Cláudio pagava aluguel no distrito do Rio Pequeno, em suas palavras sempre... desde molequinho eu sempre participei de Sociedade Amigos de Bairro, reivindicação para asfalto, água, luz, essas coisas todas .
Segundo ele, sua relação com o lugar anterior de moradia era
49Contatamos a COHAB (Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo) (órgão que administra o Fundo
Municipal de Habitação e onde atualmente encontram-se os documentos referentes aos mutirões construídos na administração de Luiza Erundina de Souza) para um conhecimento mais apurado da situação anterior de moradia dos moradores do Mutirão Estrela Guia. No entanto, não há nos registros consultados dados sobre a demanda que constitui o Mutirão Estrela Guia. Os dados disponíveis (e os únicos existentes) referem-se fundamentalmente aos aspectos técnicos e financeiros do projeto.
50 As pessoas participantes das iniciais reivindicações e iniciais contatos com Prefeitura Municipal tinham a
incumbência de convidar outros cinco chefes de família de seu convívio social para fazer parte do Movimento. Assim foi alcançado o número ideal para o empreendimento, de 100 famílias. Desse modo também, dificilmente alguma família veio de outros distritos da cidade, o que certamente não exclui por completo essa possibilidade.
51 Ver em anexo organograma e descrição dos níveis de competência do Mutirão. 52 Todos os nomes dos entrevistados foram trocados.
46 tranqüila até o dia em que juntamente com outros moradores, ocupou um terreno ainda que pequeno, para chamar atenção da Prefeitura para o problema colocado: E na noite que a gente ocupou o terreno lá, até as pessoas que falavam bom dia para você naquele dia era como se você fosse um extraterrestre que caiu ali naquele terreno. Terrível . De seu depoimento, inferimos que sua relação com o bairro onde nasceu e cresceu, e onde sempre esteve envolvido com questões coletivas e por isso conhecido por sua atuação, foi ameaçada quando o mesmo teve a idéia de colocar em prática a ocupação de um terreno. Transgredir a ordem (nesse caso ocupar um terreno) conferiu-lhe, a desaprovação de muitos daqueles que sempre o apoiaram, o que culminou inclusive com sua prisão na noite do ocorrido53.
Cláudio era o coordenador do Mutirão até entrar em conflito com outras lideranças em virtude das prestações de conta, uma vez que era de sua responsabilidade a liberação dos cheques para compra de materiais.
Dona Maria da Graça morava no Sapé (núcleo de favela) localizado no distrito do Rio Pequeno. Veio de Campos dos Goytacazes no Estado do Rio de Janeiro e morou na Favela do Sapé por mais de 20 anos, onde criou sozinha todos os filhos. E gostava bastante, com os vizinhos próximos tinha uma ótima relação, que jamais conseguiu igual no Mutirão. Não sei explicar, assim, ás vezes eu tenho saudade de lá. Não sei, parece que o pessoal era mais unido lá. Parece não, era sim 54. Quis sair da favela para ter uma casa e também em virtude da
violência urbana. Mas o que preocupava era o tipo de violência que tinha. Muito tiroteio. Sempre tinha que ter cuidado, a gente vivia se enfiando debaixo das coisas por causa de tiroteio né? . Concluímos de sua fala que os laços de solidariedade da favela, não foram reproduzidos no Mutirão. Até hoje Dona Maria da Graça não conseguiu empreender na casa melhorias como pintura interna, colocação de pisos e azulejos, etc... Dona de casa, esperou dos filhos tais melhorias que não vieram, uma vez que cada um deles, num intervalo muito curto de tempo, emanciparam-se. Por outro lado, Dona Maria da Graça foi acometida por um câncer no esôfago que a impediu de ocupar-se com tais questões. Todavia, ela considera isso um detalhe, pois o mais importante, isto é, a casa, já foi conquistada. No Mutirão a referida senhora lutou muito,
fazendo massa, carregando bloco, subindo nos andaimes, ajudando os homens .
53 Eu fui para delegacia preso. Fui prestar esclarecimento, porque houve denúncia da própria população, eles se
viraram contra a gente. Mas aí chegou na delegacia, o delegado viu que não tinha artigo para me enquadrar, então eu fui liberado .
47 Dona Sônia sempre residiu no Jaguaré, na rua Floresto Bandecchi, como ela faz questão de frisar. A referida rua fica a poucos metros do Mutirão. Sua relação com o bairro e com a vizinhança sempre foi ótima. Como sempre morou no mesmo bairro, não teve problemas em relação ao novo espaço de moradia. Justamente pela proximidade, Dona Sônia sempre volta ou passa por lá.Até porque um de seus filhos, atualmente casado, alugou uma casa exatamente na mesma rua. São suas palavras: O Rodrigo foi morar na mesma rua. E todo mundo [com muita ênfase]55 conhece a gente, precisa de ver, e é abraço, e tudo, precisa de ver. Os meus filhos foram todos criados nessa rua né? Então para ele foi uma glória, foi alugar a casa, a pessoa já conhecia. Quando desocupou a casa, aí quando viu eu e o Rodrigo, ela disse: Eu não acredito que é você que vem morar aqui. Falei: Não é eu não, é o Rodrigo. Eu gostei56..
Sua identidade e vínculo com o bairro só melhoraram, segundo ela, depois de vir morar no Mutirão. Por um lado, porque tendo sempre residido no Jaguaré ao mudar p/ o Mutirão a poucos metros de sua residência anterior, passou a conhecer mais ainda outro pedaço do bairro, e por outro, o dinheiro empregado no aluguel é agora investido na própria casa, de onde só sairá quando morrer, como ela nos diz enfaticamente. A casa é desse modo, a garantia de permanência no bairro onde sempre morou, em que os filhos todos foram criados, e onde ainda residem mesmo após terem se emancipado.
Eu saí do aluguel e faz mais de 15 anos que a gente não paga. Aí o dinheiro que era da gente pagar aluguel, faz uma reforma, faz um piso, reboca. Investe no que é da gente. Que a gente veio aqui no rústico. Só no barro, sem água, sem luz, a luz era emprestada, depois não dava certo, porque queimava os aparelhos domésticos do homem .
Neuma também pagava aluguel, num bairro distante do Jaguaré, cerca de cinco quilômetros. No Jardim Bonfiglioli nasceu e cresceu, conhecia bem o bairro, sua relação com todos os vizinhose suas amizades eram muitos boas. São suas palavras:
Eu senti muito [diz enfaticamente]57 de mudar para cá devido a grande amizade que
eu tinha lá com o pessoal. Então assim, quando o grande dia chegou vieram várias coisas na minha cabeça. Veio alegria de saber que eu ia deixar para trás o aluguel, que é um dinheiro que você dá aquele dinheiro, mas não tem volta. Mas, assim ao passar dos meses eu percebi que eu assim fiquei feliz pela conquista da minha casa que era meu sonho. E eu vi esse sonho concretizado. Só que eu senti falta dos meus amigos, que eu deixei para trás. Então eu ficava um pouco assim isolada, eu
55 Inserção nossa.
56 Informação verbal concedida em entrevista realizada em 11/03/2007. 57 Inserção nossa.
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ficava no meu mundo, por falta dos meus amigos. Então o que me trouxe tristeza foi a falta dos meus amigos58.
Além do desafio de construir a casa, Neuma sofreu com a distância dos amigos, e no processo de mudança para o Mutirão outro desafio era lançado: estabelecer novas relações de amizade, companheirismo e confiança, que no antigo lugar de moradia foram conquistados em longos anos de convívio.
No Mutirão, além de auxiliar na construção das unidades habitacionais, Neuma também era responsável pelo cuidado com as crianças que, acompanhando os pais passavam todo o fim de semana ali. Fazia parte do regulamento a não admissão de crianças menores de 15 anos em qualquer das fases do trabalho. Desse modo, Neuma grávida do primeiro filho era encarregada de inventar jogos e brincadeiras, manter as crianças longe das máquinas e equipamentos, distraí-las. Por esse motivo, sempre dedicou especial atenção às crianças daquele período que hoje são jovens. À esse respeito ela se expressa:
Eu acho sim que foi importante a conquista da casa, mas eu particularmente acho que não deveria parar só na conquista da casa. Precisava ter outros ideais, trilhar outros caminhos, por exemplo, aqui existe muita criança, muitas crianças, entre as crianças do Mutirão, as crianças dos prédios. Então eu acho que devia ter um projeto mais visado para criança. Mas um projeto sério. Não só as 100 famílias, mas o próprio governo, a sociedade mesmo dar o parâmetro de estar implantando aqui dentro um projeto de cultura que é importantíssimo para criança, esporte. (..) Porque eu vejo também, que o espaço, não por causa dos prédios, mas o espaço se tornou pequeno, então idéia nós tínhamos, mas... Se tornou um espaço grande, mas se tornou pequeno, porque se fez muita moradia que é o ideal, mas não se pensou no lazer.(...) Mesmo tendo o Centro Comunitário, mas você vê o que aconteceu? Não tem nem condições. Então precisava ter assim um espaço maior para ter, por exemplo, uma localidade de esporte, quadra para crianças. Tem uma quadra aí, mas essa quadra não tem nem condições. Mas eu acho que devia ter uma visão mais aberta, uma visão mais definitiva. Precisava de várias quadras, playground para as crianças, esporte por faixa etária. Porque aqui tem desde criança pequenininha até jovem. Quantos e quantos jovens, todos eles eu vi crescer, e hoje estão aí tudo parado sem fazer nada. (...) O que você vê hoje é a criançada para se divertir que acaba brincando na rua, correndo risco na rua por não ter espaço ideal, adequado .
Observamos que Neuma apesar de bastante crítica em relação às necessidades atuais do Mutirão, acredita que um projeto sério para as crianças do empreendimento em sua totalidade (as casas do Mutirão e os edifícios das Operações Interligadas e Cingapura) deve cumprir uma
49 determinação externa (do governo, da prefeitura, da sociedade). A opinião dos moradores sobre seus desejos e perspectivas não é levada em consideração na sua fala.
Importante também que sua visão de conjunto habitacional remete a idéia de Getúlio Vargas no período de 1940. (ver nota 41).
Dona Alzira morava no Morro, situado entre o Jaguaré e o bairro de Presidente Altino (município de Osasco). Destaca que não morava na favela apesar de sua casa ser de madeira. A área era particular e pertencia a um senhor para quem seu falecido marido trabalhava limpando, e carpindo terrenos, e criando animais como galinha, porco e coelho. Em troca do serviço foi concedida à Dona Alzira e seu marido uma parte do terreno, para que morassem com os filhos pequenos. Lá moraram muitos anos, calcula 20 anos após pensar muito. Foi para o Mutirão antes mesmo de iniciado o processo de construção das unidades habitacionais. Devido ao tamanho da gleba e da falta de segurança, os mutirantes decidiram àquela época que alguma família deveria ser guardiã da área, a fim de inibir eventuais invasões. A família da Dona Alzira foi eleita para essa tarefa. Moraram num barracão por muito tempo até que todas as casas ficaram prontas. Só então, puderam ocupar uma das 100 casas que ajudaram a construir. Seu falecido esposo, já doente há muito tempo, viu seu sonho ser realizado, ainda que por pouco tempo, pois após adentrar a casa vivera poucos meses. Dona Alzira não se lembra bem, mas arrisca dois meses.
Sua participação na conquista pela moradia, bem como a representação que faz dela é bastante interessante.
Eu como dona de casa não saía quase para fora porque não tinha tempo. (...) Porque era o pai dela [referindo-se à uma das filhas que participou ativamente da
luta pela moradia]59 que vivia andando com ela, com eles e eu ficava em casa com as crianças porque eu cuidava de muita criança, cuidava de neto, filho assim dos outros, dos meus netos em casa, fiquei mais de dois anos com meus netos, do filho mais velho em casa, que era muita criança. (...) Aí a gente teve que lutar, eles lá, eu não, que eu só vivia trabalhando aqui, ajudando na cozinha, fazendo as coisas, fazendo bolo, cozinhando milho, fazendo café, chá, várias coisas60.
59Inserção nossa.
60Informação verbal concedida em entrevista realizada em 10/04/2007. No último trecho da fala referindo-se ao
período de transição entre a administração de Luiza Erundina e a administração de Paulo Maluf quando os repasses de recursos financeiros cessaram e o Mutirão Estrela Guia, assim como outros da cidade, tiveram que arcar com recursos próprios para finalizar suas obras. Em decorrência desse fato, as obras do Mutirão foram finalizadas na década de 2000, quando o empreendimento do PROVER no mesmo local já estava inclusive pronto. Levando em consideração o início do processo de luta, 1990, 1991, a consolidação do Mutirão durou mais de uma década.
50 Mesmo reconhecendo que cuidava de muitas crianças; seus filhos, netos, filhos de outros mutirantes, e também fazia várias coisas para arrecadar fundos para o Mutirão, Dona Alzira é enfática ao dizer que não participava de nada não . Contudo, sem sua colaboraçãoo processo de construir e autogerir o Mutirãocertamente teria sido mais difícil, inclusive, para aquelas pessoas para quem Dona Alzira prestava o serviço de cuidar dos filhos. Vejamos que o fato de ela não pegar na massa , não estar presente nas reuniões ou no canteiro de obras faz com que ela considere sua participação pouco útil. Ter morado junto com a família num barracão por muito tempo com a finalidade de vigiar a área do Mutirão no nosso ponto de vista, foi a maior de suas contribuições, porém, esse fato é lembrado por ela como um cumprimento de protocolo determinado pela assembléia de mutirantes. Tanto no Morro, como no barracão improvisado e na casa construída no Mutirão, Dona Alzira sempre se ocupou das mesmas tarefas: cuidar de casa e de crianças (seus filhos, netos, filhos dos mutirantes).
Do exposto acima, inferimos que o raio de ação61 de Dona Alzira é e sempre foi de acordo com ela própria o espaço restrito da casa. Minha vida sempre foi essa aqui mesmo que você está vendo.
Inferimos também que a dificuldade de interação não impede a participação, mas, não encontra legitimidade por aqueles que compartilham do processo. Desse modo, a participação reconhecida é a dos homens, daqueles que negociam com a prefeitura, ou somente das mulheres mais engajadas. Porém, no Mutirão participam sim, e efetivamente, aquela que longe da massa de cimento faz o almoço sem ser vista, outra que pelo limite da força física ajuda como pode, também aquela que reúne as notas para a contabilidade, ou ainda aquela outra encarregada de ficar longe do canteiro de obras distraindo as crianças. Mesmo que protagonistas da própria luta, há a necessidade de que alguém as lembre disso, pois, por muitas vezes, a consciência da participação no processo político não lhes vem e suas falas são de meras coadjuvantes.
Exceto aqueles desempregados, a demanda era constituída em sua maioria por indivíduos que justamente por trabalharem durante a semana, iniciariam o processo de construção de suas casas aos finais de semana. Interessante perceber que dentre todas as regras para a participação do mutirão, 25 ao todo (ver anexo), aquela que esteve presente em muitas falas, aprimeira a ser lembrada com bastante destaque foi a questão relativa ao trabalho aos finais de semana.
Vejamos:
61 Termo de Agnes Heller para referir-se ao alcance das atividades cotidianas exercidas pelo homem humano-
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Foi uma luta muito grande. Era Sábado, Domingo, Feriado. A gente não tinha Sábado, nem Domingo, nem Feriado. Porque se não participasse eliminava. Então a gente não parou com a luta (...). Era Sábado, Domingo e Feriado. E se não viesse perdia a casa. Se tivessem cinco faltas tinha que ter justificativa. Quando meus filhos não vinham, tinha vez que eles queriam sair para dar um rolê aí eu segurava a barra, eu vinha. Sábado e Domingo . (Dona Sônia).
A princípio pra mim foi assim um tanto difícil né? Porque como eu falei anteriormente, pra mim eu não via a hora de chegar Sexta-Feira de tão cansada, então eu tive que trabalhar muito comigo mesma e perceber que pra nós não existiria nem Sábado nem Domingo, então eu perdi muitas festas, muitos convites de casamento, muitas festas de aniversário, muitos dias de descanso, mas, o que me dava, o que me movia a perder tudo isso, todos os meus finais de semana era a conquista da minha casa que era o grande alvo da minha vida, o grande alvo da minha conquista com a minha família (Neuma).
Foi muita luta. Luta, luta mesmo. Fazendo massa, carregando bloco, subindo nos andaimes, ajudando os homens. Muita luta. Muito sol. Olha aqui meu braço, todo queimado, foi do sol, de tanto Sábado e Domingo de calor daquele tempo. Então a gente não teve descanso durante uns dois, três anos, trabalhando na semana dentro de casa e trabalhando fim de semana para ter essa casa . (Dona Maria da Graça).
Essa regra, do regimento interno de funcionamento do Mutirão Estrela Guia, permite analisar esse processo sob o aspecto da dupla exploração dos mutirantes. Isso porque, mesmo já tendo trabalhado durante toda a semana, em seus dias de descanso novamente tinham que trabalhar na construção de suas casas. E não eram pagos pela Prefeitura Municipal por isso. Ao contrário, no Programa de Autoconstrução e Autogestão, a mão-de-obra gratuita dos mutirantes era a sua parte na amortização das unidades construídas. Apesar disso, ao final do processo, os moradores ainda esperam do poder público a documentação que lhes confira propriedade das habitações. Esperam também e, sobretudo, os carnês para o pagamento das moradiasque são suas, pois eles as construíram, ao mesmo tempo não são, pois não há documentação que comprove.
Sobre esse aspecto, Rodrigues (1988) ao relatar o processo de ocupação de terras no município de Osasco tece as seguintes indagações:
É correto o movimento tomar em suas mãos o que é atribuição do poder público? Já não contribuem para a produção social com o seu trabalho? Os movimentos, ao tomarem para si a deliberação de construir com seus próprios meios , estão sedimentando ainda mais o fetiche da produção da cidade. Não é com recursos do trabalho (FGTS), que se promove, ou pelo menos se deveria promover, a habitação de interesse social? (p.292) Questões desse tipo fazem parte de todo processo de luta por moradia nas cidades brasileiras.
52 Vejamos as considerações de nossos depoentes:
A única coisa que eu tenho a dizer é que a gente ainda não tem um papel que prova que é da gente, mas a gente sabe que é da gente né? Ano passado um pessoal da Prefeitura veio saber, veio perguntar, para mandar documentação, mandar carnê para a gente pagar e pegar documentação da casa, mas não deu em nada ainda. É a única coisa ruim só é isso. Mas eu tô feliz! (Dona Maria da Graça). ... Mas agora, por exemplo, eu, na minha opinião, em mim assim, eu não vejo a hora de chegar aquele papel da Prefeitura, eu ter meu documento, da minha casa, pagar minhas prestações e pronto, porque eu já me aposentei (Dona Sônia).
Deus que pôs a mão e fez o Mutirão aqui. E até hoje ninguém pegou o carnê nem nada. Não estamos pagando nada. Só água e a luz. Tem vez que eu deito assim e penso: Será que ainda vou receber o carnê para poder pagar isso aqui? Porque ainda não é meu né? Não estamos pagando nada . (Dona Alzira).
A princípio todos nós temos, nós queremos a escritura. Nós já temos a casa, todo mundo quer a escritura. O pessoal da COHAB chegou vim falar conosco, fez uma reunião, trocou até uns documentos, papel, foi levado tudo para a COHAB. Só que até hoje nós não temos assim um retorno, então nós estamos aguardando um retorno pela COHAB. Então todo mundo não vê a hora de ter suas escrituras. Para concretizar: essa é a minha casa mesmo (Neuma).
Somente Cláudio tem outra perspectiva sobre o mesmo problema:
O Serra quando assumiu, logo nos primeiros dias apareceu gente aqui. Só que a proposta que eles vieram aí não condiz com a realidade. Por exemplo, eles querem cobrar, eles querem que a gente pague o valor venal, o valor como se tivesse entrado aqui hoje, com tudo pronto. (...) Eles querem colocar tudo na balança. Eles não sabem da ampliação que eu fiz. Hoje a minha casa tem três dormitórios e uma