fruto de delitos relacionados ao tráfico internacional de drogas, bem como a ocultação ou o encobrimento da natureza, da origem, da localização, do destino, da movimentação ou da propriedade verdadeira de bens, sabendo que procedem de alguns daqueles delitos259. Com a reserva do respeito aos princípios constitucionais e dos conceitos fundamentais do ordenamento de cada Estado-parte, prevê a criminalização ainda da aquisição, da posse ou da utilização de bens, quando quem os recebe tem conhecimento de que tais bens procedem de algum dos delitos mencionados na Convenção.

É o primeiro documento internacional, portanto, que prevê a criminalização da lavagem de dinheiro e impõe aos Estados-parte o dever jurídico de adotar providências de natureza penal sobre aqueles que praticarem as condutas mencionadas.

O preâmbulo da Convenção expressa a profunda preocupação dos Estados-parte com a magnitude e a crescente tendência na produção, na demanda e no tráfico ilícito de entorpecentes e de substâncias psicotrópicas, em razão da grave ameaça que representa à saúde e ao bem-estar dos seres humanos, assim como os nefastos efeitos que produz sobre as bases econômicas, culturais e políticas da sociedade. Expressa que a expansão do tráfico de drogas, em diversos grupos sociais, vitimiza crianças, quer na qualidade de consumidores, quer por sua exploração como instrumentos utilizados na produção, na distribuição e no comércio ilícito dessas substâncias. Reconhece os vínculos existentes entre o tráfico ilícito de

257 O primeiro instrumento de direito internacional que trata sobre a lavagem de dinheiro é a Recomendação do

Conselho da Europa, de 1980, intitulada Measures Against the Transfer and Safekeeping of Funds of Criminal Origin (ANEXO C). Segundo GODINHO, o texto foi motivado por uma crescente onda de terrorismo, raptos e criminalidade violenta em geral. Ele fornece, em termos embrionários, parte da estratégia que posteriormente veio a ser desenvolvida nas 40 Recomendações do FATF/GAFI. (GODINHO, Jorge Alexandre Fernandes. Do Crime de "Branqueamento de Capitais" - Introdução e Tipicidade, p. 66-67).

258 MAIS DE 200 Estados nacionais. Disponível em <http://www.unodc.org/pdf/treaty_adherence_convention_1988.pdf>.

Acesso em: 13 jul. 2006.

259 Para a relação completa das condutas que os Estados-parte deveriam caracterizar como delitos penais em seu

entorpecentes e outras atividades criminosas organizadas, os quais minam as economias lícitas e ameaçam a segurança e a soberania dos Estados. Ressalta que os consideráveis rendimentos financeiros, gerados pelo tráfico, permitem às organizações criminosas transnacionais invadir, contaminar e corromper as estruturas da administração pública, as atividades comerciais e financeiras lícitas e a sociedade em todos os seus níveis.

A forma pela qual a Convenção pretende atacar o problema parte da privação do produto obtido com o crime, para retirar do tráfico o principal incentivo a essa atividade. Além de medidas de controle das substâncias utilizadas na produção das drogas e da busca da compreensão das causas geradoras de sua demanda, prevê a melhoria da cooperação internacional - baseada em duas premissas: que a erradicação do tráfico ilícito é responsabilidade coletiva de todos os Estados, e que a ação coordenada é necessária para a supressão das atividades internacionais do tráfico ilícito.

GODINHO260 afirma que a fonte principal das disposições da Convenção de Viena foram, de um lado, o relatório da President's Comission on Organized Crime, elaborado em 1984, nos Estados Unidos da América (o qual é considerado o documento gerador da estratégia de criminalização da lavagem de dinheiro); e, de outro, a legislação do mesmo país, elaborada em 1986 (Money Laundering Control Act, referido no cap. II, item II 1.2). Assevera, ainda, que a inclusão da matéria, relativa à lavagem de dinheiro na Convenção que versava sobre drogas, foi introduzida principalmente por pressão dos EUA que não encontrou oposição entre os negociadores.

A influência americana, na elaboração da Convenção de Viena e no esforço para a criminalização da lavagem de dinheiro, é reconhecida por inúmeros autores. NADELMANN demonstra como a retórica da "guerra contra as drogas" foi globalizada, tendo os protagonistas americanos dado forma ao regime de acordo com as normas de sua preferência:

The United States has consistently played a leading role, from the first opium conference held in Shanghai in 1909 to the most recent antidrug convention adopted by the United Nations in 1988, in drafting and lobbying for increasingly far- reaching antidrug conventions designed first to restrict and then to criminalize most

260 GODINHO, Jorge Alexandre Fernandes. Do Crime de "Branqueamento de Capitais" - Introdução e Tipicidade, p.

aspects of drug trafficking both internationally and in the domestic legislation of all member countries261.

Não é demais recordar, entretanto, que o sucesso dessa empreitada deveu-se à inexistência de oposição à estratégia americana, bem como ao consenso então existente quanto à política de controle de drogas.

A importância da Convenção é tal que os termos nela utilizados, relativos à criminalização da lavagem de dinheiro, foram pura e simplesmente repetidos nos textos jurídicos internacionais subseqüentes, com a ressalva de pequenas exceções262.

Além da criminalização da lavagem, a Convenção prevê ainda a cooperação entre os Estados-parte, a utilização de medidas de confisco (do produto do crime; dos bens, nos quais o produto tenha sido transformado ou convertido; ou dos bens com os quais o produto tenha sido misturado), a não-oponibilidade do sigilo bancário (para produção de prova relativa a documentos bancários, financeiros ou comerciais), a extradição, a assistência jurídica recíproca, a transferência de procedimentos penais, a técnica da entrega vigiada, a cooperação internacional interagências, além de outras formas de cooperação e de capacitação.

O Brasil assumiu o compromisso jurídico internacional de criminalizar a lavagem de dinheiro quando assinou essa Convenção; incorporada ao direito interno pela promulgação, em 26 de junho de 1991, através do Decreto n. 154/91.

261 "Os Estados Unidos desempenharam de forma consistente o papel principal, da primeira Conferência sobre o

ópio realizada em Shangai, em 1909, até a mais recente Convenção adotada pelas Nações Unidas em 1988, tanto minutando as convenções como fazendo lobby para a criação de convenções antidrogas progressivamente mas abrangentes, destinadas, primeiro, a restringir, e depois, a criminalizar a maior parte dos aspectos do tráfico de drogas, tanto internacionalmente como nas legislações domésticas dos países membros. (NADELMANN, Ethan. Global Prohibition Regimes: The Evolution of Norms in International Society", p. 498, tradução nossa).

262 GODINHO, Jorge Alexandre Fernandes. Do Crime de "Branqueamento de Capitais" - Introdução e

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