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BÖLÜM II. LĠTERATÜR ÖZETĠ…

2.7 Çimento Servis Özelliklerini Etkileyen Parametreler

Em outro momento do conto La mano junto al muro, Bull Shit esbarra com um homem adormecido, que não era marinheiro e nem aquele que lhe dissera que a amava mais que sua própria vida, conforme afirma o narrador (1968: 192): “No , no soy Dutch; tampoco soy el que te dijo te quiero más que a mi vida ni el que te habló de otras mujeres a quienes quiero mucho. Soy otro corazón y otra moneda”. A moeda pode ser entendida aqui como forma de pagamento pelo serviço que as mulheres prestam aos homens ao se prostituirem. A personagem, desde quando chegou a esse ambiente, “[...] inició su lucha a rastras, decidida y aprovechadora, segura de ir recogiendo las migajas que abandona alguien, ansiosa de moedas” (1968: 180-181). Essa ânsia por moeda de Bull Shit que aparece no conto, em uma primeira vista nos parece uma atitude imoral e gananciosa. No entanto, aos poucos vamos percebendo que é uma necessidade de sobrevivência, como o narrador menciona no conto, (1968:186): “[...] Ella, desde niña, en aquel oscuro, decidida a arrancar las monedas”. Em um outro momento do conto o narrador tece uma série de comparações quando diz, (1968: 179) :

[…] Aquí está la lenta decadencia del muro y de la vida que el muro limitaba. Tu mano dice a qué sucede cuando un castillo frente al mar cambia su destino y se hace casa de mercadores; cuando, entre las paredes de una fortaleza definitiva, se confunde el metal de las armas con el de las monedas.

Continua o narrador, (1968: 182): “[…] Ya. Adiós. Tú ahora. Ya. Adiós. Ya. Adiós. Tú ahora. Las monedas tenían sentido de reloj”. Não ocorre o mesmo com Borges quando esse, (1992: 441) em seu conto El Zahir, ao se referir à moeda, pensa em “[...] algo comum, pensei, creio que imediatamente, em uma moeda, já que se imprimem milhares e milhares de moedas todas exatamente iguais”. Mas como Borges queria buscar algo que fosse inesquecível “[...] que estranho se entre milhões, literalmente, de moedas impressas pelo Estado, houvesse uma que fosse inesquecível, uma inesquecível moeda de vinte centavos”. Essa moeda a que se refere Borges seria uma espécie de, como afirma Chevalier (2006: 613), ao citar São Clemente de Alexandria: “[...] Angelus Silesius usa diversas vezes o símbolo da moeda como imagem da alma, pois a alma traz impressa a marca de Deus, como a moeda traz a do soberano”. Esta não condiz com a moeda do conto de Meneses, por isso a insistência dos marinheiros, ao ver a mulher com o homem que acabava de encontrar, que não era Dutch, mas outro homem que se encontrava no prostíbulo. Os marinheiros sabendo do afã que Bull Shit tinha por moedas, imediatamente ordenaram que ela subisse com o homem.

O desconhecido, ao olhar os gorros dos marinheiros, “dijo a la mujer, en ese espejo se podría pescar tu vida — igual pudo decir —, tu muerte” (1968: 193). Não foi por acaso que o autor/narrador destaca na fala que os “ marinheiros sabendo do afã que Bull Shit tinha por moedas, mas sim por questão econômica que eles ordenam que ela subisse com o homem, porque esse podia pagar mais pelo serviço prestado pela prostituta, enquanto os marinheiros que não tinham tantas condições, ficavam por último. Por isso que no conto o autor/narrador faz questão de destacar essa particularidade . Não se trata da generosidade dos marinheiros em permitir que o homem fosse primeiro realizar o programa com Bull Shit, mas sim por questão econômica.

2.3. O espelho: retrato de imagens retorcidas

O espelho se faz presente na obra de Meneses: “Ella miraba todo, como desde el fondo del espejo del cielo. Acaso como desde el fondo del espejo de su cuarto, tembloroso como el aletear de una mariposa, como el golpear de sus dedos sobre la rugosa pared” (1968: 187). O próprio Meneses chega a mencionar a

vocação da personagem pelo espelho. Esse olhar de Bull Shit no fundo do espelho de certo modo parece buscar uma saída para sua vida, entretanto, ela seguia mantendo encontros, frequentemente, com os marinheiros sem saber ao certo quantos seriam.

O espelho era o reflexo da triste vida que a mulher levava. Uma existência conturbada, de encontros e desencontros entre homens e mulheres, e também dela consigo mesma. A presença do espelho é determinante, como afirma Chevalier (2009:396):

O espelho não tem como única função refletir uma imagem; tornando-se a alma um espelho, perfeito, ela participa da imagem e, através dessa participação, passa por uma transformação. Existe, portanto, uma configuração entre o sujeito contemplado e o espelho que o contempla.

O espelho podia refletir o que estava ocorrendo e o que poderia passar na vida de Bull Shit. A presença do espelho ao longo do conto vem determinar a busca incansável da mulher por seu próprio destino: como havia chegado a esse lugar de prostituição e qual seria o seu porvir? O olhar direcionado para o céu parece buscar em outro espelho, o espelho do firmamento, um apoio que pudesse ajudá-la a compreender melhor sua vida. O que estava acontecendo com ela? Porque a cada instante que se passava, mais difícil ficava para ela sair do contexto em que vivia.

Do mesmo modo que Bull Shit vive uma constante incerteza, os demais personagens também. “Él fue hasta ella; se quedó mirándola, como un conocedor que mira un cuadro antiguo”; (1968: 194). O verbo “mirar” é constante no conto. No texto Olhar e Memória, que integra a obra de Adauto Novaes, intitulada de José Moura Gonçalves Filho, presente na obra de Adalto Novaes, intitulado O Olhar, Gonçalves apresenta algumas características que se moldam ao olhar de Bull Shit mencionado na obra de Meneses (1988: 95-97):

[…] O olhar que se desperta em direção ao passado, divertindo-se e compenetrando-se nas imagens de um outro tempo, suscitadas nos materiais e nas obras que a memória impregnou, longe de constituir-se num impedimento nostálgico à história, instaura um desequilíbrio na relação com o presente, presente vivido e representado como progresso. O olhar em direção ao passado, olhar desgastado com que, ás vezes, os velhos olham sem ver, buscando amparo em coisas distantes e ausentes.

Esse olhar no quadro, olhar na pessoa e olhar no espelho, às vezes, propicia, um reflexo invertido, conforme o Dicionário de Símbolos (2009: 394-395): “seria o símbolo do raio refletindo-se na superfície das águas, que, às vezes, é utilizado para a adivinhação, para interrogar os espíritos”.

Ao abordarmos o espelho, não podemos ignorar o mito de Narciso, que aqui se relembra pelas palavras de P. Commelin (132):

Um dia em que Narciso passeava nos bosques, parou à margem de uma fonte, em cujas águas percebeu a sua imagem. Apaixonou-se pela sua semelhança, e não se cansando de contemplar o rosto na água límpida, consumiu-se de amor à beira da fonte. Contam outros que ele se deixou morrer, recusando comida e bebida, e que depois de morto, o seu louco amor acompanhou-o até os infernos, onde ainda se contempla nas águas do Estige 5

Podemos dizer que a fonte a que se refere o mito de Narciso é a “fonte da vida, da imortalidade, da juventude ou do ensinamento” (Chevalier, 2009: 444). A fonte reflete a imagem de Narciso e este ao vê-la se enamora de si próprio.

Ao comentar a própria obra de Narciso, Meneses afirma (1998: 151):

Olhar em si mesmo e olhar o mundo no lago de cristal que sustenta entre as mãos. Saber que no vidro temperado existem manchas, sombras, misteriosos jardins que não pertencem à realidade refletida; que são – acaso- espelho do espelho.

O mesmo ocorre com Bull Shit ao se olhar no espelho; este ora reflete os mistérios vivenciados por ela, ora os gorros dos marinheiros que poderiam representar as imagens dos que se deitaram com ela ou que vinham para se deitar, ou ainda reflete o mar, que representa a liberdade em contraste com sua própria vida repleta de conflitos interno e externo: “Vivía en el piso alto. Sobre el salón de baile estaba el cuarto del tembloroso espejo donde se podía mirar el mar o las gorras de los marineros o la vida de la mujer” (1968: 190).

5

Estige. Podemos dizer que há várias versões sobre o significado dessa palavra. Segundo a Mitologia Grega, Estige juntamente com seus filhos apoiou Zeus na luta contra os gigantes. Dava-se o nome de Estige a uma Fonte da Arcádia, Fonte do saber, do conhecimento, que nascia em um rochedo e se perdia nas entranhas da terra, http: //www.mitologiagriega.templodeapolo.net/_livindade.as

Existe uma diferença significativa entre o espelho que aparece em La mano junto al muro e o espelhismo na fonte de Narciso. No conto, a imagem não reflete o real, somente sugere, mostra a angústia, a incerteza, “...podía mirar los círculos blancos de las gorras en el espejo de su cuarto” (1968: 188); no reflexo na fonte, Narciso vê sua imagem, o real se faz presente.

CONCLUSÃO

Sabemos que com essa pesquisa não se esgotam todas as informações de que necessitamos para poder conhecer melhor a cultura, as tradições, os escritores e as obras literárias venezuelanas. E nem compreenderemos o quanto Guillermo Meneses foi importante para a literatura venezuelana e para América de língua espanhola. No entanto, conseguimos dar os primeiros passos na busca pelo conhecimento de escritores e obras literárias venezuelanas que até então eram desconhecidos no contexto brasileiro. Dessa forma, podemos dizer que a pesquisa poderá contribuir para o Curso de Licenciatura em Letras com Habilitação em Espanhol da Universidade Federal de Roraima, depois de ter sido constatado que o pensamento de Meneses vai sendo construído ao longo da História da Venezuela e que nos seus primeiros escritos, Meneses busca retratar a realidade venezuelana ao publicar obras que marcaram o seu estilo narrativo (o crioulismo) até 1945. Nesse período a literatura venezuelana tinha como eixo temático o crioulismo, movimento literário que ressaltava as características do crioulo ou suas manifestações populares como gesto de enfatizar o sentimento nacional.

A partir de 1950 há uma ruptura com os modelos crioulistas, quando Meneses deixa para trás a narrativa linear e repetitiva, presente em alguns cenários literários da América Latina, e passa a inserir em seus textos recursos como: ironia, enigma e mistério, propiciando com isso uma nova narrativa venezuelana, servindo de referência para outros escritores nas décadas de 50 e 60. Percebemos que o amadurecimento da narrativa de Meneses se concretiza com a publicação do conto La mano junto al muro (1951), por inovar o tempo narrativo, a ciclicidade e a abertura da obra, possibilitando a coparticipação do leitor na construção da trama, quando essa se renova a cada instante dando a ideia de que jamais terminará.

A presença do mistério e da incerteza, se eram dois ou três os marinheiros, se faz presente no conto La mano junto al muro e por isso, entre demais características, esse conto se diferencia de outros de Meneses, escritos antes da década de 50. Esse novo estilo de narrar de Meneses estabeleceu uma nova era para a narrativa meneseana e venezuelana. Sem sombra de dúvida, Meneses propicia um novo ciclo para a literatura venezuelana e hispânica. Pode-se afirmar que, depois dessa pesquisa, diminuiu simbolicamente a distância entre Roraima e

Venezuela, porque pouco se sabia sobre o contexto cultural, político e literário da Venezuela no Curso de Letras da UFRR.

Em 2011 celebramos o centenário do nascimento de Guillermo Meneses. Rever o que ele escreveu e tornar conhecidos os seus escritos é uma maneira de reverenciar àquele que incansavelmente inovou e deu vida à literatura venezuelana nos últimos tempos, o escritor caraquenho, Guillermo Meneses.

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ANEXO 01 MAPA DA VENEZUELA

ANEXO 02 - FOTOS DE ESTUDANTES QUE FIZERAM PARTE DA GERAÇÃO DE 1928 E QUE PROTESTARAM CONTRA O DITADOR JUAN VICENTE GÓMES.

ANEXO 03 - FOTO DO PORTAL DO CASTELO DE SAN FELIPE - PUERTO CABELLO - (em ruina) CENÁRIO QUE SERVIU DE INSPIRAÇÃO PARA MENESES ESCREVER O CONTO “LA MANO JUNTO AL MURO”.

ANEXO 04 FOTO DO FORTE DE SAN FELIPE - PUERTO CABELLO - (restaurado).

Benzer Belgeler