Após a coleta, o passo seguinte foi o de analisar e interpretar dos dados obtidos. De acordo com Gil (2012, p. 156), o processo de análise tem por finalidade organizar e sumariar os dados, de modo que seja possível o fornecimento de respostas ao problema proposto na investigação. A interpretação, por sua vez, "tem como objetivo a procura do sentido mais amplo das respostas, o que é feito mediante sua ligação a outros conhecimentos anteriormente obtidos". Os processos de análise e interpretação variam significativamente em função do plano de pesquisa. Destarte, para o presente trabalho optou-se pela Análise de Conteúdo (AC) de Laurence Bardin.
Análise de conteúdo pode ser definida como um conjunto de técnicas de análise das comunicações com o propósito de se obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores, sejam eles quantitativos ou não, que permitam a inferência de conhecimentos concernentes às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens (BARDIN, 1979). De modo mais inteligível, Bardin ainda contribui para o entendimento da análise de conteúdo quando afirma que:
Pertencem, pois, ao domínio da análise de conteúdo, todas as iniciativas que, a partir de um conjunto de técnicas parciais, mas complementares, consistam na explicitação e sistematização do conteúdo das mensagens e da expressão deste conteúdo, com o contributo de índices passíveis ou não de quantificação, a partir de um conjunto de técnicas, que embora parciais, são complementares. Esta abordagem tem por finalidade de efetuar deduções lógicas e justificadas (BARDIN, 1979, p. 42).
A análise de conteúdo obedece a duas funções principais, uma heurística que enriquece a tentativa exploratória aumentando a propensão à descoberta, e outra, a uma função de “administração da prova” que funciona sob a forma de questões ou de afirmações provisórias que poderão ser confirmadas ou refutadas a posteriori, ou seja, a análise de conteúdo caracteriza-se essencialmente como um método empírico de análise.
Trata-se da descrição analítica que funciona segundo procedimentos sistemáticos dirigidos ao tratamento das informações contidas nas mensagens. A análise de conteúdo abriga várias subseções, entre elas, a análise temática, cuja estrutura apresenta-se como sendo a mais adequada para o presente estudo. Esse tipo de análise compreende a contagem de um ou vários
temas ou itens de significação dispostos em uma unidade de codificação previamente determinada (BARDIN, 1979). A análise temática é comumente utilizada como uma unidade de registro para pesquisar motivações de opiniões, atitudes, valores, crenças e tendências de indivíduos ou de grupos.
Ainda conforme Bardin (1979), a análise de conteúdo organiza-se por meio de três polos cronológicos: a pré-análise; a exploração do material; o tratamento dos resultados. A pré-
análise tem por objetivo organizar as ideias iniciais e tornar operacional a pesquisa que será
aplicada. A exploratória compreende a escolha das unidades de registro, a enumeração e a classificação das categorias. E por último, o tratamento, que permite estabelecer quadros de resultados por meio da inferência e interpretação dos dados ocorridas da fase exploratória da pesquisa.
Contudo, como forma de estruturação, a maioria dos procedimentos de análise de conteúdo organiza-se sob um processo de categorização que reúne um grupo de elementos classificados a partir de critérios previamente definidos. Particularmente para este estudo, os critérios de categorização estabelecidos, que foram parte da fase exploratória, são extraídos, como já mencionado anteriormente, do modelo de gestão da informação proposto por Chun Wei Choo (2003), e que estarão representadas conforme o quadro a seguir:
Quadro 2 – Categorias de análise com base no modelo de Choo (2003).
Fonte: Elaborado pelo autor (2016).
1. Necessidades de informação: tratará da identificação das necessidades informacionais
dos “atores” foco desta pesquisa. Esta categoria procurará evidenciar as necessidades das informações identificadas para a consecução das atividades desenvolvidas nas oficinas permanentes do Centro;
2. Aquisição da informação: orientará a análise dos procedimentos de busca bem como
as fontes disponíveis de informação que são utilizadas. Além disso, esta categoria procurará identificar as possíveis barreiras de busca e aquisição da informação;
3. Organização e armazenamento da informação: tratará da análise dos procedimentos
de armazenamento da informação utilizados em relação à realização das oficinas;
4. Desenvolvimento de produtos e serviços de informação: esta categoria procurará
identificar quais os produtos e serviços de informação que são utilizados e desenvolvidos pelo Centro na realização das oficinas;
5. Distribuição da informação: categoria que verificará os critérios e os procedimentos
de distribuição e compartilhamento da informação para e entre os “atores”, de modo a viabilizar a consecução das atividades desenvolvidas nas oficinas;
6. Uso da informação: analisará o uso e a assimilação da informação por parte dos
educandos. Esta categoria visa identificar as principais finalidades do uso da informação na execução das atividades artístico-culturais das oficinas, bem como na formação dos jovens que são alvo de todos os esforços e propósitos do Piollin.
As categorias mencionadas no Quadro 2, além de terem orientado os procedimentos de análise desta pesquisa, serviram de base para a elaboração dos roteiros das entrevistas que foram aplicados às categorias de público do Centro Piollin.
Postas as etapas que compreendem as fases desta pesquisa, o passo seguinte foi a operacionalização propriamente dita da pesquisa, bem como do cumprimento dos objetivos específicos e, consequentemente, do objetivo geral proposto para este estudo.