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2.1.3.2. Çift Dişli Mono Oksazolin Ligandları

O período em que Ellen White viveu nos Estados Unidos foi um período de profundas mudanças para o país. Tais mudanças podem ser destacadas no desenvolvimento social do país, no desenvolvimento religioso e nas mudanças intelectuais.

Durante os primeiros anos de vida de White, os Estados Unidos experimentava um constante crescimento para o oeste. Novos estados, como Arkansas, Michigan, Iowa, Florida e Wisconsin, eram agregados à União. A revolução industrial também havia alcançado os Estados Unidos, levando-os a deixar a posição de um país produtivo de segunda categoria para o primeiro lugar em produção de bens. Enquanto que grande parte do transporte terrestre era feito por cavalos e carruagem, o país construiu uma malha ferroviária que unia o país de leste a oeste, norte a sul, auxiliando no crescimento e tornando-se o símbolo do período pós- guerra civil (LAND, 1987, p. 63-76).

Além do acúmulo de territórios ao país, os Estados Unidos experimentou um crescimento populacional tremendo. “A população dos Estados Unidos elevou-se de cerca de 5 milhões em 1800 para mais de 20 milhões em 1850”. Imigrantes chegavam aos Estados Unidos diariamente aos milhares, trazendo consigo todo tipo de religião, filosofia e prática, ameaçando a “homogeneidade religiosa” característica de uma America protestante (DOUGLASS, 2001, p. 46). No fim da vida de White, os Estados Unidos já mantinha um total de quase nove milhões de imigrantes, elevando a população total do país a mais de 100 milhões (KNIGHT, 1998, p. 77). Este crescimento naturalmente levou milhares a se aglomerarem em cidades, tornando as condições de vida paradoxais.

Enquanto que as cidades ofereciam novas tecnologias como o telefone, bondes elétricos, livrarias públicas, e oportunidades de emprego, muitos estudiosos destacam os aspectos negativos da vida urbana americana no século XIX (LAND, 1987, p. 80). Só em Nova Iorque, estima-se que “11 toneladas de estrume e 227 mil litros de urina” eram depositados nas ruas pelos cavalos e animais de transporte. Junto a isto, as toneladas diárias de lixo atraíam enxames de moscas, mosquitos e insetos (Ibid., p. 81). A maioria das cidades não possuía um sistema de saneamento público, abrindo as portas para ameaças constantes de cólera, malária, febre tifóide, caxumba e outras doenças.

Na medicina, uma linha de tratamento bastante divergente dos conceitos defendidos hoje era divulgada entre a alta cúpula de médicos americanos do século XIX. Muitos dos métodos propostos eram muitas vezes mais prejudiciais do que benéficos, mostrando a distância entre a medicina daquela época e a medicina atual. Entre os vários métodos de tratar doentes, encontramos a medicina “heróica” promovida por Bejamin Rush (1745-1813), bastante divulgada naquela época. Os pacientes eram submetidos a estes tratamentos, passando por violentos purgantes e vomitórios.

Rush copiosamente sangrava seus pacientes para relaxar a tensão vascular, a qual ele acreditava ser o responsável primário por elas [febres]. O controle deste fluido corporal... era a chave para uma intervenção positiva. Sob sua influência, uma geração de médicos passaram a sangrar americanos, muitas vezes suprindo o trabalho com doses de um purgante poderoso – Calomel (SCHOEPFLIN, 1987, p.145).

No âmbito religioso, DOUGLASS descreve que “revivalistas e milenialistas, comunitários e utopistas, espiritualistas e prognosticadores, celibatários e polígamos, perfeccionistas e transcendentalistas [...] adicionavam tempero ao cenário religioso anteriormente dominado pelas organizações religiosas convencionais” (Ibid., p. 47). Encontramos neste século o crescimento do segundo grande reavivamento que havia se iniciado em meados de 1790. Este reavivamento era caracterizado no início por sua “uniformidade em quase todas suas aparições”. A intenção original era a pregação da “verdade simples do evangelho”, sendo ela “a soberania absoluta de Deus, a depravação total do homem, e o amor expiatório de Cristo” (AHLSTROM, 1979, p.417). No entanto, com o passar do tempo, este reavivamento passou a assumir uma forma mais entusiasta.

Uma das características principais deste reavivamento era a prática de encontros em camp meetings (reuniões campais), propagada por James McGready, um pregador presbiteriano (HUDSON, 1987, p. 131). Estes encontros podiam atrair milhares de pessoas,

chegando muitas vezes a um total de 25 mil participantes. James Finley retrata um pouco a agitação que podia ser testemunhada nestes camp meetings.

O barulho [...] era como o rugir do Niágara. O vasto mar de seres humanos parecia ser agitado por uma tempestade. Eu contei sete ministros pregando todos ao mesmo tempo, alguns sobre palanques, outros sobre vagões, e outro... em pé sobre uma arvore que, ao cair, havia se apoiado sobre outra. Algumas pessoas estavam cantando, outros orando, outros clamando por misericórdia nos tons mais pietistas, enquanto que outros gritavam freneticamente. [...] Eu cheguei a ver em uma só vez quinhentos caírem [“mortos no Espírito”] em só um momento, como se uma bateria de milhares de armas tivessem atirado sobre eles, sendo seguido imediatamente por gritos e guinchos que alcançavam os céus (KNIGHT, 1998, p. 24).

Em conseqüência a este reavivamento, uma onda de entusiasmo missionário varreu toda America protestante. Conforme os Estados Unidos crescia para o ocidente, os metodistas e batistas acompanhavam o avanço com seus pregadores itinerantes. Conforme cada nova conferência era estabelecida, novos pregadores itinerantes eram recrutados para visitar cada família e cada lar. Um missionário presbiteriano no estado de Kentucky comentou da eficácia demonstrada por estes pregadores: “Fico ambicioso ao encontrar uma família cuja casa não fora visitada por um pregador metodista. [...] Tenho viajado de colônia em colônia [...] mas em cada casa que entro, descubro que um missionário metodista já havia passado por ali” (HUDSON, p. 141). Junto com o avanço missionário, novas sociedades também foram construídas, como a American Bible Society em 1816; a American Sunday School Union, em 1824; e a American Home Missionary Society em 1826 (KNIGHT, 1998, p. 27).

Apesar do crescimento do território americano, muitos achavam que isto não era suficiente. Sendo assim, muitos se ofereciam a iniciar novas missões em países fora de sua pátria. Em 1812, aparecem os primeiros cinco missionários americanos que viajaram para a India sob a tutela da American Board of Commissioners of Foreign Missions, fundada em 1810. Milhares de americanos atendiam ao apelo de dedicar sua vida às missões e à pregação do evangelho em países estrangeiros. Este movimento cresceu até alcançar, em 1850, um gasto anual de 650 mil dólares em missões estrangeiras (HUDSON, p. 149).

Um dos fenômenos observados no segundo grande reavivamento foi a efervescência do milenialismo religioso e político. Muitos passaram a se interessar por, e estudar, passagens bíblicas com caráter apocalíptico e a proclamar o advento do milênio. Para alguns, este milênio era de caráter espiritual, enfatizando a segunda vinda de Cristo; enquanto que outros defendiam um milênio secular, acreditando que os Estados Unidos, como uma república protestante democrática, seria o novo Israel de Deus (KNIGHT, 1998, p. 13-18). Inspirados

por estas teologias, movimentos sociais cresciam dentro do país na tentativa de direcionar o povo americano à reforma e ao reavivamento.

Outra marca deixada pelo segundo grande reavivamento foi a emancipação dos escravos. “O reavivamento dos anos de 1820 e 1830 enfatizavam a liberdade de todo pecado, e muitos viam a escravatura como um pecado” (Ibid., p. 46). Esta discussão gerou muita confusão levando o país a um estado de guerra, culminando com a guerra civil em 1861. Muitas igrejas acabaram se dividindo entre norte (os que apoiavam a abolição) e sul (os que rejeitavam a abolição), como no caso da Igreja Batista (AHLSTROM, p. 648-669). O motivo para o sul se apegar à escravatura estava diretamente ligado à economia. Muitos acreditavam que o bem estar da economia e da produção de algodão dependia do trabalho escravo. Outros, usando o argumento religioso, afirmavam que a escravatura havia sido estabelecida pela autoridade divina e que lutar contra esta causa significava rejeitar a Palavra de Deus (HUDSON, p. 190).

A guerra civil (1861-1865) foi um divisor na história dos Estados Unidos. Muitos livros analisam a história dos Estados Unidos antes e depois da guerra civil. Durante o novo período que sucedeu a guerra, “o povo americano se tornou muito mais heterogêneo. O advento da ciência moderna alterou drasticamente o clima intelectual. E o passo acelerado da industrialização criou novos centros de poder na vida nacional” (Ibid., p. 197). Havia uma nova massa de homens e mulheres livres que precisavam de alimentação, trabalho, estadia e educação. Novas organizações e movimentos se levantaram para atender às novas necessidades do povo americano. Igrejas se uniram neste propósito, pregando um evangelho que atendesse às necessidades de milhares de escravos recém libertos. No entanto, foi um processo difícil e doloroso. Apesar do governo americano ter abolido a escravatura, concedido direitos de cidadania e direito a voto a todos os negros, muitos permaneciam em situações idênticas à quando eram escravos.

Além da emancipação de escravos, o segundo grande reavivamento proporcionou um terreno propício para o surgimento de uma nova entidade religiosa chamada denominação. Neste novo território onde todos eram considerados iguais e nenhuma mantinha “união” com o governo, qualquer denominação poderia crescer e “vender” seu produto no mercado aberto. Conforme Philip Schaff comentou em 1844:

Tendências que não haviam encontrado espaço político para se desenvolver em outras terras crescem aqui sem restrição. [...] Todo vagabundo e infante teológico pode trazer seu negócio [religioso], sem necessidade de passaporte ou licença, e vender sua falsa mercadoria como quiser. (KNIGHT, 1998, p. 51).

Uma das igrejas que surgiu neste período foi a Igreja dos santos dos últimos dias, também conhecida como a Igreja Mormon, fundada por Joseph Smith em Fayette, Nova Iorque. Smith alegava receber visitas angelicais, a partir das quais ele publicou o Livro de Mórmon (CLARK, 1968, vol. 1, p. 108-109). Em 1830, missionários foram enviados pelos diferentes estados para proclamar a doutrina mórmon. Seus novos conceitos sobre religião, salvação, história e vida cotidiana receberam muita rejeição por parte de protestantes. Após o assassinato de Smith em 1844, Brigham Yound liderou o grupo de 16 mil mórmons através das planícies de Salt Lake até chegar no que hoje é conhecido como o estado de Utah. A sede de sua igreja foi estabelecida em Salt Lake, onde permanece até hoje.

Outro movimento religioso que surgiu nesta época é o espiritismo moderno. Em fevereiro de 1848, as irmãs Margaret e Katie Fox passaram a ouvir batidas misteriosas no chão da casa e, a partir destas batidas, se comunicaram com o espírito que supostamente produzia essas batidas. Elas desenvolveram um sistema de comunicação com os espíritos, podendo estes responder a qualquer pergunta que elas fizessem. Elas se tornaram, eventualmente, médiuns profissionais, “mantendo encontros públicos e cobrando quantias de dinheiro conforme apresentavam revelação após revelação sobre o mundo sobrenatural” (KNIGHT, 1998, p. 61-62).

O espiritismo cresceu em várias cidades e outros médiuns surgiram em conseqüência. A partir daquela técnica desenvolvida pelas irmãs, o movimento de mesas, psicografia, comunicações com os mortos e outros fenômenos se tornaram comuns dentro do movimento espírita. Em 1857, já havia 67 periódicos espíritas nos Estados Unidos, divulgando a mensagem espírita. Muitos se envolviam com o espiritismo por questões puramente emocionais, sem reconhecer neste movimento seu lado religioso (MOORE, 1974, p. 81). Um dos espíritas mais famosos desta época foi Andrew Jackson Davis, que entre os vários livros publicados, psicografou Os princípios da Natureza, sua revelação divina, e uma voz à humanidade. Este livro é o principal responsável por formar o vocabulário e a teologia do espiritismo moderno (CLARK, p. 359-361).

Apesar dos Estados Unidos oferecerem um território fértil para o surgimento e acomodação de várias denominações e igrejas, havia uma que era discriminada de forma pública: a Igreja Católica. Muitas das igrejas que eram perseguidas no continente europeu encontraram um lugar seguro nas Américas para se instalar e crescer. Quando perceberam que a Igreja Católica acompanhava seus movimentos e estava se instalando nos Estados Unidos também, muitas igrejas temeram por sua liberdade.

Dos imigrantes que chegavam aos Estados Unidos diariamente, muitos eram de confissão católica e eram interpretados como agentes enviados por governos europeus a fim de derrubar a democracia americana (KNIGHT, 1998, p. 63). Uma enxurrada de literatura anti-católica se espalhou pelo país advertindo os protestantes dos perigos que a Igreja Católica poderia trazer para a liberdade americana. Esta era uma nação protestante, ou seja, que “protestava” contra a teologia católica e suas práticas. Mas enquanto que os primeiros protestantes protestavam contra conceitos e práticas católicas como a infalibilidade papal, a confissão para padres, a intercessão dos santos, o purgatório, os livros apócrifos, a mudança da santidade do sábado para o domingo e a transubstanciação do pão para o corpo de Cristo, os protestantes americanos se opunham às pessoas e famílias que eram católicas e que não pertenciam ao clero da igreja. “O anti-catolicismo daquele período tomou a forma de protesto contra a imigração, especialmente de áreas católicas na Irlanda e no sul da Europa; e oposição à escolas católicas” (CLARK, p. 204).

A última mudança que gostaríamos de destacar se encontra no campo intelectual. Foi perto dos anos finais de White que percebemos o crescimento do liberalismo cristão. O liberalismo cristão pode ser considerado como uma tentativa de adequar a proposta cristã ao novo mundo que estava se desenvolvendo. Com a publicação de A origem das espécies de Charles Darwin, muitos acharam um meio de explicar o humano sem precisar se referir ao divino. “Uma década após a Guerra Civil, praticamente cada cientista americano importante tinha se convertido para a teoria darwinista da evolução biológica e ao ‘socialismo darwinista’ de Herbert Spencer” (HUDSON, p. 247). Os que aderiram a esta nova forma de ver o mundo natural mas mantinham sua aderência à religião afirmavam que Deus se revelava através do processo da história e da cultura, trabalhando através de leis naturais, inclusive da evolução.

Muitos, ao adotarem métodos científicos em suas interpretações, abandonaram crenças fundamentais para o cristianismo da época, como a inspiração divina da Bíblia, a queda do homem em pecado, a possibilidade de milagres, a encarnação e a ressurreição de Jesus. Sua antropologia passou a ver positivamente o ser humano como capaz de si e capaz de realizar o bem. O pecado não era mais visto como uma rebelião contra Deus, mas como o resultado da ignorância e resquício do processo evolutivo. Se o ser humano pudesse ser educado e “reformado”, ele poderia resolver os problemas sociais e instaurar a paz. Finalmente, Jesus não era mais aceito como um sacrifício substitutivo, mas como um exemplo de vida e conduta. “Teólogos liberais desejavam ‘libertar’ a religião do obscurantismo e da escravidão dos credos, a fim de dar ao homem poderes morais e racionais com maior amplitude”

(AHLSTROM, p.779). Também foi na segunda metade da vida de White que a Alta Crítica alcançou sua maturidade com as obras de Julius Wellhausen. Seus princípios desenvolvidos na interpretação do Antigo Testamento também foram aplicados pela escola de Tübigen ao interpretar o Novo Testamento (CLARK, p. 287-289).

Benzer Belgeler