4.2 Öğrencilere Uygulanan Anket
4.2.2 Öğrencilerin matematiğe karşı tutumları ile ilgili bulgular ve
A progressão da carreira docente esta atrelada a titulação que o professor adquire com o passar do tempo. Na Faculdade de Educação os professores são majoritariamente mestres até 1996 e doutores a partir de então, conforme pode ser observado na Tabela 3. É nítida a mudança no perfil de qualificação profissional dos professores da Faculdade de Educação, expresso pela titulação. De 1990 a 2004 diminuiu de 51% para 12% o número de mestres, enquanto aumentou de 23% para 87% o percentual de doutores.
Em contrapartida, se a entrada de professores com doutorado demanda, a médio e longo prazos, a criação das condições para saídas para a realização de pós-doutorado, a entrada de um grande número de mestres entre 1992 e 1997 implicou o desafio de permitir que se doutorassem no menor tempo possível, em decorrência das sempre crescentes pressões por qualificação docente. Para atender a essa demanda e agilizar o processo de qualificação dos novos mestres o DEPARTAMENTO B e o DEPARTAMENTO A adotaram um sistema de liberação integral para realização de doutorado por um período de, no máximo, três anos, em
vez de quatro anos, como é de praxe.
TABELA 5:
Titulação dos Professores da Faculdade de Educação (1990 a 31/12/2004)
ANO DEPARTAMENTO B DEPARTAMENTO A DEPARTAMENTO C FAE
G/E M D Tot G/E M D Tot G/E M D/LD Tot G/E M D Tot
1990 8 10 7 25 8 15 10 33 12 30 7 49 28 55 24 107 1991 8 9 8 25 7 15 11 33 8 30 7 45 23 54 26 103 1992 6 7 8 21 3 10 8 21 6 27 9 42 15 44 25 84 1993 2 4 9 15 1 11 9 21 3 25 11 39 6 40 29 75 1994 2 4 7 13 1 15 7 23 3 23 12 38 6 42 26 74 1995 - 5 8 13 1 15 6 22 3 23 14 40 4 43 28 75 1996 - 7 9 16 1 17 7 25 3 21 16 40 4 45 32 81 1997 - 9 9 18 1 17 12 30 2 23 15 40 3 49 36 88 1998 - 10 9 19 1 16 12 29 1 21 16 38 2 47 37 86 1999 - 8 11 19 1 14 13 28 - 21 16 37 1 43 40 84 2000 - 8 10 18 1 9 18 28 - 17 20 37 1 34 48 83 2001 - 8 9 17 1 8 19 28 - 11 26 37 1 27 54 82 2002 - 6 12 18 1 6 17 24 - 10 30 40 1 22 59 82 2003 - 5 13 18 1 5 20 26 - 8 28 36 1 18 61 80 2004 - 3 17 20 1 2 25 28 - 5 31 36 1 10 73 84
G/E: Graduado/Especializado / M: Mestre / D/LD: Doutor/Livre Docente Fonte: Perfil Institucional da Faculdade de Educação (2005)
A recente política de recursos humanos do MEC, que consiste em realizar concursos somente para adjuntos, associada à pressão por qualificação, está levando à definição de um quadro em que brevemente quase 100% dos professores da Faculdade serão doutores. Estes passaram de 24 para 73 nos últimos 15 anos na Faculdade. Dentre os 11 professores assistentes, 7 estavam realizando doutorado em 2004. (Perfil Institucional -2005)
Os dados quantitativos acima explicitados comprovam a corrida desenfreada pela titulação entre os professores. Na visão da Professora P2, bolsista 1C do CNPq com 28 anos de academia, essa pressão esta induzindo os professores mais novos a uma “carreira precoce”:
Hoje aqui a carreira docente não é ascendente: todos já começam doutores, já pegam aquela tese de doutorado, já fazem um livro, e tiram uns 5 artigos daquilo. Então nem entrou na universidade e já começa a querer saber como orienta tese. A hora em que ele perceber que a aula da pós-graduação é penosa, você tem que ter uma estofo maior, é um aluno que pergunta muitas coisas, é um aluno maduro, com mais experiência, já fez uma graduação, passou por uma seleção, aí ele vai ter que orientar tese que é muito trabalhoso. Aí se você for cobrar o máximo do aluno, exigir e olhar, cobrar linguagem ,conteúdo, nível de crítica e de análise, o rigor metodológico, ele vai ter muito trabalho. Então eu acho assim que vai ser
uma curva descendente. Elas vão começar uns quinze anos da carreira, mas elas vão se cansar disto. (Professora P2)
Ela reflete sobre a carreira desse professor a longo prazo, e chega a usar como metáfora a expressão “geração do descartável”:
(...) o que eu penso é que como está indo tudo com muita voracidade, eu tenho medo de como isto vai se comportar no futuro, porque existe hoje, nessa geração do descartável, o valor de uso é muito pequeno, (...) eu fico pensando com esta voracidade toda, não sei se tenho vontade de fazer aquilo tudo. Será que vai ter garra para continuar, com este pique, com este entusiasmo por mais tempo?(Professora P2)
A corrida pelos títulos acaba por desencadear, explicitamente ou não, a disputa entre os professores, que quando associada a todos os outros critérios de produtividade toma uma dimensão ainda maior - a competição - que muitas vezes gera uma contradição interna nos próprios professores, que nem sempre se dão conta disso ou querem admitir que estão competindo com os seus pares:
Não percebo uma ‘competição’ por assim dizer; eu percebo que hoje é muito importante a nossa articulação, e ela é individual. Você tem que investir na sua carreira, e isto é individual. Não vejo uma competição inter e intra departamental. O que eu vejo é uma pressão individual, uma auto- cobrança pelos títulos, porque senão você fica menos do que os outros. (Professor P5)
Entrevistamos um professor que não se adequou a essa exigência advinda da pressão pela titulação. Atualmente é o único professor mestre da Faculdade e que não se encontra em processo de doutoramento. Em sua verbalização, o Professor P7 expõe as razões pelas quais não consegue se adaptar a esse novo valor:
Eu não me titulei, eu não sou doutor ainda, eu sou produto de um momento da universidade onde, por exemplo, a minha companheira saiu para fazer o mestrado dela. Eu fiquei quatro anos com as minhas turmas e a dela, quando ela veio eu sai também para fazer o meu mestrado. Ela foi para o doutorado na mesma condição: dobrava a carga de trabalho. E assim muita gente se titulou, e eu não ganhei o modus operandis desta pressão da produtividade da pesquisa e na inserção no campo da pós-graduação. Eu acabei dando mais suporte ao ensino e ao administrativo. Isto me desqualificou para este momento. De forma que a cobrança hoje existe, eu a percebo, mas eu não dou conta de acompanhar e de responder.(Professor
P7)
O Professor P7 vem passando há quase dois anos por um processo de sofrimento psíquico que se manifesta em um quadro progressivo de depressão. Ele admite não ter perfil para esse valor imposto a partir da década de 90:
Eu não tenho perfil para esta tentativa: o meu perfil maior é para a integração das ações, e aí independentemente se é na pós, nas práticas. Este viés, vamos dizer, do acadêmico eu não tenho o lastro eu me desautorizo a ter. Eu não digo que tem uma resistência, mas não dá para responsabilizar só a resistência. Eu sou valorizado, mas é como se eu tivesse alguma ausência de lastro, coisa que poderia ser estruturante para isto avançar, mas eu não me identifico, eu não dou conta, eu acho que eu sou valorizado, mas é lógico que eu tenho impedimentos, esbarra nas esferas administrativas, nas titulações. (Professor P7)
Percebe-se, atualmente, um movimento de pressão pelo pós-doutoramento entre os professores. Dos 9 professores entrevistados, 3 já possuem o título de pós-doutores e 3 já estão em fase de conclusão do ingresso a programas no exterior.