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O nosso estudo consiste na caracterização das peças noticiosas relativas ao Alentejo presentes em seis meios de comunicação nacionais e tem como objetivo central analisar de que forma é representada nos media noticiosos portugueses a região Alentejo.

Tendo como base a teoria de que os media, no geral, e os media noticiosos, em particular, exercem uma forte influência na construção social da realidade e contribuem para a criação de imaginários sociais, pretendemos centrar o nosso estudo num conjunto de indicadores de análise que nos possam dar pistas sobre que imagem ou imagens do Alentejo estão a ser transmitidas por alguns dos principais media noticiosos portugueses.

Assim, centraremos a nossa pesquisa apenas nas peças informativas que se referem ao Alentejo, direta ou indiretamente, caracterizando-as sob diversas perspetivas, de forma a identificar e compreender em que situações e momentos o Alentejo é notícia nos meios de comunicação tradicionais analisadas.

Sendo um estudo sobre diferentes meios de comunicação, procuraremos ainda fazer uma análise comparativa entre eles, isto é, iremos tentar perceber se o Alentejo é representado de forma distinta, quer quantitativa quer qualitativamente, entre os diversos media.

A escolha de seis meios de comunicação diferentes, nomeadamente a imprensa escrita, a rádio e a televisão, deve-se ao facto de pretendermos estender o nosso estudo aos diferentes

fazer uma análise comparativa entre os diferentes meios.

Apesar que reconhecermos que o online tem vindo a desenvolver-se de forma cada vez mais consistente nos meios de comunicação tradicionais, decidimos excluir da nossa análise os conteúdos difundidos neste contexto por diversas razões. Uma primeira que se relaciona com uma opção metodológica relacionada com a recolha e monitorização dos dados, devido às particularidades do online, nomeadamente pela sua atualização permanente e a ausência de limitação de espaço. No nosso entender, estes dois fatores, fundamentais aquando do processo de seleção daquilo que é notícia, são peça chave na nossa investigação. Uma outra razão prende-se com o facto de, em teoria, os meios digitais poderem alcançar um maior número de pessoas, contudo o acesso à Internet não se faz da mesma forma entre as diversas faixas etárias, grupos socio-económicos e localizações do país. Considerámos, por isso, que os meios de comunicação tradicionais, pela abrangência e formas de distribuição que possuem, conseguem alcançar um público mais transversal em todos os aspetos. Por fim e apesar do

online não ser uma ferramenta nova nos media, continuamos a assistir àquilo que os autores

denominam de “shovelware” (Bastos, 2010), isto é, a transposição sem alterações da informação dos meios tradicionais para os meios digitais sem que haja preocupação pela especificidade do online ou aproveitamento das potencialidades que o mesmo apresenta. Neste sentido, seria redutor considerar as versões digitais dos meios considerados na nossa investigação e, em teoria, não traria informação relevante para a mesma.

No que respeita à imprensa escrita, decidimos analisar dois jornais diários nacionais que, por serem destinados a públicos diferentes, terão, em teoria, opções editoriais também elas diferentes. Assim, optámos pelos jornais Público e Correio da Manhã, por pertencerem à comummente designada imprensa de referência e imprensa popular, respetivamente.

Relativamente à rádio, selecionámos duas das estações radiofónicas portuguesas que mais privilegiam o conteúdo noticioso, são elas a Antena 1, ao que acresce o facto de fazer parte do serviço público de radiodifusão, e a TSF. Dado que a programação de ambas as estações é bastante diversificada, centrámos a nossa análise na audição dos noticiários das 8h00, por pertencerem ao principal momento informativo radiofónico diário, a manhã.

Em relação à televisão, decidimos escolher dois canais de sinal aberto, cujo principal critério foi o facto de um deles ser do serviço público, RTP 1, e o outro um canal privado, a TVI. Nos referidos canais, decidimos incidir a nossa análise nos jornais televisivos do

principal momento informativo diário, são eles o Telejornal (RTP) e Jornal das 8 (TVI). Quando nos deparámos com a questão do período a analisar, foi nossa opção privilegiar fatores como a continuidade e regularidade dos conteúdos noticiosos, daí termos partido para uma análise continuada no tempo, que incidiu em todas as edições dos meios e momentos já referidos no período temporal entre 1 de janeiro e 31 de maio de 2015. Com este período de análise procurámos o afastamento de épocas cuja informação pudesse apresentar-se influenciada por motivos e temas que não correspondessem ao normal funcionamento e rotinas dos meios noticiosos, nomeadamente a época natalícia e o início do verão. Tomámos ainda em consideração o facto de, para o período estudado, não estarem previstos grandes eventos programados que pudessem, em teoria, alterar os resultados, tais como eventos desportivos ou períodos eleitorais.

Partindo do corpus e período de análise referidos, analisámos todas as edições dos seis meios de comunicação e de entre elas, selecionámos todas as peças jornalísticas que, direta ou indiretamente, se reportavam à realidade alentejana. Foram excluídas notícias que, embora se passem no Alentejo, não transmitiam informações sobre esta região, isto é, que não estão relacionadas com a realidade alentejana. Contrariamente, foram incluídas peças que, embora possam ter uma abrangência nacional ou tratem de assuntos transversais da sociedade, o Alentejo é referenciado como exemplo ou a título indicativo.

Benzer Belgeler