Gürültücülük Zevki: Bihter’in müziğe karşı olan yeteneği roman süresince verilmiştir
XX. yüzyılın önde gelen bilim adamlarından Sigmund Freud çağında ve sonraki dönemlerde oldukça dikkat çeken psikolojik tespitlerde bulunmuştur. Freud, insan
1.3.2.2. Çiğnenen Yasak: Adnan Bey ve Bihter’in Evliliği
Observamos que muitas respostas dos adultos entrevistados se referiram a concepções de Deus que eles passavam para as crianças e não a concepções que partissem delas. Dessa forma, a pesquisadora explicou a pergunta aos entrevistados, questionando como as crianças tem se expressado sobre Deus para os adultos. Isto pode estar relacionado à concepção empirista, que vê a criança como tábula rasa, para a qual tudo que a criança sabe é o que o adulto ensinou, não tem participação dela, não traz a novidade, como apontam Andrade (1998), Castro (2001), Pulino (2008d).
(A) Não entende.
M Marcos: Não sei bem se uma criança de 5 anos entende... Você acha que ele entende (perguntando a Pd Marcos)? Não sei se ele entende...
Pd Marcos: Uhum, é, não sei, ele confunde as coisas, né?
M Maria: Como elas entendem? Bem, a gente nunca sabe o que elas entendem.
P João: É, Deus, como criador do céu e da terra é meio difícil pra uma criança de 5 anos igual o João.
P Lucas: Ele não entende muito, a forma de que que é Deus, foi o criador que, ele não entende muito sobre isso aí.
Alguns entrevistados apontaram que as crianças não entendem as concepções de Deus. Isto compartilha com o que Andrade (1998), Castro (2001) e Pulino (2008d) salientam, que é a visão da criança como um ainda-não, incapaz, que não consegue, é menosprezada, que tem uma falta, carência.
(B) Perguntas.
M Lucas: ele mesmo fala “mãe, Deus mora no céu?”, eu falo “mora”, aí ele fica, “e a mãe de Deus?”, “Também”.
M Mateus: Eles já fizeram essa pergunta, pelo menos para mim já fizeram, né, então, assim, quem é papai do céu? Porque é como a gente se refere Deus, a ele, é como papai do céu. Aí, papai do céu foi quem criou o mundo, aí mostrei o filme da criação para eles começarem a entender. (...) ele (pergunta) “onde ele mora?”, aí eu digo, lá em cima, lá no céu, aí ele “mas mãe, eu não tô vendo!”, criança eles tem que ver e tem que pegar, né, e eu digo, mas não dá pra ver e não dá pra pegar, mas Ele existe! Né, então assim, basicamente isso, a noção que eles tem seria essa, né?
P Isabel: a Isabel faz perguntas muito boas, perguntas metafísicas muito boas (...) Ãh, “antes de existir nada de nada, o que que existia?”, “Deus morreu?”
P Marta: Quem criou a gente, da onde é que a gente veio?
M Marta: Ela pergunta muito mais por exemplo isso, foi Deus que fez a gente? Ela não aceitou que a gente falou, não, é o papai e a mamãe, que casou, aí namora e fez você. Pra ela, ela não aceita.
(C) Deus concreto.
M Mateus: ele (pergunta) “onde ele mora?”, aí eu digo, lá em cima, lá no céu, aí ele “mas mãe, eu não tô vendo!”, criança eles tem que ver e tem que pegar, né, e eu digo, mas não dá pra ver e não dá pra pegar, mas Ele existe! Né, então assim, basicamente isso, a noção que eles tem seria essa, né?
M Marta: Ela é bem concreta, assim, eu vejo que ela tem uma necessidade de ter alguém. Então, quando ela se refere à morte, por exemplo, a gente já perdeu dois animais de estimação. Aí ela fala que vai pro céu e que lá vai ficar, é bem concreto, e que Deus vai cuidar, então eu acho que é uma concepção de pessoa, assim, eu acho que ela tem. (...) Eu até comentei com ela (pesquisadora) como a Marta é bem mais concreta, né, como ela precisa da mãe do Deus, tava brincando com ela que ela fala “a mãe do Deus”
P Marta: A gente nem sente falta de definição ou de deidades, ela sente.
M Marta: Ela sente, ela precisa da história, de saber quem é a mãe do Deus, que esse Deus tem que ser alguém.
P Marta: Quem criou a gente, da onde é que a gente veio?
M Marta: Pra ela, ela ainda tem aquela coisa de “Deus que fez”, foi Deus que fez.
M Lucas: ele mesmo fala “mãe, Deus mora no céu?”, eu falo “mora”, aí ele fica, “e a mãe de Deus?”, “Também”.
Observamos, na fala desses entrevistados sobre a concepção de Deus concreto por seus filhos, claramente, o artificialismo proposto por Piaget (1926/1975), em que a criança atribui a Deus a capacidade de fabricar as coisas. Também a visão das crianças relatada pelos responsáveis de que Deus é uma pessoa, um ser humano, que tem uma mãe, que mora em algum lugar, é apontada como característica do pensamento da criança pelo autor.
Alguns entrevistados apontaram que as concepções de Deus pelas crianças são aprendidas, são constituídas pelo meio em que elas vivem, como a família e a escola.
P Marta: Dela, vem dela. Não, mais ou menos, vem dos avós e vem da escola. M Marta: Tem os avós, né.
N: Vocês acham que tem essa influência? P Marta: Demais, eu acho.
M Marta: Eu não sei se demais.
P Marta: Vem mais da sua mãe, né? Depois, seguido da minha mãe.
M Marcos: Aí não, foi justamente na semana que eles foram lá pra vó, né, aí ele aprendeu, ele chegou em casa e falou, e contou a história. Não, foi aqui na escola...
Pd Marcos: É, a história da Páscoa. Que eles fizeram “A última ceia”, né? O desenho da “A última ceia”.
M Marcos: Não, não foi lá na igreja, não, foi aqui na escola que eles aprenderam sobre... Pd Marcos: É, que “A última ceia” é ligada à Páscoa, né? Uma parte da história da Páscoa.
M Marcos: Aí ele me falou e eu falei, tá vendo, como Jesus não ganhou ovo? E ele “É”, aí ele falou assim “É, Jesus Cristo morreu pela, deu o sangue dele pela gente.”
N: Ele aprendeu aqui na escola isso? M Marcos: É.
P Isabel: ela confunde Jesus com Deus, eu acho já um problemão, porque mostra pra mim uma doutrinação realmente católica, né, assim de falar que Jesus era Deus, essa confusão de pai com filho, e tudo o mais que existe no catolicismo, então assim, então quando ela chega pra gente e pergunta “Deus morreu?”, eu falo assim, bom, ela andou conversando com alguém que realmente, eu não sei se foi na escola, ou se foi com a empregada, que é crente.
Professora: muitas crianças falam, “ah, tia, papai do céu, papai do céu não vai gostar, né, tia?”, tem um ou outro que fala isso, eu digo “não, não é assim também”, eu nunca falei pra eles “papai do céu não vai gostar”, mas eles mesmos falam, que é da família.
Coordenadora: Agora tem alguns que já trazem mesmo as falas acho que de casa. Professora: A maioria traz, quase todos trazem.
Coordenadora: “Papai do céu tá triste, papai do céu tá zangado”, é, “ele é meu irmãozinho da parte de Deus”.
Coordenadora: Mas eu não sei assim até que ponto isso é, vem deles ou já é da aprendizagem da família, né?
Assim, alguns adultos entrevistados parecem ver o mundo das crianças como um ainda- não, uma confusão, como se a criança não falasse algo compreensível, não soubesse o que é certo, o que seria o mundo dos adultos, que é o mundo real, que detém a verdade, o conhecimento, a sabedoria, conforme Andrade (1998), Castro (2001), Pulino (2008d) enfatizam. Nessa visão, as crianças perguntam, precisam de um outro que tenha o conhecimento, que lhes dê a resposta certa, pois elas não sabem. Eles dizem que elas tem uma visão de Deus concreta, mas os adultos também passam para elas essa forma de ver. Portanto, eles as ensinam, as preenchem, como se elas fossem uma tábula rasa, que não tem nenhum saber próprio ou relevante, que não são ativas no processo de construção das concepções.