2.4. Deneysel İşlem: Portfolyoya Dayalı Değerlendirme Süreci
2.4.2. Öğrenci Değerlendirme Süreci
Um dos desdobramentos mais significativos da semântica estruturalista foi o trabalho conduzido principalmente pela autora polonesa Anna Wierzbicka, o qual vem sendo atualizado a partir de um estudo inicial intitulado Semantic Primitives (1972). A esse respeito, Geeraerts (2010, p. 126-127) chega a afirmar que a perspectiva teórica da autora em destaque advém da tentativa de lidar com o rápido desenvolvimento da Linguística Cognitiva, sobretudo no que tange ao processo difuso e obscuro de categorização semântica. Nesse sentido, Wierzbicka assume que há, de fato, representações mentais que organizam o significado de palavras e expressões, mas que os conceitos representados cognitivamente são de natureza muito mais simples que seus respectivos referentes no mundo real. Geeraerts (2010, p. 127) interpreta essa premissa e diz que “It implies that the concepts we have in our head are clearly delineated, in spite of the fact that we have to apply them to a world that is essentially blurry. If we can just tap into the clarity that is in our own head, the unclarities of
the world need not bother us”.42
42Tradução do autor: “Isso implica que os conceitos que nós temos em nossa cabeça são claramente delineados,
apesar do fato de que nós precisamos aplicá-los a um mundo que é essencialmente difuso. Se nós pudéssemos somente explorar a claridade que existe em nossa cabeça, as incertezas do mundo não nos atrapalhariam.”
De fato, Wierzbicka (2003[1991]), com contribuição de outros autores, propõe a chamada Natural Semantic Metalanguage, segundo a qual somente uma ferramenta metalinguística independente de qualquer língua ou cultura poderia dar conta de elucidar as diferenças de significado que cada item lexical pudesse apresentar em âmbito cross-cultural. Essa metalinguagem, em essência, apesar de sua independência a formas linguísticas específicas, deveria ser acessível e inteligível por meio de qualquer língua, isto é, lexicalizado em todas as línguas (WIERZBICKA, 2003, p. 6). Em última análise, portanto, pode-se afirmar que Wierzbicka buscou (e busca até o presente momento) criar uma lista de termos que estariam presentes em todas as línguas do mundo, isto é, um conjunto reduzido de primitivos semânticos universais que poderiam ser utilizados para análises semânticas comparativas entre as mais diversas línguas do planeta. Desse modo, verifica-se um desejo de se alcançar um rigor metodológico que fugisse de qualquer preconceito analítico motivado por ideais etnocêntricos atrelados a determinados sistemas linguísticos ou culturais e, além disso, uma tentativa de se evitar certa circularidade43 na análise linguística.
Em seu estudo sobre a expressão Heimat em alemão, Wierzbicka (1997) faz uso de seus itens léxicos universais (tais como I, people, something, want, feel, entre outros), a fim de reduzir o significado de pátria (no caso, relativo ao termo Heimat em alemão) ao nível mais básico – o qual, a princípio, seria compartilhado pelos alemães em geral em comparação a outros povos. O resultado a que chega a autora consiste na seguinte lista de acepções:
Heimat: (a) a place; (b) I was born in this place; (c) there are many places in
this place; (d) when I was a child I lived in these places; (e) I felt something good when I lived in these places; (f) I felt that nothing bad could happen to me; (g) I can't feel like this in any other places; (h) because of this, when I think about these places I feel something good; (i) I think something like this when I think about these places: (j) these places are not like any other places; (k) I was like a part of these places when I was a child; (1) I can't be like a part of any other places; (m) this place is like a part of me; (n) (I know: some other people think the same when they think about these
43
Wierzbicka percebeu que cada item lexical era definido por outros itens que também faziam parte do vocabulário da língua. Porém, esse modo de definição foi caracterizado pela autora como circular, ou seja, seriam necessárias somente ferramentas da própria língua para que o significado de um termo fosse descrito, fato que excluiria a importância da referência direta ao mundo exterior no processo de definição. Nesse sentido, os primitivos semânticos entrariam em cena como um conjunto de itens que não mais precisassem ser definidos e que, além disso, fossem utilizados para a definição de quaisquer outros termos que não fizessem parte dessa metalinguagem.
places); (o) (I think these people feel the same when they think about these places); (p) (when I think about these people, I feel something good). (WIERZBICKA, 1997, p. 158)44
Como já mencionado anteriormente, o projeto de Wierzbicka teve como propósito o desenvolvimento de uma abordagem reducionista de análise semântica. Sob essa ótica, é preciso ressaltar que o significado de Heimat, mostrado acima, baseia-se em uma prática de definição que se chama ‘paráfrase reduzida’, a partir da qual todo e qualquer item lexical de dada língua deve ser definido por meio do uso exclusivo de primitivos semânticos. Essa prática implica, além disso, que ao uso de dado item lexical subjaz o conjunto de primitivos que o define. Nesse sentido, Geeraerts (2010, p. 130) afirma que a autora não trabalha com o referente em si, mas sim com o que as pessoas pensam a respeito do referente.
A grande questão epistemológica que se coloca a respeito desse exercício de paráfrase se refere ao fato de que, para Wierzbicka, a definição (que contém somente itens da metalinguagem universal) não abrange características referenciais do mundo exterior, mas sim representações mentais básicas que são compartilhadas por algum grupo específico de falantes. Com base nessa prerrogativa, a autora defende análises semânticas que sejam exclusivamente discretas – que possam ser categoricamente definidas – em detrimento da procura pela aplicabilidade referencial de conceitos, como no caso das pesquisas conduzidas por Gipper (1959 apud GEERAERTS, 2010) e Labov (1973). Em outras palavras, Wierzbicka afirma ser o estudo da estrutura conceptual muito mais importante para que se possa descobrir a verdadeira essência semântica de itens lexicais, visto que o processo de referência ou aplicabilidade conceptual se descaracteriza devido a um mundo altamente difuso e caótico. Com efeito, Geeraerts (2010, p. 127) descreve a abordagem de Wierzbicka
da seguinte forma: “the mind is neat, but the world is fuzzy”.45
44Tradução do autor: “Heimat: (a) um lugar; (b) eu nasci nesse lugar; (c) há vários lugares nesse lugar; (d)
quando criança eu vivi nesses lugares; (e) eu senti uma coisa boa quando eu vivi nesses lugares; (f) Eu senti que nada de ruim poderia me acontecer; (g) eu não consigo me sentir assim em outros lugares; (h) por causa disso, quando eu penso sobre esses lugares eu sinto algo bom; (i) eu penso algo assim quando eu penso sobre esses lugares; (j) esses lugares não são como outros lugares; (k) eu era como uma parte desses lugares quando criança; (l) eu não consigo ser parte de nenhum outro lugar; (m) esse lugar é como uma parte de mim; (n) eu sei: outras pessoas pensam o mesmo quando elas pensam sobre esses lugares; (o) eu penso que essas pessoas sentem o mesmo quando elas pensam sobre esses lugares; (p) quando eu penso sobre essas pessoas; eu sinto algo bom.”
A reboque desses postulados, Geeraerts inicia uma série de críticas ao trabalho de Wierzbicka, principalmente no que se refere (i) à constituição da metalinguagem universal e (ii) à prática de ‘paráfrase reduzida’. No que tange ao primeiro item, questiona-se o fato de que não há, para a confecção da lista de primitivos semânticos, um desenho metodológico que consiga justificar a inclusão ou exclusão de itens nessa lista. De fato, a autora polonesa advoga a introspecção como o caminho mais indicado para se alcançar as definições semânticas essenciais. Porém, como bem aponta Geeraerts (2010, p. 133), uma teoria que se propõe a delinear primitivos universais precisa, no mínimo, sujeitar seus dados à comprovação por falantes de todas as línguas até então catalogadas. Sem essa verificação, a metodologia aplicada e, por conseguinte, as definições a que chega a autora perdem muito em credibilidade empírica.
Já no que se refere à ‘paráfrase reduzida’, Geeraerts critica a afirmação de que a todos
os usos de um item lexical necessariamente subjaz o conjunto de primitivos semânticos que o define. Para se ter uma ideia da amplitude teórica de uma tal assertiva, todos os falantes alemães, ao utilizarem o termo Heimat (em qualquer situação comunicativa), teriam obrigatoriamente como base conceptual todas as acepções (de ‘a’ a ‘p’) listadas pela autora em 1997. Em outra oportunidade, Geeraerts (2006) chega a definir a abordagem de Wierzbicka como altamente idealista, justamente por negligenciar a importância de corpora para a análise de dados, bem como por basear seu estudo em introspecções sobre o conhecimento humano.
No que se refere especificamente ao sentido de Heimat como demonstrado acima, por mais interessante e desafiadora que a teoria de Wierzbicka possa parecer, a autora falha, por exemplo, ao não indicar empiricamente a procedência de seus dados e, principalmente, ao atribuir esse significado a todos os usos de Heimat – nesse contexto, colocam-se as acepções supracitadas como proposições impostas pela própria autora. Por essa razão, e também devido às críticas delineadas por Geeraerts, coloca-se a Natural Semantic Metalanguage como uma ferramenta não ideal para a análise proposta nessa dissertação.