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Çoklu Regresyon Analizleri

BÖLÜM 3: ARAŞTIRMA

3.11. Çoklu Regresyon Analizleri

Vários indícios apontam o início do povoamento da região na segunda metade do século XVII, entretanto a vila teve duração efêmera devido um surto de varíola que dizimou quase a totalidade da população. Por volta de 1750 Caraguatatuba volta a ser povoada, pois a região servia como uma rota para o ouro vindo de Minas Gerais, levado por via marítima para Rio de Janeiro. Porém, essa rota cai em desuso com a abertura de uma via terrestre ligando diretamente a capital da colônia com a região mineira.

No início do século XVIII, Caraguatatuba não passava de um pequeno povoado, com algumas casas pequenas e ruas curtas e apertadas. Sua pequena população vivia da pesca e da produção de gêneros alimentícios como mandioca, milho, abóbora, feijão e arroz, voltados mais para a subsistência do que para o comércio. Mais tarde outros produtos, como cana-de- açúcar, anil e café passaram a ser produzidos, buscando comercializá-los em outros lugares, como São Sebastião e Ubatuba. A produção era realizada pela família, com auxílio de alguns agregados e escravos.

A ocupação do solo era feita em pequenas propriedades devido ao pequeno número de pessoas vivendo na região, o que impossibilitava o aproveitamento maior das terras existentes. Embora existissem trilhas e pequenas estradinhas ligando o povoado às vilas vizinhas, era pelo mar que se dava a comunicação com outras regiões, feitos em pequenas embarcações, levando a pequena produção até outros portos para o comércio e trazendo produtos não fabricados no povoado, como pólvora, instrumentos de ferro e tecidos. O isolamento quase total do povoado foi relativamente amenizado quando foi aberta, na segunda década do século XVIII, uma estrada entre São Sebastião e Paraibuna, que passava por Caraguatatuba, que serviu de rota para o escoamento da produção de café do Vale do Paraíba anos mais tarde. Aliás, o desenvolvimento da economia do café na região valeparaibana será responsável pelo crescimento da população e da economia do povoado, que se emancipará de São Sebastião em 1857.

A partir da década de 1830 o café passa a ter maior importância na economia caraguatatubense, com o crescimento das lavouras, geralmente ocupando o lugar da cana-de- açúcar e de lavouras tradicionais destinadas à alimentação. Os lucros auferidos nessa época foram parte reinvestidos nas fazendas, como compra de ferramentas, maquinários e escravos; e parte gastos com a melhoria das condições de vida das famílias. Estes gastos consumiam todo o lucro, o que impelia os fazendeiros a buscarem crédito junto aos capitalistas para

poderem desenvolver uma nova safra. Essa dependência levou muitos fazendeiros à falência quando surgiram as dificuldades, como pragas, empecilhos na venda do produto e escassez de mão-de-obra, principalmente após o fim do tráfico negreiro. As técnicas rudimentares de cultivo e o natural envelhecimento dos cafezais levaram à queda na produção de café, o que agravou ainda mais o endividamento dos fazendeiros. Essa situação foi uma constante em vários municípios do Vale do Paraíba, e Caraguatatuba não foi diferente. Ao final dos anos 1870 a produção cafeeira no município era quase inexistente, com os fazendeiros voltando a produzir cana-de-açúcar e gêneros alimentícios.

O comércio da produção de café e outros produtos vindos do Vale do Paraíba e sul de Minas Gerais condicionou o desenvolvimento econômico da região nesse período. A abertura da estrada ligando São Sebastião a Paraibuna teve fundamental importância nesse processo. Os produtos eram levados até Caraguatatuba e São Sebastião, e de lá transportados para Santos e Rio de Janeiro pelo mar. Porém, a construção das estradas de ferro de Santos à Jundiaí, em 1867, e Central do Brasil em 1877, ligando diretamente as regiões produtoras aos portos principais, levou à estagnação desse comércio, e ao abandono da antiga estrada. A região passa por um período de grande isolamento em relação às demais regiões. Portanto, no período em que no interior paulista começava o ciclo do café, este se encerrava em Caraguatatuba. Dessa época não restaram nem mesmo ruínas das sedes das fazendas.

Na primeira metade do século XX o município passou a receber investimentos de grupos estrangeiros interessados na exploração de madeira da região. Entretanto, os investimentos mais representativos desse período foram realizados pelo grupo inglês Lacanshire para o estabelecimento, em 1927, de uma fazenda produtora de citros e banana destinada ao mercado europeu. Essa fazenda se tornou a principal atividade econômica do município nos quarenta anos seguintes, trazendo como benefícios o aumento populacional da região e a ativação do comércio local com o pagamento de salários aos trabalhadores, o que permitiu também a constituição de uma rede prestadora de serviços. Devido à II Guerra Mundial a fazenda teve de diversificar a produção, utilizando a produção de laranjas para fabricação de um óleo volátil utilizado na indústria bélica, além de produzir novos gêneros de frutas para a venda no mercado interno, que cresce com as melhorias nas estradas de acesso à Caraguatatuba, permitindo acessar mercados no Vale do Paraíba e região de Mogi das Cruzes14.

A partir de 1960 o comércio de frutas na Europa retrai-se, reduzindo os lucros da fazenda. Pragas também contribuíram para o declínio dos lucros, pois diminuíam a

produtividade dos bananais e laranjais, além do custo extra em combatê-las. O grupo Lacanshire já tinha planos para encerrar as atividades da fazenda, quando Caraguatatuba foi atingida pela tromba d’água15. A tragédia destruiu todas as plantações e arruinou boa parte da infraestrutura da fazenda (que incluía até algumas linhas férreas), o que antecipou o fim de suas atividades. Hoje a área ocupada por ela é utilizada para a criação de gado bovino para uma pequena indústria de laticínios localizada no interior da fazenda. Devido ao alto grau de isolamento em relação ao município, não restou qualquer marca da presença inglesa em Caraguatatuba, com qualquer mudança na infraestrutura local, qualquer traço da cultura inglesa ficou sobre a população caiçara e mesmo as técnicas administrativas ou produtivas acabaram não sendo aproveitadas pelos habitantes locais (PAULA, 2000, p. 206).