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A. ABDURRAHMAN WAHİD’İN BİYOGRAFİSİ

2. Öğrenimi

No estágio atual do capitalismo são diversas as análises sobre os impactos sofridos pelas cidades, bem como sua importância no contexto da globalização financeira, levando os analistas a denominarem a cidade de diferentes formas: global, mundial, competitiva, dual,

partida. Contudo, antes de empreender qualquer reflexão a respeito da cidade e, em particular das cidades brasileiras no contexto da urbanização recente, é preciso ter claro, a partir do nosso referencial teórico, que a vida urbana expressa as configurações da divisão social e territorial do trabalho no âmbito da produção e reprodução (material e imaterial) das relações sociais no capitalismo contemporâneo.

Nesta medida, parece ser importante a argumentação de Santos e Silveira (2003) quando afirmam que o uso mais recente do território brasileiro está associado à nova divisão territorial do trabalho. Esta divisão produz uma hierarquia entre os lugares e modifica a forma de atuação das pessoas, das firmas e das instituições. No momento atual, dizem os autores, novas técnicas se hegemonizam no território constituindo a base material da vida social. Por

sua vez, a ciência, articulada às técnicas cada vez mais informacionais, comanda o desenvolvimento produtivo atual. É assim que o meio técnico-científico-informacional representa a expressão geográfica da globalização70.

O movimento de homens, capitais, produtos, mercadorias, serviços, mensagens e a fluidez do território articulam-se ao desenvolvimento da ciência, da técnica e da informação.

Com a instalação de um número cada vez maior de pessoas em um número cada vez menor de lugares, a urbanização significa ao mesmo tempo uma maior divisão do trabalho e uma imobilização relativa e é, também, um resultado da fluidez aumentada do território. O peso do mercado externo na vida econômica do país acaba por orientar uma boa parcela dos recursos coletivos para a criação de infra- estruturas, serviços e formas de organização do trabalho voltados para o comércio exterior, uma atividade ritmada pelo imperativo da competitividade e localizada nos pontos mais aptos para desenvolver essas funções. [...] O resultado é a criação de regiões do mandar e regiões do fazer (SANTOS; SILVEIRA, 2003, p. 21-22). De acordo com Santos e Silveira (2003) a era da globalização - sob a égide do mercado - traz consigo um maior desenvolvimento da informação, que associada à ciência e à técnica permite a formação de um mercado global. Isso porque o território é modificado tendo em vista as grandes possibilidades da produção e, principalmente, “da circulação dos insumos, dos produtos, do dinheiro, das idéias e informações, das ordens e dos homens” (p. 52-53).

No período recente (a partir dos anos 70 e, principalmente, dos anos 80), nota-se uma expansão no território de indústrias dinâmicas, de uma moderna agricultura e do setor de serviços. Essa expansão é caracterizada por uma divisão do trabalho que tende a estender as

70 Importante registrar que a obra de Santos e Silveira (2003), ao analisar os principais aspectos referentes ao uso do território brasileiro por diferentes atores, reafirma a centralidade do trabalho. Elucida que a utilização mais recente desse território está associada à nova divisão territorial do trabalho seja através da utilização do trabalho vivo ou do trabalho morto. “Na medida em que são representativas das épocas históricas, as técnicas, [...] funcionando solidariamente em sistemas, apresentam-se assim como base para uma proposta de método. Esses sistemas técnicos incluem, de um lado, a materialidade e, de outro, seus modos de organização e regulação. Eles autorizam, a cada momento histórico, uma forma e uma distribuição do trabalho. Por isso a divisão territorial do trabalho envolve, de um lado, a repartição do trabalho vivo nos lugares e, de outro, uma distribuição do trabalho morto e dos recursos naturais. Estes têm um papel fundamental na repartição do trabalho vivo. Por essa razão a redistribuição do processo social não é indiferente às formas herdadas, e o processo de reconstrução paralela da sociedade e do território pode ser entendido a partir da categoria de formação socioespacial [...] (p. 20-21)”. Embora os autores enfatizem a importância da informação, aliada à ciência e à técnica, no comando dos processos produtivos, suas análises parecem ir ao encontro das proposições de Antunes (2003, p. 14) que afirma: “[...] ao invés da substituição do trabalho pela ciência, ou ainda, da substituição da produção de valores pela esfera comunicacional, da substituição da produção pela informação, o que vem ocorrendo no mundo contemporâneo é uma maior inter-relação, maior interpenetração, entre as atividades produtivas e as improdutivas, entre as atividades fabris e de serviços, entre atividades laborativas e atividades de concepção, que se expandem no contexto da reestruturação produtiva do capital [...]” (grifo do autor).

atividades produtivas por todo o território (centrifuguismo), mas que requer informações especializadas, as quais tendem a localizar-se na Região Concentrada71, notadamente no Sudeste e em São Paulo (SANTOS; SILVEIRA, 2003).

Para tanto, Santos e Silveira (2003) afirmam que o território brasileiro apresenta significativas modificações em relação aos processos econômicos e sociais que renovam a materialidade do território. Dentre as modificações destacam as novas técnicas referentes a infra-estruturas de irrigação e as barragens, as ferrovias, os portos e aeroportos, as rodovias e hidrovias, as telecomunicações, as instalações de energia elétrica, refinarias e dutos, os semoventes e insumos de solo72.

Os autores em referência demonstram a importância da informação - aliada à técnica e à ciência - no momento atual. No entanto, observam, de início, que a constituição e a distribuição da informação são feitas de forma desigual no território brasileiro e que seu uso será determinado pelo interesse de quem a produz e a possui - as empresas, o Estado e a sociedade. Assim é que o avanço das informações sobre a terra e o tempo é imprescindível para a produção (satélites, pesquisa meteorológica, controle do território com a utilização, por exemplo, do Sistema de Vigilância da Amazônia Legal (Sivam), os zoneamentos).

O acesso às informações em “tempo real” permite uma maior eficácia, maior produtividade e maior rentabilidade para aqueles que detêm o controle da informação. Deste modo

Todos esses novos instrumentos de trabalho colonizam o território de forma seletiva, de tal modo que os pedaços de maior densidade técnica acabam por oferecer mais

71 A expressão Região Concentrada foi utilizada pela primeira vez, em 1979, por Milton Santos e Ana Clara Torres Ribeiro. Esta região é formada pelos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (SANTOS; SILVEIRA, 2003).

72 Dentre os avanços técnicos observados no Brasil, nos últimos anos, tem destaque o enorme desenvolvimento das telecomunicações associado à produção de equipamentos de informática. Nesse aspecto, o número de empresas ligadas ao setor de informática passa de 12, em 1974, para 71 em 1984, impulsionando a produção de microcomputadores. Por sua vez, modificam-se as bases materiais de implantação das redes para reservas ligadas às companhias aéreas, da informatização dos serviços bancários, da automação da produção industrial e da creditização do território. Tem destaque, ainda, o desenvolvimento da telefonia móvel celular, que chega ao Rio de Janeiro em meados dos anos 90 e, em 1993, a São Paulo, espalhando-se depois para os outros estados da federação (SANTOS; SILVEIRA, 2003).

possibilidades do que os menos dotados desses recursos de conhecimento. Essa crescente instrumentalização do território agrava as disparidades entre quem pode conhecer o território e quem é menos favorecido para fazê-lo. Por isso e paralelamente criam-se áreas mais informadas e menos informadas (SANTOS; SILVEIRA, 2003, p. 99-100).

Analisando a reorganização produtiva do território, Santos e Silveira (2003) argumentam que a evolução da ciência e da técnica, aliada à propagação acelerada da informação, cria as condições materiais e imateriais para intensificar a especialização do trabalho nos lugares. Assim, cada parte do território que se moderniza precisa oferecer uma capacidade específica para a produção, formatando uma nova divisão territorial que se funda na ocupação de áreas que antes eram periféricas (em relação ao circuito produtivo) e na reorientação de regiões ocupadas anteriormente.

Observa-se um aumento da descentralização industrial - especialmente em áreas consagradas por esse tipo de atividade, como é o caso de São Paulo -, ao tempo em que ocorre uma especialização no comércio e nos serviços. Os autores em referência chamam a atenção para um fato importante no que toca à reorganização produtiva do território brasileiro: o surgimento de novos espaços de produção na área da agricultura moderna73 demonstrando como se reproduz (e se amplia) a dependência do capital financeiro no uso do território:

Em outras palavras, circunscrevem-se as porções reservadas ao processo direto de produção, hoje altamente especializadas e chamadas a ser eficientes, e obrigatoriamente se alarga o espaço das outras instâncias de produção, circulação e consumo. Os pedaços do território destinados a essa produção direta exigem custosos insumos de toda natureza e impõem a necessidade de uma circulação ampliada. Assim, a economia e o território não se organizam nem funcionam sem grandes somas de dinheiro nas suas formas de crédito, empréstimos, numerário vivo, financiamentos, hipotecas, commodities, seguros e tantos outros investimentos. Cria- se dessa forma uma dependência do sistema financeiro, que acaba invadindo todas as etapas da produção em sentido amplo, pois todas ‘precisam’ dele e todas constituem modos de acumulação de mais-valia (SANTOS; SILVEIRA, 2003, p. 132-133, grifo meu em negrito).

73 É notório no Brasil o crescimento da agricultura (o chamado mundo do agronegócio). O avanço das técnicas de uso do solo, dos processos de irrigação, telecomunicações, transportes rápidos e eficientes, a utilização de semoventes (tratores, máquinas de plantio e de colheita) e de novos insumos ao solo (sementes estudadas em laboratórios, fertilizantes), as informações referentes ao clima (que facilitam na previsão do plantio de determinada safra) tem permitido a expansão de uma fronteira agrícola nas regiões do Centro-Oeste e na Amazônia, sem contar com os tradicionais cinturões agrícolas do Sul e Sudeste.

Nota-se especialmente a partir dos anos 70 um movimento de desterritorialização da produção industrial no Brasil, como expressão da divisão territorial do trabalho. O número de estabelecimentos industriais, que entre 1970 e 1980 havia crescido 184,52%, experimenta um decréscimo de -11,84% entre 1980 e 1990. Por outro lado, há uma complexificação da produção industrial que se expande, principalmente, para novas áreas da região Sul e para algumas localidades do Centro-Oeste, do Nordeste e do Norte (Manaus). Em São Paulo, em particular, verifica-se um aumento do número de estabelecimentos industriais no interior do estado em detrimento dos existentes na capital e na Região Metropolitana. Em relação à produção industrial recente no Brasil vale assinalar, ainda, que a automação industrial tem como conseqüência a queda do emprego industrial, especialmente nas indústrias com pouco tempo de instalação que tendem a ser mais modernas economizando trabalho vivo (SANTOS; SILVEIRA, 2003).

Em relação aos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, a desindustrialização ocorre, segundo Diniz (2000), devido à perda relativa e absoluta do peso da produção e do emprego industrial no conjunto da economia.

Diniz (2000) afirma que o processo de modernização tecnológica verificado no Brasil, no período mais recente, pode ser observado através da melhora no padrão de produtividade e do surgimento de novas áreas industriais que utilizam alta tecnologia, com destaque para: Campinas, São Carlos, São José dos Campos (SP); Santa Rita do Sapucaí, Pouso Alegre e Belo Horizonte (MG); Curitiba (PR); Florianópolis (SC) e; Porto Alegre, Caxias do Sul (RS).

Embora as empresas nacionais e globais desenhem uma nova tipologia de uso do território no que se refere à produção e ao consumo dos bens e serviços, seus centros de comando continuam a ser as regiões Sudeste e Sul, e em alguns casos no estado da Bahia. Os centros de comando, especialmente por sua capacidade de produzir e utilizar a informação

encontram-se, freqüentemente, na denominada Região Concentrada (SANTOS; SILVEIRA, 2003).

De outro lado, as modificações na implantação das atividades industriais no território são precedidas, às vezes, por uma aguçada competição entre estados e municípios que reivindicam a instalação de fábricas na sua área de administração, além de disputar recursos (a chamada “guerra fiscal”), sendo que a indústria de automóvel é um exemplo significativo. Nesse sentido, as empresas escolhem os lugares para desenvolver sua produção, sendo que

Nos lugares escolhidos, o resto dos objetos, o resto das ações, e, enfim, o resto do espaço, tudo isso é, assim, chamado a colaborar na instalação da montadora; e tudo é permeado por um discurso eficaz sobre o desenvolvimento, a criação de empregos diretos e indiretos, as indústrias de autopeças, a exportação. Nada se fala sobre a robotização do setor, a drenagem dos cofres públicos para o subsídio das atividades, a monofuncionalidade dos portos e de outras infra-estruturas, os royalties e o aumento da dívida externa, a importação de peças e de veículos completos [...] (SANTOS; SILVEIRA, 2003, p. 112-113).

A “guerra dos lugares” - como também é conhecida a “guerra fiscal” - exige que o poder público destine recursos para o investimento em infra-estruturas, tais como as rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, geração de energia, e preparação de terrenos para facilitar a fabricação dos automóveis e caminhões74, no sentido de valorizar cada cidade como um provável espaço produtivo.

Santos e Silveira (2003) chamam a atenção para o fato de que essa competição ente os lugares é feita sob um alto custo para a sociedade, pois a produtividade espacial da cidade não é duradoura e “quando envelhece, o lugar é chamado a criar novos atrativos para o capital” (p. 116). E este último, por ser comandado globalmente, não tem lealdade com o lugar produtivo, ocorrendo uma permanente busca de vantagens pelo capital. Por isso o lugar deve oferecer privilégios para garantir a permanência das atividades empresariais, sob pena de que essas se

74 Embora esta análise esteja voltada para a indústria automobilística, a “guerra dos lugares”, pode ser verificada em diversos ramos da produção e dos serviços.

desloquem para outro lugar75. “Os objetivos de tais empresas não são propriamente finalidades, porque não têm teleologia. A busca fundamental e desesperada (e cega para tudo mais) é a procura de um lucro, uma mais-valia, que deve ser sempre maior do que no minuto anterior” (p. 296).

Nota-se assim, uma crescente segmentação territorial das etapas do trabalho, aumentando as trocas e as relações entre as regiões, sendo que essas trocas não são, necessariamente, entre áreas contíguas, indicando o movimento dos circuitos espaciais da produção, que se caracteriza pela circulação de bens e produtos e que demonstra a fluidez desses bens e produtos no território. Deste modo,

No período atual, esse movimento é comandado, sobretudo por fluxos não obrigatoriamente materiais, isto é, capitais, informações, mensagens, ordens. Essa é a inteligência do capital, reunindo o que o processo direto da produção havia separado em diversas empresas e lugares, mediante o aparecimento de verdadeiros círculos de cooperação. Circuitos espaciais de produção e círculos de cooperação mostram o uso diferenciado de cada território por parte das empresas, das instituições, dos indivíduos e permitem compreender a hierarquia dos lugares desde a escala regional até a escala mundial (SANTOS; SILVEIRA, 2003, p. 144, grifo meu)76.

Com a expansão do meio técnico-científico-informacional, os círculos de cooperação tornam-se mais complexos e mais amplos na escala geográfica do país. Levando-se em consideração que a produção precisa ser movimentada, os fluxos (que decorrem da necessidade de circulação) ganham contornos mais intensos, extensos e seletivos. Daí a importância dos fluxos aéreos, ferroviários, rodoviários e aquaviários para o processo de

75 Os autores em referência afirmam nesse sentido: “Na medida em que, com o mercado chamado global, cada empresa busca satisfazer-se nos lugares onde as respostas aos seus reclamos é mais adequada, tal demanda é errática e o território passa a ter, nas áreas atingidas por esse tipo de relações, uma dinâmica praticamente imprevisível no próprio lugar em que se exerce e que é também alienada, já que não precisa ter correspondência com os interesses da sociedade local ou nacional. Novas formas de compartimentação do território ganham relevo e são capazes de impor distorções ao seu comportamento: são as novas caras da fragmentação territorial” (p. 254). Santos e Silveira (2003) chamam a atenção para um fato importante: embora o território brasileiro não seja completamente globalizado - a exemplo da Amazônia - existe uma influência direta ou indireta de uma lógica global no comportamento dos agentes e dos lugares que beneficia as empresas capitalistas.

76 Santos e Silveira (2003) destacam a importância de alguns circuitos de distribuição e consumo presentes no território, que são fundamentais para a fluidez da mercadoria: a rede Ceasa, responsável pelo armazenamento e distribuição em 20 estados brasileiros da produção agrícola e os frigoríficos, a rede de supermercados (responsável por 85% do abastecimento nacional) e feiras e os shopping centers (em 1999 existiam 155 em todo o Brasil).

circulação. Nesta medida, no Brasil, verificou-se um crescimento significativo dos fluxos aéreos: houve um aumento do número de passageiros de 15.508.850 (em 1986) para 18.039.779 (em 1995); dos fluxos ferroviários: em 1960, eram transportadas, via ferroviária, 44.846 toneladas de cargas, em 1990 eram 235.105 e, em 1994, esse número passa para 256.365 toneladas; dos fluxos rodoviários: a frota de veículos aumenta 7,6 vezes entre 1950 e 1970, 4,2 vezes entre 1970 e 1985 e 2,1 vezes entre 1985 e 1996; dos fluxos aquaviários: em relação à embarcação de longo curso, o transporte de cargas para exportação em portos marítimos cresceu 2,9 vezes entre 1973 e 1996 (SANTOS; SILVEIRA, 2003).

A partir desse contexto é que se podem apreender as modificações no cenário das cidades brasileiras. Nota-se uma tendência de crescimento urbano em quase todo o território nacional, configurando uma “população fortemente urbanizada” (TASCHNER, 2003, p. 14). De acordo com Rattner (2001) nos últimos 50 anos houve uma inversão quanto à distribuição da população no espaço geográfico. Em 1945, de um total de 45 milhões de habitantes, a população urbana representava 25%. Em 2000, de um total de 169 milhões, essa população sobe para 82%77.

Analisando as tendências da metropolização brasileira, Ribeiro e Silva (2003, p. 38) demonstram que a elevada concentração espacial da população e de investimentos públicos e privados articulam-se aos aspectos históricos da urbanização brasileira vinculados ao processo de colonização, ao tipo de comando do território, ao movimento da industrialização; à centralização do capital, ao desenho da rede urbana e à dinâmica seletiva do mercado de trabalho. Esses aspectos aliam-se, no período atual, à busca de “acomodação da sociedade aos ajustes da economia a fluxos financeiros mundiais e à reestruturação produtiva, o que

77 A esse respeito Motta (2004) elucida que a taxa de crescimento da população total brasileira diminuiu de 1,93% ao ano no período 1980/1991 para 1,63% ao ano no período 1991/2002. No entanto, a taxa de urbanização apresentou tendências de crescimento de 2,45% ao ano. Em 2000, conforme havia sinalizado Rattner (2001), dos 169,5 milhões de brasileiros, cerca de 81,2% viviam em cidades.

modifica a mobilidade espacial da população e a localização das firmas, assim como, a agenda dos governos”.

As cidades tendem a crescer ao mesmo tempo em que as metrópoles regionais indicam tendências de crescimento relativo maior que as metrópoles do Sudeste. As cidades de porte médio também apresentam taxas de crescimento. As cidades que possuíam entre 20 mil e 500 mil habitantes experimentam um crescimento populacional de 7 milhões em 1950 para cerca de 38 milhões em 1980, passando para 60.054.404 em 1996. De outro lado, as cidades com mais de 1 milhão de habitantes passam de 6,5 milhões em 1950 para 29 milhões de pessoas em 1980 e 46.718.598 em 1996 (SANTOS; SILVEIRA, 2003)78.

Diniz (2000) aponta, nesse sentido, que nas últimas décadas vem ocorrendo transformações significativas no padrão de urbanização no Brasil. A queda no crescimento demográfico, sobretudo pelo declínio da fecundidade, vem acompanhada do crescimento das cidades de porte médio. A diminuição do crescimento demográfico, contudo, não é uniforme tendo em vista as diferenças regionais nos níveis de fecundidade e as diferenças nos processos migratórios. Houve, por exemplo, um maior crescimento nas regiões Centro-Oeste e Norte devido às fronteiras agrícola e mineral, possibilitando uma migração para essas áreas ao tempo em que há uma diminuição dos fluxos migratórios em direção às grandes cidades por conta da redução das oportunidades de trabalho nessas cidades79. De outro lado, as possibilidades de emprego advindas do relativo processo de desconcentração da indústria e dos serviços, têm permitido o maior crescimento das cidades de porte médio80.

78 “As cidades milionárias, que eram duas em 1960 (São Paulo e Rio de Janeiro), são cinco em 1970, dez em 1980 e cerca de 15 no ano 2000” (SANTOS; SILVEIRA, 2003, p. 206).

79 A esse respeito, diz Taschner (2003, p. 14): “Os percentuais de pessoas no Norte e Centro-Oeste vêm aumentando; o Norte apresentava 5,56% da população total em 1980, passando a 6,81% em 1991 e a 7,60% em 2000. O Centro-Oeste tinha 5,72% em 1980, 6,42% em 1991 e 6,83% em 2000.”

80 Taschner (2003) destaca que nos tempos mais recentes, pode-se verificar no Brasil um processo de redistribuição populacional e de empregos. Ao lado dessa redistribuição, registra-se a perda absoluta de empregos formais devido à modernização tecnológica e à terceirização do trabalho. No período compreendido