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Çeviride İşlevin Rolü, Skopos Kuramı (Vermeer)

BÖLÜM 3: ÇAĞDAŞ ÇEVİRİ YAKLAŞIMLARI

3.4. Çeviride İşlevin Rolü, Skopos Kuramı (Vermeer)

Era o mês de outubro e Cristina ainda estava às voltas com seu bordado. Queixava-se de ser

incapaz de aprender a técnica e prosseguir o trabalho sozinha durante a semana. Também

sentia-se intimidada a “incomodar” as colegar pedindo orientações.

Numa tarde ensolarada e com a temperatura por volta dos 30ºC enquanto propunha-me a

ajudá-la, algumas participantes adentraram a sala animadas, retornando de um passeio em

que foram comprar sorvete para se refrescar do calor. Continuei auxiliando Cristina a

bordar na toalhinha mais uma letra do nome do filho. Ela mantinha-se tensa,

desmanchando alguns trechos que por si identificava ter feito errado. Naquele processo em

que solicitava minha supervisão constante, agradecia minha paciência e se desculpava pela

lentidão.

Andra e Paula tinham voltado atrás e tornado a levar suas tintas para tecido. Cheias de

energia, inquiriram se as colegas levaram os panos de prato para pintar.

Guilhermina, Edna e Josefa apesar de interessadas, alegaram não ter tido tempo para

comprar o material. Lembrei que em meio às doações de tecidos, havia pedaços de algodão

cru, úteis para um primeiro exercício. O grupo se animou e prendou os pedaços de tecidos

esticados sobre cartolinas, riscando os desenho de moldes escolhidos e iniciando a pintura

sob a orientação das artesãs mais experientes naquela prática. Andrea e Paula se

comprometeram a emprestar o material novamente na próxima semana, mas já incitavam

as colegas a arrecadar dinheiro para comprar pincéis especiais e tecido por metro.

A experimentação da pintura em tecido tinha realmente produzido um efeito positivo sobre

a motivação do grupo. Nos encontros seguintes, o clima era alegre. Vez por outra,

queixavam-se das inabilidades e criticavam o resultado de suas tentativas. Mas, de modo

geral, estavam otimistas e concentradas em aprender a pintar.

Empolgado com a nova experiência, o grupo voltou a sugerir que nos encontrássemos mais

vezes por semana pois, naquele período, a equipe escolar vinha programando diversas

atividades pedagógicas como reuniões entre pais e mestres, festas comemorativas e eventos

culturais e algumas datas coincidiam com as de nossos encontros.

Considerando outras frentes de trabalho que integravam as atribuições de meu cargo na

instituição, expliquei que eu não dispunha naquele momento de outro horário para nossos

encontros. Caso quisessem se comprometer a agendar o uso da sala da Psicologia, podiam

trabalhar em grupo em outro dia além da sexta. Elas não pareceram interessadas naquela

opção.

Neste ponto, vale realinhar a importância da transferência no processo psicoterapêutico que acontece em movimento dialético, em que

(...) cada um dos participantes traz a sua valiosa contribuição. O psicoterapeuta tem um entendimento amplo de como as pessoas se relacionam com seu processo interior, com outras pessoas, e com sua própria visão de mundo. O cliente possui um profundo conhecimento de sua história pessoal e de suas vivências. Como cada um desses é especialista em uma parte do processo, complementam-se um ao outro ao trazerem novas informações desafiadoras e insights que o outro ignora (Singer, 2002, p.227).

A possibilidade de Andrea e Paula terem sugerido a técnica de pintura de tecido e terem assumido o papel de instrutoras reafirmava a democracia que, na prática, cumpria o objetivo psicoterapêutico de vivenciar novos papéis e ampliar suas consciências acerca de seus próprios talentos e potencialidades. Deste modo, os efeitos oriundos dos encontros grupais referendavam a validade da proposta.

Nos nossos encontros seguintes, as participantes mantiveram-se empolgadas frente aos

desenhos de flores e frutas em seus panos que pouco a pouco ganhavam um rico e

caprichado colorido.

Fotografia 13. As maçãs alegres e iluminadas por Josefa

Sob orientação das colegas mais experientes, as maçãs pintadas por Josefa adquiriam vida,

com técnicas de sombreado e profundidade. Guilhermina pintava em tons mais fortes e

escuros, pois dizia gostar de cores vivas. Não se atentava para as dicas das colegas sobre os

efeitos que poderiam produzir efeitos tridimensionais e enquanto sorria admitiu: “Eu já vi

panos de prato mal pintados como o meu para vender por aí”.

Fotografia 14. As primeiras flores de Guilhermina

Luciana esteve ausente por alguns dias, pois seu filho foi novamente internado por

problemas pulmonares. Voltou à roda de artesanato com alguns trabalhos de crochê feito

com saquinhos plásticos e disse que vendeu algumas bolsas para as enfermeiras do hospital.

Contou-nos também que nos últimos dias continuou trabalhando com as sacolinhas

recicláveis enquanto esperava o filho no pátio da escola e que a coordenadora do setor de

voluntariado da instituição se intessou muito por seu trabalho e talento. Convidou-a para

integrar a equipe de voluntárias, produzindo peças para vender em bazares promovidos pela

instituição. Disse-nos que se sentiu feliz por ser reconhecida, e que iria conversar com a

equipe de voluntárias e avaliar a proposta. No entanto, não poderia apenas doar seu tempo

pois precisava atender às ecomendas de suas clientes.

Fotografia 15. A reciclagem de sacolas plásticas e a primorosa bolsa crochetada por Luciana

Interessante notar que a valorização do potencial de artesãs contemplava as expectativas iniciais do grupo, de que se sentissem úteis e valorizadas por outros setores da instituição. Expor peças em bazares externos seria uma possibilidade de atestarem que também eram detentoras de conhecimentos e, quem sabe, oferecesse o tão almejado retorno financeiro?

Enquanto supervisionava o desempenho das colegas e lhes dava dicas, Paula contou-nos que

havia terminado a manta em crochê que vinha fazendo para o enxoval de bebê de uma

amiga. O trabalho ficou bonito, mas não pôde trazê-lo ao grupo, pois já o tinha entregue o

presente no chá de bebê. Passou a dedicar-se ao bordado a mão livre, técnica extraída de

uma revista de artesanato popular chamada “Bordados da Vovó”. Além disso, depois

aprendeu com sua irmã a rápida técnica de pintar madeiravinha confeccionando porta-jóias

e porta-retratos para presentear a equipe de funcionários da escola. Acreditava que tais

presentes seriam úteis, pois todos gostam de ter fotos pela casa e, além disso, sempre teriam

uma recordação de seu filho. Relembra que há muitos anos aprendeu a pintar quadros a

óleo, mas desistiu porque o material era caro, as telas grandes e tinham pouca utilidade

prática. Por isso, poucas pessoas se interessavam em comprá-las.

Em sua história de vida, Paula havia nos contado como foi difícil assumir os cuidados do filho e se adaptar à escola. Naquele momento, sua adaptação mostrava sinais de alteridade, gratidão e generosidade, de modo que utilizava seus talentos para formar alianças com a equipe escolar. Mostrava com orgulho que o porta-retrato remetia ao resgate de memórias que mereceriam ser recordadas, como a passagem de seu filho pela escola e as amizades por lá estabelecidas.

Se tive a oportunidade de comprar panos de prato a preço de custo e espontaneamente doá-

los às vivências, havia notadamente um ganho na autonomia do grupo. Algumas

participantes nas semanas seguintes compraram seus próprios panos desenhados para

pintar, alguns potes com tintas de cores básicas e pincéis para fazer acabamentos

específicos. Deixavam de depender totalmente do material oferecido na roda, e atestavam

suas escolhas, seus gostos pessoais, organizando-se para investir inclusive recursos

financeiros naquelas compras.

Conforme terminavam a pintura de seus panos de prato, algumas participantes

imediatamente escolhiam outros desenhos para pintar um novo pano. Outras dedicavam-se

ao acabamento do trabalho, como aprender a tecer um barrado em crochê. Guilhermina teve

a original ideia de bordar o contorno de sua pintura com ponto haste e, além daquela

atividade, continuava em seu tempo livre tecendo tapetes em crochê. Terminado o tapete

para o banheiro, aprendeu com Dona Rafaela um novo ponto e fez outro tapete para a porta

de entrada de sua casa. Depois começou um outro tapete com barbante, sem se preocupar

com o tipo de ponto, só para se distrair e para enfeitar o chão de seu quarto.

Era muito marcante a experiência simbólica que emergia dos encontros grupais. Ao mesmo tempo que cada participante se tornava mais segura para realizar escolhas, investir, pedir ajuda, finalizar trabalhos e dar-lhes significados, o grupo atingia níveis admiráveis de coesão, respeito e interação, de modo a fortalecer cada vez mais os contornos de seu círculo e, ao mesmo tempo, sua porosidade e permeabilidade frente às demandas da realidade da casa, que necessitava ser enfeitada, dos funcionários da instituição, que mereciam ser presenteados.

Benzer Belgeler