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2. KAYNAK ÖZETLERİ

2.2. Öğrenme Halkası Yaklaşımı İle İlgili Yapılan Çalışmalar

A linguagem estética empregada na talha da capela-mor da Matriz de Nossa Senhora do Pilar de São João del-Rei, como já mencionado, mantém afinidades estilísticas com a arte italiana seiscentista e com o barroco do Estilo Joanino disseminado, principalmente, pela escola lisboeta de talha. Assim, são notadas, na

156 PEDROSA, Aziz José de Oliveira. Novos Subsídios para o estudo da vida e obra do mestre português José Coelho de Noronha nas Minas Gerais Setecentistas. In: COLÓQUIO LUSO- BRASILEIRO DE HISTÓRIA DA ARTE, 8, 2011, Belém. Anais do VIII Colóquio Luso-brasileiro de História da Arte. Belém: UFPA, 2011.

talha em estudo, as influências das colunas salomônicas, instaladas por Bernini no Baldaquino da Igreja de São Pedro em Roma, e dos ensinamentos arrolados no tratado do Padre Andrea Pozzo, de onde deriva parte do repertório utilizado na talha dos retábulos das igrejas de Minas, em que foram priorizadas as construções em perspectiva e de cunho arquitetônico. Outro Importante referencial para a obra de talha da capela-mor da Matriz do Pilar de São João del-Rei, bem como de outras igrejas setecentistas mineiras, pode ter sido a decoração em talha dourada das igrejas lisboetas de São Miguel, de Nossa Senhora da Pena e dos Paulistas.

As formas plásticas utilizadas no retábulo-mor da Matriz de São del-Rei ressaltam os efeitos de perspectiva e acentuam a ilusão de realidade que, consequentemente, prendem o olhar do expectador. Tais efeitos ganham devida proporção pela bem organizada composição e agrupamento de elementos decorativos, em boa parte, absorvidos do mundo arquitetônico. Assim, as colunas, verdadeiramente salomônicas com o terço inferior estriado e decoradas em seus fustes com flores, são dispostas simetricamente aos pares na composição do corpo retabular e em diferentes planos intercalados por pilastras. Estas colunas possuem a função de manter a sustentação do retábulo e promover a interação do coroamento com a base retabular. Na parte central do coroamento, estas colunas se integram aos fragmentos de frontão interrompido, onde se sentam anjos adultos, sendo tal ornamento, utilizado, inicialmente em Portugal, em uma intervenção dos entalhadores Claude de Laprade e Miguel Francisco da Silva, na talha do retábulo- mor da Igreja de Nossa Senhora da Pena em Lisboa, por volta de 1715-1719 (SERRÃO, 2003 p. 194).

No retábulo-mor da Matriz do Pilar de São João del-Rei é ainda assegurada, pela disposição de colunas e pilastras, a perpetuação do movimento reentrante iniciado na base retabular e propagado até o coroamento. A união destes elementos confere ao dito retábulo-mor monumentalidade e afirmação de seu caráter arquitetônico, sendo estes efeitos reforçados pela verticalidade do conjunto e suas construções em perspectivas, talvez heranças dos ensinamentos do Padre Pozzo, tão presentes na obra retabular de José Coelho de Noronha.

Figura 30 – Ilharga da capela-mor da Matriz do Pilar de São João del-Rei

Fonte: Lívia de Ferreira

Destaca-se, na composição retabular, o monumental trono, escalonado em degraus, para onde é direcionado o olhar do espectador. O tratamento monumental e cenográfico dado a este elemento, juntamente com seu escalonamento, são recursos típicos da gramática estilística do Estilo Joanino lisboeta.

Entretanto, aguça a atenção do espectador que se põe a contemplar o retábulo-mor em análise e seu imponente coroamento, onde é demonstrada a pujança escultórica e ornamental do mestre que executou sua talha. No coroamento, centraliza e determina a cena a alegoria do Deus Pai que tudo vê do alto de sua autoridade e representação religiosa, segurando o globo, símbolo do mundo recém-criado.

Essa iconografia, recorrente em retábulos-mores de algumas igrejas setecentistas mineiras, alcança alto nível cênico no coroamento do retábulo-mor da Matriz do Pilar de São João del-Rei. Abaixo do Deus Pai, a pomba, símbolo do Divino Espírito

Santo, completa a cena e a iconografia necessária ao coroamento retabular. Mesmo diante da hipótese de ser a atual talha da capela-mor da Matriz do Pilar de São João del-Rei uma modernização da talha antiga que ali existira por volta da década de trinta dos setecentos, o que pode justificar a existência de elementos decorativos que não harmonizam diretamente com os elementos de maior destaque do retábulo, e que provavelmente, foram intervenções realizadas por Noronha, ressalte-se que a figura do Deus Pai e o arremate deste retábulo sejam frutos da genialidade escultórica e artística de José Coelho de Noronha. Tal distinção artística pode ser verificada pela engenhosidade de Noronha em prolongar o arremate do retábulo até o teto da capela-mor, sendo este uso, provavelmente justificado, devido à reduzida verticalidade do espaço arquitetônico no qual está imerso o retábulo-mor em estudo. Este recurso inovador, na talha retabular, imprime ao retábulo-mor da Matriz do Pilar de São João del-Rei o caráter de verticalidade que não seria possível devido à reduzida verticalidade do espaço arquitetônico por ele ocupado.Tudo isso é empreendido de modo que não há comprometimento da harmonia cênica, revelando não somente o pleno domínio da concepção arquitetônica do projeto, por parte do mestre entalhador que o executou, mas também sua vinculação à escola de talha lisboeta que dispunha de grandes espaços verticais onde era instalada a talha retabular, configuração não existente nas Igrejas setecentistas de Minas Gerais, devido ao reduzido pé-direito das Igrejas, onde a arquitetura teve parâmetros, ainda que vinculados à arte e à arquitetura portuguesa, com determinadas particularidades que divergiam de seus modelos iniciais.

Nas ilhargas da capela-mor (FIG. 30), a talha dourada emoldura as pinturas ali existentes, juntamente com a disposição de belíssimas figuras escultóricas aladas (FIG. 31), e eleva-se verticalmente nas ilhargas tocando o teto da capela-mor. Toda essa produção artística é obtida pela arrojada hegemonia garantida pela talha que se estabelece como uma indissociável teia de ornamentos dourados. Surpreendentes cartelas arrematadas por cabeças de anjos (FIG. 32) e festões com elementos vegetalistas do mais alto apuro escultórico, abrangem a cena e envolvem o espectador que se coloca a contemplar a composição plástica ali proposta. Chama a atenção o uso de elementos que teriam, posteriormente, grande aplicação na talha

rococó mineira como o uso de conchas estilizadas e guilochês, como ressaltou Myriam (OLIVEIRA, 2006, p.146).

Figura 31 – Pormenor escultórico da ilharga da capela-mor da Matriz do Pilar de São João del-Rei.

Figura 32 – Cartela localizada na ilharga da capela-mor, Matriz do Pilar de São João del-Rei

Fonte: Lívia Ferreira Fonte: Lívia Ferreira Marcante presença tem as figuras escultóricas, anjos adultos e cabeças de anjos que se espalham pela composição do retábulo-mor e das ilhargas da capela-mor. A presença das cabeças de anjos alados, largamente utilizadas na decoração da talha dourada do Estilo Joanino, dispostas em dupla ou em trio, não somente preenchem os espaços vazios do retábulo e das ilhargas, mas também promovem a integração dos demais elementos decorativos da talha, sobressaindo à presença dos elementos vegetalistas, funcionando estas figuras angelicais como pontos graciosos de atenção que quebram a aparente monotonia e rigidez arquitetônica, além de conferir certa leveza à talha.

Já os anjos adultos destacam-se por suas dimensões e beleza e, propositadamente, se encontram em pontos de maior tensão cênica do retábulo-mor: ladeando o sacrário e compondo a corte celeste que rodeia a apoteótica figura do Deus Pai. Essas figuras têm o importante papel de ordenar os espaços e delimitar a cena que se desenrola e no coroamento são capazes de relevar a supremacia do Deus Pai.

Outros elementos angelicais que se destacam são os anjos que ladeiam a pomba do Espírito Santo no coroamento e os que compõem os quartelões que ladeiam os camarins.

Faz-se fortemente presente o recorrente uso de elementos vegetalistas, como festões de flores, girassóis e rosáceas que se espalham por toda a talha da capela- mor conferindo à composição um ritmo decorativo típico do Estilo Joanino. Os elementos vegetalistas se espalham pela banqueta do retábulo-mor e pelas ilhargas, envolvendo as cartelas com leveza e sinuosidade. Possuem apenas papel decorativo de baixo impacto visual, visto não serem elementos cênicos de maior importância.

Figura 33 – Tarja do arco-cruzeiro - Matriz do Pilar de São João del-Rei

Deve-se destacar a decoração interna do arco-cruzeiro (FIG. 34) e seu coroamento (FIG. 33), delineado por monumental tarja composta por imponentes anjos adultos e encimada por conchas estriadas e volutas. Os anjos que participam desta composição são de mesma escultura dos anjos que se encontram no retábulo-mor o que justifica a possibilidade de ambos terem sido fruto da intervenção de um mesmo entalhador em datas próximas. Todavia, estes elementos se assemelham à tarja do coroamento do arco-cruzeiro da Matriz do Pilar de Ouro Preto, apesar de ser notável que se tratam de obras realizadas em períodos diferentes e por mãos diversas, devido ao caráter essencialmente barroco da tarja do Pilar de Ouro Preto em contraposição à tarja do arco-cruzeiro da Matriz do Pilar de São João del-Rei, onde coexistem elementos próprios da gramática estilística do rococó. Acredita-se que a tarja do arco-cruzeiro da Matriz de São João del-Rei pode ter sido realizada tendo-se como modelo a tarja do arco-cruzeiro da Matriz do Pilar de Ouro Preto.

Figura 34 – Decoração interna do arco-cruzeiro - Matriz do Pilar de São João del-Rei

Para o revestimento interno do arco-cruzeiro (FIG. 34), da Matriz de São João del- Rei, foram utilizados elementos vegetalistas, alternância de volutas e conchas estilizadas mantendo-se, assim, relações de semelhanças com a decoração interna aplicada no arco-cruzeiro da Matriz de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto. Há ainda a presença, no arco-cruzeiro da Matriz de São João del-Rei, de capitéis compósitos de similar desenho aos empregados na decoração interna do arco- cruzeiro da Matriz do Pilar de Ouro Preto, do retábulo-mor da mesma igreja e do retábulo-mor da Matriz do Bom Sucesso de Caeté. É estreita a relação de identidade entre eles, e tanto a qualidade escultórica quanto a execução deixam dúvidas acerca de terem sido executados por um mesmo oficial ou serem frutos de uma mesma escola de talha.

Tem-se assim, na Matriz do Pilar de São João del-Rei, a talha dourada revestindo as regiões internas de sua capela-mor, gerando efeitos estéticos em que há o perfeito equilíbrio entre arquitetura e ornamentação. Este efeito foi alcançado por meio do alívio estético promovido com a intercalação de talha dourada, com espaços em branco sobressaindo-se na composição.

As relações das partes do retábulo-mor e de seus ornamentos produzem forte efeito de ordem na composição plástica, uma integração movida por restritas relações de causa e consequência dos ornamentos aplicados que parecem ter sido dispostos de modo intencional visando produzir a organização do espaço e integrar as partes. Este efeito pode também ser visto na base retabular em que anjos adultos, de grandes dimensões, ladeiam o destacado sacrário produzindo, assim, surpreendente efeito de estabilidade na região central da seção retabular em que estão inseridos. O mesmo efeito é aplicado na porção central do coroamento onde a alegoria do Deus Pai e os anjos adultos, sentados sobre fragmentos de frontões interrompidos, revelam o forte dinamismo empregado na cena. Porém, no corpo do retábulo-mor, tais efeitos são alcançados por composição plástica sem grandes tensões ornamentais, que são substituídas por colunas salomônicas de acentuado caráter arquitetônico, além da presença, onipresente, do monumental trono escalonado. Deste modo, o conjunto se integra e se relaciona devido ao equilíbrio assegurado pela distribuição das seções do retábulo, que receberam maior peso composicional,

no coroamento e na base do sacrário, em contraposição ao alívio estético, presente nas demais regiões.

Os princípios de simetria se fazem presentes, incondicionalmente, tanto no retábulo- mor quanto nas ilhargas da capela-mor, ainda que diante de variações formais e gráficas, produzindo a destacada articulação plástica da obra de arte. Outras questões referentes ao equilíbrio estético composicional foram obtidas com os efeitos de verticalidade impressos ao retábulo-mor contribuindo para o favorecimento da harmonia composicional e ressaltando a engenhosidade do entalhador e sua concepção criadora de forte base arquitetônica.

O uso de avançada linguagem artística e a genialidade na integração harmoniosa dos elementos decorativos contribuem para considerar a capela-mor da Matriz de São João del-Rei como a grande intervenção artística de Coelho e Noronha na Capitania de Minas, em que ele aplica, em totalidade, conhecimentos de arquitetura e escultura integrando-os de forma espetacular, asseguradas estas qualidades pela excelência na qualidade da execução da talha.

5.1.3.2 A talha do retábulo-mor da Matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso

Benzer Belgeler