Aguilar;
Ander-Egg (1994)
Avaliação externa:
realizada por avaliadores que não pertencem nem são vinculados à instituição executora do programa ou projeto em avaliação;
se faz geralmente com a participação de especialistas contratados pela instituição executora de serviços, programas/projetos que pretende avaliar.
Avaliação interna:
efetivada com a participação de pessoas que pertencem à instituição promotora/gestora do programa/projeto a ser avaliado, mas que não o executam.
Avaliação mista:
é uma combinação da avaliação externa com a interna;
concretizada por
avaliadores externos e avaliadores internos.
Auto-avaliação:
efetivada pelas pessoas
que executam o
programa ou projeto; os implicados avaliam e
julgam suas próprias atividades, verificando o cumprimento das metas propostas.
Cohen;
Franco (1993) Avaliação externa:
concretizada por pessoas alheias à organização; por ser realizada por
avaliadores que não dominam o conteúdo ou objeto da avaliação pode prejudicar a análise comparativa dos resultados de diferentes avaliações.
Avaliação interna:
efetivada dentro da organização gestora do projeto;
por ser realizada por avaliadores
internos que conhecem o
conteúdo/objeto da avaliação seria um processo de reflexão e aprendizagem; por outro lado, os avaliadores internos
podem ter pré-concepções a respeito do projeto tanto por interesses institucionais quanto por valores relacionais ao alcance e a forma de alcançar os objetivos do projeto.
Avaliação mista:
combina a avaliação externa com a interna;
propicia estreito contato entre os avaliadores internos e externos;
preserva as vantagens das duas avaliações.
Avaliação Participativa: envolve a participação da
população beneficiária do projeto;
tem por finalidade minimizar a distância entre o avaliador e os beneficiários do projeto.
Quadro 5 – Síntese Tipologia de Avaliação em função da procedência dos avaliadores ou de quem realiza a avaliação. Fonte: Aguilar; Ander-Egg (1994), Cohen; Franco (1993).
Diante do exposto no Quadro 5, pode-se dizer que a pesquisa avaliativa realizada referente ao processo de construção das orientações para o trabalho com famílias em Caxias do Sul não se caracteriza em nenhuma das modalidades apresentadas (externa, interna, mista, auto-avaliação, participativa) porque constitui- se num
[...] estudo científico retrospectivo, de tema único e bem delimitado em sua extensão, com o objetivo de reunir, analisar e interpretar informações. Deve evidenciar o conhecimento de literatura existente sobre o assunto e a capacidade de sistematização do candidato. É feito sob a coordenação de um orientador (doutor) visando à obtenção do título de mestre (ABNT, NBR 14724, 2002, p. 02).
Nesse sentido, constitui-se num estudo teórico, investigativo, reflexivo, de um tema específico (avaliação do processo de construção das orientações para o trabalho com famílias no Sistema Único de Assistência Social), que visa a obter novos conhecimentos a partir da realidade presente no campo, por meio de uma aproximação maior com o objeto de estudo que se pretende investigar e, também, dar visibilidade a metodologia da pesquisa avaliativa e ao desocultamento dos múltiplos determinantes que configuram essa experiência concreta, contribuindo com subsídios para a tomada de decisão, no que concerne a correções de rumos e ao aprimoramento das estratégias empregadas, buscando promover a aprendizagem organizacional e a produção de conhecimento sobre pesquisa avaliativa na política social pública de assistência social.
Diante do explicitado sobre as tipologias de avaliação, discorre-se no item que segue sobre o conteúdo ou objeto da avaliação (o que avaliar) e os objetivos da avaliação (para quê avaliar).
2.4 OS ELEMENTOS BÁSICOS DEFINIDORES DE UMA PESQUISA AVALIATIVA: objeto, objetivos, razões e sujeitos sociais implicados
O ponto de partida para toda e qualquer pesquisa, e particularmente aqui a pesquisa avaliativa, é o planejamento. Em outras palavras, trata-se do plano de pesquisa de avaliação, que é o momento em que se delineia e sistematiza: um marco teórico de referência; o universo e a amostra, assim como espaço geográfico e o intervalo de tempo a ser considerado; o objeto/conteúdo e os objetivos; a metodologia a ser utilizada; o cronograma de execução da pesquisa.
Num primeiro momento, define-se o que será estudado, o objeto/conteúdo da avaliação – ou ainda, o que será avaliado – para posteriormente definir: i) as razões para realizar a pesquisa avaliativa (justificativa); ii) para que se está avaliando (objetivos e as questões centrais que a pesquisa se proporá a responder); iii) quando avaliar (o momento ou as fases de uma política ou programa social); como avaliar (tipos de avaliação e as abordagens metodológicas que serão empregadas, as variáveis e os indicadores a serem utilizados).
A importância de determinar primeiro o objeto da investigação vincula-se ao fato que “[...] a escolha do tipo de avaliação, do método, dos procedimentos está condicionada [...] ao objeto e aos objetivos dela [da avaliação]” (SILVA E SILVA, 2008, p. 118, complementações entre colchetes nossa). Como adendo convém recordar que, a extensa literatura que trata sobre a metodologia científica e a normatização técnica (Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT) definem os elementos constitutivos e sua sequência num projeto de pesquisa: tema e delimitação do tema; justificativa; problema; formulação de hipóteses ou questões norteadoras; objetivos (gerais e específicos); revisão da literatura; metodologia; cronograma; orçamento; referências. Contudo,
É bem verdade que algumas pessoas, ao desenvolver um estudo escolhem primeiro a metodologia ou o referencial metodológico (por identificação, ou talvez porque esteja “na moda”) e, posteriormente, procuram ajustar o objeto selecionado àquela abordagem. Dessa maneira, tornam bem complicado o desenvolvimento do estudo, uma vez que o processo é inverso, ou seja, é o assunto selecionado que determina o método mais adequado para que os objetivos possam ser alcançados (SPINDOLA; SANTOS, 2003, p. 120, grifo nosso).
Ao definir o conteúdo ou o objeto de pesquisa, o pesquisador “[...] estabelece uma dinâmica de interação com esse objeto, fazendo perguntas e buscando, nas respostas, as explicações” (GOHN, 2005, p. 261), optando pelo tipo de avaliação, método, procedimentos metodológicos a serem utilizados na avaliação.
É importante frisar também que, ao delimitar o objeto ou conteúdo da pesquisa avaliativa, o pesquisador está definindo e refletindo sobre a sua intenção com a realização da investigação. Desse modo, apresenta-se no Quadro 6 uma síntese que retrata o que é considerado como objeto/conteúdo de pesquisas avaliativas em apropriação aos conceitos abordados pelos principais autores/instituições/organismos que tratam da temática da avaliação.