İÇİNDEKİLER
ÇEVRE FAALİYETLERİ
A Bacia Hidrográfica do rio Paraíba, com uma área de 20.071,83 km2, é a segunda maior do Estado, abrangendo 38% do seu território, atendendo
1.828.178 habitantes, que correspondem a 52% da sua população total, distribuída em 85 municípios. Considerada uma das mais importantes do semi- árido nordestino, ela é composta pela Sub-Bacia Hidrográfica do Rio Taperoá e Regiões Hidrográficas do Alto, Médio e Baixo Paraíba. Além da grande densidade demográfica, na bacia estão incluídas as cidades de João Pessoa, capital do Estado, e Campina Grande, seu segundo maior centro urbano (cf. CBHRPB, 2008).
Trata-se de uma bacia estadual (toda rede de drenagem pertencente ao Estado). As nascentes do rio ficam na mesorregião da Borborema, microrregião do Cariri Ocidental, nas proximidades do município de Sumé, no ponto de confluência dos rios do Meio e Sucuru. A desembocadura no Oceano Atlântico situa-se na altura do município de Cabedelo.
As fontes hídricas dos sistemas de abastecimento d’água da Bacia do Rio Paraíba são predominantemente de superfície, visto que 90,6% dos núcleos urbanos atendidos utilizam açudes e apenas 9,4% utilizam poços como fonte hídrica. Todos os sistemas que utilizam fonte subterrânea estão situados no Baixo Curso do rio Paraíba.
Devido à extensão da Bacia, esta atravessa regiões com características notadamente diferentes. Em geral, o litoral apresenta problemas com poluição hídrica, já que possui índices pluviométricos que permitem recarga dos mananciais . Entrando para o interior, os índices pluviométricos vão diminuindo, e, pela variabilidade espacial e temporal das chuvas, o fenômeno das secas é uma realidade (CBHRPB, 2008).
O CBHRPB, instituído pelo Decreto 27.560 de 04.09.2006 e instalado no dia 18.06.2007, é um importante marco na história do uso das águas no
Estado, estando em conformidade com o arcabouço legal e institucional desencadeado pela Constituição Federal de 1988; pela Lei nº 9.433/97, como também com a Resolução Nº 05 do Conselho Nacional de Recursos Hídricos e vários dispositivos legais criados pelo Estado da Paraíba, tais como a Lei N° 6.308, de 02 de julho de 1996, com as alterações introduzidas pela Lei n° 8.446, de 28 de dezembro de 2007, a Resolução nº 01, de 06 de agosto de 2003, e a Resolução nº 03, de 05 de novembro de 2003, do Conselho Estadual de Recursos Hídricos – CERH.
Um resumo mais detalhado da informação acima apresentada foi por nós selecionado durante a realização da entrevista com o membro do CENTRAC e pode ser observado no trecho a seguir :
O processo de instituição do comitê de Bacia do Paraíba teve início no ano de 2001 através de reuniões convocadas pela – SEMAR- Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do estado da Paraíba. Entre 20001 e 2002 conseguimos discutir a necessidade de instalação do comitê e discutimos o que seria um estatuto para o comitê. Em 2002, período eleitoral, a discussão foi abortada e retomada só em 2003. Nesse período criamos uma comissão provisória para tocar pra frente o processo de instalação do comitê. Essa comissão foi aprovada pelo conselho. A proposta de criação do comitê foi aprovada pelo CERH [Conselho Estadual de Recursos Hídricos] em 2004 e depois da criação e aprovação, se instalou a comissão provisória da qual eu fiz parte como presidente e tinha mais 5 pessoas, representando a UFCG, a prefeitura de CG, o governo do estado através da EMATER, órgão federais, através do DNOCS. Essa comissão tinha o objetivo de implementar o processo de instalação do comitê. Só que, de 2004 a 2006, tivemos algumas dificuldades no sentido de apoio por parte do governo, apoio material, apoio financeiro. Ficava difícil tocar as coisas, por causa da falta de recursos. Dependíamos dos recursos. Em 2007, foi retomado e foi instalado o comitê, em junho de 2007. Eu participo do processo deste comitê desde o seu início em 2001, representando o CENTRAC, desde o
início das discussões em 2001. Não foi um processo seletivo, foi uma convocação feita pela secretaria e as instituições e os órgãos que tinham interesse no processo de instalação do comitê se interessavam pela participação. A participação era aberta.
(Entrevista pessoal, membro da sociedade civil, pertencente ao CENTRAC no comitê, junho de 2009).
O CBHRPB é composto por 56 membros, sendo que 16 representam o poder público (Federal: 02; Estadual: 04 e Municipal: 10) 18 representam a sociedade civil e 22 os usuários. Nele as instituições representadas são: UFCG, DNOCS, CEFET-PB, AESA-PB, Escolas Estaduais, Setor Agroindustrial, EMATER, CENTRAC, SUDEMA, Representantes das Prefeituras Municipais localizadas no âmbito da bacia hidrográfica, Associação de Pescadores de Boqueirão, Paróquias e Associações de Moradores . Para a diretoria do comitê, a função do mesmo é : “ promover a gestão integrada dos
recursos hídricos com a participação da sociedade, dos usuários e poder público, buscando o desenvolvimento sustentável no âmbito da Bacia Hidrográfica do rio Paraíba”. Quando da nossa solicitação à secretaria do
CBHRPB para que disponibilizasse a lista de membros que o integram, a fim de que pudéssemos realizar as entrevistas com esses, recebemos uma lista incompleta, chegando a haver em alguns casos, referências ‘imprecisas’, com endereços, e-mails e números de telefone inexistentes. Tal problema também é expresso na fala do membro pertencente à alta hierarquia do CBHRP-PB:
Existe a produção de atas, a produção de pauta. Nem todos os membros participam, porque quando nós pegamos os arquivos que a secretaria do comitê nos repassou, tinha muito endereço trocado, telefone inexistente. Até representantes de instituições que tinham falecido. (Entrevista pessoal,
membro pertencente à alta hierarquia do comitê, maio de 2009).
O relato acima dá indicativos quanto à dificuldade de se localizar os membros que integram o CBHRPB e de se identificar o rumo das diretrizes programáticas a serem priorizadas no mesmo.
O levantamento de dados acerca do processo de funcionamento do CBHRPB como um órgão cuja finalidade é arbitrar os conflitos relacionados aos recursos hídricos e estabelecer os mecanismos de cobrança pelo uso de recursos hídricos e sugerir os valores a serem cobrados foi um tanto problemático, devido aos seguintes fatores: a) primeiro, a restrição do acesso ao material disponível para análise. Por exemplo, das atas relativas às reuniões do CBHRPB, só conseguimos acesso a ‘cinco’ atas, sendo que uma dessas ainda carece da assinatura dos membros que não se fizeram presentes
à reunião extraordinária; b) segundo, a dificuldade em acompanhar as
reuniões pelo fato delas ‘não existirem’ durante o período de realização do trabalho de campo [Abril – Agosto, 2009].
Quando da nossa solicitação para realizar as entrevistas, alguns dos membros do comitê nos informaram que não tinham condições de responder às nossas indagações, uma vez que não se sentiam capacitados em termos de conhecimento sobre a legislação hídrica nacional e nem tampouco conheciam as suas implicações sobre as deliberações locais e dessa forma adotaram uma metodologia de ‘repasse’ para membros que, para eles, eram considerados mais bem capacitados para nos atender.
Houve várias desistências e fugas por parte dos membros do CBHRPB. Diversas vezes entrevistas foram agendadas e, posteriormente, desmarcadas sem justificativas plausíveis, ficando algumas dessas impossibilitadas de
acontecer, porque o membro contatado, na última hora decidia que não iria nos atender, muitas vezes utilizando uma argumentação de que não possuía
competência adequada para os questionamentos que seriam por nós
colocados.
Durante a realização das entrevistas, foi necessário elaborar um segundo formulário, porque as questões colocadas não se faziam entendidas por parte de alguns membros do comitê, em termos de compreensão da legislação hídrica. Tal fato exigiu de nós a (re)elaboração de um segundo roteiro de entrevista, a fim de fazer com que os membros pudessem expressar o entendimento acerca da dinâmica da questão hídrica na instância do comitê de bacia hidrográfica. Muitos dos membros de baixo nível de instrução entrevistados não puderam responder a perguntas do tipo o que propõe a Lei
9.433 para o CBHRP? e Qual a função da ANA?.
Do total de membros contatados que não aceitaram participar das entrevistas, destacam-se dois usuários representantes do setor agroindustrial. Um desses, em uma conversa relativamente informal, nos revelou que: ‘não
entendia o porquê de se cobrar água de quem dá emprego aos outros’. Mesmo
tendo feito essa declaração, ressaltou que depois conversaríamos sobre questões ligadas ao comitê. A fala do referido membro revela a resistência de um segmento social [capitalizado economicamente] em querer arcar com taxações relativas à cobrança da água bruta.
Outro membro do setor de usuários [AGROVAL] não aceitou participar das entrevistas. Esse não respondia aos e-mails e nem agendava uma conversa conosco. Depois de muita insistência, o mesmo nos disse que: ‘
pudéssemos ficar mais bem informados’. Um fato intrigante aí, é que a referida
pista foi dada por quem exerce uma função de destaque na diretoria do comitê e que mesmo assim se considera desinformado sobre as questões que envolvem inclusive sua atuação no CBHRPB.
É tendo em mente o contexto acima mencionado que analisamos as entrevistas com membros e suplentes que integram o CBHRPB.