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2 ABD EIA'nın yayınladığı kaya gazı ve petrol oluşumunu gösteren

A imprensa brasileira, de um modo geral, considera “brasiguaios” todos os imigrantes brasileiros que residem no Paraguai.

“Com tiros e invasões, sem-terra paraguaios querem expulsar meio milhão de brasiguaios. Se o êxodo ocorrer, será a maior tragédia humana na história do Brasil” (Veja, 10/12/2008).

“O governo do presidente paraguaio, Nicanor Duarte Frutos, está realizando, junto com o governo brasileiro, uma ampla pesquisa sobre a situação dos brasileiros que moram e são proprietários de terras no Paraguai, os chamados ‘brasiguaios’. Ninguém sabe quantos são. Segundo a embaixada brasileira em Assunção, existem 150 mil brasiguaios. Outras fontes falam em mais de 500 mil” (O Globo Online, 20/05/2008).

Significado parecido é atribuído ao termo por camponeses paraguaios, entrevistados por Albuquerque (2005, p. 226).

Já para o jovem Fernando, entrevistado no âmbito de elaboração desta tese, o termo “brasiguaio” refere-se aos paraguaios que estão em constante contato com os brasileiros e, por isso, conhecem o idioma português.

“Olha só. Como eu faço um curso totalmente diferente do que eu trabalho, então eu tenho um professor que ele fez um trabalho em cima disso, né, tanto é um trabalho de mestrado, né? Então o “brasiguaio”, o “brasiguaio” aqui para nós é aquela pessoa ou aquele paraguaio que se adaptou. Como ele nasceu aqui, então o tempo todo está em contato com o brasileiro, tem amigos brasileiros... Então ele vai, aprende o português, fala bem e pronto! O povo chama de “brasiguaio”. É mais o paraguaio, não é tanto o brasileiro! Tem brasileiro que ainda tem certo preconceito aqui em Ponta Porã, mas são pessoas de mais idade. O jovem não! Vivem praticamente... Não, não. Eles não falam “brasiguaio”, mas também não se ofendem... É mais... O termo “brasiguaio” é mais aplicado ao paraguaio que vai ao Brasil, aprende a falar o português, não necessariamente..., mas vive lá, trabalha lá, então acaba sendo mais aplicado ao paraguaio que vai para o Brasil e não ao brasileiro que vem para o Paraguai. É mais difícil!”

(Fernando, 29 anos, curso superior incompleto, renda familiar de 3,5 SM).

Conforme outros “brasiguaios” entrevistados em campo e que se identificaram como tal, ser “brasiguaio” é ser imigrante brasileiro e/ou descendente desses imigrantes e conhecedor das práticas culturais dos dois países.

“Eu considero “brasiguaio” aquelas pessoas que moram na região da fronteira. Moram na região da fronteira e conhecem os costumes tanto do Brasil quanto do Paraguai. Por quê? Eu, na minha opinião, ah... são dois países irmãos, são países vizinhos, que foram criados como irmãos. Então a gente, eu, por ser de origem paraguaia, mas eu morei no Brasil mais de 30 anos e minha esposa brasileira, eu conheço os costumes brasileiros (...). A gente é conhecedor dos dois lados, é, dos dois lados da moeda. Digamos assim, eu me considero uma pessoa “brasiguaia” com muito orgulho!”

(Pedro, 42 anos, 2° grau completo, renda domiciliar de 3,0 SM).

“Sim, me considero brasiguaia. Apesar de ter nascido aqui no Paraguai e ter estudado aqui, eu não falo direito nenhum dos dois idiomas. Também morei vários anos no Brasil e adoro o país, a gente, tudo mesmo... Comecei falando português e me identifico com as duas culturas... Ah, claro, e porque meu pai é brasileiro e minha mãe é paraguaia.”

(Amanda, 20 anos, curso superior incompleto, renda familiar de 6,0 SM ).

Diante do conceito de transnacionalismo e dos diferentes sentidos imputados ao termo “brasiguaio”, torna-se imperativo apresentar mais detalhadamente os elementos que justificam considerar os “brasiguaios” como indivíduos transnacionais (terminologia utilizada aqui) e que os tornam singulares em relação a outros transmigrantes.

A difusão da língua portuguesa é uma das características mais marcantes da comunidade transnacional ‘brasiguaia’ e talvez a mais importante para a sua consolidação. Nos municípios paraguaios onde a presença de brasileiros é predominante, além da comunicação cotidiana, interpessoal, a língua portuguesa está nos veículos de informação e na mídia brasileira, transmitida via satélite para

o Paraguai. As informações veiculadas pelos programas de rádio5 e televisão brasileira, sobretudo pela Rede Globo, SBT e Rede Bandeirantes, também modificam os valores e comportamentos no Paraguai (Santa Bárbara, 2001, p. 92).

O idioma guarani aparece então como um critério delimitador da nacionalidade paraguaia. Suas raízes são bem diferentes da do português e do espanhol e as novas gerações sentem dificuldades em aprendê-lo. Albuquerque (2005, p. 15) reconhece que nas regiões de fronteira do Paraguai com o Brasil existem “variadas formas de hibridismo lingüístico”, com a mistura, por exemplo, dos idiomas, das músicas, da culinária, mas menciona também as tensões cotidianas, relacionadas à predominância da língua portuguesa sobre o espanhol e, especialmente em relação ao guarani, nessas áreas fronteiriças. Segundo o autor, os professores reclamam do portunhol (mistura de espanhol e português) na redação dos alunos “brasiguaios” nas escolas. Os professores teriam a missão de preservar a identidade nacional por meio da proibição do uso da língua portuguesa no ambiente escolar.

Apesar de Santa Bárbara (2001) não ter realizado sua pesquisa em municípios fronteiriços ao Brasil, ele denomina os municípios paraguaios de Santa Rita, San Alberto, Katueté e La Paloma territórios brasileiros transfronteiriços. A justificativa apresentada pelo autor é a presença dominante do idioma português e da circulação do Real, moeda brasileira, na região. Sua conclusão vai ao encontro do que Albuquerque (2005) denominou de “alargamento da faixa de fronteira entre os dois países.”

A influência brasileira na religião, na dança, nas tradições e na culinária paraguaia também é marcante. Nos carros de som e bares as músicas brasileiras são predominantes, assim como as bandas contratadas para tocar em bailes no Paraguai, na região de fronteira. Albuquerque (2005) menciona as festas da Exposoja e os Centros de Tradições Gaúchas (CTG) nesses departamentos, onde a cultura, o idioma e a culinária brasileira dominam a paraguaia. Ademais,

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Muitas rádios pertencem aos imigrantes brasileiros, mas estão no nome de seus filhos paraguaios ou de outros nativos. A lei das telecomunicações não permite que os estrangeiros sejam proprietários de meios de comunicação em território nacional (Albuquerque, 2001, p. 96).

os cultos evangélicos e as missas católicas são celebrados por pastores e padres brasileiros, em igrejas financiadas pelos imigrantes.

A participação na vida política de municípios paraguaios, por parte dos imigrantes brasileiros e seus descendentes também é uma característica da comunidade transnacional “brasiguaia” naquele país. Exemplos não faltam, como é o caso de Mbaracayu, governada por um prefeito brasileiro, e as cidades paraguaias de Naranjal, Santa Rosa del Monday e San Alberto, todas em Alto Paraná, administradas por prefeitos paraguaios, filhos de imigrantes brasileiros. Além disso, vários vereadores brasileiros foram eleitos em municípios pertencentes aos departamentos de Alto Paraná e Canindeyú (Albuquerque, 2005, p. 90). Esses candidatos se elegeram, principalmente, com votos de imigrantes brasileiros, de seus descendentes e de alguns paraguaios natos. Todavia, Santa Bárbara (2001, p. 113) ressalta que o ex-prefeito de San Alberto, Romildo Maia (brasileiro, naturalizado paraguaio), foi eleito com votos de fora do município, já que grande parte dos brasileiros residentes na cidade não possuía a carteira de imigrante e não poderia votar no Paraguai. Muitos eleitores brasileiros foram recrutados nas cidades de Katueté, Troncal 4 e Puerto Índio para votarem em Romildo.

Levitt & Jaworsky (2007) chamam atenção para essa e outras práticas políticas transnacionais realizadas pelos imigrantes. Os autores classificam também a participação dos imigrantes na política como eleitores, a filiação a partidos políticos, a realização de festas e campanhas nos dois países envolvidos e lobbies de autoridades de um país para influenciar a política do outro país, como práticas transnacionais.

QUADRO 4 - Aspectos dos transnacionalismo “brasiguaio” 1- Espaço físico e social Território híbrido

Presença da língua portuguesa nas relações interpessoais diárias e nos meios de comunicação de massa, como em emissoras de televisão e rádios

3- Práticas culturais Músicas, culinária, e padrões de comportamento Eventos públicos, organizações civis e de classe, tais como a Pastoral do Migrante, a festa da Exposoja e os Centros de Tradições Gaúchas Ativismo econômico nos dois países (propriedades agrícolas no Paraguai para produção de soja e pecuária e escritórios no Brasil), redes ilegais de contrabando e utilização da moeda brasileira e paraguaia; práticas políticas que incluem participações eleitorais (como eleitores ou candidatos) em ambos os países, participação em associações políticas e campanhas eleitorais tanto no Brasil como no Paraguai

2- Linguagem e comunicação

4- Organização social

5- Economia e política

Outro fator importante que contribui para a peculiaridade dessa comunidade é o intenso trânsito dos “brasiguaios” na região de fronteira entre esses dois países. Como se verá adiante, as motivações para os deslocamentos são variadas e algumas delas fazem parte das estratégias de sobrevivência desses indivíduos, principalmente dos mais pobres.

Benzer Belgeler