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4.2. Öğrencilerin KiĢisel Bakım Uygulamalarına ĠliĢkin Bulgular

4.2.3. Öğrencilerin El Yüz Yıkama Durumları

Uma das conseqüências mais notáveis sentidas devido às profundas modificações na organização social do grupo foi o esquecimento da língua falada originalmente.

Eh, de 1951 prá cá, né o povo Pataxó foi muito discriminado. Pra ser reconhecido mesmo, né, falava que não era mais índio, porque não

falava português, não tinha mais memória. (...) Não falava a

língua, é. Então quer dizer, a memória, a memória ela tá aí. Tudo o

que a gente sabe ela tá gravada na memória, né. Vê passando de pai pra filho e vai seguindo, né. Então quer dizer né, eh, não só a

língua, como o que eu acho importante é a interculturalidade,

presente na vida do índio. É isso que faz o índio viver. (Kanátyo)

Segundo Mey (1998) a língua natural leva consigo os valores da sociedade a que o indivíduo pertence e o seu aprendizado significa a assimilação da ideologia do grupo. Igualmente para Rajagopalan, a relação entre língua e identidade está ligada à idéia de interesses e está investida de ideologia (RAJAGOPALAN, 1998, p.42). O esquecimento da língua implicaria, então, na perda dos valores e do conteúdo social e ideológico do grupo, conseqüentemente, de sua identidade.

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Conscientes desta relação, os Pataxó, em seu processo de afirmação da identidade étnica, estabeleceu entre suas estratégias o resgate e/ou reinvenção da sua língua.

Em seus registros etnográficos sobre o grupo, Maximiliano (1989) listou 90 termos do vocabulário Pataxó (Anexo 1) e marcou a semelhança com os parentes Maxakali. Segundo Maximiliano, os Patachós lembram, em muitos pontos, os Machacaris ou Machacalis; as línguas têm alguma afinidade, embora difiram enormemente a vários respeitos

(MAXIMILIANO, 1989, p.214).

Carneiro da Cunha (1987) registrou a estratégia Pataxó de resgate da língua relatada por Pedro Agostinho. Não é o caso de discutir seus argumentos nem tampouco sua conclusão, mas apenas acrescentar um dado à tese.

Em suma, e com o perdão do trocadilho, existe uma bagagem cultural, mas ela deve ser sucinta: não se levam para a diáspora todos os seus pertences. Manda-se buscar o que é operativo para servir de contraste. E isto até em sentido literal, como relata Pedro Agostinho dos Pataxó do sul da Bahia, que mandam alguns de seus membros aprenderem Maxakali em Minas Gerais, para se afirmarem como índios. Tudo isso leva à conclusão óbvia de que não se podem definir grupos étnicos a partir de sua cultura, embora, como veremos, a cultura entre de modo essencial na etnicidade. Foram essas considerações que levaram antropólogos interacionistas, como Moerman e Barth, a definirem adequadamente a identidade étnica em termos de adscrição: assim, é índio quem se considera e é considerado índio. Sartre já dizia o mesmo dos judeus. Portanto, os Pataxó são índios porque assim se consideram, não obstante ostentem uma cultura forjada, precisamente criada para afirmá-lo. (CARNEIRO DA CUNHA, 1987,p.100)

Estas novas palavras, de origem Maxakali, são empregadas quando um novo visitante chega à área da Reserva. Elas são pronunciadas de forma rápida e soltas no contexto da frase, possivelmente para que não possam ser reconhecidas e para causar boa impressão aos indivíduos estranhos à área.

Então, só aqueles que foram ficando recanteado lá pros mato, mas os que estava no meio dos português, dos branco, trabalhando com ele, não falava. (...) E aí, este pai do Sebastião [Véio Duardo], ele

não fala uma palavra.(...) Só eles [grupo de Kanátyo e Sebastião ]

que inventa umas coisa que fala certo e outras eles inventa prá

dizer que são mais índio que nós. Mas a gente não quer saber disso ??? Mas faiz mesmo, né (...) Os bicho são danado, eles já fica...Mas o pior é que chega, você pergunta a um como é que chama isso aqui...É, é, é, é, fulano, como é que você chama isso? É cicrano, já

166 disso, eu, o que eu sei, eu falo, o que eu não sei, eu não falo. (Seu Manuel)

Ao que consta a língua Pataxó resistiu até a década de 1940 (cf. THOMAS, 2001), mas as lideranças da Aldeia de Barra Velha e da RI Fazenda Guarani afirmam que “seus velhos” guardam na memória resquícios deste que representa um dos elementos mais importantes na constituição da identidade de um povo. Mesmo que existam divergências entre eles:

O que eles queriam. Então, o meu pai, morreu com noventa e seis anos. (...) E ele não falava nem uma palavra de dialeto. A minha

avó que falava. (Seu Manuel)

Através da memória, os grupos tentam reconstituir o que foi perdido e re-estruturar uma tradição como forma de compor sua identidade. Dentre as estratégias utilizadas, inserem-se o contar histórias e costumes, bem ao estilo das “conversas sem compromisso e ao pé do fogo”. Bosi em sua experiência como historiadora comenta que

O instrumento decisivamente socializador da memória é a linguagem. Ela reduz, unifica e aproxima no mesmo espaço histórico e cultural a imagem do sonho, a imagem lembrada e as imagens da vigília atual. Os dados coletivos que a língua sempre traz em si entram até mesmo no sonho (situação-limite da pureza individual). De resto, as imagens do sonho não são, embora pareçam, criações puramente individuais. São representações, ou símbolos, sugeridos pelas situações vividas em grupo pelo sonhador: cuidados, desejos, tensões... (BOSI, 1979 p.19)

Em uma perspectiva dialética, ao mesmo tempo em que recupera e mantém, a memória, como processo, garante as condições para transformações e superações, como um campo de possibilidades e garantias para o surgimento do novo. Abre-se, assim, a chance dos grupos se constituírem tanto através de elementos internos quanto externos, como desenvolve Pêcheux:

E o fato de que exista assim o outro interno em toda memória é, a meu ver, a marca do real histórico como remissão necessária ao outro exterior, quer dizer, ao real histórico como causa do fato de que nenhuma memória pode ser um frasco sem exterior. (PÊCHEUX, 1999. p.56)

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O passado representa um elemento estruturador entre os Pataxó sendo fundamental na constituição da subjetividade de seus membros. O tempo verbal, os pronomes pessoais e as condições sociais dos atores envolvidos na enunciação são os elementos através dos quais, para Benveniste (1991), a subjetividade se revela na linguagem. Assim, neste trabalho realizado com os Pataxó, a referência temporal dos entrevistados voltava-se majoritariamente ao passado, enquanto o presente, por sua vez, era expresso, com freqüência, com verbos no gerúndio indicando que a sua ação estava em processo.

Quer com o uso de expressões, quer com o uso de tempos verbais no pretérito, a constituição do grupo hoje é uma referência ao que foi no passado. São três os marcos temporais definidos na sua história, a saber: a chegada do europeu na Ilha de Vera Cruz; o com o conflito armado em Barra Velha no ano de 1951,; e a migração do grupo da Bahia para Minas Gerais no início da década de 1980. No entanto, quando o tema da conversa diz respeito ao modo de viver dos seus antepassados, a história do grupo é, em geral, uma nebulosa sem ancoragem definida.

No quadro abaixo, destaquei das falas dos entrevistados algumas referências temporais desta indeterminação:

TEMPO/PASSADO

índio que já morreram há mil e tantos anos, mil anos,então vem, conversa com eles, dizendo eles que é o índio que já morreu há m

l)

os europeu, eles não deixava nós falar mais a língua, que era, não deixaram a gente chamar os espírito, tinha que fazer o que eles fa

organizado... (Seu Manuel)

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Seu Manuel)

dos brancos, já ficou assim meio mais... (Seu Manuel)

é. (Véio Duardo)

ça, no dia do casamento, aí que eles iam se vestir, com esta roupa que nós se veste até hoje, se pintá todo, usá os brinco, usá os, os a medição lá na nossa, nossa, porque lá era nosso. E é até hoje. É inté hoje. (Véio Duardo)

Figura 24: Referências temporais identificadas na enunciação dos entrevistados: passado.

Este período sem definição, sem data e sem limites, aparentemente perdido na memória, coincide com a ausência de dados históricos e documentais. Ele ultrapassa o limite geracional dos registros que as sociedades sem grafia conseguem manter, até quatro gerações. Em seu discurso, estes momentos são representados por expressões tais como

antigamente, antes dos europeus chegarem aqui, no tempo que os índios era lá, mil e tantos

ano.

A utilização de termos técnicos associados a temas debatidos academicamente demonstra a afinidade do grupo com a sua história, com o cenário político atual e com os profissionais que lhes fornecem o suporte necessário à sua constituição étnica:

Os europeus, pra podê ganhá o ouro de graça, sem pagar mão de obra, então era os bandeirante com, na, animais e mais tropas e mais tropas, carregadas de pedras preciosas e ouro, navios e mais navios carregados de pedras preciosas, ouro e pau-brasil, pá enriquecê o país de terceiro mundo, como tão tudo rico hoje. (Seu Manuel)

Possivelmente por vivenciarem este momento de transição, seu discurso revela, em diversos momentos, a comparação do que foi a vida do índio – ou a sua própria na Bahia, e a realidade atual. Expressões como antes e depois, agora e antigamente, nos primeiros tempos e depois sugerem as mudanças tão presentes na vida do grupo e parecem lembrá- los a todo o momento o que já se foi. Talvez para não esquecer e reproduzir seus antigos hábitos indígenas, nos termos da teatralização de Goffman (1975) ou, ainda, uma forma de

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garantir que seu ouvinte saiba de suas origens indígenas e sua identidade étnica seja preservada.

Quando o tempo presente é percebido na fala dos entrevistados, ele é destacado como um movimento político, que insere o grupo no contexto econômico, cultural e social atual:

Então isso a gente hoje tá renascendo os canto, tá renascendo as palavra, tá renascendo tudo aquilo que o nossos avô tava, querendo repassá e hoje a gente tá trabalhando com.., mesmo que nossos velho já tão cansado, eles tem muita cisma de contá as história, pra gente, a gente tá levando eles com carinho pra tá repassando pra nós, pra gente tá repassando pros filho. (Bayara)

Com as andadas da gente pra fora, divulgando a, a, a nossa nação indígena, (Seu Manuel)

Então, eu acho que a gente hoje, o índio sai da cultura dele, sabe

falá a língua dele, mas ele precisa também ter de ser cidadão

brasileiro também, né, dele usá um relógio, calçar sapato porque, igual eu fico té pensano que hoje existe a própria discriminação

com os próprio indígena,(Bayara)

porque o povo Pataxó ele é muito, ele é muito trabalho em grupo, o povo Pataxó ele gosta de trabalhá muito em mutirão. Ele é muito

reunido né, ele gosta da união. (Bayara)

O hoje é se refere não apenas à cronologia, mas ao cenário contemporâneo da globalização e da mundialização da cultura (cf. ORTIZ, 1998). Adota o discurso político da inclusão das minorias étnicas e da garantia de seus direitos.

O limite do presente, agora, hoje ou hoje em dia, ultrapassa uma geração, como na fala de Véio Duardo que se refere aos negros que moravam na Aldeia de Barra Velha antes de sua saída para Minas Gerais.

O quadro abaixo destaca algumas referências ao tempo presente:

TEMPO/PRESENTE

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ém ter de ser cidadão brasileiro também, né, dele usá um relógio, calçar sapato porque, igual eu fico té pensano que hojeexiste a próp ue o nossos avô tava, querendo repassá e hoje a gente tá trabalhandocom, mesmo que nossos velho já tão cansado, eles tem muita

comigo, mas certas coisas não sei explicar. (Dª Maria D’Ajuda)

Figura 25: Referências temporais identificadas na enunciação dos entrevistados: presente.

Benzer Belgeler