3. YÖNTEM
4.3 Öğrenci ve Veli Görüşmelerinden Elde Edilen Verilerin
Seria acertado pensar a política brasileira dos anos recentes (últimos 15 anos) nos termos dados pelas seguintes questões: quais as práticas políticas indispensáveis ao sucesso da implantação das reformas neoliberais no Brasil? Qual teria sido o ajuste do jogo político às necessidades dessa implantação?
Mesmo que se reconheça o esforço empreendido para a modernização da política brasileira nos anos 80/90 de século passado, o que parece ter incorporado à cultura política geral novos traços e procedimentos como o consenso sobre os males da corrupção e o aprimoramento de instrumentos de controle da administração pública, entre outros, também é crível reconhecer que o jogo político desenvolvido para garantir a “governabilidade” indispensável à implantação do programa neoliberal contou ainda com práticas políticas de tipo patrimonialista e de tipo clientelista. Quer dizer, a “modernidade” sócio-econômica denominada neoliberalismo encontrou, no processo de sua implantação no Brasil, recursos na reatualização de procedimentos inscritos nos legados políticos e institucionais do passado brasileiro: patrimonialismo, apadrinhamento, fisiologismo e clientelismo.
A hipótese presente aqui é a de que as práticas políticas típicas do “atraso”, entre elas as de tipo clientelista, encontraram razões para sua sobrevida na organização política brasileira nos últimos 15 anos, principalmente, nas necessidades e demandas colocadas pela implementação do modelo sócio- econômico neoliberal. Exatamente porque: a) este admite e provoca a exclusão social;74 b) escora-se na exclusão política das classes populares;75 c) e, por extensão, requisita aquelas práticas já consagradas, no Brasil, de se exercer esta com uma contribuição total de R$ 11,504 milhões. A soma equivale a 26,73% dos fundos levantados pelo seu comitê. (Folha de S. Paulo, 6 jun. 1999. Caderno Eleições S/A, p.11).
74 No caso da exclusão social se pode observar que a aplicação do modelo neoliberal levou a situações “onde as macro-contas do país são ajustadas, com queda da inflação, saldo da balança financeira e estabilidade econômica, embora aumente o desemprego e piore sensivelmente a situação dos mais pobres, aumentando a distância que separa as classes sociais mais abastadas daquelas menos favorecidas, gerando ainda mais bolsões de miséria”. (TEXTO-BASE ..., 1996, p.34). 75 Para MORAES (1998), “[o] neoliberalismo econômico leva a uma política conservadora – e seus propagandistas, de Hayek a James Buchanan, jamais esconderam a pretensão de colocar limites drásticos às ‘irresponsabilidades’ da democracia de massas”. (MORAES, 1998, p.121-126).
última forma de exclusão: a violência, o apossamento privado do aparelho estatal e o controle clientelístico dos eleitores.
No entanto, não deixa de ser forte a exigência recente pela “modernização” também, do comportamento político no Brasil. Dois movimentos avançam o controle sobre esse comportamento: 1) o aprimoramento da legislação de controle sobre a administração pública (como, por exemplo, a Lei de Responsabilidade Fiscal) e do funcionamento da justiça (como é o caso da crescente intervenção das Promotorias Públicas na denúncia das práticas de corrupção) e; 2) a fiscalização realizada pela imprensa, que reflete, até certo ponto, o descontentamento de parte da população com o grau ‘exagerado’ dos casos de corrupção no aparelho estatal que tem vindo à tona.
Mesmo os organismos internacionais que vêm exercendo grande influência sobre os governos brasileiros recentes, têm, retoricamente e em nome da necessidade de “eficiência gerencial do Estado”, demonstrado seu repúdio àqueles comportamentos políticos “atrasados”, que geram imprevisões, gestão perdulária dos recursos públicos, dificuldades para a realização de programas de gestão, etc.
Nos termos da retórica predominante no que diz respeito à administração pública, ao menos no nível federal, o comportamento político mais adequado e funcional à implantação e condução do programa do Consenso de Washington seria diferente do modelo de política no qual vicejam práticas de tipo patrimonialista e paternalista, em vigência em boa parte dos outros dois níveis do governo, o estadual e o municipal. Para efeito retórico, o programa neoliberal seria melhor tocado por um modelo autoritário, centralizador e mais ou menos tecnocrático, sem concessões às práticas de tipo patrimonialista e clientelista. Esse programa exigiria, ainda, que as regras político-eleitorais fossem claras, previsíveis e respeitadas, garantindo a estabilidade, ou, no termo bem aceito no debate sobre o período, garantindo a “governabilidade” como condição das reformas neoliberais. (FIORI, 1997, p.12-14).
A estratégia de implantação das reformas neoliberais previa então, para ser levada a efeito, a necessidade de um tempo que excedia o tempo de um mandato presidencial: pelo menos dez anos, anotavam seus porta-vozes. Essa necessidade estaria, também, na base da avaliação segundo a qual, sob a estratégia neoliberal as regras democráticas seriam reduzidas ou restringidas, para
assegurar que a política neoliberal fosse levada até o fim. (LESBAUPIN, 1996, p.14- 24).
Por voltar-se para medidas que visam transferir para a iniciativa privada atividades antes estatais e que, ao mesmo tempo, buscam centralizar as decisões relevantes sobre a macroeconomia nacional, inclusive as decisões sobre o destino do fundo público, as características do programa neoliberal parecem exigir dos agentes políticos um comportamento previsível, realizado dentro das regras do jogo vigentes, sem sobressaltos. E, principalmente, respeitosos da nova ordem fiscal ajustada a uma política econômica subordinada aos compromissos com a dívida pública do Estado. Portanto, comportamento austero, cioso da responsabilidade fiscal e dos recursos limitados disponíveis às unidades da Federação e aos municípios. Nesse comportamento ‘adequado’ não caberiam práticas patrimonialistas, paternalistas e clientelistas que comprometessem os recursos públicos em desvios, malversações e gastos imprevistos e “irresponsáveis”.
No entanto, apesar desses posicionamentos pela sua “modernização”, a política brasileira hodierna continua sendo praticada com comportamentos que fogem a esse padrão “moderno”, retoricamente exigido. Mesmo na esfera federal o jogo político é marcado por práticas de caráter patrimonialista, paroquial e clientelista – o que vimos denominando de práticas “atrasadas”. Mais ainda o é o funcionamento da política nos estados e nos municípios. O que haveria então? a) defasagem entre a “modernização” esperada e o “atraso” herdado? b) adequação/funcionalidade do “atraso” em relação às exigências da “modernização”?
1.4 O Autoritarismo Como a Forma de Governo Mais Adequada ao