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Como já citado, os dados coletados também foram atualizados monetariamente pelo IGP-M, seguindo os mesmos procedimentos adotados quando da atualização do IPCA.

O valor acumulado do IGP-M ao longo do tempo, conforme já demonstrado, é maior que o IPCA. Este estudo defende a utilização do IPCA para os reajustes das tarifas de energia, por ser o índice oficial da inflação brasileira e, portanto, mais justo para ambas as partes. De 1996 a 2014, o IGP-M acumulado é de 350,46%, ou seja, mais de 50% superior em relação ao IPCA, salientando-se que, nos dois últimos anos, o IGP-M foi menor que o IPCA. Ainda, é importante ressaltar que somente os dados referentes ao CHC é que foram alterados.

Após todos os cálculos realizados, verificou-se que, nesse caso, a situação se inverte. De modo geral, os valores do AIS com base no VNR foram menores que os com base no CHC em 66% das empresas (29). Em média, o AIS com base no VNR esteve 4% menor do que o com base no CHC-IGP-M. Levando-se em consideração que o índice acumulado de 1996 a 2009 é quase 60% superior quando comparado ao IPCA acumulado no mesmo período, pode-se inferir que os ativos mensurados com base no VNR apresentam indícios de que podem estar superestimados, independentemente, do índice de inflação, o que contribui para tarifas mais altas, podendo evidenciar que esse não seja o justo valor a ser mensurado para os consumidores.

Vale ressaltar que, independentemente, do índice de inflação utilizado para atualização do AIS, em quinze empresas (34%), ou seja, em um pouco mais de 1/3 da amostra, o AIS com base no CHC atualizado por qualquer um dos dois índices é menor que o com base no VNR, sugerindo que os investidores estão sendo remunerados pelos investimentos acima da inflação (independentemente, do índice) e, por consequência, tarifas mais altas para os consumidores. Esse resultado vem de encontro ao argumento de que os ativos no futuro serão mais “baratos” devido à inovação tecnológica, por exemplo.

Em dezesseis empresas (36%), o valor com base no VNR é menor do que o com base no CHC atualizado por qualquer um dos índices de inflação. Nessas empresas, os investidores estão sendo prejudicados, pois estão recebendo aquém do que investiram, desestimulando a realização de novos empreendimentos. Nesse caso, um dos motivos pode ser a inovação tecnológica, ou, ainda, como discutido na revisão conceitual, a grande volatilidade das commodities que compõem a maioria dos insumos do setor, e também que, no momento do laudo de avaliação, os valores podem estar aquém do investido. No Figura 22, a seguir, são apresentadas as empresas, cujos resultados não se alteram, independentemente do índice de inflação.

Figura 22 - Relação das empresas, cujos resultados não se alteram, independentemente, do índice de inflação 2º CRTP

Fonte: Dados da Pesquisa

No restante das empresas, treze (30%), o AIS com base no VNR, quando comparado com base no CHC – IPCA é maior do que quando atualizado pelo IGP-M. Em todas as treze empresas, quando da atualização pelo IGP-M, o resultado se inverte, passando o VNR a ser menor que o CHC, conforme exposto na Tabela 42.

Tabela 42 - Resultados Alterados em Virtude do Índice de Inflação Utilizado – 2º CRTP

Fonte: Dados da Pesquisa

Quanto ao IRT, as 29 empresas que apresentaram um AIS menor com base no VNR também tiveram menor tarifa em relação ao CHC. E, nas demais, 15 delas, o IRT com base no VNR foi maior do que o calculado a CHC. O método do CHC – IGP-M proporcionou tarifas

AIS - VNR > CHC AIS - VNR < CHC

CAIUÁ-D AES SUL

CEEE-D AMPLA CELTINS BANDEIRANTE CEMIG-D CELPA CFLO CELPE CHESP CEMAR CNEE CEMAT COPEL-D COELCE

CPFL SANTA CRUZ CPFL PAULISTA

EDEVP ELETROBRÁS - RR EFLSM ELETROPAULO ELETROACRE ENERGISA BO ELETROBRAS - AL ENERGISA MG ELETROBRÁS - PI ENERSUL ELETROCAR ESCELSA LIGHT SESA

Independentemente do índice de inflação utilizado

Empresas VNR < CHC - IGP-M VNR > CHC - IPCA

BRAGANTINA 92% 102% CELESC 79% 101% CELG-D 84% 108% COCEL 90% 109% COELBA 85% 106% COSERN 88% 110% CPFL PIRATININGA 99% 111% ELEKTRO 85% 106% ELETROBRÁS - RO 94% 106% ENERGISA NF 99% 120% ENERGISA PARAÍBA 93% 111% ENERGISA SE 89% 106% RGE 84% 120%

mais baixas em 34% das empresas, mas, pelo IPCA, o percentual foi bem maior em 64% das empresas.

Em média, as tarifas com base no CHC foram maiores que as calculadas pelo VNR, - 6,22% e -8,40%, respectivamente, ou seja, na segunda revisão tarifária, se fosse utilizado o método do CHC – IGP-M, as tarifas seriam em média maiores em 26% em relação às autorizadas com base no VNR, na amostra estudada. Portanto, tais evidências levam a resultados opostos: enquanto a atualização pelo IPCA proporciona tarifas mais baixas, pelo IGP-M apresentaram tarifas maiores. Pode-se dizer, mais uma vez, que o reajuste das tarifas pelo IGP-M parece ser inadequado.

Já a variável ROE apresentou o mesmo resultado quando atualizado pelo IPCA, mas, evidentemente, com percentuais diferentes. A média do ROE efetivo foi de 9,38% pelo IPCA, passando a 8,09% pelo IGP-M, ou seja, o retorno pelo IGP-M é menor, com desvios médios de 11,55%, para o IPCA e 10,71%, para o IGP-M. Mais uma vez, isso ocorre pela diferença de percentuais entre os índices.

Pode-se inferir, portanto, que as distribuidoras, em sua maioria, estão apresentando um retorno favorável, com exceção das empresas que evidenciaram um ROE negativo, tanto nominal quanto real. Destaca-se, porém, que, devido à não atualização das demonstrações contábeis, o retorno das empresas está superestimado, mas, mesmo assim, após os efeitos da inflação, grande parte continua com retorno positivo.

As estatísticas univariadas e os testes de normalidade para definir a técnica a ser utilizada foram praticamente iguais aos resultados quando da atualização do IPCA. Com esse resultado, também foi aplicado o teste de Wilcoxon, para avaliar a diferença ou não entre as variáveis para cada um dos métodos. Os resultados de tais testes são apresentados a seguir, na Tabela 43.

Tabela 43 - Resultados do teste Wilcoxon – 2º CRTP – IGP-M Variável Estatística Probabilidade

AIS -2,941 0,003 BRR -2,964 0,003 IRT -2,567 0,010 QRR -2,999 0,003 RC -3,104 0,002 ROE -3,910 0,000 VBR -2,999 0,003 VMU -2,976 0,003

Segundo os resultados do teste de Wilcoxon, as variáveis calculadas por intermédio do CHC e do VNR foram consideradas estatisticamente diferentes. Com probabilidades inferiores a 0,05, foi rejeitada a hipótese nula de igualdade entre os dois métodos em todas as variáveis. Esses resultados são divergentes dos encontrados quando dos dados atualizados com o IPCA, em que somente a variável ROE foi considerada estatisticamente diferente. Isso se deve às diferenças percentuais entre os índices ao longo dos anos. Enquanto o IPCA mede a variação dos preços no comércio para o consumidor, o IGP-M reflete a variação de preços na economia, em geral. Como já comentado, esta tese defende a utilização do IPCA também para as tarifas de energia, por entender que é o consumidor que arca com os custos das concessionárias, e que esse é o índice oficial da inflação no Brasil.

De acordo com o teste de Wilcoxon, observou-se que:

• As variáveis AIS, BRR, IRT, QRR, RC, VBR e VMU, mensuradas de acordo com o modelo CHC, apresentaram em média, valores maiores do que os obtidos pelo modelo VNR;

• Apenas a variável ROE mensurada a partir do modelo CHC, em média, apresentou valor menor do que o obtido pelo modelo VNR.

Cabe ressaltar que todas as variáveis, com exceção do ROE, apresentaram valores com base no CHC maiores do que aqueles com base no VNR em 66% das empresas, com diferenças significativas na média. Em comparação com o resultado, após a atualização pelo IPCA, o resultado foi oposto, visto que 64% das empresas apresentaram valores com base no CHC menores do que aqueles com base no VNR, tendo sido os métodos, segundo o teste de comparação de média, estatisticamente iguais.

Já para a variável ROE, verificou-se resultado similar quando atualizado pelo IPCA, ou seja, 86% das empresas da amostra apresentaram o ROE com base no CHC menores do que os encontrados nas demonstrações contábeis societárias, ou seja, o retorno é aquém do que está sendo evidenciado pela contabilidade a custo histórico. Em outras palavras, a rentabilidade das empresas apresentadas nas informações financeiras não representa a realidade, tendo em vista que não foi descontada a inflação do período evidenciado.

Como realizado na atualização pelo IPCA, após a análise individual, buscou-se o agrupamento das empresas analisadas em conglomerados, visto que as mesmas continuaram apresentando forte dispersão dos dados. Os mesmos procedimentos foram adotados e os resultados foram os mesmos, ou seja, a formação de dois conglomerados com as mesmas

empresas quando da análise do IPCA. Na sequência, passa-se à análise dos resultados obtidos pelos testes de Wilcoxon para o primeiro conglomerado, conforme exposto na Tabela 44.

Tabela 44 - Resultados do teste de Wilcoxon – Conglomerado 1 – 2º CRTP – IGP-M Variável Estatística Probabilidade

AIS -0,943 0,345 BRR -0,943 0,345 IRT -1,153 0,249 QRR -0,943 0,345 RC -1,153 0,249 ROE -2,201 0,028 VBR -0,734 0,463 VMU -0,734 0,463

Fonte: Dados da Pesquisa

Analisando-se os resultados do teste de Wilcoxon, verificou-se que somente a variável ROE apresentou probabilidade inferior a 0,05, ou seja, foi rejeitada a hipótese nula de que os valores com base no VNR e CHC são estatisticamente iguais.

Em sentido contrário ao que ocorreu na análise conjunta, pode ser observado que, para as empresas que compuseram o primeiro conglomerado, não houve diferença significativa, ao nível de 5%, entre os valores com base no VNR e CHC, para todas as variáveis, com exceção do ROE. O mesmo resultado foi encontrado quando da análise do IPCA para o conglomerado 1.

Uma justificativa para esse resultado pode ser em decorrência de esse conglomerado ser composto pelas maiores empresas do setor, se analisadas pelo tamanho do ativo imobilizado. Essas seis empresas possuem os maiores montantes no AIS, com valores entre 6 e 17 bilhões, em ambos os métodos.

A seguir, na Tabela 45, demonstram-se os resultados do teste de Wilcoxon em relação ao conglomerado 2, o qual é composto de 38 empresas.

Tabela 45 - Resultados do teste Wilcoxon – Conglomerado 2 – 2º CRTP – IGP-M Variável Estatística Probabilidade

AIS -2,864 0,004 BRR -2,908 0,004 IRT -2,284 0,022 QRR -2,937 0,003 RC -3,024 0,002 ROE -3,328 0,001 VBR -2,937 0,003 VMU -2,908 0,004

Fonte: Dados da Pesquisa

De igual modo ao ocorrido na análise conjunta, nenhuma variável apresentou, pelo teste de Wilcoxon, probabilidade superior a 0,03, isto é, há diferença estatisticamente

significativa entre os métodos VNR e CHC. Treze empresas (34%) apresentaram valores com base no CHC menores do que os valores com base no VNR.

Um dos motivos para a divergência do resultado dos conglomerados 1 e 2, quando do índice atualizado pelo IGP-M, pode ser em virtude do porte das empresas que compõem o conglomerado 1, como já citado.