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2. ALANYAZIN VE KAVRAMSAL ÇERÇEVE

2.2 Çokkültürlü Eğitim

2.2.1 Çokkültürlü eğitimin amaçları ve kapsamı

Nesta seção, focalizaremos a base conceitual que deu origem às nossas categorias de análise das representações discursivas. É preciso adiantar que a discussão em torno das operações que constroem os enunciados definiu as categorias semânticas de análise do nosso

corpus. Essas categorias foram resultados dos estudos, dos debates e das produções realizadas

pelo do grupo de pesquisa em Análise Textual dos Discursos.

O percurso que fizemos para chegar às nossas categorias semânticas de análise do

corpus foi o seguinte: em um primeiro momento, abordamos as operações lógico-discursivas

de Grize (1990, 1996), as quais permitem a (re)construção de esquematizações. Seguimos Adam (2011 [2008]) com as macro-operações para analisar o período descritivo, por considerarmos que essas operações podem ser utilizadas para a análise de qualquer tipo de sequência. Concordamos com Rodrigues et al. (2012, p. 298) quando dizem que “essas operações são transversais a todos os tipos de sequência (i.é, quanto ao seu conteúdo

referencial/descritivo)”. Baseamo-nos em Neves (2006) para discutir a relação texto e

gramática com os fenômenos da predicação, da referenciação e da conexão, na constituição do enunciado. Em Castilho (2010), observamos os fenômenos da referenciação, da predicação e da conectividade como estratégias de construção semântica do texto. Seguimos de perto as categorias de análise utizadas por Rodrigues, Passeggi e Silva Neto (2010) para trabalhar a Representação discursiva, assim como fez Ramos (2011) em sua tese de doutorado, que referendou esse pressuposto na análise das representações discursivas de “ficar e namorar” em redações de alunos do Ensino Médio.

O Quadro 1 sintetiza as operações lógico-discursivas de Grize (1990, 1996) como operações de textualização:

Operações lógico-discursivas

(GRIZE, 1990, 1996)

Síntese

Operações de extração semântica Apresentam por meio de elementos linguísticos as classes-objetos de referentes, com seus predicados do discurso. São extraídas das noções primitivas.

Operações de construção dos conteúdos proposicionais

Especificam as classes-objetos e os predicativos. São os determinantes, os localizadores espaciais e temporais, os elementos de retomada etc.

Operações de posicionamento enunciativo

As operações de posicionamento enunciativo correspondem à Responsabilidade enunciativa dos enunciados em Adam (2011 [2008]). Nesse tipo de operação é introduzido um sujeito enunciador que assume uma posição, diante de um determinado conteúdo discursivo.

Operações de conexão São apresentadas no discurso como aquelas que, na linearidade do texto, configuram os enunciados, estabelecendo entre eles uma relação de sentido no global do texto. Essa configuração dos enunciados é operacionalizada por operadores que estabelecem várias funções entre si: de tempo, de causa, de adversidade, de explicação, de conclusão, de comparação, dentre outras.

Quadro 1 – Síntese das operações lógico-discursivas Fonte: Grize (1990, 1996).

As classes-objetos de que fala Grize (1996) constituem um conjunto que comporta os seus elementos e suas caracterizações. Elas vêm das noções primitivas, por exemplo, “a noção primitiva da palavra /MÓVEL/ faz parte das classes-objeto (sofá, cadeira, etc.) ou predicações (descansar, sentar, etc.)” (DUTRA, 2006, p. 51). O predicado vem de um par predicativo que é aplicado a um objeto. Nesse sentido, observamos a interdependência entre os dois elementos para construir uma Representação discursiva. Assim, as operações de extração semântica envolvem a de extração de objeto e a de extração de predicado.

Nessa perspectiva, consideramos que essas operações complementam os estudos das macro-operações propostas por Adam (2011 [2008]) para analisar o período descritivo, as quais sintetizamos no Quadro 2.

Operações para o período

descritivo

(ADAM, 2001 [2008])

Síntese

Operações de tematização Nomeiam o objeto de discurso quando se cria uma situação discursiva. Elas se agrupam em três operações de base: a pré- tematização ou ancoragem, a pós- tematização ou ancoragem diferida e a retematização ou reformulação.

Operações de aspectualização Essas operações estão na dependência da tematização e se subdividem em fragmentação ou partição e qualificação ou atribuição de propriedades.

Operações de relação Situam o objeto descrito em um espaço e em um tempo ou ainda faz com que o objeto descrito possa ser comparado a outros objetos por meio da assimilação e da metáfora. Subdividem-se em relação de contiguidade e relação de analogia.

Operações de expansão por subtematização

Para Adam (2008, p. 222), essa macro-

operação está ligada “pelo acréscimo de

qualquer operação a (ou combinada) uma operação anterior”.

Quadro 2 – Síntese das operações de construção para o período descritivo Fonte: Adam (2011 [2008]).

Para Adam (2011 [2008]), a tematização é considerada a principal macro-operação e agrupa três operações de base: a pré-tematização ou ancoragem, a pós-tematização ou ancoragem diferida e a retematização ou reformulação. Analisamos que essa operação se aproxima da classe-objeto de extração semântica de Grize (1990, 1996) quando trata da nomeação e representação dos objetos. Adam (2011 [2008]) subdivide a tematização em:

Pré-tematização: Adam (2011 [2008], p. 218) define como sendo “uma denominação

imediata do objeto que abre (escopo à direita) um período descritivo e anuncia um

todo”. Exemplificamos cada operação com um trecho do discurso de renúncia do

Senador ACM.

(L550-552) [...] uma palavra total de agradecimento aos funcionários desta Casa, todos eles, dos

diretores aos mais modestos [...].

Pós-tematização: Para Adam (2011 [2008], p. 218), “é uma denominação adiada do

objeto, que somente nomeia o quadro da descrição no curso ou no final da sequência descritiva”. Por exemplo:

(L564-566) Mais uma vez soube me fazer ouvir as mensagens duras, amolecendo o meu velho coração. Luís, estou aqui, agora, para honrar a sua memória.

Retematização: é definida por Adam (2011[2008], p. 219) como uma “nova

denominação do objeto, que reenquadra o todo, fechando o período descritivo, implica a existência de uma primeira nomeação do objeto do discurso e vem, portanto, interromper seu escopo”.

(L538-540) Era Dona Quiola, uma legenda no Nordeste do Brasil, a mãe do Presidente José

Sarney, que ainda com sua voz forte de mais de noventa anos me dizia que Deus iria me ajudar e me

estimulava a enfrentar o dia difícil que hoje enfrento.

A aspectualização de Adam se aproxima das operações de construção dos conteúdos proposicionais de Grize porque estas assumem o papel de especificar e/ou determinar as classes-objetos por meio de atributos. A aspectualização está na dependência da tematização e se subdivide em fragmentação ou partição e qualificação ou atribuição de propriedades.

A fragmentação: Segundo Adam (2011 [2008], p. 220), é “a seleção de partes do

objeto” descrito. Ou seja, é o todo tematizado sendo fragmentado e apresentado por

partes. Por exemplo:

(L 539-540) [...] Era Dona Quiola, uma legenda no Nordeste do Brasil.

A qualificação: essa operação “evidencia propriedades do todo e/ou das partes selecionadas pela operação de fragmentação”, ou seja, diz respeito às qualidades atribuídas aos objetos tematizados (ADAM, 2011 [2008], p. 221).

(L03-04) [...] no momento em que a maior justiça se encontrou com a maior injustiça e no dia em que o erro supremo se defrontou com a suprema verdade.

Marquesi (2004) segue de perto a perspectiva da aspectualização de Adam para analisar a superestrutura do texto descritivo. Para a autora (p. 103) “o texto descritivo pode ser definido pelas categorias da designação, da definição e da individuação”. A primeira nomeia objetos, a segunda, de acordo com Marquesi (2004, 0. 105), é “um conjunto de predicações

sequenciadas a uma designação”, ou seja, determina as propriedades gerais e específicas do

que foi nomeado. A individuação, que é a terceira categoria, especifica, individualiza o referente descrito. Dessa maneira, Marquesi (p.108) a define como “um conjunto de predicações permanentes e/ou transitórias” da coisa descrita.

Em nossa análise, interpretamos essa categoria como sendo a modificação do referente. Trata-se de uma categoria semântica de construção da Rd que atribui propriedades específicas do objeto referenciado.

A operação de relação de Adam (2011 [2008]) se aproxima da operação de construção dos conteúdos proposicionais defendida por Grize (1996). Refere-se a elementos que articulam enunciados entre si, comparam e retomam determinados objetos. Situa o objeto

descrito em um espaço e em um tempo (relação de contiguidade) ou ainda faz com que o objeto descrito possa ser comparado a outros por meio de dois recursos: a assimilação e a metáfora. Essa macro-operação se subdivide em relação de contiguidade e relação de analogia.

Relação de contiguidade: compreende a situação do objeto descrito atualizado “em um

tempo histórico ou individual” ou em um espaço específico (ADAM, 2011 [2008], p. 222).

(L12-16) Nas ruas, em toda parte, onde desmascararei, como tenho feito, os ladrões do Erário, os inimigos da verdade, os criminosos de todos os crimes. Foram muitos desses os julgadores de minha conduta ética, quando na verdade alguns sequer podiam julgar a conduta [...].

Relação de analogia: descreve o objeto do discurso comparando-o a outro objeto, pelo

método da comparação ou pela metáfora.

(L81-83) Ele deveria ser colocado não como um pizzaiolo, mas como um ladrão que efetivamente é.

Em proximidade a essa macro-operação, definimos em nossa investigação trabalhar a categoria da comparação como a que compara objetos referenciados por meio de pares comparativos ou de metáforas.

No que diz respeito à operação por subtematização, percebemos que ela revela o entrecruzamento das operações entre si para descrever um determinado objeto. O objeto referenciado vai sendo descrito pela sucessão de operações que se agrupam para construir o descritivo. Observemos o exemplo:

(215-218) Como disse um grande brasileiro no Parlamento, aqui se habituou a tudo ter o nome trocado. O agredido é chamado de agressor; o caluniado, de caluniador. Aponto um crime, chamam- me de criminoso, e o que é pior, aponto vultosos roubos e sou comparado, com a vida honrada que tenho, aos ladrões.

Nesse percurso de elencar os elementos gramaticais que contribuem para analisar a construção de sentidos dos textos, encontramos em Neves (2006, p. 11) as noções de predicação, referenciação e conexão como operações que possibilitam o estudo “dos processos de constituição dos enunciados”.

Operações da relação texto e

gramática

(NEVES, 2006)

Síntese

Predicação A predicação é formada por conjuntos de estruturas de predicado, que são os processos verbais, acrescidos por um conjunto de termos que referenciam os objetos.

Referenciação É a identificação de referentes. Ela define essa noção atrelada à predicação. São os objetos de discurso que organizam os termos da predicação.

Conexão Articula ou relaciona os enunciados por

meio de elementos de coesão que ligam as partes de textos, orações, enunciados complexos.

Quadro 3 – Síntese das operações de relação texto-gramática para a construção das proposições Fonte: Neves (2006).

A autora destaca na predicação a centralidade do verbo como parte fundamental e

analisa que “pode e deve ser examinada como peça fundamental da organização textual”

(NEVES, 2006, p. 39).

Os verbos fazem parte do núcleo dos predicados, constroem a predicação com o conjunto de referentes e acionam papéis semânticos importantes na construção dos enunciados.

Assumem, de acordo com Neves (2006, p. 49-50), as seguintes funções:

a) ação, se o A1 (estruturalmente na função de sujeito) for agente;

b) processo, se A1 (estruturalmente na função de sujeito) for afetado ou experimentador;

c) ação-processo, se A1 (estruturalmente na função de sujeito) for agente/causativo e houver um A2 afetado/efetuado;

d) estado, se o A1 (estruturalmente na função de sujeito) não for nem agente nem causativo nem afetado (neutro ou inativo).

De acordo com Neves (2006, p. 75), “no processo de língua em uso, os participantes de um discurso negociam o universo de discurso de que falam, e, dentro dele, escolhem referir-se a algum indivíduo [...]”, ocorrendo esse processo em meio à interação social.

Nesse sentido, a predicação e a referenciação formam a base de constituição dos enunciados em que à predicação se associam os termos ligados pelo processo de referenciação. Assim, a referenciação se constitui em uma entidade fundamental para se construir um determinado texto.

Para Neves (2006), as duas operações atuam sociocognitivamente através da linguagem verbal para interagir com o mundo, interpretando-o e construindo-o, levando em conta o entorno sociocultural em que os discursos são construídos e se fazem progredir para ganhar sentido.

Na mesma linha de pensamento, Neves (2006, p. 286) articula as duas operações:

Predicação e referenciação governam, em inter-relação, a construção de objetos-de-discurso e sua manutenção no texto, bem como a natureza referencial desses constructos, que constituem os termos que formam as predicações, e, portanto, os argumentos que ficam disponíveis no discurso – com um determinado estatuto referencial – para o rastreamento coesivo no fazer do texto.

Conforme a autora postula, os objetos são construídos por meio da constituição dos enunciados através de nomes, verbos e equivalentes, que se orientam e se conectam, argumentativamente, para a construção textual. Salientamos que, por trás dessa organização dos enunciados, há a intenção comunicativa que o locutor deve ter para estabelecer a interação verbal.

Para Neves (2006, p. 80):

A captação da referência envolve o universo discursivo, nascido de uma negociação entre os interlocutores para estabelecimento das entidades que nele devem existir, e um componente importante desse processo é a intenção que o falante tem de referir-se a algum indivíduo.

A negociação entre os interlocutores existe via o processo de interação que eles estabelecem no mundo do discurso, que demanda sempre uma intenção comunicativa. Nesse mundo, os sujeitos sociais necessitam fazer referências a coisas, objetos, indivíduos que fazem parte naturalmente dele, sendo esse mundo real ou imaginário.

Nesse sentido, a conexão estabelece relações de sentido entre os enunciados de forma a (re)unir, semanticamente, o que vem antes e o que vem depois, e vice-versa, em um texto ou partes do texto. Essas relações de sentido entre os enunciados vão acontecer por meio de elementos de ligação como: advérbios, conjunções, formas verbais, dentre outras.

Os operadores de construção textual propostos por Neves (2006) e por Grize (1996) apresentam noções teóricas convergentes em relação à classe-objeto, à predicação e à conexão e remetem-se às operações do período descritivo em Adam (2011 [2008]). Adam (2011

[2008]) e Neves (2006) convergem no que diz respeito à macro-operação de tematização que a autora nomeia como referenciação e que significa a nomeação de termos dos predicados.

Em relação a Castilho (2010), discutimos as categorias da referenciação, da predicação e da conectividade como propriedades textuais e gramaticais que são importantes para a organização do campo semântico do texto. Eis o quadro com cada noção:

Operações textuais e gramaticais

(CASTILHO, 2010)

Síntese

Referenciação É usada no sentido de “denominação”, ou

seja, “a função pela qual um signo

linguístico representa quaisquer entidades do mundo extralinguístico, reais ou

imaginários” (p. 126).

Predicação A predicação é definida na relação do

predicador com o seu escopo. “O predicador atribui traços semânticos, papéis temáticos e casos gramaticais ao seu escopo” (p. 129).

Conectividade Volta-se para as classes das preposições e conjunções. As conjunções “ligam

palavras e sentenças” e as preposições “atribuem ao seu escopo traços de lugar,

tempo, entre outros, propriedade não

exercida pelas conjunções” (p. 133).

Quadro 4 – Síntese das operações textuais e gramaticais para a construção dos textos Fonte: Castilho (2010).

Castilho (2010, p. 129) diz “que houve predicação quando um operador toma um termo por seu escopo, transferindo-lhes propriedades de que o escopo não dispunha antes”. Podemos dizer que, na predicação, temos diferentes papéis semânticos assumidos pelo sujeito, referentes às ações que desenvolve nos enunciados, entre eles, os de “agente, paciente, meta, beneficiário etc.” (CASTILHO, 2010, p. 129).

Com base nessa compreensão, “[...] a predicação pode ser definida como um processo

de atribuição de traços semânticos”. Os traços semânticos correspondem aos sentidos

atribuídos ao objeto tratado como tema em um determinado enunciado.

Pelas noções expostas no quadro, podemos perceber que a referenciação defendida por Castilho remete-se à classe-objeto de Grize, à tematização de Adam, à referenciação de Neves. Já a predicação se encaminha para as operações de construção dos conteúdos proposicionais de Grize e para a predicação compreendida por Neves. A conectividade se

assemelha às operações de conexão de Grize, às operações de relação defendidas por Adam e à conexão de Neves.

Para a construção das representações discursivas, os autores Rodrigues, Passeggi e Silva Neto (2010) apresentam cinco operações semânticas de análise: a referência, a predicação, a aspectualização, a relação e a localização, as quais foram reinterpretadas por eles a partir das operações de textualidade defendidas por Adam (2011 [2008]) para analisar as sequências descritivas, conforme quadro:

Operações Semânticas

(RODRIGUES; PASSEGGI; SILVA

NETO, 2010)

Síntese

Referência Diz respeito a toda entidade ou a todo objeto que é nomeado, designado quando se usa um determinado termo ou se cria qualquer situação discursiva.

Predicação Está voltada para os processos verbais e para as relações predicativas dos enunciados.

Aspectualização Volta-se para os atributos dos referentes e dos processos verbais.

Relação Envolve dois processos: a assimilação

analógica, que pode ser desenvolvida por meio das metáforas e de outras figuras de linguagem, e os elementos de conexão que ligam os enunciados entre si.

Localização Diz respeito às circunstâncias de tempo e de espaço em que se desenvolvem os processos verbais.

Quadro 5 – Síntese das operações semânticas das Rds Fonte: Rodrigues, Passeggi e Silva Neto (2010).

É necessário enfatizar que, na reinterpretação das operações do período descritivo em Adam (2011 [2008]), a tematização foi nomeada de referência, mas obedeceu à mesma noção teórica de designar a entidade discursiva. Permaneceram as operações de aspectualização e de relação, seguindo a mesma perspectiva de definição apresentada por Adam. Das operações lógico-discursivas de Grize, percebemos a relação com as categorias da predicação e da localização espaçotemporal, que também se relacionam com a noção de predicação apresentada por Neves (2006).

A operação de relação apresentada nos estudos de Rodrigues, Passeggi e Silva Neto (2010) apresenta convergências com a noção de conexão defendida por Neves (2006) e por Grize (1990). Nas três obras, a conexão e a relação são sinônimas porque tratam de relacionar

(juntar) enunciados por meio do uso de conectores. Esse mesmo propósito é sinalizado por Castilho quando trata da conectividade por meio da conjunção.

Nesse conjunto de discussões, vamos apresentar as categorias semânticas definidas por Ramos (2011) para analisar as representações discursivas. Ele retoma as operações de Adam (2011 [2008]), mas segue de perto a proposta conceitual de Rodrigues, Passeggi e Silva Neto (2010), com algumas modificações.

Operações semânticas

(RAMOS, 2011)

Síntese

Referenciação É entendida como uma operação

semântica que consiste em designar ou nomear os referentes (participantes de eventos) no universo textual.

Predicação Está diretamente vinculada à categoria da referenciação e se organiza por meio dos processos verbais e de outros elementos que estabeleçam a predicação.

Aspectualização É uma operação semântica que consiste em atribuir qualidades ou atributos às partes dos objetos descritos.

Localização Situa os referentes textuais em um espaço

e um tempo determinados.

Analogia Estabelece relações semânticas de

semelhança entre termos distintos. É o uso da metáfora.

Quadro 6 – Síntese das operações semânticas para análise das Rds Fonte: Ramos (2011).

Observamos que as cinco operações propostas por Ramos (2011) apresentam convergência com as categorias conceituais de Rodrigues, Passeggi e Silva Neto (2010). Ramos (2011) faz a releitura desses elementos, alterando o nome da primeira operação (referência) e denominando-a de referenciação. A outra mudança é que o autor desmembra a operação de relação proposta por Rodrigues, Passeggi e Silva Neto (2010) e considera apenas a analogia, focalizando, principalmente, o uso da metáfora.

Com base nesse percurso teórico, apresentaremos, na seção seguinte, a nossa proposta de operações semânticas como categorias de análise das representações discursivas construídas por ACM em seu discurso de renúncia.

2.1.5 Categorias semânticas de análise das representações discursivas do locutor e

Benzer Belgeler