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ÇERÇEVE ANLAŞMA İHALESİ MÜNFERİT SÖZLEŞME SONUÇLARININ İLANI

Belgede 10 MART 2022 Sayı 4567 (sayfa 25-33)

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3. ÇERÇEVE ANLAŞMA İHALESİ MÜNFERİT SÖZLEŞME SONUÇLARININ İLANI

Estamos vivenciando uma nova forma de cultura na qual predominam as novas tecnologias da informação e comunicação e as mídias digitais. A cibercultura, como é chamada, abre um espaço onde o polo de emissão é liberado para qualquer pessoa que queira opinar, num contexto em que há o princípio da conexão em rede e assim reconfigurando formatos midiáticos e práticas sociais.

Uma das práticas que, com o advento das novas mídias e as tecnologias digitais, ganhou terreno fértil para se desenvolver foi a remixagem, que, segundo André Lemos (2005, p. 1), é o princípio que rege a cibercultura. Em linhas breves, trata-se da

“apropriação de obras já existentes com o intuito de desenvolver novos produtos”. (NOBRE;

NICOLAU, 2010, p. 2)

A prática do remix acaba causando tensões entre os criadores livres e a indústria cultural, que a considera violadora dos direitos autorais e da propriedade intelectual do autor original. Contudo, a simplificação cada vez maior e o barateamento do custo de recursos de edição audiovisual só garantem o crescimento desenfreado da remixagem.

Sendo assim, o remix, um princípio fundamental da cibercultura, ele “traz em seu cerne a possibilidade de os indivíduos interferirem na produção dos conteúdos mediados.”

(NOBRE; NICOLAU, 2010, p. 9), e essa interferência está trazendo à tona uma nova espécie de autor, aquele que recombina produtos culturais já existentes e faz surgir uma nova obra com formato e proposta bem diferentes dos originais.

Eduardo Navas (2010), em sua teoria do remix, nos mostra que para entendê-lo junto com suas variáveis é preciso visualizá-lo, primeiramente, nas suas origens musicais, porque, segundo ele, o conceito de remix é derivado do modelo dos remixes musicais que eram produzidos em Nova York, por volta dos anos 1960 e 1970, com raízes na música Jamaicana.

Para facilitar a compreensão, o autor cria um diagrama para categorizar os tipos de

mashups34 e remix existentes na cultura remix. Como podemos visualizar no diagrama proposto por Navas (figura 26), os filmes e produtos da TV, assim como o vídeo também têm espaço na sua teoria do remix, que extrapola o universo da música. Como afirmam Nobre e Nicolau (2010, p. 2), “Inicialmente associado à música, o remix transcende a ‘barreira do som’ e atualmente é reconhecido como uma técnica de criação para produtos textuais e audiovisuais.”

Trazendo então para nosso objeto de pesquisa nesta dissertação, é possível verificar que parte da produção de cibercinéfilos, seriéfilos e fãs de produtos audiovisuais, parte da apropriação de obras as quais eles mantém devoção e admiração. Isso nos leva a ideia de que existe um “remixador” atuando na esfera do audiovisual e gerando novas obras a partir das suas preferidas. Eles estão fazendo vídeos de paródias com os astros favoritos e circulando nas redes sociais, trechos de filmes redublados ou remix dos melhores momentos das séries mais vistas da vez.

Acreditamos que já possa ser adequado chamá-lo de “remixador” pois, apesar de se tratar de nomenclatura inglesa, esta já está instaurada no vocabulário e nas práticas dos brasileiras de maneira íntima nos dando a liberdade de traduzi-la do original “remixer”.

E assim, esse sujeito vem consolidando a cultura do remix e atuando com recombinações de obras do campo audiovisual e fazendo surgir suas próprias criações, elevando o status do amador ao de autor emergente, como sugere Jenkins (2008, p. 190). Para Helena Klang (2011, p. 51) “A linguagem da nova mídia, o remix, torna-se uma ‘escrita’ compartilhada por jovens de todas as partes do mundo, que reivindicam uma participação ativa na construção da Cultura.”

34 Combinação de trechos de músicas, vídeos, imagens ou textos, que geralmente não têm ligação entre si, formando uma nova obra.

Figura 26: Diagrama da teoria do remix por Eduardo Navas

Fonte: http://remixtheory.net/?p=444

Um caso conhecido e interessante para ilustrar o exemplo do remix é o de Jonny Wilson, conhecido na internet pela alcunha de “Eclectic Method”35, que há 10 anos faz remixagens de grandes produtos da cultura pop, como músicas, filmes e séries, criando clipes dançantes e bem humorados. Ele próprios se descreve em suas redes sociais como “VÍDEO REMIX DJ PRODUCER”.

Faltando poucas semanas para a estreia do mais novo filme da franquia mais bem sucedida da história, Star Wars: Episódio VII O despertar da força, Eclectic Method publicou um vídeo (figura 27) em que faz uma reunião de trechos importantesdos últimos seis filmes pensando numa recapitulação da saga em apenas três minutos. Assim, monta uma história coerente através de partes pequenas do todo e causa uma rememoração prévia para quem pretende assistir ao sétimo longa. Essa criação acaba por tomar, também, a forma de uma homenagem à obras admiradas pelos produtores dos remixes.

Figura 27: Vídeo de Star Wars por Eclectic Method

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=S_FK0gBQmnk

Apesar de Jonny Wilson produzir vídeos focados em outros fenômenos midiáticos, como políticos e apresentadores de programas, grande parte da sua inspiração é extraída do Cinema, sempre fazendo boas brincadeiras e homenagens em forma de músicas energéticas.

Figura 28: Playlist de Star Wars no canal de Eclectic Method no YouTube

Star Wars foi alvo dos seus trabalhos algumas outras vezes, seja para a criação de uma música utilizando os sons produzir por Chewbacca (personagem alienígena da raça Wookiee) ou fazendo uma mistura de falas de personagens da Disney para construir frases com elementos da narrativa de Star Wars. Seu canal no YouTube tem uma playlist (figura 23) com oito vídeos, criados por ele, só com a temática da franquia de George Lucas.

Além disso, De Volta Para o Futuro, Exterminador do Futuro, Guardiões da Galáxia, Game of Thrones, The Sopranos e outros, são produtos que já foram remixados por Eclectic Method. Como diz Lawrence Lessig (2004, p. 93), “Todas essas criações são tecnicamente ilegais”, porém, muitas já são as formas encontradas para o reconhecimento de trabalhos que se valem da apropriação de obras de terceiros.

Em sua página36 na internet Wilson fala que seu trabalho “costumava ser uma estética punk, mas as leis mudaram porque a internet as modificou” (tradução nossa)37. Também diz em sua página que uma década atrás ele foi perseguido pelos advogados de companhias da indústria por conta da sua pirataria digital. Hoje ele é procurado pelas mesmas empresas por causa do conjunto de suas habilidades.

Muitos são os meios encontrados pelos fãs para trabalharem em cima de suas obras preferidas modificando-as livremente. Um desses meios, que é bastante produzido e circulado pela rede, são os “trailers falsos”, criados para transformar a essência original da obra, dar outro sentido a algum filme, ou até mesmo montar prévias para filmes que nem sequer foram filmados, como bem analisa Ian Cavalcanti (2013).

Podemos citar como exemplo o caso do “trailer falso” de um dos grandes clássicos da Disney, Mary Poppins (1964), que foi montado para parecer que o filme e de terror. Uma reorganização de cenas junto com o uso de elementos sonoros macabros fizeram com que o divertido e feliz filme infantil se tornasse um clássico do horror.

E nesse estilo existem vários, desde um Willy Wonka sombrio, passando por Forrest Gump Gangster, até um Coringa bonzinho salvando Gotham do malvado Batman. Plataformas como YouTube e Vimeo estimularam tanto a criação como o compartilhamento de vídeos amadores baseados no universo audiovisual. Vídeos como esses são feitos por espectadores diferenciados que amam tanto o audiovisual a ponto de produzir conteúdo voltado para o meio.

Como Cavalcanti (2013, p. 2) deixa claro,

36 http://www.eclecticmethod.net/

É importante ressaltar que, embora esses trailers falsos se utilizem da estrutura convencional, atribuída ao segmento audiovisual, não possuem a intenção de enganar o público, colocando algum elemento que

“entregue” a não veracidade do vídeo.

Assim, fica claro que são vídeos criados para homenagear ou parodiar sucessos do Cinema e da TV de maneira livre e ao critério do fã.

Um vídeo que ficou famoso no ano de 2008 foi um trailer falso, muito bem elaborado, do desenho Thundercats. O criador usou cenas de diversos filmes e colocou Brad Pitt, Vin Diesel e Hugh Jackman para contracenarem. Na descrição do vídeo no canal de WormyT no YouTube, ele diz que os efeitos foram feitos frame por frame no Photoshop.

Apesar de o próprio título do vídeo deixar claro que é feito por fã, ele foi tão replicado pela rede em outros canais e blogs, que por muitos chegou-se a cogitar ser, de fato, um trailer de um filme que viria a ser lançado.

Figura 29: Brad Pitt em trailer falso de Thundercats

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=fb50GMmY5nk

Seja por meio de “trailers falsos”, compilações de cenas, criações de músicas com os sons da série ou montagens que mudam completamente o gênero do filme, os espectadores diferenciados que nutrem uma paixão maior pelas obras audiovisuais estão se arriscando nos programas de edição de vídeo e tentando construir suas próprias criações. As misturas e recombinações são de total liberdade do “remixador” e baseadas em seus

próprios critérios, por isso possa existir uma variedade enormes de formatos remixados de obras já existentes.

Para citar outro exemplo, temos um vídeo (figura 30) que coloca Jack Nicholson, em cenas de O Iluminado dentro da atmosfera da sitcom Seinfield (com as risadas características), transformando momentos de terror em uma série de comédia.

Figura 30: O Iluminado no estilo Seinfeld

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=pRtyqK4nbVU

Os “remixadores” não atuam apenas na produção de vídeos, mas também montando imagens com piadas rápidas para circulação, e isso acontece muito pós episódios de séries. Assim que algum episódio é lançado e assistido pela maioria de fãs fiéis que acompanham no tempo correto, muitas piadas em forma de memes são compartilhadas nas redes sociais, e são construídas pela apropriação não só de elementos da série em questão, mas utilizando, muitas vezes, outras obras.

O aplicativo para smartphone TV Show Time, que já foi mencionado aqui antes, funciona como uma rede social que dá espaço para que o usuário marque os episódios já assistidos das séries, vote no seu personagem favorito, interaja com outros membros da comunidade e faça comentários.

Um diferencial dessa rede, é que os comentários podem ser na forma de memes, e isso está sendo muito bem aproveitado pelos fãs das séries para expressar suas emoções com imagens e pequenos textos. É interessante perceber que essas imagens só podem ser entendidas por aqueles que estão acompanhando os episódios ou conhecem o universo da narrativa. Alguém que não assistiu ao último episódio certamente receberá spoiler ao entrar na seção de comentários do aplicativo TV Show Time.

Figura 31: Comentários nos episódios de The Walking Dead

Fonte: Aplicativo TV Show Time

Analisamos a interação dos usuários dentro do aplicativo com base em episódios da série The Walking Dead. Na figura 31 vemos dois comentários de usuários da rede em episódios diferentes. Em ambos eles se apropriam de imagens de filmes conhecidos (Piratas do Caribe e Rei Leão) para fazer colagens que gerem associações com cenas da série. Percebemos que há botões para curtir e responder a publicação para, assim, criar um espaço onde os fãs dialoguem.

Na figura 32 temos dois comentários que se apropriam de imagens de outras séries, criando um diálogo com a série em questão, para comentar o que aconteceu no último episódio. No primeiro temos um quadro com uma cena do episódio e abaixo segue um quadro com uma imagem do personagem Jean-Luc Picard (Patrick Stewart) de Star Trek: The Next Generation comentando com uma fala dita por uma personagem de The Walking Dead em outra temporada. Isso mostra como os fãs estão antenados e conseguem fazer associações rápidas com todo o universo da série e ainda combinar com elementos de outros universos narrativos.

Figura 32: Comentários nos episódios de The Walking Dead 2

Fonte: Aplicativo TV Show Time

No segundo comentário, ainda na figura 32, temos uma imagem do personagem Jon Snow, de Game of Thrones, junto com um texto indicando ser uma fala sua se referindo ao personagem Glenn de The Walking Dead. Uma piada bem elaborada que se trata dos destinos de ambos os personagens em suas séries.

Como fica claro, uma pessoa que não consome o audiovisual da forma que esses sujeitos, não entende nenhuma das imagens, pois estas só fazem sentido para quem acompanha o universo narrativo das séries abordadas. Vale salientar que não estamos restringido essas atividades aos cibercinéfilos, seriéfilos e fãs, todavia, a relação que eles têm com o audiovisual se mostra diferenciada e fazem deles espectadores não convencionais, os delegando práticas que não são vistas em espectadores comuns.

De acordo com Kirby Ferguson, na série documental Everything is a Remix (2010), remixar é “combinar ou editar materiais existentes para produzir algo novo”. A partir daí fica fácil notar como essa prática, que sempre existiu, se potencializa na cibercultura que facilita seu espalhamento.

Como não poderia ser diferente, também verificamos a presença do remix quando falamos em combinar textos já existentes para produzir uma nova obra. Isso é

exemplificado nas fanfics, ou fanfictions, que “são produções escritas por fãs de

determinado universo ficcional e são difundidas na Rede através de sites, blogs ou fórum de redes sociais.” (CAMARGO; ABREU, 2013, p. 1).

Inúmeros universos narrativos (ficcionais ou não) possuem um grupo de fãs que estão produzindo ficção em forma de texto para expandir a história que eles apreciam. No caso do nosso estudo, filmes e séries também têm suas narrativas ampliadas pela atividade de fãs que estão escrevendo histórias baseadas em seus personagens favoritos.

No site fanfiction.net, comunidade destinada a reunir as criações dos fãs, podemos encontrar uma variedade imensa, de textos não oficiais só na categoria de filmes. Star Wars, James Bond, Transformers, Indiana Jones, American Pie, e até mesmo o Exorcista

são alvos da criatividade dos fãs. Eles estão inventando momentos não contados na história oficial, recriando eventos, usando trechos da obra original e combinando com seus próprios textos.

Séries como Doctor Who, Glee, Supernatural e House, também estão no meio dos

fandoms38 como universos ficcionais explorados pelos fãs para criarem mais em cima do que já existe.

Figura 33: Categoria de filmes no site fanfiction.net

Fonte: https://www.fanfiction.net/movie/

38 “Os fandoms são ambientes de afinidade caracterizados pelas muitas formas de interação que se estabelecem entre fãs de determinado objeto cultural a partir de seu interesse compartilhado por este mesmo objeto.” (REZENDE; NICOLAU, 2014, p. 2).

Na figura 33, podemos ver parte da página destinada a reunir todas as fanfics

cadastradas na categoria de filmes. Ela está ordenada por quantidade de histórias em cada universo ficcional e como mostra a figura, o primeiro da lista é Star Wars com quase 35 mil fanfics em diversos idiomas.

Também existe outras modalidades de histórias que evidenciam ainda mais o caráter remix dos textos criados, a exemplo do crossover, quando ocorre a combinação de mais de um universo ficcional. Então, no site analisado tem uma seção que organiza todos os crossovers e os leitores podem pesquisar pelas variadas junções de narrativas existentes na comunidade, desde Forrest Gump com Titanic, até Frozen com Piratas do Caribe.

Essa atividade, a do remix em geral, ela está mais concentrada na figura do fã particular de algum produto específico. Não é comum ver a figura de um cibercinéfilo ou seriéfilo fazendo fanfics, ou criando memes, a não ser que ele seja, também, um fã incondicional de determinada obra.

E assim vamos ampliando as práticas associadas a essa nova reformulação dada ao relacionamento com o audiovisual que, como temos visto, envolvem transformações no consumo, no compartilhamento e na produção de produtos da indústria cultural relativas ao universo do Cinema e das séries.

Belgede 10 MART 2022 Sayı 4567 (sayfa 25-33)

Benzer Belgeler