4. Yeterlik Sınavı Örneği ve Girme Hakları
4.2. Öğrencinin Yeterlik Sınav Hakları
É na forma de pensar das novas gerações que se assentará as sementes da Cultura de Paz e de uma sociedade justa e solidária. O trabalho sobre a mentalidade dos que decidirão o futuro do planeta é fundamental para assegurar que os valores espirituais da paz e da justiça prevaleçam frente à injustiça (FREIRE, 2005). Educar para a paz e valores humanos significa agir de modo dialógico no melhor sentido freireano, ou seja, de construir coletivamente o sentido da sociedade, promovendo democracia e participação. Freire nos indica o caminho para uma educação para a Paz:
Ao defender a educação baseada na conscientização, na colaboração, na participação e na responsabilidade social e política dos sujeitos envolvidos, Paulo Freire renega a visão tradicional de paz, ligada à manutenção da ordem e da tranquilidade, e insere a possibilidade da paz no campo da ação e do diálogo (CARDOSO; SILVA, 2016)
Por toda esta bagagem conceitual que herdamos de Paulo Freire, podemos afirmar que ele é o referencial maior para a Educação em Cultura de Paz. É impossível falar em educação para a paz sem falar nos princípios educacionais deixados por ele, assim construir a paz é ao mesmo tempo construir-se de modo dialético. Com Paulo Freire sabemos que promover a paz é caminhar numa estrada de mão dupla onde ensinamos e aprendemos, onde por mais que sejamos professores, nunca perdemos a noção de que também precisamos continuar sendo estudantes e aprendedores (MATOS, 2015). A pedagogia prenunciada pelo Movimento em Cultura de Paz, suscita a reelaboração das capacidades pazeadoras14 dos envolvidos no processo educativo sejam
estes educadores ou educandos (JARES, 2002).
Neste paradigma educacional é preciso estimular o aluno descobrir e contatar com a própria espiritualidade em um tipo de religiosidade não dogmática, mas que espelhe o religare com o todo místico do universo. Fundamental se faz trabalhar a autonomia do aluno e semear no processo educacional os germes de uma visão integral e transdisciplinar do ser. Também não se forma um educando saudável sem a expressão honesta e aberta dos sentimentos e pensamentos. A consciência do acolhimento às diferenças é outro tópico básico (MATOS, 2015).
Como fundamentos para uma educação voltada à Paz, também não podemos esquecer: ensino laico e baseado na multiculturalidade; uma formação voltada ao humanismo e não para tecnicismo; o ensino da importância da fraternidade como base das relações humanas e não do mercantilismo; uma educação fraterna e solidaria não voltada a mera disputa de mercado de trabalho; aceitação da diversidade; ensino dos valores humanos; aprendizado em democracia; o ensinamento do respeito; diálogo; solidariedade; não violência e ternura na convivência (JARES, 2002; FREIRE. 2000).
Este é o formato do pensamento sobre a paz que é nutrido pelo trabalho de pensadores como Paulo Freire, Johan Galtung, Xesus Jares15, Marcelo Rezende Guimarães16, Marshall Rosenberg17 e outros que nos ensinam a diferença entre a Paz Ativa e o conceito irrefletido sobre a paz que em geral se esboça numa visão de paz como passividade ou fraqueza de espírito. A educação para a paz propõe que semeemos nas novas gerações os valores da justiça e da fraternidade. Que ensinemos ao aluno a viver e conviver com as contradições da vida. Que aceitemos as diferentes culturas, sabendo que uma não pode sobrepor-se a outra (ROSENBERG, 2006; MATOS, 2016).
Exercer a criatividade na solução dos conflitos é um saber precioso para a educação em Cultura de Paz. A complexidade da vida e dos problemas cotidianos é inegável, mas é preciso acreditar em soluções inovadoras e dialogais para os conflitos. A cultura em geral traz uma visão pejorativa sobre o conflito. O termo conflito está sempre relacionado com guerras, brigas, morte e etc. O Dicionário Aurélio, a definição de conflito é a seguinte: “1. Embate dos que lutam. 2. Discussão acompanhada de injúrias e ameaças; desavença. 3. Guerra (1). 4. Luta, combate. 5. Colisão, choque” (FERREIRA, 1998, p. 217). Evidentemente que o conflito neste sentido traz uma carga negativa, mas é preciso descobrirmos no conflito seu aspecto positivo.
O conflito é parte da vida que para se desenrolar passa por conflitos naturais, como por exemplo, a dor do parto para que surja uma nova vida. A planta rasga o chão para nascer. Na democracia o conflito do debate trás o amadurecimento de ideias. Quando nos machucamos ou adoecemos, o conflito da dor é um aviso do corpo que inspira por cuidados. Em uma família é comum haver conflito entre irmãos, e isto
15 Educador e escritor espanhol. Grande teórico e propagador do tema Educação para a Paz. Para maiores
detalhes recomendamos a leitura dos livros de sua autoria citados em nossa bibliografia.
16 Dom Irineu Rezende Guimarães foi um monge beneditino e educador pacifista, escritor e teólogo,
doutor em Educação.
quase sempre traz aprendizados para a toda a vida, sobre como conviver em grupo (MATOS, 2013; MATOS, 2014).
Toda evolução ou revolução está vinculada a ideia de conflito, que aparece como oportunidade de crescimento e desenvolvimento. Sendo, o conflito um fenômeno natural não é necessariamente algo negativo. A conflituosidade nos retira da zona de conforto, nos arremata do comodismo em que estamos imersos. A humanidade sempre precisou superar conflitos em sua história (JARES, 2015). O que importa em um conflito é que sua resolução seja administrada de forma inteligente. No Japão o mesmo ideograma para crise representa também a oportunidade. Que de fato representam os conflitos nas relações humanas? Será que podem ser caminho de crescimento e aprendizado? Muitas tradições religiosas identificam nos conflitos familiares à oportunidade de aprendizado dada pela própria vida para que possamos evoluir como humanidade.
Conflito não pode se transformar em confronto. Conflito é o estado provocado por reações distintas, pois os indivíduos são diferentes, e reagem diferentemente a estímulos da mesma realidade. Exemplo: um indivíduo que é vidente vê a realidade de uma forma, enquanto outro que não tem visão vê essa mesma realidade de forma diversa. A realidade é a mesma, mas cada um vê essa realidade diferentemente, recebe as informações dessa realidade de maneira distinta. Muitas vezes, o fato de a realidade ser vista diferentemente provoca ideias, julgamentos, interesses, opiniões diferentes. Maneiras diferentes de ver, sentir, reconhecer a realidade podem resultar em ideias, julgamentos e ações conflitantes. Todas as relações humanas trazem intrínsecas a elas um conflito (D’AMBROSIO, 2010, p. 156)
O conflito pode ser, portanto uma oportunidade de lapidação e educação, ainda mais que ele pode representar uma pedagogia em nossas relações com a família ou em sociedade. É por meio dos conflitos que podemos aprender a conviver socialmente. Os conflitos nos dão oportunidade de ver as razões do outro, a opinião diferente e o pensamento oposto (GALTUN, 2017). Contatar com o outro é sair de meu universo isolado. O conflito pode me gerar reciclagem, pois, mesmo com o desconforto inicial, sobrevém a oportunidade de me abrir ao real diante mim, de ceder ao encontro e ao diálogo.
Educar para a paz é estimular a escuta efetiva do outro, de seus sentimentos. É sair do mundo egocêntrico, pois a incapacidade de escutar alimenta a postura de adversário. Escutar a si, escutar ao outro e escutar à própria situação. Em geral as partes se fecham em suas supostas “verdades” e não conseguem se abrir ao diálogo e a escuta. Para trabalharmos eficazmente a solução dos conflitos precisamos lapidar nossa capacidade de escuta. Já dizia o grande professor Rubem Alves que, “existem muitos cursos de oratória, mas que não se faziam cursos de escutatória” (ALVES, 2013). A escuta é vista por muitos estudiosos como uma verdadeira arte e esta arte é base da educação para a Paz Ativa.
Educar para Paz Ativa é educar um ser em sua integralidade emocional; espiritual; política; democrática; cidadã e em todas as dimensões. É o que também podemos ver nos quatro pilares do conhecimento sugeridos pela UNESCO, através da Comissão Internacional de Educação para o Século 21, que sugere: "aprender a conhecer", "aprender a fazer", "aprender a viver junto", e "aprender a ser" (UNESCO, 2014; MATOS, 2012).
O ser educado em cultura de paz está apto a interagir com o mundo de forma assertiva e proativa. Ele busca a completude, ele cobra e exige, mas também faz a sua parte dando bons exemplos e realizando ações em prol da comunidade. Ele não só faz discurso pela coletividade, mas age efetivamente em prol da comunidade. Uma parte lindíssima de tudo isto, é que toda esta teoria é aplicada e confirmada na prática (GALTUN, 2017). A cultura de paz não é uma “teoria de gabinetes”, ela tem a característica de aplicação e resultados mensuráveis18, portanto são inúmeros os trabalho educacionais, comunitários, terapêuticos, sócio ambientais e acadêmicos que hoje atuam tendo por base os saberes e fazeres da Cultura de Paz.
A mediação é mais uma destas fabulosas ações que visam desenvolver uma Cultura de Paz, como veremos no capítulo que segue.